Lendas Do Chalé 3
2 Strange Day
Notas iniciais

Desviei de um golpe que provavelmente me acertaria em cheio e me faria dar oi pro titio Hades pessoalmente. Provavelmente, porque não seria aquele dia que eu iria morrer. Aquele dia ainda não.
O suor escorria pelo meu rosto, me fazendo sentir como se estivesse em baixo d’água. A respiração era falha, como se eu estivesse amarrada para ser apedrejada. Meu cabelo, mesmo preso ,estava começando a ficar solto e me atrapalhar na luta.
As coisas não estavam muito fáceis para cima de mim.
E, ainda por cima, eu não sabia contra qual monstro eu estava lutando.
Enquanto o monstro estava concentrado em me achar, segurei a corrente que Poseidon me deu no meu último aniversário e rezei ao meu pai pedindo ajuda. Talvez ele pensasse : “Você é tão desgraçada menina, que nem eu, que sou um deus, posso te ajudar!”, mas mesmo assim, vale a pena tentar.
Quando o monstro me achou,veio para cima de mim e arregalei meus olhos com a surpresa. Ele deveria ter 8 vezes a minha altura, não sei como iria me defender.
Desviei para o lado, porém senti que ele me deu um tapa com a mão na barriga que me fez cair, afinal, sua mão era do meu tamanho. Bati minha cabeça num tronco de árvore e a única coisa que consegui pensar foi que eu estava morta. Minha hora tinha chegado e eu não iria conseguir salvá-lo.
As coisas eram tão mais fáceis antes deu descobrir que era uma semideusa...
***1 ano atrás***
Acordei assustada. Eu sei que são somente pesadelos, mas eles são tão reais. Eu sempre tenho os mesmos, com essas mesmas pessoas, mas eram cada vez mais assustadores e reais.E o pior era que eles acabavam sempre na mesma hora,no momento mais apavorante,me fazendo acordar suada e com as mãos tremendo.Não era uma coisa agradável de se viver ou presenciar.
Olhei o relógio que marcava 4:00 a.m. Era muito cedo, portanto decidi tentar dormir mais um pouco. É claro que não consegui, passei o resto da madrugada em claro, pensando nesses malditos pesadelos que me assombravam toda noite. Será que eles significam alguma coisa? Eu adoraria saber,talvez aliviasse um pouco a agonia que eu sempre sentia quando os tinha.
Quando o meu despertador tocou eu levantei e fui pro banheiro, fiz minha higiene matinal e fui tomar café.
Na mesa tinha apenas o meu irmão.Minha mãe e meu padrasto ainda deviam estar dormindo. Eu estava sem fome então só comi uma maçã.
–Vou pra escola, até mais tarde.- Disse, desanimada.
–Ta bom, até mais — ele falou no mesmo tom que eu.Não o julgo por isso,quem estaria animado as sete horas da manhã?
Fui pra frente de casa esperar o ônibus como sempre. Me distraí com algumas folhas das árvores que caiam e nem notei quando, uns cinco minutos depois, ele chegou. Me assustei e entrei,quase tropeçando nos degrais.
–Bom dia — disse Lisa, a motorista.
–Bom dia, Lisa.-Sorri educadamente. Ela era legal, mas nunca trocamos mais de duas palavras por dia.
Eu fui procurar algum lugar para me sentar. O ônibus estava a mesma bagunça de sempre com pessoas brincando e sendo idiotas.Os mesmos idiotas de sempre fazendo as mesmas idiotices de sempre.Quando eles perceberiam que algumas coisas não faziam sentido?
Achei um lugar quase no fundo, do lado de uma garota, que frequentava algumas aulas que eu também ia, nem me preocupei em cumprimentar.Ela é muito antipática, vive correndo atrás das patricinhas idiotas que eu sou obrigada a aturar.Isso significa que eu não vou com a cara dela e ela não vai com a minha, basicamente.Porém,como ela está sozinha,não vai tentar fazer nada comigo.Esse era o maior lema delas:Fazer tudo em bando.
O percurso até a escola foi tranquilo.Pegamos um pouco de trânsito na esquina e eu fiquei ouvindo música como sempre. Human do Krewella era o que mais tocava atualmente na minha cabeça.
Alguns minutos depois chegamos na escola, e estava incrivelmente calma...que milagre. Fui direto pro meu armário, peguei meus livros e fui para a sala. Faltavam cinco minutos pra começar a aula quando eu cheguei.
–Hey Liv — Falei assim que vi uma cabeleira ruiva se sentar ao meu lado.
Ela era sempre simpática e quase nunca a via sem um sorriso estampado no rosto.
–Hey Mandy — a Liv era o mais perto que eu tinha de "amiga" , nós não andávamos juntas nem nada, mas conversávamos quase sempre. Ela me fazia rir,era divertida e deixava a escola um pouco mais longe do termo deprimente.
O professor chegou e a aula começou. É incrível como o tempo passa devagar durante a aula.Estava morrendo de sono por ter acordado mais cedo e ter TDAH só piorava a situação. Eu fiquei tamborilando os dedos na mesa sem parar até a aula acabar. Depois do que pareceram horas, o sinal tocou e todos fomos para o intervalo. Eu fui pro refeitório e nada do que tinha lá me agradou então,segui pro banheiro com intenção de jogar uma água no rosto, e isso me acordar um pouco. Depois que lavei o rosto ouvi uma voz atrás de mim. Uma voz que sempre azucrinava minha vida.
–Ah, olha só quem está aqui- era a Leslie.
Leslie é a abelha rainha. Sabe aquele clichê todo de rainha da escola? É exatamente isso, ela é a chefe das líderes de torcida, é loura, olhos azuis, sempre com um ar superior e todos obedecem e fazem tudo que ela manda. E com ela estavam Jude e Lizzy, outras patricinhas que não desgrudam dela.
–Sou eu mesma. Algum problema? — perguntei a encarando, era uma das poucas que tinha coragem de responde-lá.
–Óbvio, não posso ficar aqui agindo como se você não existisse.Claro,eu poderia fazer isso, mas não vou, não quero me olhar no espelho e acabar vendo você.Que horror! Se você não sair, vou ter que te expulsar.- ela falou com um sorriso maldoso no rosto e de uma forma bem rápida. Não entendi quase nada, mas consegui pegar o principal da fala dela.
Realmente,será que ela pensa que me magoa falando isso?Já me acostumei.
–Não vou sair, não to com vontade.Tenta me expulsar! — Falei cruzando os braços e sem nenhum receio. Ela começou a andar em passos lentos na minha direção.
–É a última vez que eu vou falar: Dá o fora! — as outras duas também começaram a se aproximar.
–E é a última vez que eu vou falar: Não vou sair! O banheiro não é seu garota, se toca! –
Tá, elas são três e eu uma e posso até ameaçar algumas pessoas , ás vezes, mas não consigo bater muito, apesar dos meus reflexos, não sou muito boa com essas coisas.
Admito que eu estava preocupada com o que elas iam fazer comigo. A vaca 2 (vulgo Jude) trancou a porta e voltou pro lado da vaca principal. Eu fiquei um pouco assustada sim, mas de repente a torneira do meu lado começou a fazer um barulho, dois segundos depois ela explodiu e um jato derrubou a Leslie no chão. Eu estava chocada. Como isso aconteceu?
As outras duas pareciam tão chocadas quanto eu, elas ficaram paradas devida a surpresa, mas logo se recuperaram e foram ajudar a Leslie que estava inconsciente, por causa do jato que acertou bem na cabeça dela(mesmo eu achando estranho ela desmaiar só por causa de água,mas tudo bem).
Achei melhor sair dali antes que alguma delas saísse e falasse para o diretor que eu fiz alguma coisa. Nem fui para as aulas seguintes, segui direto pra casa. Fui andando e pensando no que aconteceu, mas não sabia o que realmente aconteceu.
No meio do caminho esbarrei em um garoto e caí. O garoto tinha cabelos pretos espetados, olhos verdes, estava usando um casaco preto por cima de uma camiseta laranja e tinha um copo de café na mão.
–Desculpe — ele disse me ajudando a levantar.
–Sem problemas, eu que não estava prestando atenção — falei sem prestar muita atenção nele, mas aquele garoto me parecia familiar.
–Você se machucou? — ele perguntou parecendo preocupado.
–Não, eu estou bem.Obrigada-falei já começando a caminhar de novo pra casa. Eu olhei pra trás e vi uma garota loira se juntando a ele.
Quando cheguei em casa corri direto pro meu quarto e fui tomar um banho. Fiquei um bom tempo la um bom tempo pensando no que tinha acontecido. Quando eu sai me vesti e acabei dormindo.
*****
Acordei com o meu despertador e por incrivel que pareça, não tive pesadelos, na verdade nem sonhos. Mais uma coisa pra por na minha lista de acontecimentos estranhos. Levantei, fui no banheiro, fiz minha higiene matinal, tomei um banho, me arrumei e fui tomar café.
–Hey,cadê a mãe?-Perguntei,pegando uma maçã, a mordendo e sentando em cima da mesa.
Meu irmão mais novo largou a colher com cereal e me olhou sério. As vezes acho que faz pacto com o Destino para ferrar a minha vida. Ele empurrou a tigela de cereal pro lado e me olhou de novo.
–Ela está lá em cima, com ele. A quimioterapia de ontem não o fez muito bem...-Falou meio abatido, o que era estranho porque ele sempre estava de bom humor.
Balancei a cabeça. Aquilo nunca fazia bem para ele, sempre trazendo consequências negativas. As coisas não podiam ficar simplesmente boas? Todos já estávamos sendo afetados por isso. O medo, a responsabilidade, a falta de tempo. Minha mãe estava quase ficando louca. Sem contar que estava a um passo de ser demitida, por causa das vezes que faltava para acompanhar meu padrasto em todas as situações médicas.
A quimioterapia não estava fazendo efeito, também. Ele já a fazia há quatro meses e piorava cada vez mais. Porque não tentavam outra coisa? Eu não entendia...
–Então porque fazem essa quimioterapia idiota? Se sempre faz mal à ele, deviam...-Comecei, expondo minha opinião de sempre.
–Não deviam nada. -Ele me interrompeu,se levantando da mesa e me olhando indignado-Ninguém sabe o que realmente essa quimioterapia está fazendo com ele. É normal sentir essas tonturas e o resto, pelo menos no caso dele. Mas ele não pode desistir. Já não bastasse a mamãe, agora você...
Então ele saiu da cozinha bravo, me deixando sozinha.
Aquele garoto sabia ser grosseiro. E, também era novo, não sabia nada da vida. Não que eu soubesse, mas tinha uma noção maior e melhor do que a dele. E, meu irmão sempre foi brincalhão e idiota, um peste.Não entendo porque age assim justo nesse assunto.
Decidi ir pra escola, o clima em casa não estava muito bom mesmo. Peguei minha mochila e saí.
Fiquei uns dez minutos esperando a meu ônibus chegar(já que tinha saído de casa antes do horário), enquanto isso fiquei pensando em ontem. Aquilo no banheiro, o garoto que me parecia familiar e o meu pesadelo. Será que tudo tinha alguma relação? Então avistei o ônibus virando a esquina. Quando estacionou perto da minha casa, a porta foi aberta para eu entrar.
Estava completamente vazio. Estranho...mas Lisa estava ali,menos mal.
– Onde está todo mundo, Lisa? — eu disse entrando no ônibus.
Ela apenas ligou o ônibus e saiu dirigindo. Eu teria caído se não tivesse segurado no assento da frente do ônibus. Porque ela não me respondia? Fiquei uns 20 segundos esperando alguma palavra sair da boca dela, mas nada...
– Lisa, me diz agora o que tá acontecendo!- Exigi, me apoiando na porta. Estávamos muito acima da velocidade permitida e longe da escola.
Lisa parou o ônibus e olhou pra mim. Ela estava normal na aparência, não parecia estar bêbada ou drogada. Então, olhei para seu rosto...seus olhos...estavam pretos. Pretos! Porém,eles são azuis.
Eu apenas pisquei e ela começou a se transformar.Não consigo descrever como aconteceu, mas no final, ela tinha um par de asas pretas, possuia uma pele pior que a da minha vó e havia...virado um monstro. Não era Lisa, minha motorista.
Ela era assustadora. Senti todos os pelos do meu corpo se arrepiarem e minha cabeça gritar: “Corra!”.Tentei sair do ônibus e vazar dali, porém ela me empurrou na rua, me fazendo cair. Senti uma forte dor no tornozelo e estava muito apavorada.
Estávamos em uma ponte que estava praticamente deserta, não tinha ninguém para pedir ajuda.
O monstro veio meio correndo e meio voando na minha direção e meu tornozelo estava doendo muito, provavelmente o havia quebrado quando fui empurrada.
Ele estava a apenas alguns metros de mim. Então eu senti tanta raiva e tanto medo, queria lutar e descobrir o que estava acontecendo ,mas eu não podia fazer nada, nem correr. Então quando ele estava bem perto de mim e eu já estava rezando por um milagre, ele veio. Um jato de água o atingiu e ele caiu no chão, por causa da força que veio a água e o susto que ela causou. O que aconteceu depois foi muito rápido. Alguns segundos após o jato de água havia apenas pó no chão e em cima daquele monte de pó havia uma garota loira com uma adaga na mão. Era a mesma garota que estava com o cara que me derrubou na rua. E de repente ele apareceu no meu lado. De onde eles tinham surgido?
– Eu não fiz isso! Eu não joguei aquele jato nele.- Falou o garoto de olhos verdes.
Então ele arregalou os olhos e virou-se para mim bem devagar.
Os dois se entreolharam e falaram alguma coisa em uma outra língua...Gente estranha.
Eu estava muito confusa. Queria perguntar pra eles o que estava acontecendo mas a dor no meu tornozelo não deixava sair nada, além de um gemido da minha boca.
Então eu não vi mais nada.
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