Lembranças de Nós Dois
9 If the World Was Ending
Notas iniciais
🌙 Capítulo 9
Alguns dias se passaram desde aquela tarde na porta da casa dos Swan, mas a sensação deixada por aquele momento não desapareceu, ela apenas mudou de forma, se acomodando em silêncios mais carregados, em olhares mais demorados, em pequenas pausas entre palavras que antes vinham fáceis. Nada tinha voltado ao normal, e talvez nunca voltasse. Bella sentia isso de maneira quase constante, como um eco persistente no fundo do peito, algo que não incomodava exatamente… mas que também não permitia que ela simplesmente ignorasse o que estava acontecendo.
Naquela quarta-feira, o céu de Forks começava a escurecer mais cedo, como sempre fazia, e a luz fria que entrava pela janela do quarto iluminava parcialmente os livros abertos sobre a cama, onde Bella estava deitada de bruços, tentando se concentrar em datas, acontecimentos e nomes que, naquele momento, pareciam muito menos importantes do que deveriam.
Ela girava a caneta entre os dedos distraidamente, relendo a mesma linha pela terceira vez sem realmente absorver o conteúdo, quando o celular vibrou ao seu lado, quebrando o silêncio de forma repentina. Bella virou o rosto, pegando o aparelho com um leve suspiro, já imaginando quem seria antes mesmo de abrir a mensagem. E, como esperado, era Alice.
“Encontro duplo: eu, Jasper, você e Edward no parque de diversões! Edward vai te buscar às 17h. Esteja pronta e nada de moletom!”
Bella ficou olhando para a tela por alguns segundos, tentando processar a rapidez com que sua vida parecia estar sendo organizada por outra pessoa, antes de deixar escapar um pequeno sorriso, quase involuntário. Olhou para o relógio.
16h.
Ela já estava pronta e, pela primeira vez em muito tempo… realmente estava, sem moletom ou esconderijo.
Levantou-se da cama, ajeitando levemente a barra da blusa enquanto caminhava até o espelho, observando o reflexo com uma atenção diferente. Não havia nada exagerado, jeans escuro, uma blusa ajustada, cabelo solto caindo em ondas naturais, mas ainda assim… era diferente. Mais aberta. Mais visível. Como se, aos poucos, ela estivesse permitindo que o mundo a enxergasse de verdade.
O som da campainha ecoou pela casa.
Pontual.
Exato.
Bella prendeu a respiração por um segundo e então desceu.
Charlie Swan não esperava aquilo, quando abriu a porta, encontrou Edward Cullen parado na varanda, segurando um buquê de rosas vermelhas, perfeitamente alinhadas, o contraste entre o vermelho intenso e o cinza constante de Forks chamando atenção imediatamente. Por um instante, Charlie não disse nada. Apenas observou. O olhar avaliando, pesado, como se estivesse diante de alguém que precisava ser lido, interpretado… antes de qualquer decisão.
Edward sustentou o olhar, sem arrogância, mas também sem recuar.
— Boa tarde, Xerife Swan — disse ele, com uma calma controlada, o tipo de educação que parecia ensaiada, mas que ainda carregava traços claros de provocação silenciosa.
Charlie cruzou os braços.
— O que significa isso, Cullen? — perguntou, olhando diretamente para o buquê, depois para ele.
Edward olhou brevemente para as flores, como se considerasse a pergunta.
— Flores — respondeu, simples.
Charlie arqueou uma sobrancelha.
— Eu sei o que são flores.
— Ótimo. Já é um bom começo — Edward respondeu, com um leve sorriso de canto.
O clima ficou ainda mais tenso e , por um segundo, perigosamente próximo de algo pior.
— Edward? — a voz de Bella surgiu no topo da escada.
Os dois homens olharam ao mesmo tempo.
Bella parou no último degrau e o mundo pareceu ajustar o foco.
Edward ficou em silêncio por um instante, porque… ela estava diferente.
Mais leve.
Mais… ela.
— Oi Bella— disse ele, a voz mais baixa agora.
Bella desceu os últimos degraus, ignorando completamente o olhar do pai que ainda estava preso em Edward como se analisasse cada movimento dele.
— Você chegou cedo.
— Eu gosto de chegar antes de dar problema — respondeu Edward, lançando um olhar rápido para Charlie... um grande erro.
Charlie estreitou os olhos.
— Engraçadinho.
Bella segurou um suspiro.
— Pai…
— Ele sempre fala assim? — Charlie perguntou, sem desviar o olhar.
— Só quando gosta da pessoa — Bella respondeu, antes que Edward pudesse dizer qualquer coisa.
Silêncio.
Curto e inesperado.
Edward estendeu o buquê para Bella.
— Pra você.
Ela pegou e, por um segundo, tudo ao redor perdeu importância.
— Obrigada.
Charlie pigarreou.
Alto.
— Hora.
Bella respirou fundo.
— A gente volta cedo.
— Vocês voltam antes de escurecer.
Edward olhou para o céu.
— Já está escuro.
Charlie não achou graça.
— Antes de piorar.
Bella puxou Edward pelo braço.
— Vamos.
E, pela primeira vez, Edward foi, sem responder.
O parque de diversões parecia outro mundo.
Luzes coloridas piscavam em todas as direções, refletindo nos rostos das pessoas, criando uma atmosfera vibrante que contrastava completamente com o cinza habitual de Forks. A música preenchia o ar, misturada com risadas, gritos e o som constante de máquinas em movimento, e havia algo naquele ambiente que fazia tudo parecer mais leve, mais simples… como se os problemas ficassem, pelo menos por algumas horas, do lado de fora.
Alice já estava lá, praticamente pulando de animação, enquanto Jasper tentava, sem sucesso, parecer menos envolvido do que realmente estava.
— FINALMENTE! — disse Alice, puxando Bella para um abraço.
— Você tá linda — sussurrou no ouvido dela.
Bella sorriu.
Jasper cumprimentou Edward com um aceno discreto e então, sem cerimônia, Alice puxou todos.
— Vamos!
O tempo passou diferente ali, mais rápido e leve.
Edward tentou acertar todos os jogos possíveis, errando alguns de propósito só para ouvir Bella rir, acertando outros com precisão suficiente para arrancar pequenas comemorações exageradas, enquanto Alice narrava tudo como se fosse um campeonato mundial. Havia provocações, olhares, pequenos toques que duravam mais do que deveriam, e, pouco a pouco, a tensão que existia entre Bella e Edward foi se transformando em algo mais fácil… mais natural.
Até que chegaram à roda-gigante.
As cabines se separaram.
Alice e Jasper em uma.
Bella e Edward em outra.
E, conforme a estrutura começou a subir, o barulho do parque foi ficando distante, como se estivesse sendo deixado para trás junto com o chão.
— Olha eles — disse Edward, apontando discretamente.
Bella seguiu o olhar.
Alice e Jasper estavam rindo.
Próximos demais.
— Ele vai pedir ela em namoro — disse Edward, com um pequeno sorriso.
Bella sorriu.
— Era óbvio.
A cabine parou.
No topo.
E, de repente… silêncio.
O tipo de silêncio que não existe em lugares assim.
A cidade se estendia abaixo deles, iluminada, viva, mas distante o suficiente para parecer intocável.
Edward olhou para Bella.
— Dizem que quando a roda para no topo… você tem que beijar alguém.
Bella riu.
— Dizem? Quem diz isso?
— Eu acabei de inventar.
Ela balançou a cabeça.
— Claro que inventou...
Silêncio.
Mais curto dessa vez, mas mais intenso.
— Mas pode ser verdade — ele disse, mais baixo agora.
E então…Ela não recuou e o beijo veio natural, sem pressa ou medo.
Suave no começo… e profundo depois, como se os dois estivessem descobrindo algo novo no meio do caos.
E, aquilo por um instante parecia suficiente.
Mais tarde naquela noite, quando Edward estacionou na frente da casa dos Swan, o silêncio dentro do carro não era desconfortável.
Era… carregado.
Bella segurou a porta, mas não abriu.
— Swan… — ele chamou.
— O quê?
Ele respirou fundo.
— Eu não estou acostumado a me apaixonar por alguém.
Bella ficou imóvel e , pela primeira vez sem resposta.
Edward se inclinou e beijou ela de novo, mais intenso e real.
Até...
TOC TOC
Charlie Swan, estaca batendo no vidro.
— Bella!— gritou irritado
Ela se afastou rápido e Edward encostou a testa no volante.
— Ele tem um radar...Só pode...
Bella riu, sem conseguir evitar.
— Cullen — disse Charlie do lado de fora.
— Boa noite, Xerife Swan — respondeu Edward, ainda sentado, tentando parecer sério.
Bella saiu do carro e, antes de entrar olhou para ele e sorriu.
Ali Edward teve certeza, que dessa vez não tinha mais volta.
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