Legião [Gênesis - Livro I] - A Espada do Arcanjo
9 A enfermaria, um anjo e a Casa Mágica
Notas iniciais
Acordei deitado em uma cama, o que parecia ser uma maca de ala hospitalar.
Não lembro o que houve, mas acredito que desmaiei e bati a cabeça. Minhas últimas lembranças é ver a minha frente à morte de alguma criatura com tentáculos, sentei sobre a cama e massageei a minha cabeça que latejava de dor. Olhei para um lado e para outro, mas a vista estava impedida por um lençol grosso que deveria separar os outros leitos.
Uma prateleira de metal se encontrava a direita da cama com um copo contendo uma substância de cor estranha, e uma trouxa de roupas limpas e novas. Então olhei ao meu pulso, o bracelete ainda estava ali, com uma conta apagada, nada disto foi um sonho.
Olhei para baixo do lençol e novamente eu estava vestido com roupas negras de linho, as mesmas quando apareci neste mundo pela primeira vez. Uma senhora de surpresa apareceu empurrando o pano que dividia minha ala das outras, ele aparentava ter trinta anos, trazia uma prancheta a mão, era negra, com cabelos trançados com fitas que pareciam ouro de verdade, usava brincos argolas e trajava um vestido colorido amarrado na cintura, por baixo de um jaleco de médico que tinha bordado o nome: Margett.
— Como se sente meu bem? — perguntou ela de olho na prancheta.
— Consigo mexer todo o meu corpo, acho que estou bem! — respondi. — Mas sinto o gosto amargo na boca, como se tomei altas doses de café. O que houve?
—Você sofreu de um desmaio, caiu dormente ao chão — contemplou. — Sua reiniciação foi perfeita.
— Reiniciação?!
— Sim. Você teve um colapso mental, não conseguiu se sair bem com o teleporte dimensional, foi muito forte para você. — disse. — Ninguém morre ou envelhece na Legião a não ser que queira, o corpo cresce aos dezoito e então segue ao livre arbítrio de escolha...
— Acho que li isso no Manual do Mago, mas não dei importância. — disse, enquanto ela fazia exames de rotina. — Um corpo novo, como um restart de um jogo?
— Exato. — Ela sorriu simpática. — Sua analogia lembra muito o meu filho.
— Incrível! — exclamei com a possibilidade de imortalidade e juventude.
— Está perfeitamente saudável com o corpo restaurado, mas você ainda não está pronto para encarar a luz do dia, alguns minutos repousando serão necessário. — Ela abriu as mãos sobre o meu rosto, brilhou intensamente até que apaguei.
Quando acordei novamente, depois do mesmo pesadelo, já parecia ser tarde e o sol se punha no ocidente. A fronha de pano grosso estava afastada e uma cama ao meu lado estava ocupada por uma pessoa que conhecia, um corpo moreno com cabelos negros cacheados estava deitado sobre o colchão. Um pano grosso encharcado debruçava sobre sua testa, ele dormia de olhos abertos.
Sentei na cama e olhei para ele, parecia ser alguém que eu deveria reconhecer, então lembrei quem ele era, o anjo que caiu na noite em que adentrei a Legião. Estava diferente, mas conhecia o mesmo, o arcanjo, seus olhos eram de tons caleidoscópicos variando em diferentes tons de rosa.
— Oi! — ele disse e sua voz soou com harpa no silêncio.
— Oi?! — respondi.
— Encontrou a primeira espada?
— Acho que sim.
— Ótimo!
Seu rosto virou para o teto, e me ignorou completamente.
— Kusanagi? — perguntei.
— Vou lhe conta uma história, Marcus! — sussurrou solenemente.
O jeito como ele adivinhou meu nome sem eu ter dito, me incomodou profundamente, é como se ele conhecesse meus pecados e minhas virtudes. Samuel continuou olhando para o teto, silêncio por alguns minutos então proferiu...
— Uma vez, um arcanjo se aventurou pelas terras nipônicas. —cantou Samuel — Abençoando e combatendo espíritos do Caos, e acredite, naquelas terras há muitas criaturas solenes da maldade, dentre uma das criaturas era um ser de oito cabeças, que estava preste a atacar uma camponesa em perigo, inconformado com tal atrocidade, e não podendo se revelar diante da donzela pelas regras da crença e existência...
— Regras da Crença e Existência? — sussurrei sem interromper sua história.
— O arcanjo empunhou ferozmente sua espada, e lutou bravamente contra a criatura de oito cabeças, era uma batalha impossível, nenhum dos dois poderia sair vencido, somente aquele que o cansaço dominasse poderia ser derrotado, mas isso duraria meses, anos, séculos... E o arcanjo tinha o conhecimento sobre os perigos e catástrofe que seguiriam se ele permanecesse em combate, quanto à camponesa, ela nada via por trás de suas costas, colhia suas margaridas tranquilamente enquanto uma batalha invisível ocorria no plano mágico... — Samuel parou para respira e inspirar. — Como último sacrifício, o arcanjo teria que sacrificar algo de valioso, em troca da vida da camponesa, sua espada era único objeto valioso que tinha em mãos, forjado pelo plano celeste, dado pelo próprio Deus. Ele arremessou sua espada em direção a uma das cabeças do dragão, que engoliu sem mastigar, uma luz divina oriunda explodiu elevou consigo o dragão, não o matou, mas o afastou, por enquanto...
Silêncio, alguns barulhos de “bips” e carrinhos sendo empurrados, mas ninguém nos interrompeu, eu cruzei as pernas em posição de lótus, sempre fazia este gesto quando uma conversa me deixava nervoso, então perguntei.
— Kusanagi é a espada do arcanjo? — perguntei.
— Não. — respondeu.
— Não? — repeti extasiado
— A Kusanagi ainda é a Kusanagi, ela é propriedade da cultura nipônica, mas as espadas de um arcanjo ainda são espadas de um arcanjo, nenhum item deixa de ser, mas apenas visto em mais de um plano existencial, se você quer enxergar como Kusanagi, ela se comportará como a Kusanagi...
— Mas por que este nome? Kusanagi? Eu sei que é uma espada nipônica, e tenho certeza que tem algo relacionado com a criatura de oito cabeças que me descreveu...
Samuel finalmente focou em mim, seus olhos eram hipnotizantes, toda minha atenção estava a eles, me senti como um pequeno porquinho-da-índia preso a uma gaiola, olhando para seu capturador.
— Não está em meu quesito explica sobre os contos das terras do oriente? Talvez você deva descanse um pouco. — relaxou a voz. — Descanse, não terá mais pesadelo em minha companhia...
E foi o que aconteceu, não sei como, simplesmente cai no sono novamente na posição em que eu estava, estava começando a torna-se rotina. Não tive nenhum sonho, mas apenas flashes, o rosto de minha mãe, o rosto de Helena, o rosto de meus amigos, Samuel caindo do céu, A Bao A Qu voando com Matias e um homem de Branco, mas totalmente branco, inclusive os olhos, olhou para mim, exibiu um sorriso alvo e disse “Olá! Você encontrará a próxima cortante adormecida nas terras ibérica”.
— Ah, espertinho, acordou! — exclamou a Srta. Margett. — Você dorme feito um leão, mas chega de repouso, você está descansado e já poderá voltar as suas tarefas legionárias...
— O que houve com Samuel? — perguntei, olhando para o lado e vendo que a maca estava vazia.
— Samuel? Não recebemos nenhum paciente com este nome, você está bem?
— Estou! — menti. — Em que dia estamos?
— Dia Stela!
— Eu fiquei um dia subconsciente?
— Correção, oito.
Srta. Margett me instrui ao toalete para que eu trocasse as minhas roupas, recomendou que eu tomasse um pouco de Sol e bebesse da fonte de Mnemosine. Quando perguntei em que parte da cidade nós estávamos, ela respondeu: Enfermaria e provisões do Clã Centauriano.
A enfermaria se localizava no subsolo do prédio principal do Clã Centauriano, meios-seres enfermeiro, alguns de ninfas, outras de descendente de curandeiros, sendo o mais engraçado os meios-seres descendente dos centauros, eu tive que desvia de rabos de cavalo balançando involuntariamente, cobriam toda a extensão do cômodo. As paredes eram preenchidas por macas e quarto improvisados, apenas meios-seres, parece que tivemos muitas baixas dos jogos délficos.
Uma escada conduzia a abertura de dois portões, dois guardas Centaurianos abriram empurrando para cima, sai no que parecia ser apenas uma simples entrada de porão, como uma adega, para a Cidade do Sol. Deixei o Beco do Clã Centauriano, com alguns olhares me seguindo e caminhei em direção à praça central, cruzei, sendo observado, até o meu clã e o prédio da Ordem Um.
— Finalmente, bela adormecida! — disse Dakota, a primeira a me recepcionar.
— Marcus! — exclamou André.
Todos da Ordem Um estavam sentados entre as duas camas do primeiro piso, em volta de um tabuleiro de Monópolis, Anu foi o primeiro a se levantar, seguido dos outros, que bateram com simpatia em minhas costas e faziam milhões de pergunta. “Onde você estava?”, “O que era aquela espada?” e “Você bateu com a cabeça ao chão com muita força?”.
— Você não falou nada a eles? —perguntei a Dakota.
— Partes! — respondeu. — Preferi que você mesmo contasse...
E foi o que fiz, eles me convidaram a jogar, como Gê estava sem dupla no jogo de tabuleiro, dividimos jogadas de dado. Contei toda a história, inclusive sobre o A Bao A Qu e a Espada Kusanagi. Em minha vez de jogar os dados, Gê movia as peças, para não atrapalhar a minha história, quando terminei, nos estávamos na frente e tínhamos quase todos os lotes de residência, Gê é um ogro-mágico incrível.
— Kusanagi?! — levantou Anu. — Onde já observei este nome...
Anu se virou a nós, de modo sério. Tinha um olhar de esperança estampado em seu rosto
— Dakota, leve-o até Senhor Rupert! — ordenou, por um momento senti um pouco de seu pai em sua voz. — Eu tenho que visitar a biblioteca, eu volto com novidade...
Anu saiu correndo da Ordem Um.
— Sr. Rupert? Problemas?
Dakota olhou para mim.
— Claro, nosso sumiço não passou despercebido pelo Sacerdote-mor, ele ordenou que assim que acordasse, o nosso Ancião devesse fazer o relatório completo dos acontecimentos... E entregar a Kusanagi ao Arsenal de relíquias do Solar.
Eu não tinha conhecimento que realmente a Cidade do Sol poderia ser extremamente enorme, mas havia varias ruas, vários becos e avenidas. Caminhamos por muitas delas, cada um com nome exótico, Rua da Nona Nuvem, Beco Sagrado Raio de Sol, Rua da Taverna do Bárbaro e Avenida Amazônica.
Depois de andamos ao Sul da Cidade, encontramos como que deveria ser a casa mais absurda e maluca da Cidade do Sol, bom, pelo menos as que eu tinha conhecimento. Vamos começar por sua estrutura, três piso, o primeiro era menor, o segundo maior e o terceiro pendia em uma das pontas. Depois sua localização, bem no meio do cruzamento da Rua dos Alfaiates da Aranha e Rua do Trajeto do Sol. A casa não tinha encosto ao chão, era sustentado por quatro rodas preso por pedras, cada piso tinha cor diferente, janelas distintas e se eu continuasse descrevendo, teria um dor de cabeça, digamos apenas que ela era estranha e confusa.
Caminhando em direção à porta, não criada para um adulto atravessar, feito de mogno e maçaneta de bronze com desenhos de estrelas, Dakota foi a primeira a entrar agachada, seguido por mim.
— Isto é irreal! — exclamei surpreso me levantando atrás dela.
O interior era maior do que aparentava ser, o pé direito deveria ter mais de dez metros de altura, sustentado por cabos de aço, o ambiente refletia ao que parecia ser um palco de um picadeiro, ou o interior de uma caravana circense. Deveríamos está no que seria a Sala de Estar, um sofá em “U”, cadeiras-almofadas, puffs redondos, preenchiam o restante do piso colorido. Quadros de diversas molduras exibiam imagens circenses, um trapézio estava montado e...
— Um Leão! — gritei.
O Leão deveria ter dois metros, suas garras eram brancas como marfim, mas não pareciam machucar Dakota, seus olhos eram de um castanho intenso, ele tinha uma juba maior que o normal, uma marca tinha em sua juba, o desenho de uma coroa, acima de sua testa, como se fosse um sinal de nascença.
Dakota riu, e correu em direção ao Leão, a criatura levantou a cabeça, pus a mão à cintura, mas esqueci de que não estava com a espada, entretanto o que ocorreu foi minha maior surpresa. O leão apenas rugiu, e abraçou Dakota, um abraço animal, os dois rolaram pelo tapete do picadeiro, Dakota rindo e o Leão rugindo como um gato manso.
— Vamos! Leo! — disse uma voz descendo a escada com som de piano, inclusive cada degrau era a imagem de uma tecla. — Seu gato manhoso, deixe a garota respirar...
Sr. Rupert se acomodou a uma das cadeiras-almofadas em torno de um mezanino com um conjunto de chá, serviu em três xícaras, me encostei a outro puff, enquanto Leo, o Leão, se deitou e deixou que Dakota se acomodasse nele, enquanto acariciava sua juba amarela.
— Estão servidos? Bebida de Muitos Sabores. Um feitiço simples, um pouquinho de magia e pronto, pode ser experimentado por qualquer um... — Ele bebeu, mas depois cuspiu forçadamente o conteúdo para o lado. — É, digamos que o feitiço tem problemas com o sabor amargo, então nada de café ou suco de jiló sem açúcar.
Dakota e eu aceitamos sem relutância, mesmo preocupados de talvez experimentarmos algo ruim, Dakota relaxou ao beber um gole de sua xícara, quanto a mim, bebi o que tinha gosto de uma mistura de frutas, uma vitamina, o que normalmente minha mãe preparava.
— Está ótimo! — respondeu Dakota por nós.
— Agora que estão servidos, hora da história...
Momento de tensão, não parava de mexer com as mãos, contei tudo o que ocorreu no labirinto, sobre a Torre, sobre o A Bao A Qu, sobre a criatura que o feriu, e acredite, eu ainda tinha esperança de que o A Bao A Qu ainda estivesse vivo. Rupert nada dizia, sua xícara tornou-se intocável desde o início da história, seus olhos me desconcentravam por alguns instantes, eles mudavam de cor frequentemente, então Dakota cuidou de maior parte do tempo.
Dakota? Nunca pude notar o quanto ele conseguia memorizar bem os eventos, conseguiu falar com clareza, ela possuía uma aura prateada em torno dela, encantadora e hipnotizante e... Droga, não existe uma parte deste mundo em que não nos atraia como ratos a uma ratoeira.
— Entendo... — E com estas palavras, Rupert respondeu a toda nossa história. — A Bao A Qu não havia aparecido há anos, apenas seus caminhos eram trilhados por que realmente o procurava, mas simplesmente ele veio até vocês... E a espada, A Kusanagi... O Sacerdote-mor com toda certeza considerará um acidente, aliás, fizeram um favor, vocês encontraram uma peça mágica perdida, não partiram em uma missão, mas ela escolheu vocês, nenhuma regra foi quebrada.
— E sobre as “Regras da Crença e Existência”? — perguntei.
Rupert arregalou os olhos, talvez eu houvesse tocado em um assunto delicado.
— Regras da Crença e Existência? Por onde ouviu isto? — perguntou. — É algo que apenas os legionários de treze anos aprendem...
Contei a história de minha estadia a Enfermaria do Clã Centauriano, o anjo Samuel, sua história e como ele havia desaparecido em seguida.
— Ah, claro! Samuel. — Rupert se levantou, caminhou em direção a uma porta guarda-chuvas na entrada da porta, de onde tirou uma vara de madeira grande, rodou ao ar e conjurou o mana para fechar as janelas e trancar as portas, energias de luz cobriam em torno de nós. — Acredito que precisamos de um pouco de intimidade quanto esta nossa conversar, principalmente dos ouvidos do Sacerdote-Mor.
— Então, onde está Samuel? — perguntei.
— Eu mesmo não sei, Samuel deve ter se comunicado em seus sonhos! Apenas o ancião do Clã Centauriano, o Sacerdote-Mor e alguns confiáveis tem informação. — respondeu Rupert. — E mesmo que eu use minha magia para localiza-lo, algo os protege, provavelmente tem influencia do Clã Delfiliano... Mas eu posso ajudar em sua missão.
— Espera! — exclamou Dakota. — Missão?
— Não está óbvio! A profecia não irá esperar até Marcus completar treze, então você precisa de todas as instruções possíveis... — disse o Ancião.
— Mas eu apenas sou uma criança. — respondi.
— Davi, um de nossos legionários, ele era apenas uma criança e derrubou o Gigante Golias, mesmo contra a Ordem, ele foi bastante respeitado daquele dia em diante... — contra argumentou — Então está em suas mãos criança, seguir em frente a sua missão e restaurar a ordem, ou deixar que o Caos domine?
Gostaria de dizer que provavelmente eu sou louco, eu, com apenas um jovem de dez anos, aceitar uma missão suicida, mas vamos reunir os fatos, de qualquer modo, um grupo de criaturas malucas me queria morto e isso pode ter relação com a morte de minha mãe, e segundo, alguma guerra estava próximo, e envolvia algo ao plano sobrenatural, anjos, espadas, algo de errado estava acontecendo?
— Eu aceito! — disse.
— Nós da Ordem Um aceitamos! — disse Dakota pondo a mão em cima da minha, depois afastou, com o rosto vermelho.
O apoio de Dakota foi mais um incentivo a continuar nesta missão.
— Ótimo! — disse Sr. Rupert. — O que direi é ensinamento mais avançado e não pode sair daqui...
Então Sr. Rupert se sentou e voltou a contar resumidamente sobre a Regra da Existência e Crença. Basicamente se fundamenta em que todas as criaturas lendárias e mitológicas estão ligadas não somente, mas absolutamente a outro ser vivente, como exemplo, os humanos. A partir do momento que algum ser vivo imagina, cria, acredita na existência de algo sobrenatural, ela passa a existir, é claro, em outro plano, o problema é que os seres naturais sempre existiram no universo, segundo as palavras de Rupert “Nada se cria,[...]”, elas somente precisaram de um empurrão para ganhar forma física.
E nas palavras de Rupert “[...] nada se destrói, [...]”, todos os seres existente não podem ter um fim, mas podem ser empurrados para além da existência, ou seja, levados ao que era antes de serem imaginados, reduzidos a quase nada, é esta a concepção de morte. E por último, “[...] tudo se transforma.”, a capacidade de nos relacionarmos, enfraquece ou fortalece uma entidade, por exemplo, as primeiras manifestações pictóricas rudimentares de deuses, hoje eles já não existem mais como antes, em contrapartida, deuses lendários e mitológicos da Antiguidade, mesmo não tendo mais seus cultivadores e seus fiéis, ainda residem entre o mundo mágico com extremos poderes, por que ainda existem no plano fantasioso de nossa concepção humana, preenchendo páginas de livros, ou mesmo no universo tecnológico, dando mais poder a tais máquinas de guerras, e reciprocamente, os deuses e entidades mantem os humanos vivos, pois eles são atualmente a maior raiz da magia e existência.
— E sobre ele não poder me contar sobre a espada? Parecia que ele poderia sofrer consequências serias se ele contasse a história da espada! — exclamei.
— E está certo. Os arcanjos são divindades de varias religiões, mas nenhuma entidade pode adentrar a outra crença ou mitologia, é verdade que existem seres alados na mitologia nipônica, mas não com o mesmo caráter dos anjos cristão/judaicos. — responde Rupert. — Mas é claro, existem duas saídas para desviar tal regra. Você poderia tentar adivinhar quais, Marcus? Eu creio que já tivesse citado... Na torre da Catedral...
Pensei um tempo, havíamos conversado sobre arcanjo, espadas, as normas e sobre... As Flores: Margarida, Orquídea e Higanbana. Elas eram todas e nenhuma, elas eram as Moiras, as Nornes, o Destino.
— Assumi uma segunda personalidade. — disse Dakota por mim, o leão roncou e adormeceu.
— E isso é bem complicado, quando uma entidade poderia assumi outra identidade em outra cultura, ele se divide, podem existir tanto individualmente como unicamente, os deuses gregos amavam esta forma de burlar a Regras da Crença e Existência, eles possuem sua versão Romana, e às vezes até são associado a deuses egípcios e de outras culturas... — respondeu Rupert. — Mas eles nunca são completamente sua segunda identidade. Vejamos o caso do mitológico Dragão, em algumas culturas ele possui asas, como a medieval, em outra é apenas um lagarto gigante de garras, como a oriental, ou apenas uma gigante cobra emplumada, como os dragões astecas.
Rupert se serviu de outra xícara de sua bebida mágica, enquanto isso, seu corpo brilhou em mana dourado, figuras se desprenderam de sua roupa, dragões, dos diferentes tipos, com diferente quantidade de cabeças, com ou sem asas, com penas ou escamas, etc.
— A outra forma das entidades operarem, é pedindo favores a Cidade do Sol, e assim nasceram nossos heróis, sendo peões dos deuses a serviço da Ordem, soa escravista, mas é nosso serviço pela Ordem... — disse Rupert — E para afastar o Caos.
Um minuto de silêncio para processar todas estas informações, era confuso e absurdo, mas fazia sentido, quer queira ou não, era assim que o mundo funcionava em ordem, difícil acreditar nas palavras de Rupert, então às vezes me perguntava se a tolice era a recusa da informação? Constatações devem ser investigadas, hipóteses analisadas, teorias organizadas, nenhuma dialética deve ser oprimida, a dicotomia de se por no lugar do outro nunca fez tanto sentido.
— E sobre a espada, a Kusanagi? — perguntei. — O senhor poderia nos responder mais sobre ela...
O campo de mana tremeu.
— Acho que minhas defesas estão caindo, logo o Sacerdote-mor irá desconfiar, não podemos mais continuar juntos conversando, ainda devo enviar relatório ao mesmo... — Sr. Rupert se levantou e buscou um caderno de notas e uma caneta em uma escrivaninha escondida por trás do que seria um mini palco para Leo, o Leão. — Aqui, estes são alguns conteúdos de pesquisa. Vocês devem visitar a Biblioteca da Cidade do Sol, terão mais informação sobre a espada e provavelmente sobre o que está havendo, e pelos meus cálculos, seu amigo egípcio está lá.
— Anu? — dissemos Dakota e eu em uníssono.
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