Notas iniciais
"O homem de brinca de ser deus, os deuses brincam de ser homens" O autor. A pedido especial, demos entradas ao Golem. Boa leitura!

Na manhã seguinte começou nosso treinamento como novos recrutas legionários.

Às cinco da manhã, no momento exato que acordei assustado pelo pesadelo com a grande serpente, Tenentes Blair e Clear entraram pela ordem e soaram uma concha corneta. Todos reviraram de sua cama, um porquinho desceu pelas escadas guinchando, no andar de cima, algo bem pesado caiu ao chão que tremeu o teto, supus ser Gê.

— Vamos crianças, é o primeiro dia como um guerreiro da Ordem, hora de nosso café da manhã matinal.

Das escadas surgiu Susi correndo atrás de seu porquinho, Gê acarinhando o galo que se formou em sua cabeça e Anu silencioso. Na cama ao lado, Dakota estava de pé, e com um pente prateado escovava seu cabelo, André ainda dormia na cama ao lado, parecia está morto, por isso o cutuquei, ele sussurrou.

— Eu estou vivo!

Usamos o banheiro, primeiro as meninas, depois os meninos. Trocamos de roupa, algo mais leve para o dia de Sol e saímos em fila indiana em direção à capela de refeição e cerimônia. A cratera que havia em frente à praça, agora era novamente pavimentada com pedra por alguns engenheiros, Anu disse que são legionários que já servirão ao clã Taluriano.

Ninguém em torno parecia lembrar que um anjo havia caído noite passada naquele exato momento, tratavam como se nada aconteceu. Perguntei-me para onde ele foi levado? Samuel era o nome dele, um dos arcanjos.

— O que há com esse povo? — perguntei.

— A palavra do Sacerdote-mor é lei, se ele diz que nada aconteceu, nada aconteceu. — disse Dakota a minha frente. — Mas nada impede de que eles estejam falando pelas costas.

Dakota apontou a um grupo de Maaturiano e Tzulirianos, eles conversavam e apontavam para a cratera, não, para mim. Do outro lado da praça tivemos alguns velhos Centaurianos de braços cruzados, olhando desconfiados em nossa direção. Entramos na Capela de cerimônia.

Sentamo-nos à mesa cinco e várias Skatert-Samobranka foram estendidas como toalhas de mesa. Existiam várias diversidades de comida de diversas regiões que era bem difícil escolherem algum, pães, sucos, frutas, ovos, bacons, mas também havia excentricidades como o que Anu comia, estava dentro de uma vasilha de porcelana uma mistura de ovo, tempero e legumes.

— Se chama Ful Medames. — disse Anu — Uma mistura feijões de fava, grão-de-bico, óleo vegetal e outros temperos, como alho, cebola, cebolinha, limão, azeite e pimenta, acompanhado com ovo e pão árabe.

— Acho que vou rejeitar. — disse rindo.

— Um belo cappuccino feito com os melhores grãos de café e um delicioso croissant. — disse Dakota, sorvendo de uma xícara com conteúdo de extrema cafeína, seus ombros relaxaram. — Lembra muito as ruas da Itália.

— Você já esteve pelas terras romanas?

— Claro, na verdade eu nasci ali, quando passamos por Roma. Como filha de cigana eu vivia também de caravanas assim como André, viajei por quase toda a Europa.

—Conheceu as Terras da Rainha?

— Acho que carruagens não podem cruzar o Eurotúnel.

Rimos imaginando a situação, desjejuei ovos e bacon, tomates chapeados, feijão vermelho adocicado e um copo de suco. Depois do café, fomos organizados e saímos pela ala Norte da capela, para a cidade, local ainda inexplorado, pelo menos por metade de nós.

— Vamos crianças, agora não precisamos de tanta formalidade do lado de fora do Q.G. — disse Tem Blair. — Vamos fazer um passeio pela Cidade do Sol antes de iniciarmos as aulas de magia.

Não era isso que parecia está acontecendo em torno, das outras saídas, grupo ainda andava em fila indiana, mesmo deixando o Q.G. de seus clãs. Seguimos a uma travessa até saímos em frente a um bosque florestado rodeado por prédios, como se um pedacinho da natureza fosse inserido aqui.

— A Torre do Sol. — disse Susi.

—Torre do Sol? —repeti.

— Ali — apontou Anu.

Não havia notado, entre as arvores e sobre um morro, havia uma edificação, no formato de um cilindro como um caleidoscópio, o topo e todo o contorno é reforçado por janela de vidro transparente que deixavam a luz solar infiltrar no seu interior. Uma grande haste atravessava o interior do prédio.

— Um relógio-solar.

— Depois de servi o Q.G., muitos adivinhos do Clã Delfilianos vêm à torre durante o dia para consultar os futuros pela projeção da sombra da haste, servi ao Sacerdote-mor, caso haja batalhas, geralmente são a esse clã que o sacerdote deve primeiro se guiar, eles são os olhos do Solar. — disse Tenente Clair que acompanhava nossa história.

— Se e fosse uma adivinha, não veria somente ao dia consultar o futuro. — disse Dakota. — A Lua também tem seus mistérios.

Cruzamos ao Sul e ao Leste do contorno do Bosque da Torre do Sol. Seguimos ao Beco do Poente à esquerda e dobramos duas quadras a esquerda na Rua dos Três Céus como escrito nas placas em cada esquina; enquanto andávamos, vi muitos prédios residenciais e pessoas moravam neles, vi um casal de pais com filhos, crianças e seres com menos de dez anos brincando na rua.

Anu, Gê e Susi conheciam algumas pessoas e acenava, de vez em quando até abraçava alguns. Enquanto Dakota, André e eu estávamos muitos maravilhados por aquela parte que ainda não conhecíamos, soube pela expressão de maravilhados em nossas faces; andávamos mais lento, para apreciar cada detalhe.

Quando a rua se abriu em um comércio aos céus abertos, tendas de diversas cores estavam espalhadas pela praça, ao meio, um grande edifício de quatro pisos, largo na horizontal. Lojas, tavernas, livrarias, comércios, cobriam em torno da praça; o local era bastante movimentado, tanto pelos legionários dos Q.G. como habitantes da Cidade do Sol.

Uma estátua de bronze de um deus grego com caduceu e capacete e sandálias com asinhas, Hermes, enfeitava a ala Oeste, árvores contornavam a praça e separavam do limite da rua; grandes ogros, tritões em terra, ninfas corredoras e pequenos elfos circulavam pelo mercado, o barulho era ensurdecedor e parecia ser o local preferido do Clã cinco.

— A magia não está em livros, seu procedente Merlin teria me batido por dizer isto. — disse Tenente Blair posicionando a minha frente. — Mas é a verdade, coisas materiais podem nós prender, a não nos permitir enxergar além dos nossos olhos. Magia é instantânea, e não deve ser apressada, mas também não pode ser prolongadas, então crianças, é isso, siga o coração e compre o material que acreditam ser ideal a um mago! Tenente Clear?

Tenente Clair abriu as mãos e magia de cor azul se formou em suas mãos, estranho, senti cheiro de um rio que havia na casa do Avô Tom, pai de minha mãe, em sua fazenda no interior da Inglaterra. Bolhas surgiram de suas mãos contendo um conjunto de meia dúzia de algibeiras, aquelas saquinhos de couro de dinheiro, cada um de nós recebeu uma bolha que espocou em nossas mãos.

Deslacei a cordinha que fechava a algibeira e abri, dentro havia pedrinhas, sim, pedrinhas cristalinas bem coloridas em forma de gota, sendo presente o tom negro, pareciam que haviam pegado uma nebulosa ou uma galáxia, reduzida e colocada dentro de uma comporta pequena de um material vítreo transparente.

— Opalário, a unidade monetária da Cidade do Sol. — disse Tenente Clair, fechando suas mãos. — Mas também é a moeda universal, vale mais que qualquer metal precioso ou pedra preciosa. Os Infinitos as usam, os deuses, os demônios, as entidades quando não estão saqueando as usam em troca de produto, feitos das lágrimas do Infinito Kosmus.

— E é por isso que cada um dos novos recrutas legionários recebem cinquenta Opalário para que gastem como queiram. Tenho que ir ao Banco dos Dragões-Leprechaun, renova nosso estoque de Opalário, a Tenente Clair estará no comando, como são seis, andem em dupla e façam revezamentos, aproveitem e sejam econômicos. — disse a Tenente Blair. — Agora se espalhem.

Obedecemos e nos dividimos em dupla, meu parceiro foi Anu, Dakota e Susi, Gê e André. Anu me puxou a uma bancada de amuleto e mostrou alguns, tinha ankh’s, uma espécie cruz egípcia, olhos turcos, punho de madeira, e até trevo de quatro folhas, o que me fez voltar aos leprechaun.

— Aqueles duendes verdes é que cuidam dos opalários?

— Que duendes?

—Leprechaun. — comentei.

— Verdes? Acho que leu o conto errado. — respondeu Anu — Leprechaun vivem sempre em frangalhos e são sapateiros, acho difícil encontrar um que seja verde, talvez a cor seja sua associação com a natureza; eles seriam ótimos guardiões de dinheiros, sempre guardando tesouros em seus potinhos de ouro no fim do arco-íris.

Ri, mas pela expressão de Anu aquilo era sério.

— Entretanto, ao mesmo tempo em que são protetores, eles são avarentos, qualquer objeto que seja de autovalor eles guardariam somente a si, quem seria louco de ter um banco feito por duendes.

— Então quem trabalha no banco? — perguntei curioso, enquanto revirava um pote de amuletos em forma de cabeça humana.

— O nome exato é Casa do Opalário Negro, e a maioria dos funcionários são legionários do Oitavo Clã. — respondeu.

— Por que a maioria é do Clã Maaturiano?

— O controle de gastos e fatura deve ser controlada pelo clã do infinito da Ordem, se não, tudo se torna o Caos — disse Anu, revirando os olhos como se ele já tivesse feito essa pergunta à outra pessoa.

— O que magos do Clã Arturiliano podem ajudar na Cidade do Sol, depois de servi o Q.G.?

— Bicos para qualquer obra que envolva magia, não há muitos, bibliotecário de criaturas mágicas, ou na Central de energia da Cidade do Sol, é de nossa magia que provem as luzes que iluminam toda cidade, se não, tem o comercio, o único trabalho livre para quaisquer clãs.

— Está me dizendo que tecnicamente eu não poderia ser outra coisa, tipo, trabalhar como banqueiro, ou algo assim?

— Se isso acontecesse, meu pai pediria que cortasse sua cabeça.

— O que?! — perguntei nervoso.

A própria revendedora ao lado que estava negociando um dos amuletos de trevo de quatro folha a um cliente, se espantou com minha reação. Anu me puxou para um canto e sorriu.

— Quer você queira ou não, você deve seguir a Ordem, mesmo eu odiando essas regras estúpidas, foram enviados pelos Infinitos, seres muito além de quaisquer deuses. Cada um nasce e já tem seu destino traçado pelas Três Senhoras.

— Isso é injusto. — reclamei.

— A vida é injusta, está vendo Susi e Gê, ambos são filhos de legionários e não poderiam escolher outro clã, a não ser o que seus pais partilharam, eu tive sorte por ser adotado. Susi gostava do Clã Maaturiano, mas não poderia ingressar, e Gê gostaria de aumentar suas habilidades com as suas pedras, mas somente se fosse do Clã Algoniano.

Eu imaginei como deveria ser a cerimônia das Três Senhoras para Anu, e como talvez o Sacerdote-Mor Otis reagiu ao descobri que seu filho seria do clã adversário ao seu. Seria bom ter Anu por perto, ele parecia ser o “pai” da Ordem, e eu o respeitava por isso.

— E outros clãs? — perguntei.

— O que têm?

— Quais seriam suas profissões?

— O clã Um são e sempre serão adivinhos, mas podem ser historiadores, servi à fora como buscadores de relíquias mágicas desaparecidas. Clã Dois são médico, enfermeiros e diversas áreas hospitalar, fora podem ajudar em epidemias causadas por serem mágicos, eles tiveram bastante trabalho na Idade Média com a Peste Negra, segundo meu pai.

—O que? A Peste Negra foi algo causado por criaturas sobrenaturais?

— Aerico, demônios que trazem doenças. — respondeu — Necromantes em cemitérios e médico perito em morte de legionários, Elementais são paus para qualquer obra segundo suas dominações, eletricistas, bombeiros, pescadores, mineradores, etc. O clã Seis são intelectuais e podem sim trabalhar como oradores, mas a maioria preferem ser engenheiros, marceneiros, construtores, etc. Sete podem ser combatentes no mundo real, patrulheiros da fronteira e segurança interna.

Lembrei-me de ontem quando cheguei ao Solar, tinha me adaptado muito rápido a situação, minha mãe sempre disse que tinha a mente muito ativa ao que ocorre em torno, droga, lembra sobre minha mãe me deu uma dor no coração. Enfim, nunca pude me apresenta ao garoto oriental que me acolheu em vez de me matar; ou mesmo conhecer quem foi que quase me matou derrubando todo o portão de madeira sobre mim.

— Por fim, o clã Maaturiano, do lado de fora, controlam os seres que tentam agir além do limite no mundo real. Como são filhos da Ordem, podem trabalhar na área jurídica e econômica, e principalmente ser Sacerdote-mor da Cidade do Sol.

— Como seu pai! — disse.

Ele concordou balançando a cabeça e levando um “shen”, um símbolo que representava infinito e ciclo no Egito Antigo, segundo Anu. Trocamos de dupla, mas Dakota pediu que continuasse com Susi, disse algo sobre coisas de meninas e tal. Então André partiu com Anu e eu fui com Gê.

Olhamos pelas janelas dos edifícios comerciais que rodeavam a praça, outra capela, e pelo tamanho que esta poderia sim ser considerada uma capela, havia uma missa, onde pessoas se ajoelhavam no chão, olhei a posição do Sol, estavam virados ao o que seria Meca. Uma igreja para os legionários islâmicos, perguntei como concordavam ainda com um deus, mesmo sabendo da existência de outros seres mágicos, notei que minhas perguntas eram tão arrogantes, culpei minha inocência.

Um dos prédios comercial chamou nossas atenções, uma placa na porta tinha escrito “Golens e Cajados do Rumple Engenhos.”, parecia que vendiam bonecos de argila, estatuas de pedras bem monstruosas, mas também havia bacias de cajados de diversos tamanhos e material, prateleiras com varinhas de diversas formas e outros instrumentos. Eu e Gê adentramos e olhamos a variedade de seres que pareciam ter sido feitos de qualquer jeito e simplesmente ser deixados jogados ali.

— Ai meus deuses, recrutas novos, como são bonitinhos. — disse uma voz vinda do fundo.

Nós podíamos ver apenas sua grande, assustadora e musculosa sombra, a sombra reduziu e de trás de uma bancada de trabalho surgi um anão, parecido com os de jardins, somente mais feios. Gê e eu soltamos o ar de pânico dos pulmões. Ele tinha um metro e meio de altura, possuía uma barba que estendia até os pés, olhos negros e perolados, sobre a cabeça clava havia um gorro e um óculos de soldador, vestia a vitoriano e tinha um cinto de marceneiro na cintura.

— Oi, meu nome é Rumple, não pronunciado “Rampou”, mas normalmente “Rumpli”. Saudades quando eu servia ao Q.G. no Clã Taluriano, agora sou um simples comerciante de minhas artes em marcenaria e artesanato. — disse enquanto se esticava para aperta nossas bochechas, foi mais difícil alcançar o rosto de Gê que teve que se agachar. — O que as crianças desejam, temos tudo para mago, cajados, varinhas, bastão, cetro e etc.

— Produtores podem fazer objetos mágicos? — perguntei.

— Claro, nós produzimos e inventamos, mas quem realmente usa magia é o cliente. — disse Rumple pegando uma pequena caixa comprida, abriu e o interior era revestido de veludo, dentro uma varinha com a ponta torta. — Experimente.

Olhei para Gê, mas ele estava muito concentrado em um grupo de bonequinho de argila ou cera, estatuetas funerárias egípcias, estatuetas de Vênus pré-histórica, pequena figuras minoicas, e corpulentas estatuetas olmeca. Peguei a varinha da caixinha, Rumple balançou a mãos, e fiz o mesmo gesto, uma faísca dourada explodiu a ponta e queimou de leve minhas mãos, deixei a varinha cair.

— Não, varinha não! — disse Rumple. — Experimente o bastão.

Dois bastões foram entregues a mim e a Gê, ele escolheu um bastão-galho de madeira de salgueiro, duas folhas enfeitavam a ponta, e era maior e melhor que a varinha velha de Gê. Ele riu e balançou o bastão, uma névoa cintilante saltou da ponta do bastão, enroscou as estatuetas e delas brotaram pequenas mudas de plantas.

— Gê gosta do bastão. — disse Gê sorrindo, fiquei feliz também.

Três vozes atrás de nós sorrirão roucamente e ferozmente. Viramo-nos para deparar com três gigantes com a altura de todos nós reunidos, incluindo o Sr. Rumple, todos os três estavam trajando armaduras de couro e malha, tinha os rostos brutos e quadrados, caninos gigantes a mostra e peles com tonalidades estranhas: verde-musgo, amarelo-mostarda e roxo-repolho.

— Vocês não são permitidos em minha loja, fora! — disse o Sr. Rumple. — Xô!

— Garrr! — rugiu o ogro cor de repolho roxo — Irmão Bric, ele disse que não somos bem vindos.

O Senhor Rumple se escondeu assustado por trás de Gê. O garoto-ogro das montanhas rugiu no fundo da garganta, seus olhos eram felinos e ferozes diante dos três. O ogro mostarda que por sinal possuía uma clava então falou, respondendo “repolho-roxo”.

— Não se preocupe Tric, Sr. Rumple, não se preocupe conosco, nosso assunto não é de vossa empatia, mas viemos aqui por este verme abastado. — rosnou Bric. — Nosso irmão, Grip, passou por aqui e resolvemos apresentar nossas boas-vindas ao único descente das raças de ogro que seguiu a magia.

— Quem são eles? — perguntei.

— Os irmãos Ogrovalentes! — disse Gê. — Eles são maus, eles são do clã Tzuliriano. Todos os ogros montanheses são em geral guerreiros, vão a clã Sete, mas eu vim de uma família de Ogros que praticavam magia da natureza.

— Vamos mostrar lição para esse Zé Mané. — disse Grip.

—Deixe-o em paz! — gritei

Os três irmãos olharam para mim.

— Parece que você trouxe seu parceiro de surra! — disse Tric.

— Vamos arrebentar eles! — disse Bric.

— Deixe o pequeno ogro-mago comigo! — disse Grip.

A clava de Bric se lançou contra mim, mas Gê a impediu se pondo a minha frente, ele foi atingido e caiu sobre as estatuetas. Sr. Rumple se levantou e tentou correr para longe, foi atingido pelas costas da mão de Tric e saiu voando.

Gê se lançou por cima de Grip e Bric, Tric se virou para mim e avançou lentamente, caminhei de costas até que cai sobre um estante de cajados, tateei o solo tentando agarrar algo que pudesse usar contra; encontrei um cajado sólido e apontei freneticamente, algo explodiu da ponta do cajado, uma luz branca que cegou Tric, caindo para trás.

— Tric! —exclamou os ogros.

Gê aproveitou da situação e bateu com o bastão sobre a cabeça de ambos, Sr. Rumple se levantou e começou a jogar vasos de cerâmicas sobre eles.

— Fora da minha loja! — gritou. — Ou vou tirar satisfação de suas atitudes com o Sacerdote-mor.

— Nós só queremos o ogro-mago! — gritou Tric sendo levantados pelos irmãos.

— Vocês vão levar alguém, mas não será meu amigo. — disse me levantando e estendendo meu cajado.

Não sei de onde veio a minha força e coragem, surgiu como a magia, instantânea. Uma luz se formou na ponta de quartzo do cajado de madeira e se espalhou por todas as estatuetas em voltas; elas ganharam vidas, mas não saíam de seus pedestais ou locais.

Um barulho pesado veio dos fundos, virei de costa e deparei com o maior de todos os bonecos de pedra que ganhou vida; o ser era feito inteiramente de pedra com alguns musgos crescendo em algumas partes, e tinha escrito na testa a palavra “MATIAS”, possuía o queixo protuberante e o rosto sem expressão.

Ele passou por mim e avançou em direção aos ogros, foi tudo tão rápido como antes, o ogro Bric com a clava avançou em sua direção, logo atrás vindo os dois irmãos, o ser rochoso apenas socou o nariz de batata de Bric, ambos os três se encontraram e voaram porta a fora.

Então o ser rochoso virou-se a mim. Tive medo.

— Papai!

Notas finais
Mais um capítulo da Saga Legião, comente, desejam ver alguma criatura mágica, tem perguntas a fazer ao autor, estarei disponível a responder quaisquer questão.