Leka: Ciudad Sin Fe
10 Dez.
Notas iniciais
Mas eu queria agradecer a cada uma de vocês três, ok?
A A_Revolution: Porque ela sempre vai ser a minha primeira, e querida, leitora. Muito obrigada por estar comigo desde a Strangers.
A Caa Iero: Por ter deixado claro (acho) que confia nas coisas que eu traduzo/posto. Muito obridada mesmo pela confiança.
E a Sydhartta: Por todos os seus reviews lindo e que me deixam suspirando por todos os elogios. Embora eu não os mereça, já que eu só traduzo ;-;
Adoro todas vocês por continuarem comigo. *abraça
10.
Frank Iero, na prisão ou não, havia nascido pra mudar o mundo.
I
Gerard Way saia do trabalho. Detrás dele iam dezenas de pessoas que se espalhavam pela rua como um pequeno exercito de formigas. Quando abre a porta de casa o aroma de tomate e pimenta, e o perfume de sua mãe lhe inunda os sentidos.
Assim havia sido nos últimos meses. Uma rotina pacifica e tão normal que parecia como se toda a vida houvesse sido assim. Quando fica sozinho em seu quarto, pensando no que conseguiu no dia, Gerard realmente desejava que fosse assim pra sempre. Ele gostaria de voltar no tempo e ter tomado melhores decisões aos dezessete anos. Mas também não podia desprezar de sua vida, porque havia aprendido que nunca é tarde demais para mudar, para melhorar. Para tentar ser alguém valioso.
Entre tantos pensamentos chega Frank e tudo o que ele representa. O que sente por ele. E se tivesse que ter passado pela escuridão para poder finalmente ver a luz quando beija seus lábios, então ele conclui que não mudaria nem uma cena no filme de sua vida.
Nem sequer esse tempo em que estão separados.
É como se precisasse dessa solidão pra prosseguir. Uma solidão com uma enorme fonte de inspiração por detrás. Gerard Way precisava de independência. Sentir-se adulto, ao menos uma vez.
Ajudou sua mãe a por a mesa e quando o ultimo garfo foi colocado Mikey chegava com um entusiasmo pouco convencional.
–Gerard!
Antes que seu irmão mais velho pudesse responder Mikey deixou em sua bochecha direita um beijo úmido.
–O que aconteceu filho? –Finalmente foi Donna quem perguntou.
–Um cara me ligou. Está interessado em um de seus quadros. Seu nome é Lucas Fitzgilbert. Eu o procurei pela internet na Universidade e ele é meio famoso no mundo das artes. Certamente, se ele gostou, você pode ser reconhecido logo por mais pessoas no mundo artístico.
Gerard sorriu. Amplo e brilhante. Abraçou seu irmão enquanto Donna servia a massa com um sorriso. Seria um jantar de celebração.
II
Sétimo mês.
Gerard tamborilava os dedos contra a mesa.
Exatamente quarenta e nove segundos depois do primeiro toque Frank aparecia ao lado do mesmo policial. Sorriu ao vê-lo com seu rosto limpo, sem barba. Logo se aproximou um pouco mais e o sorriso se apagou.
–Olá. –Frank sorriu. –Me deixaram usar o aparelho que você me mandou.
–O que aconteceu com você?
Não foi doce. Simplesmente muito preocupado.
Frank abaixou o olhar porque era ingênuo pensar que Gerard não se fixaria nas maças do rosto inchada e o olho meio roxo que tinha.
–Um cara. –Confessou.
–Te bateu?
Frank assentiu com a cabeça.
–Por Deus Frankie, espero que o cara tenha fica muito pior que você. –Acariciou-lhe o rosto com suavidade.
–Estou tentando muda-lo. Responder com violência é o que ele espera que eu faça, mas o farei entender que pode ser muito mais que um batedor.
–Frank. –Suspirou. –Você é tão incrível. Mas não arrisque sua saúde desse jeito.
Frank sorriu.
Gerard sabia que havia perdido. Que Frank Iero, na cadeia ou não, havia nascido para mudar o mundo.
–Eu vendi um quadro a um critico importante, sabe?
Se sentaram. Um de frente para o outro, e seguraram as mãos em frente ao policial Jones.
–É maravilhoso.
–Eu penso que ele poderia me promover. Seria minha primeira grande venda desde que comecei com isso. Me parece bom.
Frank sorri largamente quando nota a felicidade destilar através do brilho nos olhos verdes de Gerard. Aperta mais suas mãos e deseja lhe beijar até se fundir com ele. Abraçar-lhe até entrar dentro de si, e demonstrar, de alguma forma, pintando-lhe o coração ou lhe fazendo rir gargalhando, o quanto o ama. O quanto o admira. O quão orgulhoso está.
A hora que de tê-lo ao seu lado, lhe permitir sobreviver e continua lutando. Lutar, para continuar sendo digno dele. Gerard é um guerreiro. Dar a cara para receber um tapa e mudar o mundo não parece tão difícil.
–Te amo Gerard.
A meia hora termina, mas antes que ele se vá beija sua bochecha.
Quer sentir o tato de sua pele em seus lábios.
Então Frank sabe que outro mês ocorrerá.
Gerard sabe que com esse beijo sonhará todas as noites.
E então esse dia se torna o melhor dia de suas vidas.
III
É domingo e Gerard tem esse dia livre.
Sua mãe queria que ele ficasse em casa e visse algum filme, mas o filho mais velho já tem planos.
Caminha pelas ruas como se procurasse alguém. Como se fossem esses passos os únicos que importavam. Chega ao centro comercial e o percorre.
Não há muita gente, apesar de que o sol está caindo diretamente sobre sua cabeça.
Também não é que deseje socializar. É simplesmente uma observação.
Felizmente encontra quem estava procurando há dois dias. Depois de um segundo encontro nas ruas de trás do centro comercial.
O homem continuava atirado. Não dormindo, mas sim com o olhar perdido e um sorriso que adornava em seus lábios.
–Hey Liam. –Meio que gritou. No estado em que seu amigo estava duvidava que pudesse lhe escutar se falasse em volume natura de voz.
O homem piscou um par de vezes, depois focou seu olhar perdido em seu ex-companheiro de festas.
–Gerard! Outra vez me visitando! Agora você vai vir comigo? Seremos novamente amigos de festas, Gee?
Gerard não s sentiu feliz com o apelido. Não suportava o ouvir sair dos lábios resecados de Liam, nem lhe agradava o tom pastoso em que o fazia.
–Sim, vou te levar a um bom lugar.
Então teve que carregar Liam para que pudesse se colocar de pé.
Seu amigo parecia pesar uma tonelada, apesar de sua ossuda figura, seu peso era mais porque não controlava nenhum de seus músculos, e era como carregar um peso morto. Gerard estava pensando nessa situação a semana inteira, mas a verdadeira força de vontade fez efeito depois de visitar Frank e ver seu rosto inchado, só por tentar fazer um matador mudar.
–Gerard, quero chegar lolo.
–E isso porque você não está carregando nada.
Liam sorri e o de cabelos negros corresponde, apesar de que seu amigo esteja se deixando cair com mais força contra si.
–Chegamos. –Anuncia, porque Liam até tinha fechado os olhos.
Seu drogado amigo abre os olhos com lentidão. O sol lhe bate diretamente contra o rosto, e apesar das frondosas arvores ao seu redor. Liam não parece reconhecer de imediato o lugar.
–É o parque. –Disse Gerard.
–O que fazemos aqui?
–Vamos mudar o mundo.
Então Liam pode ver uma fonte em frente a eles. Estava funcionando, e umas gostas chegavam a salpicar seu rosto.
–Gerard, o que...?
Não pode terminar a pergunta, porque Gerard lhe carregou igual um saco de batatas em seu ombro, e molhando seus sapatos e calça entraram na fonte. Liam ao sentir a água fria começou a lutar, procurando se libertar. Gerard então lhe deixou cair sobre o piso de mosaico azuis.
–Gerard!
Tentou se colocar de pé, mas não conseguiu. Uma tontura o obrigou a cair novamente.
–Gerard, estão nos vendo. –Disse ofendido. Na verdade varias pessoas começavam a se reunir ao redor.
–E você sente vergonha? –Liam assentiu com a cabeça. –Porque Liam? Porque você parece ridículo em baixo de uma fonte? Porque não pode se colocar de pé? Tudo isso é por conta das drogas. Sua vida é exatamente como essa cena. Sempre se afogando ao fazer besteiras. As pessoas te olham mal, mas não tem vergonha. Não vê mais adiante. Não pode se colocar de pé porque as drogas não te deixam. Porque você não quer deixar de ser uma piada. Você é patético Liam, mas só você pode decidir até quando quer continuar.
Gerard saiu da frente. Liam abaixou a cabeça envergonhado.
As pessoas foram se multiplicando e minutos depois, quando seu amigos parecia ter convulsões em baixo da água, Gerard começou a se recriminar por ter sido tão grosso.
–Liam... –Ia começar a se desculpar quando seu amigo levantou o rosto. Estava molhado e os olhos vermelhos. Nada novo, mas o olhar era carregado de tristeza.
Então Liam estendeu o braço, pedindo ajuda.
Gerard sorriu e lhe ajudou a ficar de pé.
Talvez, a partir desse momento, Gerard havia mudado a vida de uma pessoa.
Gerard Way ia mudar o mundo.
Era uma promessa.
IV
Faltava dois meses para que Frank cumprisse seu primeiro ano na cadeia.
Seus dias como saco de pancada haviam terminado á um mês, quando Sebastián começou a achar pouco divertido continuar com os golpes sem defesa. Então Frank lhe cumprimentava todos os dias, e até havia conseguido ter uma conversa de mais de duas palavras com o mafioso. Foi um quase “missão cumprida”, porque ele foi liberado dias depois.
Então tudo voltou a ser como era no começo, mas com dois amigos no lugar. Bob, que sairia em quatro meses, e Ray, que já havia cumprido sua condenação de cinco anos em dois meses.
Então estaria só, mas nunca pensava nisso.
Era melhor caminhar, conversar. Tentar ajudar.
Justamente como tentava com o policial Jones, que estava cético perante sua tentativa de conversa desinteressada, porque pensava que só queria se empenhorar em seu pescoço.
Era errado afirmar isso. Frank só tentava ser amável, afinal de contas o policial lhe permitia se barbear uma vez por semana. Isso era muito mais do que poderia esperar em condições normais.
–Só quero saber de você. É um policial honesto, para minha surpresa, e é justo conhecer a vida de pessoas admiráveis. –Disse uma manha, depois do café da manha.
–Não sou uma pessoa admirável.
–Para mim sim.
Então o homem o olhou. Seus olhos castanhos se focaram em adivinhar os pensamentos do garoto. Não encontrou nada suspeito, só curiosidade. Só o brilho em um sorriso sincero.
Esta tarde tudo mudou.
O homem começou a falar e Frank a escutar;
Sua idade passava dos cinquenta. Vivia com sua esposa, com quem tinha um pouco mais de meia vida casado. Havia tido uma filha que lhes havia dado um neto. Um neto com diabetes, mas feliz, e bonito (dito pelo oficial). Sua filha havia ficado viúva por culpa de um sequestro mal planejado, e ele havia sido tirado de seu posto por não querer participar em situações de perigo.
Cada dia o homem chegava com algo mais. Se seu neto houvesse tido um outro ataque, sua insulina que havia acabado, ou que sua filha foi assediada pelo diretor do jardim de infância onde trabalhava.
E Frank escutava. E admirava. Mostrava todo esse respeito nos olhos avelãs, que brilhavam e que não queria piscar, como se pensasse que iria perder um gesto do homem.
–Obrigado Frank. –Disse na segunda semana.
–Não fiz nada oficial.
–Poucas pessoas entendem que as vezes uma pessoa só precisa que alguém o escute.
Frank sorriu e tomou com mais força a maça que planejava guardar para um momento tedioso durante a tarde.
–Nunca mais volte a dizer que você não é admirável. Você confirma minha teoria. Há mais pessoas nessa cidade que são honestas e lutam diariamente do que os que tentam nos afundar com as drogas.
Dessa vez, o policial não disse, mas achou admirável a inocência de Frank e cada palavra saída de sua boca.
A balança havia se inclinada, e agora Frank poderia somar a sua lista de “aliados” um policial cinquentão com vontade de continuar lutando contra o mal.
–Certamente você pensa que sou dramático, por tudo que acontece em minha vida. –Disse Jones quando as luzes iam se apagar.
–A vida é um drama constante. –Respondeu Frank.
Ray estava encostado, lendo mais um de seus livros da velha coleção. Frank estava certo de que seu amigo, dono do afro mais incrível do mundo, estaria tão absorto em sua leitura que apenas notaria seus sussurros.
–Então me conte, como é que alguém inocente como você chegou aqui?
–Primeiro, -Sorriu. –como você sabe que sou inocente? Segundo, porque ficou surpreso ao me encontrar preso?
–Você tem razão. –Afirmou com a cabeça. –E eu sei que você é inocente pelo mesmo motivo que você supôs que eu era admirável.
–É uma longe história.
–Podemos atrasar o apagar das luzes, e assim Toro pode continuar lendo.
E então começou com seu drama.
Com o filme protagonizado por ele e suas aventuras. Desde o abandono até a venda de drogas, Frank tentou não se esquecer de nenhum detalhe.
Então, sem palavras ou falsas promessas, Jones se comprometeu a recuperar a liberdade do garoto, e Frank, mudar sua vida.
Quando Gerard voltasse a insistir em lhe dar dinheiro, ou comprar algo especial, poderá aceitar o gesto, finalmente, mas com um destinatário diferente. Muito mais novo e com toda uma vida adiante para perceber a mudança e continuar.
–--------X----------
A liberdade não se perde quando há grades que de impeçam de sair e ver o sol. A Liberdade se perde quando você deixa de fazer, pensar, ou sentir o que quer fazer, pesar ou sentir.
Frank Iero é livre, e libertará muitos outros. Todo é questão de querer mudar o mundo.
No próximo...
11.
Se os bocejos se contagiam, os risos se contagiam, e até o pranto se contagia, podemos fazer que a atitude “Frank” passe de pessoa pra pessoa?
Jared lhe lembrava muito de Frank. A sua filosofia, claro, seu físico era muito diferente. Sem duvida essa maneira de se expressar e a idéia de ajudar, sem se importar com nada, era muito parecida.
Gerard começava a se perguntar quantos Franks poderia ter no planeta.
Fale com o autor