Martin ainda está encostado na parede assistindo a dor da sua mãe, vendo ela sofrer aos poucos, vendo sua alma ser dilacerada, depois que você se mata percebe o quão faz falta na vida de alguém, Martin achava que se matando não faria diferença na vida de ninguém mas agora percebe que mesmo sua mãe nunca sendo presente, nunca tendo demonstrado afeto a ele está sofrendo muito, será isso um castigo?

Enquanto Maria grita e reza desesperada, um homem gordo e de baixa estatura entra no quarto e fica ali parado com a boca aberta e um cheiro de álcool exala pelo quarto, ao que tudo indica esse é o Felipe o esposo da Maria e pai do Martin, ainda parado na porta e vendo aquela cena Martin então passa as mãos nos seus poucos fios de cabelo na cabeça e diz: “O que está acontecendo aqui?”

“E-eu não sei, eu cheguei aqui e encontrei ele assim”. Disse a senhora Martin que chorava enquanto falava.

“Oh meu Deus, vou chamar a ambulância” Diz senhor Martin ainda sem acreditar no que vê

“Ele já se foi Felipe, não adianta, temos de chamar a polícia e eles saberão o que fazer”, senhora Martin então tentando se recompor pega seu celular e vai para outro cômodo fazer as ligações necessárias.

Felipe chega mais perto do corpo de seu filho sem acreditar ainda no que vê, então se senta na cama do filho bem próximo a alma vagante do seu filho também estava, sentindo-se culpado por aquele ato Felipe diz “Eu deveria ter largado a bebida, eu deveria ter dado mais atenção a você, deveria ter ajudado dentro de casa, deveria ter sido um pai melhor, agora você se foi e a culpa é minha”, Martin ao ouvir isso começa a chorar como antes, ele nunca ouvira aquilo do pai, nunca sonhara em ouvir aquelas palavras, do pai que pra ele era um monstro, mas será que o pai estava sendo verdadeiro ou era apenas o efeito da bebida? Pois o cheiro de cerveja era muito forte no quarto.

Martin não aguenta mais aquilo, ele deseja sumir, mas é impossível, ele queria abraçar a mãe e pedir desculpas por tudo mas ela não iria ouvir, sirenes começam a soar na frente do jardim de sua casa, um carro de polícia e um carro para remover o corpo chegam. Martin acha que agora finalmente será o fim, mas mal sabe ele que este é apenas o começo.

Barulhos de passos começam a ecoar pelo pequeno corredor da casa, depois homens começam a entrar no quarto de Martin, são peritos e policiais, quando olham a cena nem ficam surpreso, é como se esse tipo de morte fosse a coisa mais natural para eles, começam então a tirar o corpo sem vida e já inchado do Martin da “forca” e começam a enrolar seu corpo em um saco preto, sua casa está rodeada por vizinho tentando descobrir o que está acontecendo.

Após 2 horas, os policiais e agentes foram embora, a casa de Martin ficou silenciosa, mas começaram a aparecer vizinho na sua casa para saber do ocorrido e consolar sua mãe, pessoas que ele odiava porque nunca o saudavam na rua nem com um “Oi vizinho”, estava admirado com a falsidade daquelas pessoas, ele não aguentava mais aquele inferno, desesperado tenta se levantar da cama e vai em direção a porta do seu quarto que estava fechada e tenta abri-la mas suas mãos atravessam a maçaneta como se ela nunca estivera ali, meio desconfiado Martin tenta atravessar a porta e consegue, percebe também que já faz 6 horas que ele morreu e ainda não sentiu fome, dor, nada além de emoções, será que só tinha ele ali? Será que todo seu castigo ele teria que aguentar só?

Parado no pequeno corredor de sua pequena casa de apenas um andar, com 2 quartos, sala, cozinha pequena e uma varandinha que dava pra um jardinzinho de sua mãe, Martin vai caminhando pelo corredor e vendo os quadros pendurados nas paredes, fotos da infância de Martin, fotos dos pais dele felizes que era algo que foi a muito tempo atrás, no fim do corredor vira pra esquerda e vai até a cozinha pequena, com armários de madeira e uma pequena mesa redonda onde a mãe e o pai de Martin se sentavam e recebiam as condolências dos vizinhos, até que entrou uma moça negra na cozinha, com cabelos negros encaracolados e uma roupa social anda até a mãe de Martin, mas antes ela para e fica olhando para o Martin como se sentisse ou visse sua presença ali, então ela pisca pra ele e vai de encontro a sua mãe e a abraça parece que elas são amigas e a mãe dele a chamou de Nana, pela roupa de Nana ela deve trabalhar com a sua mãe, confuso e sem saber o que estava acontecendo ele decide atravessar a parede dos fundos da cozinha onde ficava a pia entre os armários e logo acima uma janela que dá para um bosque que ele sempre ia pra esclarecer as ideias sozinho, ninguém mais ia ali, ele não ligava mais pro seus pais, não ligava pra aquelas pessoas na sua casa, ele queria ficar ali naquele lugar de paz pra ver se tudo passava, então sentado no chão ele vê uma menina aparentando ser da sua idade, com cabelos negros e ondulados, usava uma camiseta branca e uma calça jeans escura, estava sentada a aproximadamente 6 metros dele, ela não parecia estar viva, sua pele era pálida demais e também tinha uma marca de bala na cabeça, será que ela era como Martin? Será que ela também estava naquele inferno?

Martin caminha lentamente até a garota que o olha com uns olhos negros misteriosos e diz “Oi meu nome é Tina e o seu é Martin, deve estar tudo confuso pra você né? Não é fácil viver na Terra dos Mortos, mas com o tempo você aprende”, Martin ficou confuso mas percebeu que aquela garota parecia ser a fonte de respostas para todas as perguntas dele.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.