Leo e a Busca por Grayton
6 Capítulo 6
Embora não conseguisse ficar de pé, a noite de Leo foi agitada, ficou uma dor de cabeça horrível depois do dia ensolarado que precisaram aguentar. Acordou suando várias vezes durante a noite, parecia estar no meio de uma tempestade de tantas gotas de suor que escorriam pelo seu corpo. Ele queria beber água, sua garganta estava seca e queimando, mas aquela casa não tinha água e Leo não conseguia conjurá-la, o máximo que conseguiu foi uma água marrom e barrenta que não teve coragem de tomar. Conseguiu cochilar algumas vezes e ficou muito aliviado ao ouvir a voz de Emily, que parecia um pouco mais confiante do que antes, lhe chamando:
–Acorde, temos que ir – dissera ela amigavelmente.
–Sim che...
Quase dissera chefa, o que com certeza is mudar o humor de Emily, Leo não queria isso e interrompeu sua frase bruscamente. Ainda bem que ela não percebeu o que ele ia dizer.
Levantou rápido e foi direto pra cozinha, onde encontrou Mike que estava capengando de sono como na manhã anterior.
–Não tem café hoje? – perguntou Leo.
–Não – disse Mike – Não deu tempo de passar na mercearia do amigo de Grayton.
–Que horas são?
–06h00min – respondeu Mike.
–AINDA?
–Sim. Emily achou que fosse melhor acordarmos cedo.
–Por quê? Ainda está com sono? – perguntou Emily.
–Não, na verdade, estou aliviado, a noite não foi muito boa pra mim hoje, não consegui dormir direito. Eu só... achei que fosse mais tarde.
–Vamos ter que sair pra comer.
Leo ia perguntar onde, mas conseguiu a resposta sozinha. Eles iriam à mercearia do amigo de Grayton.
Enquanto esperava os amigos guardarem tudo numa mochila que Emily conjurou, Leo tentou várias vezes conseguir comida através de magia, ele balançava sua varinha freneticamente, mas tudo o que conseguiu foi um amendoim torrado.
Seus colegas riram e Leo ficou envergonhado.
–Já é um começo, agora sabemos que pode fazer comida, mas precisa praticar. Por enquanto vamos ter que arranjar comida por outros métodos antes que você coloque fogo na casa – disse Emily.
Leo era teimoso e ficou tentando outras vezes. Teve um progresso, conseguiu um pirulito, mas era horrível tinha gosto de ovo jogou fora pela janela e ouviu um grito:
–EI, mas o que foi isso?
Leo provavelmente acertou o pirulito em alguém e imediatamente se desculpou:
–Me desculpe, foi sem querer – gritou ele de dentro da casa.
–Preste atenção! Posso chamar a polícia – disse o moço que foi atingido.
Leo queria calar a boca daquele moço, mas se conteve em pedir desculpas novamente e não teve resposta, ele deveria ter ido embora.
–O que está acontecendo? – quis saber Emily.
–Nada – mentiu Leo e logo mudou de assunto – Já podemos ir?
–Sim, já arrumamos tudo – respondeu Emily.
–Onde fica essa mercearia? – perguntou Leo.
–Não muito longe. A umas duas quadras daqui.
Saíram pela porta da frente seguidos de Mike com a mochila.
–Bom, lá vamos nós – disse Mike entusiasmado, parecia que esperava por isso havia muito tempo.
Andaram até o mercadinho que Emily falou que era perto. Parecia que só disse isso para Leo não ficar com preguiça, o tal do mercadinho era longe, mas finalmente chegaram. Emily tocou a campainha no balcão e um velho de cabelos brancos, uma porção de rugas espalhadas em seu rosto, barba por fazer e com pequeninos óculos de meia lua apoiado em seu gigantesco nariz apareceu de trás da prateleira.
–Bom dia. Em que posso ajudar? – perguntou o moço.
–Olá Benjamin, somos amigos de Grayton, lembra-se de nós? Viemos aqui ontem – disse Emily apontando pra ela mesma e Mike.
– AH claro que me lembro, peguem o que quiser, devo minha vida àquele homem. Como ele está? Imagino que esteja melhor do que eu, quando estava vindo pra cá passei na frente de uma casa velha de madeira e um pirulito voou na minha cabeça.
Leo recebeu olhares de seus amigos que até ficou com medo, principalmente de Emily. Leo se sentiu mal, o pirulito estava realmente muito duro, coitado daquele senhor, mas como ele saberia não é mesmo?
–Grayton está bem – mentiu Emily – E sinto muito pela sua cabeça.
–Tudo bem, não se preocupem com isso. Peguem o que quiserem.
Leo não se sentia bem pegando as coisas daquele senhor, ainda mais por que jogara um pirulito na cabeça dele, deveria estar doendo.
Não pegaram muita coisa, apenas uma pequena sacola de plástico com bolachas recheadas e biscoitos de polvilho. Não queriam se aproveitar da boa vontade do senhor. Também não demoraram muito, apenas uns 2 minutos. O senhor os observava com um grande sorriso amarelo no rosto que acentuava ainda mais suas rugas.
–Obrigada, temos que ir agora – disse Emily.
–Não há de que, quero ajudar os amigos de Grayton, ele foi muito bom pra mim.
E saíram sem mais cerimônias. Ninguém sabia o que Grayton fez para aquele homem nem se interessaram em saber.
Sentaram nos bancos de um parque e comeram dois dos quatro pacotes de biscoitos recheados que pegaram e os biscoitos de polvilho, precisavam economizar, não tinham muita coisa. Enquanto comiam Emily perguntou:
–Por acaso, foi você que jogou um pirulito naquele homem, Sr. Leo?
–Foi sem querer, estava tentando fazer comida e saiu um pirulito com gosto de ovo e o joguei pela janela.
Emily ia falar alguma coisa, mas caiu na risada junto com Mike. Até Leo riu, não tinha percebido como a situação foi engraçada apesar de ainda estar se sentindo mal pelo senhor que ainda deveria estar sofrendo fortes dores de cabeça.
Terminaram de comer e Leo perguntou:
–E agora pra onde vamos?
–Pra um lugar deserto aonde ninguém vai, abrirmos o portal para o mundo real e falamos com Scott – disse Emily.
–Isso mesmo e quando acharmos esse lugar vamos dar a você um novo rosto pra que Scott não perceba que é você – comentou Mike.
–Certo – concordou Leo – Por que não vamos naquele lugar em que treinamos, ninguém ia lá.
–Boa ideia. Vamos pra lá.
Levantaram do banco e foram em direção ao monte. Caminharam um tempo em silêncio, Leo odiava esse clima e pra descontrair comentou:
–Eu achei que esse lance de magia era mais difícil.
–Mas magia não é fácil de aprender – disse Emily – Nós levamos muito tempo até conseguirmos nosso primeiro feitiço, e olha que nosso professor é o maior feiticeiro de todos os tempos. Eu também achei que você ia demorar pra aprender, mas você se saiu bem, essa varinha é mesmo muito poderosa. Queria eu ter uma dessas.
–Quanto tempo levaram pra aprender?
–Uns dois meses. Grayton só começou a nos ensinar quando completamos oito anos. Nossa magia só começa a se desenvolver a partir dessa idade. Ela está dentro de nós desde quando nascemos, mas nosso cérebro não tem maturidade suficiente pra executá-la antes dos oito anos.
– Inclusive eu?
– Você deve ser diferente. Não tenho certeza.
Não demorou muito pra que chegassem ao monte onde tinham treinado ontem. Chegaram mais rápido do que Leo imaginava.
Como esperado não tinha ninguém lá. O Sol não estava visível como no dia anterior, provavelmente estava escondido atrás das nuvens grandes e plúmbeas que escureciam o céu e dava a sensação de frio.
Emily levantou a mão para o rosto de Leo e lançou-lhe um feitiço sem que Leo se preparasse, uma dor muito forte surgiu no rosto de Leo, ele gritou e seu rosto se contorceu. Por alguns segundos achou que ia desmaiar, mas aos poucos a dor foi passando e Leo se transformava em outra pessoa. Quando finalmente conseguiu falar, disse:
–Isso dói. Por que não me avisou antes?
–Por que eu sabia que você ia ficar chorando com medo.
–Eu não estou chorando – disse Leo secando uma lágrima que começava a escorrer pelo canto do olho esquerdo pra Emily não perceber, o que não deu muito certo.
–AH claro que não – disse Emily – Mas você está mais bonito agora... quero dizer... diferente.
Leo ficou feliz, Emily chamou ele de bonito apesar não ser realmente ele.
–Agora chega de besteira e vamos abrir logo esse portal.
Emily sacou a adaga de prata e disse algumas palavras que Leo não entendeu nada. Enquanto Emily passava a adaga no ar, um buraco se abria para o mundo real à medida que Emily “cortava o ar”.
Leo estava de boca aberta, nunca vira nada igual. Seus amigos olhavam pra ele com sorrisos no rosto, achando graça de Leo.
–Primeiro as damas – disse Mike.
–Como você é cavalheiro – disse Emily ironicamente.
–Obrigado.
Emily passou primeiro, seguida de Mike e por último Leo, que ficou com um pouco de receio ao passar pelo portal, sentiu um friozinho passando por seu corpo, mas nada além disso.
–UOU – exclamou Leo impressionado, estava de volta ao mundo real.
Ninguém pareceu notar o que Leo disse, e até ficou feliz por isso, sempre que se impressionava com essas coisas seus amigos riam dele e ele ficava envergonhado.
Emily voltou-se para o portal e disse mais umas palavras que Leo não entendeu de novo. O portal se fechou magicamente. Emily fez isso com tanta naturalidade como se já tivesse feito várias vezes e já deveria tê-lo feito. Enquanto Leo ficava ali com cara de bobo.
Estavam na frente de uma casa grande que Leo chamaria de mal assombrada se não tivesse vivendo isso tudo.
–Onde estamos? – perguntou Leo.
–Na mansão de Grayton – respondeu Emily.
–O que? Grayton mora aqui? Não pode ser.
–Sim, ou melhor, nós moramos aqui.
–O QUE? Vocês também moram aqui?
–Sim, algum problema?
–Não, claro que não, é que...
–A casa é feia e estranha?
–É.
Os dois riram de novo, tinha que parar de fazer comentários idiotas, só fazia ele se sentir mal.
–Precisamos morar num lugar onde ninguém entraria. Assim podemos fazer o que quisermos sem que ninguém perceba.
–AH, faz sentido.
Os três entraram na casa, Leo receoso, mas os outros estavam tranquilos, entravam ali muitas vezes.
O interior da casa era escuro, assim como a outra casa que ele estiveram instantes antes no mundo de Grayton. O primeiro cômodo era a sala, era muito espaçosa, mas não tinha quase nada nela a não ser dois pequenos sofás, um azul e outro vermelho sangue, uma poltrona de orelhas cor de limão que Leo imaginou pertencer à Grayton e uma televisão de 47 polegadas que parecia ser a única coisa de moderna naquela casa. Uma escada de madeira se erguia do primeiro andar ao segundo em formato de espiral, ela ficava do lado direito da sala e dava à mansão um aspecto ainda mais medieval e velha. O forro do teto era de madeira. O piso tinha azulejos da mesma cor da poltrona de Grayton. As paredes eram revestidas de um papel que mudava de estampas assim como o tapete que inicialmente tinha estampa de cavalo, mas posteriormente os cavalos se transformaram magicamente em águias brancas.
–O QUE FOI ISSO? – perguntou Leo.
–AH, o nosso tapete mágico que Grayton insiste em deixá-lo aí, eu acho muito cafona e os papéis de parede que são ainda mais bregas que o tapete – disse Emily
–Duvido que outra pessoa tenha paredes e um tapete assim – disse Emily.
–Tem razão – concordou Emily – Mas isso não muda o fato de eu não gostar deles.
–SAMMERS? – gritou Mike tão alto que produziu um zumbido estridente na orelha de Leo.
–Quem é Sammers? – perguntou Leo.
–Nosso gato – disse Mike quando um gato gordo preto e feio se aproximava deles — Aí está ele.
–AH, não acredito que esse gato chato ainda está aqui – reclamou Emily.
–Não fala assim com ele, ele tem sentimentos sabia?
–Largue essa bola de pêlos horrenda.
Mike o largou depois de dar-lhe algumas acariciadas.
–Como ele sobreviveu sem comida? – perguntou Leo.
–Na verdade, ele é nosso caçador de ratos, apesar de já estar velho ainda é um ótimo caçador.
–Tem ratos aqui?
–Sim – respondeu Mike com naturalidade.
Leo estava se perguntando como se meteu nessa. Alguns dias atrás estava vivendo normalmente e agora estava numa casa velha infestada de ratos e um gato estranho.
–Certo vamos logo com isso. Vamos pegar o que precisamos e partir pra casa daquele maluco.
Subiram as escadas para o andar superior. Tudo naquela casa assustava Leo, a escada estava velha e rangia, parecia que os degraus iam quebrar. Tinha teia de aranha em todo canto.
–Por que vocês não limpam esse lugar? A casa ser horrível por fora eu até entendo, mas isso não significa que ela precisa ser mal cuidada por dentro.
–Normalmente ela está sempre limpa. Mas faz um tempo que não viemos aqui. Por ser uma casa velha e com tendências a insetos, ela fica cheia de teias de aranha. Enfim também detesto esses bichos aqui dentro, por mim aquele gato nojento não estaria aqui, Mike insiste em mantê-lo aqui dentro, mas ele até que é útil contra esses ratos – disse Emily.
Leo não disse nada. Ficou mais aliviado ao descobrir que Emily não era nojenta como ele pensara quando entrou naquela casa.
Leo estava seguindo os outros quando tropeçou numa madeira que estava se desprendo das demais e com raiva apontou varinha pra ela e a consertou. Os outros ficaram surpresos, mas não dirigiram nenhum elogio a Leo o que o deixou triste, estava melhorando nos feitiços, não botara fogo na casa nem nada.
Finalmente chegaram ao final do corredor e entraram na última porta que estava emperrada, Leo que deu um jeito nela. Dessa vez ganhou um elogio de Mike:
–Muito bem.
A sala tinha uma escrivaninha de madeira no centro com um monte de papéis amontoados perto de uma luminária envolta por teias de aranhas. Havia umas gavetas usada para guardar documentos encostada numa parede como aquelas que tem em escritórios.
Mike acendeu a luz que piscava incessantemente. Emily se abaixou e abriu um alçapão no chão, lá tinha facas, armas e todo o tipo de coisas que um soldado precisaria quando fosse pra guerra.
–Pra quê essas armas se vocês são feiticeiros, podem fazer um feitiço para atingir as pessoas.
–Não Leo, só outros feiticeiros, guardamos essas coisas aqui caso aconteça alguma coisa inesperada e tivermos que matar coisas ou pessoas que não são feiticeiros nem feito por eles.
–Então seus... nossos feitiços só funciona com feiticeiros ou coisas criadas por eles?
–Sim.
–Nós nunca sabemos o que pode acontecer, é...
Mike não terminou a frase, pois ouviram um barulho estranho vindo de dentro do alçapão.
Um monte de aranhas saíram de dentro do alçapão e subiam neles muito rapidamente. Eles se sacudiam, mas sem muito sucesso, eram muitas aranhas. Todas pequenas, mas não paravam de sair.
–MAS O QUE É ISSO? — disse Emily sem entender nada.
Vários buracos se abriam no chão de onde saíam mais aranhas. Elas começaram a picá-los. Não doíam muito, mas o deixavam mais lentos.
Leo tentou sacar a varinha, mas ela escorregou de suas mãos e foi parar no canto da sala. Penosamente se arrastou até ela enquanto seus amigos lançavam feitiços sem adiantar muita coisa. Parecia que não ia chegar nunca, as aranhas subiam nele e o picavam, ele já estava todo inchado quando alcançou a varinha.
Ele pegou a varinha como se fosse um troféu e a ergueu para o teto da sala. Não sabia o que pretendia fazer, mas o que quer que fosse não adiantou muito uma faísca quase imperceptível saiu da varinha.
–Tente pensar nas aranhas explodindo – disse Emily com muito sofrimento, as aranhas já estavam subindo pelos seus rostos.
Leo fez isso e balançou a varinha de um jeito estranho como se estivesse espantando uma mosca. Quase funcionou, umas quatro ou cinco aranhas explodiram aos pés de Leo. Teve uma ideia e apontou a varinha para os buracos de onde saíam as aranhas e estava funcionando, uma espécie de rolha tapou o alçapão, mas outros buracos se abriram no chão de onde saíam outras aranhas. Ele tentou tapar todos, mas não deu muito certo, pois mais buracos apareciam.
Decidiu então explodir as aranhas como sugeriu Emily. Foi melhor, umas vinte ou trinta aranhas explodiram. Tentou de novo e BUM as aranhas explodiram e Leo conseguiu enxergar Emily e Mike deitados inconscientes no chão. Correu pra lá mancando por que também foi picado muitas vezes, chegou até eles antes que as aranhas tomassem a sala por completo de novo.
Começou a tampar de novo os buracos. Tampava e mais surgiam em outros lugares. Leo estava desesperado, não sabia o que fazer, seus amigos deitados e podiam estar mortos. Tentou não pensar nisso e tentou explodir uma aranha por vez, estava conseguindo, mas não adiantava nada, havia muitas aranhas e Leo já começava a ficar sufocado.
Estava ficando desesperado e com medo. Tentou soltar mais um feitiço daqueles que explodia todas as aranhas, não teve sucesso na maioria das suas tentativas, só quando não tinha mais espaço para respirar conseguiu soltar esse feitiço.
Dessa vez a estrutura da casa não aguentou e cedeu, todo o segundo andar se reduziu a pó e entulho. Leo nem teve tempo de pensar direito e só desejou que alguma coisa amortecesse a queda deles e foi o que aconteceu, uma espécie de colchão invisível colocou-se entre Leo e os destroços do chão do segundo andar. O que sobrou do teto do segundo andar caiu sobre o peito de Leo com força, mas mesmo assim ele sobreviveu. Seus amigos poderiam não ter a mesma sorte e Leo se levantou com muito esforço de baixo dos destroços e passou os olhos sobre a antiga sala para procurar os amigos, os encontrou a uns 5 metros de distância.
Certo, parecia que as aranhas não estavam mais surgindo. A “origem” delas deveria ter sido destruída e todas aquelas que saíram dos buracos pareciam ter morrido com o poder do feitiço ou esmagadas, não importava, o importante era que não existiam mais. Correu, ou tentou correr até seus amigos, mas suas pernas estavam endurecendo e estava difícil movimentá-las. Leo acabou tropeçando e bateu a cabeça no chão. Tentou levantar a cabeça, mas não conseguiu e apagou.
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