Lendas e Mistérios
1 O nascimento da lua cheia
Notas iniciais
Leiam as notas finais, sz...
Boa leitura ♥
— Fico surpresa com sua presença, seu pai me falou que estaria em época de provas.
Allison sorri olhando sua avó se sentando na cadeira de balanço com um velho livro em mãos, ela se aproxima e se senta aos pés da senhora.
— Estou, mas minhas notas estão boas, posso ouvir mais uma de suas histórias.
Rosemarie sorri acariciando o rosto de sua neta. Era sempre assim, todo quarta-feira Allison ia a casa de repouso que sua avó morava e ela lhe contava uma história, havia começado como um programa casual, porém a jovem logo percebeu que as histórias contadas por ela tinham uma grande pitada de sabedoria e mistério, um mistério que cada vez mais fazia com a jovem ficasse curiosa para ouvi-las.
— As provas estão difíceis?
A senhora pergunta começando a folhear o livro procurando a história que seria contada, a tarde estava agradável, uma vento leve entrava pela janela da biblioteca e deixava o local mais fresco.
— Um pouco, alguns professores cobram assuntos que ainda não vimos e colocam algumas perguntas mais difíceis do que parecem apenas para nos confundir.
Allison responde olhando sua avó folheando o livro, ela se levanta e pega uma almofada na cadeira se sentando no chão a frente de sua avó para observa-la melhor.
— E como estão seus amigos?
— Lydia está quase gabaritando todas as provas, Stiles está preocupado pois amanhã tem uma prova e um jogo contra a Devenford, maior rival de Beacon Hills no lacrosse e ele estava mais preocupado com as provas do que em treinar, o treinador não gostou muito dele ter faltado os dois últimos treinos. – Allison sorri, finalmente esse ano Stiles tinha conseguido ser o titular e capitão do time de Lacrosse, porém ele ainda não havia conseguido conciliar ser capitão com notas altas. — E amanhã entra um novo aluno na escola e fui escolhida para apresentar o colégio.
A senhora para de folhear o livro e a olha.
— E qual o nome dele?
— Scott Gregorio McCall.
A senhora que antes tinha um leve sorriso em seu rosto a olha de um jeito estranho.
— Conhece ele? – Allison pergunta estranhando o jeito que sua avó ficou.
— Não, mas acho que já ouvi esse sobrenome antes, McCall não é estranho.
Allison dá de ombros e continua a falar sem notar que sua avó ainda estava levemente perturbada.
— Ele era de São Francisco, seu pai é policial e foi transferido para cá.
Rosemarie sorri e tenta voltar ao seu estado normal antes de falar.
— Vamos a história de hoje. – Allison sorri e se senta em posição de índio encostando-se em uma poltrona atrás de si. — Ela se passa há muito tempo atrás.
— Todas as histórias que me conta se passam há muito tempo atrás.
— Mas essa é especial, nos fala sobre como a primeira lua cheia surgiu no céu.
A caçadora do clã Argent estava agachada atrás de um arbusto, sua flecha apontava para o pescoço do cervo a sua frente que comia sem nem pressentir que estava perto da morte. Ela respira fundo e finalmente solta a flecha com precisão, acertando em cheio o pescoço do cervo que imediatamente começa a correr, a caçadora se levanta e começa a correr atrás dele buscando não perder sua presa de vista e após alguns minutos finalmente vê o cervo deitado no chão.
— Era o teste final dela? – Allison pergunta interrompendo sua avó que sorri abertamente.
— Sem spoilers.
Celestine retira a flecha do pescoço do cervo e guarda em sua aljava de couro, verifica se o cervo está realmente morto e se levanta sorrindo, era seu teste final e após conseguir matar o cervo seria reconhecida como caçadora para sua família.
Ele se agacha novamente e começa a arrastar o cervo para perto da carroça, porém antes de começar ela ouve um barulho e rapidamente pega uma flecha e seu arco ficando em alerta.
— Quem está aí?
Ela pergunta, porém nenhuma resposta é ouvida. Ouve novamente um barulho nos arbustos atrás de si e se vira porém ainda não consegue ver ninguém. O barulho se intensifica e o medo começa a fazer seu coração bater rapidamente e ao se virar novamente ela vê o rosto de seu pai atrás da flecha que apontava para ele, ela respira fundo e abaixa a flecha com o rosto transparecendo raiva.
— O senhor prometeu que deixaria cumprir minha tarefa sozinha?
Ele olha para ela e dá um beijo em sua cabeça.
— Não estava te vigiando, apenas estava seguindo um rastro de outro ataque de animal, desculpe.
— Mais um? – Cristopher, seu pai afirma com a cabeça ainda olhando ao redor. — Ainda nenhuma pista de qual animal?
— Nenhuma, mas logo vamos descobrir. – ele sorri e olha para o cervo no chão. — E logo estará nos ajudando a matar esse animal.
Celestine sorri, diferente de suas irmãs ela não queria ficar cuidando de casa, e ficou bastante feliz quando seu pai lhe deu a oportunidade de provar ser digna do clã de caçadores Argent.
— Meu nome é em homenagem a ela?
Rosemarie acena positivamente e Allison sorri.
Celestine era uma linda garota, cobiçada por alguns homens em sua aldeia, porém nenhum deles aceitavam que a moça queria ser caçadora.
— Tenho pena deles. – Allison comenta fazendo sua avó rir.
A segurança de sua aldeia era feita pelo clã Argent, um clã muito respeitado, visto que eles ajudaram a construir a aldeia e ainda hoje ajudavam a conseguir comida, porém essa autoridade estava sendo testada visto que estavam ocorrendo alguns ataques de animais na floresta e a responsabilidade dos Argent’s estava sendo questionada, principalmente agora que deixaram uma garota participar do seu grupo de caça.
— Pois bem, os ataques ocorreram aqui, aqui e aqui. – Cristopher dizia enquanto apontava no mapa improvisado os lugares em que ocorreram os ataques, tendo duas vítimas fatais. A que sobreviveu afirmava ter visto um homem lobo, porém logo depois desmaiará e até agora não acordou, até mesmo os caçadores estavam preocupados.
— Mas aqui só temos três pessoas. – Julien, irmão de Celestine constatara o obvio.
— E?
— Vai deixar mesmo ela ir sozinha?
— Ela é sua irmã e sim, ela provou ser digna assim como você desse posto.
Julien não aceitava que sua irmã fizesse parte dos caçadores da família, era uma coisa de homem e não de mulher entendiada.
— Ficarei com o ataque perto do rio.
Julien falou e logo saiu da casa indo para o local onde o primeiro ataque fora relatado.
Cris abraçou sua filha e lhe deu um beijo antes de sair indo em direção a porta com ela.
— Ficarei perto do poço. – Celestine diz e ele sorri confirmando.
— Fique bem.
Ele diz e logo segue caminho contrário ao da filha indo para uma clareira onde tinha sido relatado o segundo ataque.
Celestine começou a caminhar com o arco e flecha em mãos, estava nervosa e seu coração batia rápido com a adrenalina de usa primeira caçada, precisava chegar ao poço antes da noite cair e conseguiu, assim que chegou, preparou quatro armadilhas ao redor do local e se sentou ao lado do poço comendo uma parte da comida que sua mãe havia lhe preparado.
Após satisfeita, ela se encostou no poço e ficou encarando as estrelas, essa época do ano era estranha, a única vez que não tinha lua, acontecia a cada 21 dias e era a época mais escura da cidade, todos se recolhiam cedo e ninguém ficava na floresta após anoitecer, a não ser aqueles que procuravam algo.
Horas e horas passavam e os olhos da garota não aguentavam mais abertos, porém ela estava de campana, não poderia deixar que nada passasse despercebido. Logo se levantou e foi até sua sacola buscando um pouco de água para molhar o rosto, porém parou assim que ouviu um rosnado baixo atrás de si, seu coração acelerou e se lembrou que seu arco e flecha estavam um pouco longe de si, nunca se iria se perdoar por tal erro.
Ela levantou as mãos e se virou devagar vendo a sua frente um lobo completo com os olhos brilhando em vermelho, engoliu em seco e sentiu o medo tomar conta de si, viu o lobo caminhando em sua direção, afinal, o jovem que estava mal estava certo, porém eram lobos e não um homem lobo. Ela caminhava devagar tentando bolar algum plano de fuga, poderia subir em uma árvore, mas nenhuma possuía um galho baixo que ela conseguisse se apoiar. Poderia usar um pau, e começou a procurar por um galho grande que poderia arremessar contra o lobo, porém se lembrou a pequena faca que ficava em sua coxa, ela sabia que aquilo algum lhe seria útil. Ela se lembrou dessa pequena faca quando bateu de costas em uma árvore, engoliu em seco e começou a mover sua mão devagar em direção a sua perna esquerda, porém o lobo de olhos vermelhos a atacou antes dela conseguir pegar a faca, ela cobriu o rosto com a outra mão e quando retirou a mão de seu rosto viu que dois lobos travavam uma batalha a sua frente, em dado momento ela viu que um tinha olhos amarelos e estava mais machucado que o de olhos vermelhos, ela respirou vendo ambos se encararem e logo depois pegou a faca arremessando no lobo de olhos vermelhos, porém o que ela não acreditou foi quando o lobo de olhos amarelos pulou a frente dele recebendo o golpe na barriga, o lobo de olhos vermelhos a encarou e mordeu o pescoço do lobo de olhos amarelos que caiu um pouco afastado de si, começando a arrasta-lo para longe dali. Ela até pensou em seguir, mas se lembrou que poderia ser morta pela alcateia, porque aqueles dois lobos eram de uma alcateia e visto como o de olhos amarelos protegera o de olhos vermelhos, ela suspeitava que aquele que a atacou era o alfa.
— Nossa família já não se dá bem com lobos desde os primórdios.
— Isso é apenas uma lenda, Allison, se lembre disso.
Allison sorri.
— E se eu acreditar nessa lenda? E se eu acredito em todas as histórias que a senhora me conta?
— Não seria um problema, até porque, se eu não acreditasse, eu não estaria lendo-as para você.
Allison sorri e sua avó continua a ler a história.
Celestine contou toda a história a seu pai, evitando dizer que jogou a faca para ajudar o lobo de olhos amarelos, não queria admitir mas estava preocupada com ele.
“Ora, ele é um animal, não preciso me preocupar” era o que pensava, mas ainda era o animal que salvou sua vida.
— Celeste?
Ela ouviu sua mãe gritando seu nome de fora de casa e foi até lá.
— Sim, mama.
— Preciso que vá até o poço buscar água, a daqui está acabando.
— Sim senhora.
Ela sorri e logo calça suas botas, pega seu arco e flecha e vai até os estábulos da aldeia com dois pequenos barris, coloca um de cada lado do cavalo prendendo com uma corda e monta em seguida começando a cavalgar até o poço que ficara na noite anterior, ainda era cedo e não iria passar outro problema novamente, bem ela acreditava.
Logo ao chegar no poço ela se lembra do medo que sentiu ali, os dois lobos brigando, porém mesmo as cenas ainda estando vívidas em sua mente ela não entendia o porquê daquele lobo defende-la.
Ela balançou a cabeça tentando se livrar dos pensamentos nada lógicos, um lobo defender uma humana? Ora, por favor, se contasse isso com certeza seria expulsa da caçada, seu irmão iria amar expulsa-la. Ela desceu do cavalo e pegou os dois barris, amarrou o cavalo em uma árvore perto do poço e foi colocou os barris no chão começando a puxar água do poço com um pequeno balde. Já tinha conseguido encher um barril quando ouviu uma voz atrás de si.
— Uma jovem não deveria estar na floresta, sozinha, é perigoso.
Ela se virou deixando o balde com água cair no poço e assustada ao ver o homem encostado na árvore, sorrindo levemente. Ela não poderia mentir, achou o garoto bonito, cabelos pretos na altura dos ombros e uma barba rala, trajava vestes em couro e seu sorriso era lindo. Ele se desencostou da árvore e se aproximou dela.
— Pois saiba que apesar de ser jovem, e mulher, consigo me defender, até de um homem.
Ele sorri e para levantando as mãos em sinal de rendição, logo falando.
— Não duvido, fiquei sabendo o que fez ao lobo na noite de ontem.
Seu rosto se torna confuso, as notícias na aldeia corriam rápido. O rapaz volta a andar e ela nota que o mesmo caminha com dificuldades, e se aproxima dela oferecendo a mão em cumprimento.
— Meu nome é Silas.
Celestine retribui o aperto.
— Celestine. — Logo solta sua mão e sorri. — Se me dá licença, tenho trabalho a fazer.
Ela se vira novamente para o poço e continua o trabalho, Silas dá a volta e se senta à sua frente no poço soltando um leve gemido de dor que foi percebido por ela, mas não comentado.
— É uma moça muito bela.
Celestine sente seu rosto queimar, e sorri levemente de cabeça baixa.
— Obrigada. – continua puxando a água e pergunta: — Quem lhe contou sobre o ataque?
Ela vê que ele se levanta e dessa vez seu resmungo de dor é mais forte, até mesmo Silas nota o quão foi imprudente. Ela olha para ele intrigada enquanto o mesmo está de costas.
— Hã... Foi um senhor...
— Joseph?
— Isso. – ele se vira rapidamente apontando o dedo para ela. — Esse mesmo.
Celestine sorri.
— Vou avisar a meu pai, nem tudo pode ser passado a aldeia. – ela pega o balde e despeja a água no barril, novamente jogando no poço e começando a puxar água. — Nunca te vi na aldeia.
— Quase não saio de casa e geralmente meu pai quem vinha pegar água, só que ele está doente.
— Sinto muito.
— Obrigado.
Celestine continua intrigada e fazendo perguntas ao jovem Silas, realmente curiosa sobre ele, o garoto era bonito e com certeza se lembraria dele acaso tivesse visto na aldeia, pelo menos saberia de sua existência, mas ela desconfiava que ele estivesse mentindo.
— Gostei bastante de conversar com você Silas, já vai voltar para a aldeia?
Nesse momento um uivo alto é ouvido e Silas a olha sorrindo nervoso.
— Na verdade, tenho que ir ao rio pegar uma erva para o tratamento do meu pai. Até mais, Celestine.
O jovem sai correndo mancando tentando não demonstrar sua dor, porém em direção contrária ao rio e isso intriga ainda mais a garota. Ela coloca os barris no cavalo e volta para casa, sem comunicar a sua família sobre Silas.
Porém a curiosidade não morreu, e sendo discreta, realizou algumas perguntas.
— Pai, tem algum homem na aldeia doente?
Seu pai pensa um pouco e balança a cabeça negativamente.
— Não que eu saiba.
— O senhor conhece algum garoto chamado Silas?
Novamente ele fica pensativo e até pergunta a sua mulher, porém ambos não conheciam. Celestine sabia que ele tinha mentindo quanto a Joseph, não existe nenhum Joseph na aldeia.
— Por que as perguntas?
— Encontrei com um garoto no poço que insistiu em dizer que pertencia a nossa aldeia, porém acho que ele se enganou.
Celestine encobriu o fato que gostou de conversar com ele e suas suspeitas.
— Tem que tomar...
A conversa é abruptamente interrompida quando um homem entra correndo na casa.
— Senhor, Julien acordou...
O pai de Celestine se levanta rapidamente, Julien era o garoto que havia sido atacado e estava dormindo desde então.
Celestine, sua mãe e seu irmão acompanham seu pai em direção a casa de Julien, algumas pessoas já estavam lá, as notícias realmente se espalham rápido.
Julien pediu para que Cristopher entrasse na casa e ele pediu que Celestine o acompanhasse, causando uma leve intriga com seu irmão, já que o mesmo não aceitou e saiu dali.
Quando viram Julien acordado ambos sorriram, Julien tinha sido criado com os Argent’s e auxiliava na proteção da aldeia, foi nessa proteção que foi atacado.
O mesmo terminava uma pintura quando viu Cristopher e Celestine, sorriu e pediu para que ambos se sentassem a sua frente continuando sua pintura.
— Estávamos ansiosos para que acordasse.
Celestine disse e sorriu, recebeu um leve sorriso em retribuição.
— Eu imagino, minha esposa me disse que não avançaram muito em pegar a fera e disse que você foi atacada.
Julien diz e fixa seu olhar em Celestine que afirma levemente com a cabeça, ele suspira e olha para Cristopher.
— Eu sei o que vi aquela noite Cris, era um homem lobo enorme...
— Como assim? Um homem lobo?
Celestine interrompe Julien e recebe um olhar repreensivo de seu pai, porém Julien a olha e diz.
— A lenda diz que se chama lobisomem, um homem que se transforma em lobo quando a lua não ilumina o céu, mas até então era apenas uma lenda, ou pelo menos ainda não tínhamos visto nada aqui.
Isso intriga Celestine, um homem lobo?
— Como nunca soube disso? – ela pergunta olhando para seu pai, lendas sempre eram contadas em sua família, porém nunca ouvira falar dos lobisomens.
— Nossa família não se dá bem com lobisomens, nós os caçamos e matamos a anos, mas desde que nos instalamos aqui não tinha sido registrado nenhum ataque de lobisomem, até agora.
Cristopher suspira alto e Julien termina sua pintura, era um pouco rude, mas os traços eram atraentes e conseguia se ver ali um rosto. A boca de Celestine se abre e ela coloca uma mão sobre ela com apenas um nome pairando em sua mente.
“— Silas!”
Julien nota tal comportamento, mas não fala nada.
— Esse foi o garoto que me atacou, primeiro suas orelhas se transformaram, logo depois tomando a forma de hispo...
— O que é isso? – Celestine interrompe.
— Hispo é uma forma de lobisomens, o lobisomem completo e grande. — seu pai lhe responde.
— E vindo para cima, me lembro apenas que consegui me desviar de seu primeiro ataque, porém ele conseguiu me jogar contra uma árvore, bati a cabeça e lembro apenas de pequenos flash’s, um de dois homens conversando, o lobo que me atacou e seu alfa.
— Temos que conseguir conter essa ameaça o mais rápido possível, Julien trate de se recuperar logo.
— Sim senhor.
Julien sorri e se levanta sendo ajudado a voltar para cama.
— Nós já vamos indo, precisamos conter essa ameaça o mais rápido possível.
Cristopher diz e após uma breve despedida sai com Celestine da casa de Julien, voltando para sua e convocando no outro dia uma reunião com todos os membros do conselho da aldeia.
[...]
Celestine teve uma péssima noite de sono, na verdade, nem sono ela teve, ainda não acreditava no que as pistas lhe diziam e ainda mais após ver o quadro que Julien pintou.
Já era tarde quando Celestine saiu em direção ao poço, mais uma noite de vigília , não sabia como iria reagir se encontrasse novamente no garoto, aliás, não queria mais encontra-lo, pois teria que mata-lo, por isso, foi durante o caminho inteiro pedindo a Deus que não o encontrasse, mas parece que suas preces não foram ouvidas. Ela viu ainda um pouco longe que alguém se limpava no poço e percebeu que era Silas, virou seu cavalo para o lado de onde veio e começou a trotar de volta, com sorte ele não teria ouvido, acreditava firmemente nisso até que alguém aparece a sua frente, com um sorriso descarado e ajeitando o cabelo.
— É feio ir embora de um lugar sem cumprimentar as pessoas.
— Saia da minha frente ou terei que mata-lo.
Silas fica um pouco perplexo, porém logo se recupera e continua com o sorriso no rosto.
— Mataria o único homem da família que precisa sustenta-la enquanto seu pai está doente?
Celestine suspira e desce do cavalo indo até o garoto, achou um disparate ele querer continuar enganando-a.
— Eu sei o que você é, não adianta tentar fingir que estou delirando. O homem que me confirmou que lhe falou sobre o ataque, se lembra? Joseph, não existe nenhum Joseph em nossa aldeia. Os gemidos de dor ontem, a perna manca, se não me engane seu alfa a mordeu. E a maior prova que poderia ter, se lembra do homem que atacou algumas luas atrás, ele está vivo e fez uma pintura clara de seu rosto, se você quiser posso até pedir para ele lhe dar de presente, ele vai adorar enfiar a flecha em seu pescoço.
— E por que você não enfia?
Silas que tinha ficado calado até agora apenas escutando cada palavra proferida revidou vendo Celestine atingir um tom pálido em seu rosto.
— Eu conheço sua família, aliás, nossa alcateia estava aqui com o dever de matar os Argent’s, vocês foram responsáveis pela quase extinção de nossa raça. – Silas começa a andar em volta de Celestine que continua calada. — Mas tenho que concordar que não esperava me apaixonar pela filha do caçador líder do clã.
Silas se aproxima dela em rápida velocidade a prensando contra a árvore.
— E sabe por que você não vai enfiar a flecha em minha garganta?
Ela queria revidar, Celestine queria mesmo revidar enfiando sua faca na barriga dele, porém ao tentar pega-la ele nota e prende seus braços.
— Porque você também se sentiu atraída por mim.
— E por que tentei te esfaquear agora?
— Porque você rejeita esse sentimento.
Ela encontra forças em um fraquejo de Silas e se livra, porém o mesmo sorri olhando fundo em seus olhos.
— Você ainda não está apaixonada, eu vi você se aproximando e ouvi seu coração acelerar quando chegou perto do poço, consequentemente me vendo ali. Aliás, ele está acelerado até agora, com medo do que podemos fazer. – uma troca de olhares silenciosa entre os dois, Silas estava certo em tudo que disse, Celestine não queria, mas... — Você não quer me matar, e nem mesmo pensa em se envolver com um lobo, mas é mais forte que você.
Silas avança até ela e dando um beijo em seu rosto e logo depois que notou não ser rejeitado, continuou o caminho até os lábios de Celestine, iniciando ali uma intensa troca de beijos e ali, no primeiro dia de lua nova, eles tiveram seu encontro de amor, um lobisomem e uma caçadora.
— Ela conheceu ele há praticamente dois dias e já transou? – Allison interrompe sua vó estranhando essa parte da história.
— Vocês hoje em dia transam conhecendo muito menos.
Ela ficou sem saber o que responder, mas ainda assim desnorteada.
— Eles eram inimigos?
— Eles tinham atração um pelo outro.
— Ela não se sentiu mal?
— Posso continuar a ler?
Allison afirma com a cabeça e sua avó continua sua leitura.
Celestine acordou cedo no outro dia, mas não tão cedo quanto Silas. Imediatamente imagens do que aconteceu na noite invadiram sua mente, mas o sentimento de arrependimento veio quase que instantaneamente. Ela se levantou vestindo suas roupas e arrumando o as coisas para ir embora, não poderia nunca contar nada disso a seu pai.
Ela voltou para sua casa e relatou a noite tranquila. Uma parte de si pedia para que isso parasse, mais que imediatamente, mas outra implorava para que fugissem e vivessem longe daqueles que não aceitariam seu relacionamento.
[...]
A avó de Allison para a história e olha para a neta.
— Infelizmente a partir de agora temos apenas flash’s, era uma amiga de Celestine que escrevia e ela relata que os ataques estavam ficando piores, por isso a amiga pouco ia vê-la.
— Isso é triste.
[...]
— Daqui duas luas ela some do céu.
Silas e Celestine estavam novamente no poço, todos as noites eram assim, eles se encontravam a noite e parecia que existia apenas eles ali, mais ninguém.
— Você não pode aparecer aqui, meu pai vai mandar algum caçador comigo e ele não hesitará em te matar.
— Você pensou sobre o que te falei?
Ela afirmou e suspirou descansando a cabeça em seu peitoral nu.
— Não posso fugir agora, meus pais desconfiariam e iriam atrás de nós, ele tem notado seu pelo em minhas coisas, você tem que tomar cuidado quando se transforma.
— Me desculpe, não foi minha intenção.
Celestine sorri e se deixa dormir no peito de seu amado.
[...]
Celestine monta em seu cavalo, havia combinado com Silas de se encontraram antes do escuro total no poço, e começa a cavalgar rapidamente em direção ao local, havia se atrasado com perguntas feitas por seu pai. Precisava se apressar, logo seu parceiro na caçada chegaria ao local, ela disse que prepararia armadilhas no local, logo a lua não iria nascer e eles precisavam estar preparados. Após algum tempo ela chega ao local e vê Silas por ali, já estava escuro e o mesmo começava a demonstrar sinais de sua transformação. Ele sente o cheiro dela e sorri olhando-a.
— Achei que não viria.
— Meu pai me atrasou.
Ela se aproxima correndo e lhe dá um abraço forte, logo depois iniciando um beijo apaixonado, ao se separarem seus olhares estão grudados, demonstrando ali o amor que em pouco tempo tinham cultivado.
— Você vai ficar bem.
Silas sorri e coloca uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha.
— Vou, já consigo me controlar, bem pouco, mas consigo.
Celestine sorri ainda não acreditando no quanto seu amor por ele cresceu, a ponto de aceitar a ideia da fuga.
— Estou ansiosa com a vida que levaremos juntos.
— Longe de qualquer problema.
— Longe do que nos impede de sermos felizes.
Ambos sorriem e trocam mais um beijo apaixonado, porém nessa hora uma coisa nova, um fato estranho acontece.
O local onde estavam é iluminado e eles se afastam pensando que seriam os pais de Celestine, porém não havia ninguém por ali. Olham para o céu e veem a maravilha, um satélite completo iluminando eles, Silas olha para Celestine que está maravilhada com tal acontecimento.
— Parece que alguém quer que fiquemos juntos. Ela sorri e lhe dá um beijo apaixonado, deixando ali todas suas emoções transparecem, todos os sentimentos sendo mostrados aquele que era portador de seu amor.
Eu não estava nessa noite, mas um amigo de Celestine a seguiu, justamente preocupado com tais encontros, ele já sabia há um tempo, mas preferiu não contar e ele me contou como a primeira lua cheia chegou ao iluminou, iluminando um amor proibido, um amor que mão tinha uma luz no fim do túnel, mas criaram sua própria luz. Aqueles que segundo outros, não poderiam ficar juntos, mas o que eles precisavam era o amor, o resto, é resto!
— Assim que nasceu a lua cheia?
— Segundo nossa família.
— Que história incrível.
— Ela tem uma continuação, acaso queira ouvir.
— É lógico que quero, mas não pode ser hoje, prometi que iria estudar com Lydia, temos prova amanhã.
— E o que ainda está fazendo aqui?
Sua avó se levanta e vai até a neta lhe dando um abraço.
— Estarei aqui te esperando.
— Até a próxima vovó.
Allison sorri se despedindo de sua avó, que ficou com certa preocupação ao ouvir aquele sobrenome. Não é apenas nessa história que existe um amor proibido, várias histórias dos Argent’s relatam sobre uma caçadora e um lobo que se apaixonam, mas nunca conseguem ficar juntos, como se eles estivessem ligados, mas seu futuro não pertencia um ao outro, a história nunca consegue ter um final feliz. Ela não deixaria que isso acontecesse com sua neta, iria quebrar essa maldição.
Notas finais
Desculpe qualquer erro. Críticas, sugestões, elogios, podem me mandar no PV ou comentário.
Allison e Scott são reencarnações de Silas e Celestine.
A história tem uma segunda parte, se quiserem que poste, basta pedir, mas ainda não foi escrita.
Beijos, até a próxima. ♥
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