Leo e a Busca por Grayton
13 Capítulo 13
Notas iniciais
O clima pesado tornou a viagem mais longa e cansativa, principalmente para Leo que tinha dormido menos que Mike e Emily. Os dois amigos dormiam, Mike estava no banco do passageiro, roncava como um porco velho de boca aberta. Leo estava acordado no banco do motorista. Emily estava deitada no banco traseiro, dormia como um bebê e mais comportada que Mike.
Leo poderia ter dormido durante a viagem também, já que o carro andava sozinho, mas não conseguiu apesar de seu cansaço excessivo.
Quando chegaram ao orfanato, Leo não quis acordar ninguém. Ficou com medo da reação de Emily e passou a observá-la. Olhar para ela o deixava mais calmo e afastava outros pensamentos ruins. Discutir com ela talvez tenha sido a maior besteira que Leo já fez em toda a sua vida, ninguém que quer namorar outra pessoa a chamaria de invejosa.
Não fez isso por muito tempo porque acabou pegando no sono também. O sonho não voltou e ele dormiu tranquilamente por mais ou menos uma hora até ser acordado por Mike.
–Cara, melhor você não dormir mais. Emily está uma fera, xingou você de um monte de coisas enquanto você dormia.
–Onde ela está?
–Foi dar uma volta, disse que não queria te ver. Por que disse aquilo tudo pra ela?
–Não sei. Estava confuso e quis vir até aqui pra encontrar Lily e clarear as ideias. Quando ela se opôs eu falei sem pensar pra convencer Emily a vir e acabei falando o que não devia.
–É, não devia mesmo. Mas ela vai acabar esquecendo, pode demorar, mas ela vai.
– Não quero ficar brigado com ela. Você sabe... eu gosto dela, de verdade.
–Eu sei, mas acho que você não pode fazer nada agora, o melhor é esperar ela esquecer.
– Você tem razão. Mas agora vamos precisamos ver Lily.
–Não seria melhor esperar Emily voltar?
–Pra quê? Ela mesma disse que não queria me ver.
Mike não respondeu, apenas assentiu. Leo ficou feliz de ter conversado com Mike, ele era o único que o entendia além de Lily.
Eles desceram do carro e atravessaram a rua. Leo estava tremendo de nervoso, Lily poderia nem estar mais lá. Sua apreensão fez ele ficar parado estático na frente da porta do orfanato. Apertou a campainha com a mão tremendo, mas ninguém atendeu, o coração de Leo parecia que ia sair pela boca.
Finalmente, a porta se abriu sozinha com um rangido enferrujado que nunca tivera.
E lá estava Lily, mas Leo desabou no chão ao vê-la daquele jeito. Ela estava chorando, amordaçada e amarrada na cadeira que Leo costumava se sentar para tomar café da manhã junto à Peter.
Leo nem pensou direito e foi correndo até ela. Mike gritou pra que Leo não fosse, mas ele não deu ouvidos. Ajoelhou na frente da cadeira e começou a desatar os nós com as mãos trêmulas.
–Tudo bem – disse Leo para Lily tentando acalmá-la – Eu estou aqui Lily, não se preocupe.
Mas ela continuava a gritar do jeito que podia por trás da mordaça e apontando para a direita com a cabeça. Leo foi muito estúpido de não perceber que era uma armadilha, só se ligou quando olhou na direção que Lily indicava e viu uma pessoa no canto da sala toda encapuzada como se não quisesse ser reconhecida. Não sabia se era homem ou mulher e nem teve tempo para descobrir, ele lhe lançou um feitiço que caiu desmaiado no chão. Mike tentou ajudar, atacando o desconhecido, mas acabou acertando a televisão que caiu sobre a mesinha de vidro onde estava o telefone e a mesinha se quebrou fazendo um barulho que acordou as crianças no andar superior.
Antes que Mike conseguisse alertar as crianças para não descerem um Dixen veio por trás e o agarrou como fez na noite anterior. O Dixen que o segurava foi um homem forte de quase dois metros de altura, então Mike não conseguiu se soltar. Mike foi levado até a figura encapuzada, percebeu na mesma hora que ele não era uma criatura mágica, mas sim um humano comum. Mike cuspiu no capuz dele e conseguiu ouvir uma risadinha antes que ele lhe colocasse a mão na cabeça e o apagasse como fez com Leo.
Uma voz masculina veio do segundo andar:
–O que está acontecendo aí embaixo querida?
Lily grunhiu o mais alto que podia, mas ele não escutou desceu ao andar inferior. Não teve tempo de dizer nada e rolou escada abaixo desacordado como Leo e Mike.
As crianças assustadas gritaram. Willian, que era o mais velho perguntou:
–Quem esta aí?
–Não acredito nisso! Tem quantas pessoas aqui? Vai lá encima e não deixa ninguém descer, não pretendo matar ninguém, só quero os três amiguinhos – ordenou o desconhecido para um dos Dixen.
Ele obedeceu e começou a subir as escadas. As crianças gritaram ainda mais quando viu o fantasma subindo as escadas. Willian disse para acalmá-las tentando parecer mais confiante do que realmente estava:
–Calma, parem de gritar. Quem são vocês?
O Dixen naturalmente não respondeu e afastou as crianças pra dentro do quarto mais próximo. Elas gritavam por Lily e por Rick. Rick deveria ser aquele homem que chamou Lily de querida. Mas ninguém respondeu. Até Willian que se achava muito corajoso estava gritando.
–Calem a boca! – gritou o desconhecido, sua voz era incomodavelmente artificial e metálica, como se o dono dela pudesse ser reconhecido se ele não a tivesse, era como o alto-falante do vendedor de sorvete que passava na frente do orfanato aos sábados e domingos – Seus “pais” estão bem, não queremos machucá-los, só estamos esperando a outra amiguinha do irmão de vocês, o Leo.
–Eu sabia que aquele idiota estava envolvido – disse Ethan, aquele garoto que importunava Leo.
–Não fale assim dele, você não sabe de nada – disse Peter, o único amigo que Leo tinha no orfanato.
–Eu mandei vocês se calarem.
Ninguém ousou falar mais nada.
O desconhecido levantou os braços e murmurou umas palavras inaudíveis em outra língua. Uma fumaça negra surgiu do chão e outros Dixens se levantaram dela, como se estivessem brotando do chão como uma planta. Entre eles, estava Christian.
–Amarrem esses outros.
Leo, Mike e Rick foram amarrados em cadeiras do mesmo modo que Lily, ela era a única amarrada que estava acordada. As lágrimas escorriam pelo rosto dela incessantemente, olhava para Leo e chorava ainda mais, seu único consolo era pensar que ele ainda estava vivo, pelo menos era isso que ela preferia acreditar.
Depois de aproximadamente uma hora, os três acordaram. Leo tentava conversar com Lily, mas a mordaça o impedia. Mike tentava se soltar inutilmente e Rick estava gritando como podia com os olhos arregalados que pareciam que iam sair pra fora.
O estranho estava caminhando de um lado para outro impaciente. Estava esperando por Emily, mas ela demorava. Pensava em deixá-la para trás e executar seu plano apenas com os dois garotos.
Mais dois Dixens subiram para vigiar as crianças. Os demais imitavam seu mestre, movendo-se de um lado para o outro como grandes idiotas.
Estava prestes a desistir de esperar por Emily quando a gritaria recomeçou no andar de cima.
–Calem-se.
Mas dessa vez, ninguém se calou. O desconhecido ficou ainda mais nervoso e subiu as escadas pra ver o que estava acontecendo, deixando Leo, Mike, Lily e Rick sozinhos com os Dixens estúpidos que ainda caminhavam de um lado para o outro.
As crianças atacaram o estranho que acabara de subir. Os menores se agarravam nas pernas dele e os maiores davam socos e murros nele.
–Parem de ser idiotas e me ajudem aqui – ordenou ele aos Dixens que estavam apenas vigiando as crianças, não tinham ordens até agora de ajudar seu mestre.
Os três Dixens que estavam lá, puxavam as crianças para trás tentando libertar seu mestre. Mas elas eram muitas e se agarravam a ele.
–Vocês aí embaixo, me ajudem aqui – ordenou.
Finalmente os idiotas pararam de se mover como patetas e subiram as escadas. Os quatro amarrados ficaram sozinhos no andar de baixo.
A porta da sala se abriu cautelosamente pra que não fizesse barulho e chamar a atenção dos Dixens. Era Emily. Eles se exaltaram, mas Emily pousou o dedo sobre a boca, num sinal de que ficassem em silêncio. Eles obedeceram enquanto Emily os livrava das amarras.
–Eu disse que não era uma boa ideia – disse Emily quando terminou de desamarrar todos.
–Por favor – interveio Mike – Não é hora de brigar agora. Precisamos ajudar as crianças!
–Tem razão. Depois conversamos Sr. Leo. Fiquem aqui vocês dois, pode ser perigoso – disse Emily para Lily e Rick.
Os dois fingiram que assentiram, mas quando os três amigos subiram as escadas, eles os seguiram.
Emily jogou um Dixen pela janela de vidro que se quebrou e Mike a ajudava a lutar contra os demais Dixens que tentavam ajudar seu mestre. Leo pulou nas costas do homem mascarado que fazia um grande esforço para se livrar dele.
Quando finalmente Lily conseguiu subir as escadas ela gritou:
–PETER!!!
Ninguém tinha percebido até o momento, mas Peter jazia morto junto à escada numa poça de sangue que pingava de sua cabeça. Tinha batido a cabeça muito forte no corrimão quando um Dixen o puxou das pernas do mascarado e o arremessou com uma força brutal pouco tempo antes de Emily subir as escadas e arremessar o mesmo Dixen pela janela.
Tudo aconteceu muito rápido, todos se viraram em direção a Lily para ver o motivo de seu grito, inclusive Leo que se distraio e o mascarado o derrubou no chão.
Christian, o Dixen, achou que Lily poderia machucar seu mestre e lhe acertou com feitiço bem no meio do peito, Lily não resistiu e rolou escada abaixo.
–LILY – gritaram Leo, Rick e todas as crianças juntos.
O barulho do corpo caindo no chão do andar de baixo não deixou dúvidas, Lily estava morta.
Leo tentou se levantar e descer pra se certificar da morte, mas foi barrado pelo mesmo que o tinha derrubado. Os outros Dixens seguraram Mike e Emily que faziam um esforço enorme para se soltar.
Estava acabado, foram derrotados. Lily e Peter estavam mortos. Leo, Mike e Emily foram capturados. As outras crianças choravam e estavam desesperadas demais para fazer alguma coisa. Rick tentou ajudar dando um soco no mascarado que segurava Leo, mas não adiantou nada, um Dixen o agarrou, ele se debateu, mas não tinha forças o suficiente para se soltar depois de ver Lily ser morta pelo mesmo Dixen que o segurava agora, Christian.
Leo gritava mais que todos, chorava mais que todos. Ele se culpava, Lily e Peter morreram por sua culpa, e ele só queria ajudar. Emily tentou lhe avisar, Leo foi um idiota que só pensara nele mesmo. Dessa vez, nem tentou resistir às forças dos Dixens, simplesmente deixou ser levado.
Emily não parecia estar mais zangada nem queria se soltar, ela também chorava. Mike se debatia como um louco numa camisa de força, conseguiu se livrar, mas não por muito tempo, aquele Dixen de 2 metros o prendeu novamente.
Não tinha esperanças, Leo não se importava de morrer, mas não queria que outras pessoas morressem por sua culpa.
–Solte as crianças, elas não têm nada a ver!
–Não queria que ninguém morresse, só queria capturar vocês três. Não entendo porque se esquivam, não procuram por Grayton? Eu estou com ele e vão revê-lo em breve. Era só se entregar.
–Mas agora estamos aqui. Você disse só quer a gente, então solte as crianças.
–Claro, claro. Elas não me interessam.
– Eu cuido delas! – disse Rick.
–Desculpe, mas quem é você mesmo? – perguntou Leo, que ainda não tivera tempo de conhecê-lo.
–Eu sou, ou melhor, era o noivo de Lily. Depois que você foi embora, ela ficou muito triste e precisou de alguém.
–Tem certeza de que pode fazer isso?
–Sim.
–Obrigado. Lily deve ter sido feliz com você.
–Chega de discussão familiar, agora vamos! – disse o mascarado empurrando Leo pela escada.
Foi a última coisa que se lembrou, ele foi apagado, de novo.
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