Lembro-me do Medo
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Um dia de glória, mais uma vitória para o Exército Golden Age. A batalha foi difícil e suada, mas tinha válido a pena, só que não tínhamos acabado ainda, faltava uma coisa, antes de tudo eu e meu exército estávamos em uma grande captura dos Fearlings e Piratas dos Sonhos, eles atormentavam as crianças e adultos e assombravam quem ficasse no caminho deles. Eles não aparentavam ser o que era, pessoas comuns? Nunca. Eles escondiam sua verdadeira forma de um jeito que ninguém poderia desconfiar. Logo depois de tudo isso levamos todos a um lugar distante de tudo e de todos.
Revelamos a sua forma para poder deixa-los presos, criaturas horrendas, a própria escuridão, elas tinham bastante fome, mas principalmente do medo.
— Capitão Kozmotis Pitchner, os portões já estão prontos para tranca-los — Um soldado falou ao meu lado, entregando-me uma chave da prisão de chumbo.
— Ótimo, então tranquem e assim todas as pessoas terão um pouco de sossego — Olhava friamente para a jaula em que continham os medonhos ou melhor, pesadelos.
— Sim, senhor.
— Não pense que não ficara impune Pitchner, nós nos vingaremos e você sofrerá — Seus rostos ficavam deformados, a jaula prendia e sugava sua fonte de poder e deixando que o dom de manipular as pessoas através da palavras não surtisse efeito.
Os meus soldados o olharam assustados com suas palavras, apenas os observei e os ignorei. Eles não conseguiriam fazer tal coisa e se conseguissem, uma pessoa seria culpada por traição ao libertar piratas de sonhos.
As portas foram trancadas, eu apenas observará tudo e ficava aliviado não apenas por tudo isso ter acabado mas também como eu poderia ir ver minha filha, Emily Jane. Peguei o medalhão no meu pescoço, abri e olhei para a pequena imagem dela, tão linda ela me lembra um pouco a mãe, só que ela é tão parecida comigo.
Saímos do local e fomos em direção ao veleiro lunar, demoraria meses para chegarmos em nossa terra natal e navegar pelos mares espaciais, mas valeu a pena e por um bom motivo. Pela segurança dos povos e pelo futuro de nossos filhos e de muitos outros.
Depois de um mês navegando e ajudando as constelações que aquelas sombras tinham distinguido, se passaram alguns meses e a Era de Ouro reinou, reparamos os danos necessários e finalmente poderíamos ir para casa, mas antes tínhamos que levar os prisioneiros para os cantos mais longínquas do espaço.
Com os últimos preparativos para irmos embora, partiríamos logo no dia seguinte ao nascer do sol. Mas ao veleiro as vozes dos Homens-Pesadelos atormentava minha tripulação e com reclamações discretas vindo deles, dei a ordem para que se retirassem e deixei com que um soldado saísse de perto da maldita prisão que prendia os homens pesadelos, pois o considerei fraco para fazer a guarda.
Em apenas alguns meses para voltar e darmos um fim a isso.
— Ar fresco, só um pouco... — Os homens pesadelos sibilavam, imploravam com suas vozes alternativas e estranhas — Brisa, por favor.
— Vão ter que fazer melhor do que isso! — Cerrei o olhar sobre a prisão.
— Maldito Pitchner, ainda pagará caro! —Gritavam.
Não estava no momento de sair dali, então passaria a noite em claro apenas para garantir que ninguém ou os mesmos escapassem. Com o sono começando a dar sinais depois de algumas horas da madrugada escura, meus olhos começavam a se fechar sozinhos e quando eu poderia ter me dado por mim, tinha realmente dormido.
Só que eu não sabia, é que esta falha se tornaria em algo pior em breve.
Sonhei que estava em um lugar totalmente escuro, eu vi que não tinha ninguém e eu corri, corri gritando para que pelo menos alguém me escutasse, foi inútil. Comecei a ficar apavorado até que eu comecei a ouvir uma voz ecoando na escuridão, aos poucos ela ficava mais forte.
"Papai! socorro!" Era ela. Minha pequena Emily.
"Calma meu amor... Eu estou aqui, não se preocupe".
"Estou com muito medo papai, eu quero sair dessa escuridão. não quero ficar sozinha..."
"Você não está sozinha querida, eu estou aqui"
Virei-me olhando a escuridão e vi uma porta cheia de trancas sendo iluminada.
"Rápido, abra a porta papai, eu quero sair do escuro, eu estou com muito medo".
Eu comecei a andar em direção a porta, eu parecia meio fora de mim, pois sabia que isso parecia significar um grande perigo, só que não me importava, apenas queria deixar minha filha tranquila e sem medo de nada.
Cheguei mais perto e abri as travas da jaula, e devagar com o pequena abertura uma coisa lá dentro a abriu com tudo, eram os Fearlings. Eles tinham me enganado usando voz da minha filha, malditos e covardes, eles conseguiram me enganar, mas será que conseguiriam escapar totalmente? Não saíram muitos e com uma espadas lunar em punhos, preparava-me para eliminar a presença do medonhos homens pesadelos.
— Não pense que deixaremos você Pitchner, você é apenas uma peça de xadrez do tabuleiro — Tipos de vozes diferente ecoavam para falar apenas uma frase, causando um arrepio em mim.
Comecei a suar frio, eles não parecia brincar e isso assustava-me. Começaram a me cercar e formando um grande circulo negro em minha volta, até que eles pararam e vieram em minha direção, as sombras entraram dentro de mim fazendo com que elas tomassem o controle de minha mente e corpo, tentei manter o controle, expulsando-as só que não adiantava de nada. Eu começava a ver a a escuridão, mas antes uma pequena luz apareceu em minha frente.
" Por quê você fez isso papai?"
Essa luz transformou numa pessoa conhecida, o rosto familiar e sua expressão causou-me angustia. Era ela... Emily, minha filha.
"E-eu não sei, apenas queria te ver" Embaralhei-me com as palavras ditas e com o olhar perdido não sabia sustentar o olhar dela à mim.
"Eu sei, só que agora eu nunca mais vou te ver..."
Sua voz era chorosa, mas como podia ser tão real essa luz, essa ilusão? Ou se não fosse e ela visse o era que eu cometi, o engano que eu causei por pena de coisas horrendas, o que ela pensaria do próprio pai? "Você vai me deixar sozinha para sempre?"
"Deixa-la sozinha? Não nunca" As lágrimas agora já desciam seu rosto,
"Papai por favor não me deixe, não me esqueça, por favor eu te amor tanto papai" Secava as lágrimas que caiam, mas não era apenas ela que o fazia, eu também
"Eu nunca vou esquece-la pequena, eu também te amo tanto"
"Papai... "
Ela começou a desaparecer, e recordei da última vez que eu tinha ficado com Emily.
Outra lágrima em meu rosto, e deixei-me ser domado pela escuridão, sentindo o sufocamento e a falta de ar, pois não havia mais nada a ser feito.
Senti-me como um louco, as sombras dos medonhos sem forma queimavam dentro do meu corpo e com isso seu domino estava saindo fora de controle, minhas memórias e lembranças ia sumindo aos poucos, tudo de mais importante que se passou em minha vida foi sumindo. Parecia que todo o sentido de eu ter chegado ali sumira em questão de segundos.
Eu era a coisa ruim da qual todos deviam temer. Eu tinha apenas um objetivo, deixar todos aterrorizados, arruinar a Dinastia Lunanoff e tornar o herdeiro Lunanoff um de seus pesadelos, pois pelo que eu soube, nunca teve um.
Memória do porque fazer aquilo, não tinha nenhum, mas de uma coisa eu lembro perfeitamente.
Lembro-me do medo.
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