Lembranças de Nós Dois

18 The Smallest Man Who Ever Lived


Notas iniciais
Oi, meus amores… Antes de tudo: eu queria pedir que vocês lessem esse capítulo com calma. Ele dói. Muito. Talvez seja o capítulo mais cruel que já escrevemos dessa história, porque às vezes o amor não acaba quando os sentimentos acabam… ele acaba justamente quando eles ainda existem. “The Smallest Man Who Ever Lived” não é sobre falta de amor. É sobre confiança destruída e eu preciso saber: vocês conseguiram perdoar o Edward em algum momento desse capítulo… ou não existe mais volta pra ele? 🥺 Comentem MUITO porque eu quero ler cada surto de vocês. 🤍

🌙 Capítulo 18 — The Smallest Man Who Ever Lived

O sol que nascera sobre o motel Olympic Peak Inn era uma farsa. Ele brilhava com uma intensidade pálida, refletindo-se no asfalto da Forks High School como se nada tivesse mudado, como se o mundo ainda fosse o lugar seguro que Bella acreditara habitar nas últimas doze horas. Ela caminhava pelo corredor do terceiro andar com o corpo ainda quente das memórias da noite anterior, a pele sensível ao toque do tecido da blusa e o pingente de coração, o "coração de Edward", descansando pesadamente contra seu peito. Ela sorria para os alunos que passavam, sentindo-se, pela primeira vez, parte de algo maior do que sua própria solidão. Ela era a garota que Edward Cullen amava.

Pelo menos, era nisso que ela acreditava até Tanya Denali emergir da penumbra perto dos armários, segurando um envelope pardo e um sorriso que fedia a necrotério.

— Você parece radiante, Bella. O brilho de quem finalmente "chegou lá", não é? — Tanya bloqueou o caminho, a voz arrastada e cruel.

— Tanya, eu não tenho tempo para suas piadas hoje — Bella tentou passar, mas a loira segurou seu braço com uma força surpreendente.

— Ah, você tem tempo, sim. Porque eu cansei de ver essa comédia romântica de baixo orçamento. — Tanya abriu o envelope e deslizou várias folhas de papel, jogando-as contra o peito de Bella. Eram capturas de tela. Mensagens de um grupo de mensagens. Uma foto nítida de Edward e Emmett apertando as mãos no estacionamento, datada da primeira semana de aula. — Leia, Bella...Se diverte com a gente... Dois mil dólares...Nossa...Esse foi o seu preço.

Bella olhou para os papéis. Seus olhos saltaram pelas palavras: aposta... Swan... seis meses... dois mil dólares... garota esquisita... fácil demais. O mundo começou a girar de forma violenta. O ar tornou-se sólido em seus pulmões.

— Você realmente achou — Tanya se aproximou, sussurrando em seu ouvido com um prazer sádico — Que alguém como o Edward Cullen olharia para uma coisinha como você sem um incentivo financeiro? Você foi um projeto, Bella. Uma meta batida e pelo que soube, ele finalmente "recebeu o bônus" ontem à noite no motel, não foi?

Edward dobrou a esquina do corredor no exato momento em que os papéis caíram das mãos trêmulas de Bella. O tempo parou. Ele viu a palidez cadavérica no rosto dela, o envelope nas mãos de Tanya e o silêncio mortal que se instalou no corredor. O pânico que o acompanhara durante meses finalmente se materializou em um monstro que ele não podia mais enfrentar.

— Bella... — a voz dele falhou, um sussurro quebrado.

Ela virou-se devagar. O olhar que ela lançou a ele não era de raiva; era de um horror absoluto, como se estivesse olhando para um estranho, ou pior, para algo repulsivo.

— É verdade? — a voz de Bella saiu rouca, quase inaudível.

— Eu posso explicar, eu ia te contar hoje, eu juro que...

— É VERDADE? — ela gritou, um som agudo que ecoou pelas paredes de concreto. — Toda vez que você me tocava... toda vez que você dizia que eu era o seu mundo... você estava pensando no dinheiro? Você dormiu comigo por DOIS MIL DÓLARES?

— Não! Bella, não foi assim, eu amo você! — Edward tentou dar um passo à frente, as mãos estendidas em súplica.

— NÃO ME TOCA! — Bella recuou, o rosto banhado por lágrimas de puro asco. — Você é a pessoa mais desprezível que eu já conheci. Você não é grande, Edward. Você não é o herói de ninguém. Você é minúsculo. Você é o menor homem que já existiu.

Com um movimento violento, ela agarrou a corrente de prata em seu pescoço. A pele fina foi cortada pela força do metal, mas ela não sentiu a dor física. Ela arrancou o colar e o jogou aos pés de Edward. O pingente de coração tilintou no chão frio. Antes que ele pudesse reagir, Bella pisou sobre ele com toda a sua força, ouvindo o som do metal se deformando sob seu pé, esmagando o símbolo do amor deles na sujeira do corredor.

— Bella, espera! — Edward gritou, mas ela já havia disparado em direção às escadas.

A visão de Bella estava nublada pelas lágrimas, o corredor transformando-se em um borrão de cores e formas. O som dos passos de Edward atrás dela parecia o de um perseguidor. Ela precisava sair dali. Precisava de ar. Precisava que a pele dela parasse de queimar onde ele a havia tocado.

Ao chegar ao topo da escada de pedra do terceiro andar, o pé de Bella, ainda úmido da chuva lá fora, escorregou no degrau de metal. O tempo pareceu desacelerar enquanto ela perdia o equilíbrio. Ela não gritou. Houve apenas o som seco do impacto. Seu corpo despencou, batendo contra os degraus de concreto com uma violência brutal, girando até parar no patamar intermediário.

Um estalo nítido e horrível ecoou pelo vão da escada.

— BELLA! — O grito de Edward foi um uivo de agonia pura.

Ele desceu os degraus saltando, caindo de joelhos ao lado dela. O corpo de Bella estava retorcido, o rosto pálido e manchado de sangue onde batera na quina de um degrau. Mas o pior era a perna esquerda, virada em um ângulo antinatural, o osso ameaçando romper a pele.

— Não me toca... — ela sussurrou, a consciência oscilando entre a dor excruciante e o vazio. — Sai... de perto... de mim...

O hospital de Forks cheirava a antisséptico e tragédia. Charlie Swan estava parado no corredor como uma estátua de granito, as mãos fechadas em punhos tão apertados que as juntas estavam brancas. Alice chorava copiosamente no ombro de Jasper, que parecia a ponto de desmoronar sob o peso das emoções que emanavam de todos ali.

Quando Edward tentou se aproximar da porta do quarto de Bella, Charlie se colocou em seu caminho. Não houve gritos. Apenas o olhar do xerife, carregado de um ódio tão profundo que fez Edward recuar.

— Se você der mais um passo, Cullen, eu esqueço que sou um homem da lei e mato você!— Charlie sibilou, a voz vibrando de fúria contida.

— Eu preciso ver ela, Charlie... por favor...

A porta do quarto se abriu levemente. A enfermeira saiu, mas a voz de Bella veio de dentro, fraca, mas carregada de uma frieza que cortou Edward ao meio.

— Pai? — ela chamou. — Manda o Cullen ir embora.

— Bells, ele está aqui fora arrependido... — Alice tentou intervir, a voz embargada.

— Eu não me importo. Manda o Edward embora, da um tiro nele, prende ele... Eu nunca mais quero ver a cara nojenta dele. Eu não quero que ele respire o mesmo ar que eu. Mandem esse moleque embora antes que eu comece a gritar.

Edward sentiu como se tivesse sido atingido por um tiro no peito. Ele recuou, tropeçando nas próprias pernas, enquanto Jasper o segurava pelos ombros, arrastando-o para longe do quarto.

Horas depois, Edward estava sozinho no estacionamento vazio do hospital, sob a chuva que voltara a cair, impiedosa. Suas roupas estavam manchadas com o sangue de Bella, o sangue do acidente que ele causara. Ele abriu a mão lentamente, revelando o que havia recuperado do chão da escola: o pingente de coração, agora amassado, opaco e sem forma.

Ele era o menor homem que já existiu. E, pela primeira vez na vida, Edward Cullen não tinha para onde fugir, porque o paraíso que ele construíra havia se tornado o seu próprio inferno particular.

A chuva de Forks, que antes parecia um cenário romântico para os seus encontros furtivos, agora caía como agulhas de gelo contra a pele de Edward. Ele permanecia encostado no Volvo, o metal frio sendo o único suporte para um corpo que parecia ter esquecido como se sustentar. Ele olhou para as janelas do hospital, tentando adivinhar qual daquelas luzes pálidas iluminava o sofrimento de Bella, e a náusea o atingiu novamente. Cada vez que fechava os olhos, ele ouvia o estalo do osso dela quebrando na escada e, pior ainda, o som do seu próprio nome sendo pronunciado com o mais puro nojo.

— Eu destruí ela — ele sussurrou para o nada, sua voz sendo engolida pelo barulho da tempestade. — Eu a matei por dentro antes mesmo dela cair.

Ele levou o pingente amassado aos lábios, o gosto de metal e o cheiro residual do perfume dela provocando um soluço seco que rasgou sua garganta. Edward não era apenas o vilão da história de Bella agora; ele era o monstro que ela tinha convidado para entrar, aquele que tinha dormido em sua cama e prometido um futuro enquanto contava as notas de uma aposta imunda. Ele queria gritar, queria socar o asfalto até que suas mãos sangrassem, mas o vazio em seu peito era tão vasto que não sobrava energia nem para a raiva. Ele era um homem oco, habitando as ruínas de uma felicidade que ele mesmo incendiara.

Dentro do quarto 302, o silêncio era interrompido apenas pelo bipe rítmico dos monitores e pelo som abafado do choro de Bella contra o travesseiro. A dor em sua perna, latejante e aguda após a cirurgia de emergência, não era nada comparada à agonia que latejava atrás de suas costelas. Cada vez que ela piscava, via o rosto de Edward, não o rosto do traidor do terceiro andar, mas o rosto do rapaz que a beijara no motel, o rapaz que dissera que ela era o seu universo inteiro.

— Como ele pôde? — ela soluçou, a voz falhando enquanto Alice trocava a compressa fria em sua testa. — Alice, ele me olhava como se eu fosse tudo... mas ele só estava vendo o dinheiro. Ele estava rindo de mim o tempo todo?

Alice não tinha respostas, apenas lágrimas que escorriam silenciosamente enquanto segurava a mão ilesa da amiga. Bella sentia uma vergonha tão profunda que desejava que a queda tivesse apagado sua memória. Ela se sentia suja, usada, uma piada contada nos corredores da escola para o divertimento da elite de Forks. A ideia de que sua primeira vez, sua entrega total, tinha sido o "bônus de desempenho" de um contrato cruel fazia seu estômago revirar.

— Eu quero ir embora, pai — Bella disse quando Charlie entrou no quarto, o rosto dele envelhecido dez anos em uma única noite. — Eu não quero voltar para aquela escola. Eu não quero ver ninguém. Eu só quero que essa dor pare.

Charlie sentou-se ao lado dela, os olhos vermelhos de fúria e tristeza. Ele não disse a ela que Edward ainda estava no estacionamento, nem que o rapaz parecia um cadáver ambulante. Ele apenas beijou a testa da filha, sentindo a fragilidade de seus ossos e a quebra de seu espírito.

— Ele nunca mais vai chegar perto de você, Bells. Eu te prometo — Charlie afirmou, a voz vibrando com uma promessa de proteção que chegava tarde demais.

Bella fechou os olhos, mas a escuridão não trouxe paz. Ela só conseguia pensar no colar esmagado e no fato de que, embora Edward Cullen fosse o menor homem que já existiu, ele ainda ocupava todo o espaço vazio dentro dela, transformando cada lembrança feliz em uma cicatriz que nunca pararia de sangrar. Ela estava quebrada, em todos os sentidos da palavra, e o sol de Forks nunca mais pareceria luz novamente.

Notas finais
Eu sinceramente acho que nunca vou superar a cena do colar… Nem o Edward segurando aquele coração destruído na chuva e agora tudo mudou. Bella está quebrada, Edward também e pela primeira vez desde o começo da história… eles não são mais “Bella e Edward”. São apenas duas pessoas machucadas tentando sobreviver à própria tragédia. Me contem: ✨ vocês acham que existe perdão pra uma dor assim? ✨ ou o Edward perdeu a Bella para sempre? Nos vemos no próximo capítulo… e tragam lenços. 🌧️