Lembranças de Nós Dois

24 Bigger Than The Whole Sky


Notas iniciais
Chegamos ao último capítulo de Lembranças de Nós Dois. E talvez essa nunca tenha sido uma história sobre finais felizes…talvez sempre tenha sido sobre amor. Sobre aquele tipo de amor que transforma pessoas, atravessa tragédias e continua existindo mesmo depois da despedida. Obrigada por viverem cada capítulo comigo, por amarem Edward e Bella em todas as versões deles: perdidos, apaixonados, destruídos, reconstruídos. Agora respirem fundo… porque essa é a última página do nosso manuscrito. 🌧️🤍

🌙 Capítulo 24 — Bigger Than The Whole Sky

O corredor da UTI era um túnel de luz fluorescente e silêncio estéril. As horas haviam se transformado em uma massa disforme de agonia. Bella estava sentada na cadeira de plástico, o corpo rígido, o olhar fixo em um ponto invisível no chão. Charlie a cobrira com seu casaco de serviço, o cheiro de café e tabaco do pai sendo o único fio que a prendia à realidade. Ao redor dela, a família era um retrato de ruína: Esme, cujas orações agora eram apenas sussurros sem fôlego; Alice, estática, como se tivesse sido desligada do mundo; e Jasper, a âncora que parecia prestes a quebrar.

Quando Carlisle saiu da sala de cirurgia, ele não parecia um médico. Ele parecia um homem que tinha visto o fim do mundo. Seus ombros estavam caídos e a máscara pendia em seu pescoço, revelando um rosto envelhecido pela tarefa impossível de operar o próprio sangue.

— Ele sobreviveu à cirurgia — Carlisle disse, a voz rouca. — Mas o corpo dele... ele está lutando contra o inevitável. Ele acordou, Bella. Ele está chamando por você.

A UTI cheirava a eletricidade e morte iminente. Edward estava quase submerso por tubos e fios, o ritmo do ventilador mecânico ditando uma vida que não lhe pertencia mais. Mas quando Bella entrou, os olhos verdes dele — turvos pela medicação e pela dor — se focaram nela com uma clareza sobrenatural.

Os médicos haviam retirado o tubo de respiração por alguns instantes, sabendo que aqueles seriam os últimos fôlegos. Bella se aproximou, segurando a mão dele, que parecia tão fria, tão diferente da mão que a aquecera em Seattle.

— Ei, Swan... — ele sussurrou, a voz seca, mas carregada daquele tom provocador que ele usava nos corredores da escola, anos atrás.

— Não fala assim comigo, Edward... não se atreva — Bella soluçou, as lágrimas caindo sobre os lençóis brancos.

— Você ainda fica bonita chorando... isso é tão injusto com o resto do mundo — ele sorriu debilmente, um esforço que pareceu consumir toda a sua energia. Ele olhou para baixo, para a barriga dela. — Posso?

Com uma dificuldade extrema, Edward moveu a mão trêmula, guiado por Bella, até que seus dedos repousassem sobre o ventre dela. Ele fechou os olhos, sentindo a vida que ele criara pulsando ali dentro, protegida pelo sacrifício que ele acabara de fazer.

— Oi, Anthony... aqui é o papai — ele murmurou. O som daquela palavra, dita pela primeira e última vez, rasgou o ar do quarto. — Eu queria tanto te ensinar a dirigir... e te mostrar como Seattle fica linda do topo do Space Needle...

Edward sabia. Ele olhou para Carlisle, parado na porta, e houve um entendimento silencioso entre pai e filho. Ele se despediu de Charlie com um aceno, um reconhecimento do homem que o aceitara como filho. Mas seu tempo estava acabando, as luzes ao redor dele começando a piscar conforme sua pressão caía.

Ele voltou o olhar para Bella, devorando cada detalhe do rosto dela.

— Lembra daquela noite na janela? — ele perguntou, a respiração ficando mais curta. — Você me pediu para prometer que eu sempre voltaria para casa...

— Você prometeu, Edward! — ela gritou baixinho, apertando a mão dele contra o rosto. — Você prometeu!

— Eu tentei voltar para casa, Bella... — uma lágrima solitária escorreu pelo canto do olho dele, misturando-se ao sangue seco. — Deus sabe que eu tentei. Mas acho que minha casa... sempre foi você. E eu já cheguei.

A morte não veio com alarde. Veio com a suavidade de uma vela se apagando. Bella deitou-se ao lado dele na cama estreita, encaixando a cabeça em seu ombro, sentindo o último calor de sua pele. Edward acariciou o cabelo dela, um movimento lento, rítmico, enquanto o monitor cardíaco começava a vacilar.

— Eu amo vocês dois... mais que a minha própria vida — ele sussurrou.

O monitor soltou um bipe longo e contínuo.

A mão de Edward, que estava sobre a barriga de Bella, relaxou. Ele morreu assim: com o último toque voltado para o futuro que ele não veria, protegendo o filho que ele amou antes mesmo de conhecer.

O grito que escapou de Bella não parecia humano. Era o som de uma alma sendo partida ao meio. Charlie a segurou enquanto ela tentava se agarrar ao corpo frio de Edward, enquanto Esme desabava nos braços de Carlisle e o silêncio da UTI era substituído pelo caos do luto. O amor da vida de Bella Swan se tornara a maior perda do mundo, e o céu de Forks parecia subitamente pequeno demais para conter a falta que ele faria.

Horas depois, no silêncio mortal do quarto de hospital onde Bella estava em observação, ela pegou o celular de Edward, que fora recuperado dos destroços. Com as unhas ainda sujas com o sangue dele, ela encontrou um áudio gravado três semanas antes, na manhã em que ele havia viajado a trabalho e estava retornando para casa.

A voz dele saiu clara, vibrante, cheia de vida:

"Se você ouvir isso, provavelmente eu tô dirigindo e cantando errado no carro em alta velocidade... Mas eu só queria dizer que amar você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo, Bella. Tô doido para chegar em casa e amar cada parte do seu corpo... eu te amo tanto, Bella. Espera por mim."

Bella apertou o celular contra o peito, soluçando no escuro. Ele não era mais o garoto da aposta. Ele era o marido, o pai, o homem redimido. E agora, ele era apenas uma voz gravada em um manuscrito que terminara cedo demais.

Cinco anos haviam se passado, mas o tempo, para Bella, não era mais uma linha reta, era um ciclo de memórias e descobertas nos olhos da criança que agora corria à sua frente.

O Magic Kingdom estava mergulhado no esplendor do Natal. O cheiro de pipoca doce e neve artificial pairava no ar da Flórida, e as luzes do castelo da Cinderela brilhavam com uma intensidade que parecia desafiar a escuridão. Ao lado de Bella, Carlisle e Esme caminhavam de braços dados, observando o pequeno Anthony com uma mistura de adoração e melancolia. Charlie vinha logo atrás, carregando a mochila do Toy Story e um par de orelhas do Mickey Feiticeiro, rindo das travessuras do neto.

Anthony era uma visão que tirava o fôlego de Bella todos os dias. Aos cinco anos, ele era a cópia fiel e absoluta das fotos de infância de Edward que Esme guardava como tesouros. O mesmo cabelo bronze desalinhado, a mesma curva teimosa do sorriso e, acima de tudo, aqueles olhos verdes que pareciam carregar uma sabedoria antiga, uma herança da alma que ele nunca conheceu pessoalmente, mas que vivia em cada batida do seu coração.

— Mamãe, olha! O castelo está mudando de cor! — Anthony gritou, saltitando de excitação.

Bella sorriu, sentindo uma pontada de doçura e dor. Ela estava vivendo. Ela se tornara uma médica respeitada, uma mãe leoa e a guardiã de um legado. Ela vivia por ela, mas vivia, acima de tudo, por Edward. Cada viagem, cada risada de Anthony, cada Natal era uma página que ela escrevia no manuscrito que ele fora forçado a interromper.

Quando o show de fogos começou, a multidão silenciou. As primeiras explosões de cores riscaram o céu, refletindo-se nas janelas da Main Street. Anthony, cansado de tanto pular, estendeu os braços, e Bella o ergueu, acomodando o peso familiar do filho em seu quadril.

— É lindo, não é, Anthony? — ela sussurrou, beijando a têmpora do menino.

— O papai está vendo também, mamãe? — o pequeno perguntou, fixando os olhos verdes nas luzes.

— Ele tem o melhor lugar da plateia, meu amor. Eu prometo.

Naquele momento, enquanto a trilha sonora épica da Disney atingia o seu clímax e os fogos douravam as nuvens, algo aconteceu. Bella sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não era frio. Foi uma sensação de calor súbito, uma pressão familiar e firme que envolveu sua cintura. Bem na hora em que os autofalantes ecoavam uma voz masculina com uma voz ao fundo que dizia:

"E assim, nossa jornada se encerra. Uma jornada para encontrar a faísca que acende a magia dentro de todos nós. Agraciados com o poder de sonhar, cada um de nós é o protagonista de sua própria história e o herói de seu próprio destino. Mas, às vezes, até a luz mais brilhante pode parecer a um mundo de distância...

E ainda assim, a cada passo que damos, o sonho se fortalece. Tudo o que é preciso é um pouco de fé, confiança e pó de pirlimpimpim. Pois o poder de estender a mão e encontrar o seu 'felizes para sempre'... esteve dentro de você o tempo todo..."

Por um segundo eterno, a realidade se dissolveu. Bella não sentia apenas a brisa da noite; ela sentiu, com uma nitidez espiritual, o par de braços longos de Edward circulando seu corpo por trás. Ela sentiu o queixo dele repousar em seu ombro, exatamente como ele fazia no apartamento em Seattle, e o cheiro de pinho e chuva, o perfume dele que nunca abandonara sua memória, envolveu seus sentidos.

Ela fechou os olhos, permitindo-se encostar as costas naquele abraço invisível, mas absolutamente real. Era ele. Edward estava ali, cumprindo a promessa que fizera no hospital: ele voltara para casa. Ele estava presente no Natal da Disney, segurando-a enquanto ela segurava o fruto do amor deles.

— Eu amo você — ela sussurrou para o vento, sentindo um beijo fantasmagórico em sua têmpora.

Ao abrir os olhos, os fogos finais explodiram em um branco ofuscante sobre o castelo. Anthony riu, batendo palminhas, e Bella respirou fundo, sentindo-se completa. Edward Cullen não era mais uma perda; ele era a luz que guiava o caminho deles. O manuscrito não tinha terminado na rodovia 101ou naquele hospital. Ele continuava ali, escrito em cores vivas no céu da Flórida, provando que o amor, quando é maior do que o céu, nunca realmente diz adeus.

FIM

Notas finais
E então… acabou. Ou talvez não. Porque algumas histórias não terminam quando alguém parte. Algumas continuam vivendo em uma música no rádio, em um cheiro de chuva, em olhos verdes herdados por um filho… em lembranças de nós dois. Edward Cullen foi o primeiro amor da Bella, o maior amor da vida dela e também a maior perda. Mas ele nunca deixou de existir. Ele permaneceu nas promessas, no Anthony, nas memórias e em cada pedaço da mulher que Bella se tornou. Obrigada por chorarem, surtarem, se apaixonarem e crescerem junto comigo e com essa história. Obrigada por carregarem Lembranças de Nós Dois no coração durante todos esses capítulos. E lembrem-se sempre: alguns amores são maiores do que o céu… e por isso nunca realmente dizem adeus. 🌙🤍
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!