Notas iniciais
Saudações, Bruxos e Bruxas! Antes de tudo, deixem-me explicar o intuito que tenho com esta fic. Sou o @Cob_Jacob, prazer, e "Lena Boorman e o Desaparecimento dos Sangue-Puros" foi a primeira fanfic que escrevi na vida. Atualmente, ela já se encontra finalizada. No entanto, quando comecei a escrevê-la, há três anos, estava cursando o nono ano do Fundamental, o que significa que cometia muitos erros que hoje me incomodam, sejam eles gramaticais ou de desenvolvimento narrativo. O que quero dizer é que estou postando esta história aqui na plataforma com o fim de reescrevê-la. Eu já devia ter feito isso há muito tempo, mas vinha relutando, por preguiça; acho que começar a fazer publicações periódicas me ajudará a manter um ritmo de reescrita. Já deixo claro que sou uma pessoa muito estranha, então o meu plano é fazer, na história, dois tipos de revisão: Uma primeira gramatical e uma Segunda, de narrativa. Pretendo fazer desse modo porque sei que, se decidir mudar a narrativa de uma vez só, desanimarei no caminho. Por isso dividi o processo em duas etapas. Postarei primeiro os capítulos revisados gramaticalmente e, conforme o tempo passar, vou substituindo-os pelos revisados narrativamente também. E quando falo de "Narrativa" não quero dizer que vou modificar a história. O que quero dizer é que vou contar os acontecimentos da trama de uma maneira diferente, só isso. Ou seja, no fim de tudo, tanto faz se você ler a versão revisada 1 (gramaticalmente) ou a versão revisada 2 (narrativamente) porque o conteúdo contado será o mesmo. Claro, a versão 2 será bem melhor contada, mas isso não vem ao caso. Sempre deixarei um aviso nestas "Notas iniciais", notificando em qual tipo de revisão o capítulo se encontra. Por enquanto, todos estarão no tipo 1 (gramaticalmente). Ah, e isso não significa que não haverão erros de gramática, apenas que eliminei a maior quantidade que consegui dos deslizes que existiam no material original. Afinal, no fundo, escrever é viver reescrevendo. Recados postos, boa leitura! PS: Capítulo em Revisão tipo 1.

— A Menina Amaldiçoada —

A família Boorman parecia ser apenas mais uma dentre as muitas que residiam no interior do Surrey. O sr. Boorman, um homem alto e franzino, de cabelos louros e ralos, era o diretor do Ninclero Escarlate, o maior restaurante da região. Ele usava um par de óculos tartaruga e sempre dispunha, em seu blazer rotineiro, de um prendedor de gravata em formato de violino. A sra. Boorman, por sua vez, era baixa e ostentava na cabeça um longo emaranhado de cachos castanhos. Ela auxiliava o esposo na liderança da cozinha, no Ninclero.

Os Boorman tinham uma filha de dez anos chamada Madalena, a Lena, e na opinião deles não havia uma garota melhor em qualquer lugar do mundo. Mas eles eram absolutamente os únicos que compartilhavam dessa opinião, porque o restante da vizinhança muito provavelmente preferiria ser corroído até a morte por um enxame de abelhas raivosas a, por exemplo, sentar-se ao lado de Lena no metrô, se esta fosse a outra opção.

Lena não era, de modo algum, o que se podia chamar de “bem vista” pelos vizinhos. Aliás, ela não era bem vista por ninguém que vivesse no modesto raio de vinte quilômetros, a contar de sua casa na rua dos Pomares, nº 12. O motivo para tanto descaso era simples, porém cruel: Madalena era uma criança amaldiçoada.

Bom, pelo menos era nisso que todos no distrito acreditavam. A sra. Boorman, sempre que podia, ocupava-se em advertir aos seus vizinhos, um tanto injuriada, de que toda essa história de maldição não passava de uma “tremenda, e indecorosa, baboseira sem precedentes!”.

Naturalmente, ela nunca era levada a sério. Porque indiscutivelmente, com maldição ou não, ninguém podia negar que, de fato, coisas estranhas aconteciam com Madalena Boorman.

É em uma terça-feira ensolarada que a nossa história começa, quando Madalena foi acordada por Mingau, seu gato de pelos dourados, que a lambia no rosto. Lena abriu lentamente os olhos verde-acinzentados e sorriu, seus cachos louros espalhados pelo travesseiro como tinta.

— Imagino que esteja pensando que terei um dia formidável, por conta de meu aniversário — disse ao gato, pondo-se de pé e sacudindo os lençóis. Mingau respondeu com um ronronar. — Pode parecer estranho, mas também estou com ótimas expectativas para hoje. Mas é claro... eu não sei o que você realmente está pensando.

Essa era a coisa que Lena mais gostava em mingau: ela não podia ler a mente dele.

Lena, desde pequena, vira-se em posse do dom de interpretar os pensamentos alheios. Ela já conquistara uma porção de pontapés no traseiro, na escola, por causa disso. Quando ainda tentava se enturmar (andes de desistir por completo), entrava de supetão em conversas de crianças que não conhecia, ainda assim, no entanto, sabendo de absolutamente tudo que elas falavam antes de sua chegada. As crianças admitiam que Lena era uma espiã, e então a maltratavam, mas ela até que entendia. Ninguém gosta de ter suas conversas invadidas por um estranho.

A voz da sra. Boorman ecoou pelo corredor, do lado de fora do quarto, como uma sirene.

— Lena, querida, o café está servido!

A menina e o gato desceram as escadas de madeira, que, a cada degrau, rangiam ruidosamente, e desembocaram na cozinha iluminada pelos raios de sol. A mesa, posta com uma toalha amarelo-canário, estava farta de pães, tortas, bacon, ovos mexidos, e um grande bolo de chocolate, posicionado no centro.

Enquanto ouvia um coro de "Como cresceu a minha pequerrucha", Lena recebeu abraços apertados dos pais.

— Onze anos! — dizia o sr. Boorman — O primeiro dente de leite não tinha caído na semana passada?

Lena revirou os olhos, embora sorrisse. Ela amava seus pais mais que tudo na vida.

Os três sentaram-se à mesa, e foi aí que Lena viu-se relaxada o suficiente para vasculhar o pensamento dos pais. Não era algo voluntário, ela nunca faria isso se pudesse escolher. Simplesmente não podia impedir, era como respirar.

A felicidade deixou seu rosto. Ela repousou a faca com geleia sobre o prato e encarou os pais, que vagarosamente também paravam de sorrir.

— Vocês não vão ficar, não é? — perguntou.

Os olhos da sra. Boorman marejaram.

— Ah, filha, nós bem que queríamos, mas o discurso do prefeito Hawkins foi adiado. Será em algumas horas, no Ninclero, você sabe, e a cozinha está uma loucura!

— Uma loucura! — concordou o sr. Boorman. — Eu até tentei conseguir uma folga, mas a direção do restaurante está impossível. Temos de ir, ou perderemos o emprego, você entente, não entende Lena?

Lena anuiu com a cabeça.

— Eu poderia ajudar... — pigarreou — Ajudar na cozinha...

— De jeito nenhum — declarou o pai — A cozinha é um lugar perigoso demais para crianças. E, além disso, é uma festa de adultos, será chato e super entediante, você não vai perder nada.

Os pais acariciaram a mão da filha.

— Voltaremos à noite, no mais tardar. Prometemos.

A menina sorriu, ainda que estivesse triste.

Após o café, eles cortaram o bolo e cantaram parabéns. Lena fez o mesmo pedido que fazia todos os outros anos: que perdesse a capacidade de ler a mente das pessoas.

Ela sabia que seus pais não podiam levá-la ao restaurante. Sabia que não podia comparecer ao discurso do prefeito Hawkins. Mas o motivo ia muito além de uma cozinha perigosa para crianças, ou uma festa de gente velha. Eles não podiam levá-la porque todos no distrito a conheciam, e à sua fama.
"A Menina Amaldiçoada do Surrey", era como a chamavam.

Notas finais
O que achou? Até a próxima, e... Malfeitofeito!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.