Lembranças

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa fanfic está postada ha séculos (em 2012) no Anime Spirit e resolvi postar aqui, eu tenho um carinho muito grande por ela, apesar de ter sido dedicada a uma pessoa que hoje não faço questão na minha vida. (deixa eu parar de tagarelar).

Enfim, boa leeitura, espero que gostem

Olá, sou Grell Sutcliff, um Shinigami, ceifador de vidas. Hoje meu gerente me deu uma folga do trabalho, então estou jogado na cama desde o momento que acordei, minha foice, em forma de uma serra eletrica customizada estava sobre o suporte que preparei pra ela, em meu quarto. Bem, estou aqui aguardando o meu amor chegar, hoje ele iria tirar uma folga do trabalho dele.

Ele cuida de um pirralho humano que lhe vendeu sua alma. Pirralho humano insolente! Adoraria ver a parte mais bonita dele, o seu sangue espalhado pelo chão e pela minha foice da morte, maaas meu Sebby-chan me proibiu de tocar no moleque, mesmo que ele seja um fedelho mandão e sem nenhuma educação. Bom, pra todos, Sebastian me odeia, mas é apenas uma fachada. Hehehehehehe ele tinha me pedido pra fingir que odiava ele também, mas isso é impossível pra mim. Toda vez que o vejo o meu sangue se agita e eu só penso em nós fazendo ....................... huuuuum, mas isso não te interessa!

Enfim, estou agora aqui em casa aguardando ele chegar. E lembrando de algumas coisas, como a primeira vez que nos beijamos. Foi uma experiencia tão linda, que ate hoje não penso se imaginei tudo aquilo e na verdade nada aconteceu.

Eu estava tão leve e relaxado naquele dia, sentado no alto do parlamento inglês, observando o que parecia ser um festival. Estava sem o meu costumeiro sobretudo vermelho e sem a minha foice. Usava apenas a blusa social um pouco aberta com meu colete, o laço do pescoço desfeio, uma calça grafite e o meu cabelo estava amarrado em um alto rabo de cavalo, apenas duas pequenas mechas escapavam dela, friamente calculadas para estarem assim. Eu estava observando aquela aglomeração de humanos já fazia algum tempo, mas não lembro exatamente o motivo por eu ter ficado tanto tempo daquele jeito, afinal, humanos são apenas seres desprezíveis. Criaturinhas fracas e sem beleza, mas mesmo assim eu estava lá, vendo-os se divertir, os fogos voando pelos céus, lindos, formando desenhos coloridos Não lembro direito, mas eu ficava imaginando como criaturas tão pouco providas de inteligencia podia criar coisas tão lindas. Nesse momento, no meio dos meus devaneios eu ouvi um pequeno barulho e virei o rosto, e ele estava lá, nunca imaginei que o veria ali, mas eu apenas sorri de canto e voltei a admirar a beleza daquele espetáculo de cores e musica. Eu estava leve, quase flutuando em uma sensação de alegria e satisfação, e contrariando até mesmo os meus mais profundos instintos, não corri, não gritei, e isso surpreendeu ate a mim mesmo. Não iria dar nenhum escândalo, não hoje. Mas ele se aproximou e quando eu menos esperava, seus dedos estavam acariciando meu rosto, corei ao me virar e ver sua face tão próxima da minha.

-Sebastian..?! — disse meio sussurrante, incerto, toquei seu braço com leveza, como se para ter certeza que era ele mesmo que estava ali. Me surpreendeu mais ainda quando ele não rejeitou meu toque em seu pulso, então toquei seus dedos quentes, sem luvas, entrelacei-os nos meus e sorri. Um sorriso simples, de felicidade, mas também de doce tranquilidade. Nem me reconheci. Talvez fosse a musica que tocava ao fundo, talvez fossem os fogos que ainda subiam nos ares. Aproveitei-me do olhar perdido e doce dele e me levantei, encaixando-me entre seus braços fortes e então nos beijamos, um beijo doce, carinhoso, onde eu apoiei meus braços em seus ombros, contornando seu pescoço, tocando sua nuca e por fim acariciando seus cabelos. Todas essas sensações juntas me deixou em extasy.

Sorri com aquelas lembranças e deitei-me novamente na cama. Eu estava apenas com um short curto preto e uma camiseta de malha, também preta, o óculos descansava em cima da mesa de cabeceira, meus cabelos estavam soltos, espalhados por todo o lençol branco e também pelo meu corpo . Eu sabia que deveria me arrumar melhor, mas as lembranças me consumiam e eu não tinha outra expressão em meu rosto alem da de felicidade.

Lembro também da vez que me irritou tanto com sua recusa em demonstrar algo pra mim, que fui pra Romênia por alguns dias espairecer. Não tinha sido o destino inicial quando sai de casa, mas quando notei, já estava lá. E foi lá também que recebi uma carta dele e um pedido de casamento. Obvio que não nos casamos de verdade. Somos um Shinigami e um Demônio, ambos homens, mas aquele anel de compromisso e aquele pedido significaram muito mais do que uma simples cerimonia humana.

Assim que li a carta, voltei o mais rápido possível pra Inglaterra. Fora a primeira vez que ele demostrara algo realmente por mim, em palavras, mesmo que fossem palavras escritas e não palavras ditas. Ainda guardo aquela carta, em um lugar bem seguro. Lembro que assim que eu cheguei, ele leu todas aquelas palavras pra mim, depois de termos feito amor na noite mais linda da minha longa vida e meu deu o anel, que sempre carrego em um cordão por debaixo da roupa. No dia seguinte ele já tinha voltado ao normal, mas seus olhos sempre me diziam tudo que eu sempre quis ouvir.

Me remexi na cama quando senti algo roçando nos meus pés. Senti cócegas e vi que era algo peludo e pequeno, negro, que se enroscava nos meus pés, e vinha sorrateiramente, até finalmente se aninhar no meu colo. Deixei e acariciei sua pequena cabeça negra.

Uma vez eu achei um pequeno gatinho negro na rua, filhote, mirrado, com cara de quem não comia há um bom tempo, e que provavelmente tinha sido separado da mãe antes do tempo adequado. Eu sabia da doce paixão que meu demônio tinha por esses animais peludos, então, antes mesmo que eu pudesse refletir sobre o que fazia, eu já o tinha aninhado em meus braços, sorrindo enquanto imaginava a reação do meu Sebby-chan assim que ele chegasse em casa e visse essa pequena bola de pelos em cima de nossa cama. Fui saltitante e feliz pra casa com o bichano, que agora descobrira o conforto do bolso interno do meu sobretudo.

Quando chegou e viu o bichado em cima de nossa cama, ele ficou imediatamente encantado e a única coisa que soube fazer foi pegar o bicho nos braços e aninhá-lo em seu colo. No final, ele ficou tanto tempo com o bichano, ignorando totalmente a minha existência, que eu cogitei, varias e varias vezes, a possibilidade de, 'sem querer', acertar aquela bola de pelos negros com minha foice da morte. Mas os olhos dele ficavam tão brilhantes e seu rosto tao relaxado enquanto estava com o animal, que começamos a chamar de Kuro, que não conseguir ir adiante em nenhuma das vezes que pensei isso.

Ri lembrando da face que ele fazia. Enquanto eu estava cada vez mais e mais perdido nessas lembranças, o pequeno saiu do meu colo e subiu mais, aninhando-se junto a minha cabeça, sobre os meus cabelos vermelhos, formando aquele contraste entre o preto e o vermelho que eu tanto amo. Saí dos meus pensamentos apenas quando ouvi o suave barulho das chaves sendo colocadas na mesa de centro, onde normalmente ele as deixa quando chega. Sorri. finalmente ele chegara em casa. Desaninhei o bichano dos meus cabelos e corri para a sala, com ele em meus braços e fui de encontro ao meu lindo mordomo negro.

Grell Sutcliff

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