Legião
1 Capitulo 1
Eu estou caminhando em direção á floresta que está do outro lado, está escuro e eu estou com medo mas mesmo assim eu vou em frente e é como se eu estivesse vendo tudo ás claras como se os olhos que estivessem vendo não fossem meus. Eu olho para trás e vejo um tipo de campo magnético cobrindo e protegendo toda a cidade, olho para frente e vejo as folhas secas caírem no chão e o fruto nos galhos das arvores crescerem, eu me sinto diferente. Alguém está me olhando e parece ter olhos brilhantes, mas não como uma lâmpada está mais para a lua refletindo na água, esses olhos me observam atentamente para captar cada movimento meu e refaze-lo do mesmo jeito em tempo quase que imediatamente, é como se ele estivesse comigo, como se ele estivesse lendo minha mente, como se ele fosse eu.
Isso parece um tipo de conexão não acha ?
Diz a terapeuta que meu tio me obrigou a ir três vezes por semana porque pensará ele que eu estou deprimida demais em casa, tendo todos esses sonhos, e disse que eu precisava conversar com alguém diferente, mas não achava que ele estava falando de uma mulher que lida com a maioria dos adolescentes problemáticos da cidade.
Talvez... Digo meio desconfiada do que ela acabará de dizer, tenho quase certeza de que a pergunta dela mais pareceu com uma afirmação, não digo mais nada, fica um silencio na sala de uns trinta segundos enquanto ela fica anotando umas coisas sobre mim em um caderno pequeno com capa preta e com uma fita dourada entre as folhas.
Bom, você já pode ir Natalie, nos vemos amanhã.
Ela fala olhando apenas para o caderno com um olhar um tanto preocupada, um cacho loiro de seu cabelo sai do seu coque perfeito, quando ela olha para mim ela me dá um sorriso simpático, e me observa saindo pela porta. Logo que saio o telefone a secretária toca e ela olha para mim com um sorriso parecido com o da terapeuta. Sigo para o elevador e aperto o botão, quando as portas se abrem vejo a mim mesma no espelho e percebo que meu cabelo está tão bagunçado quanto todos os dias. Assim que chego em casa vejo as coisas de Nathan na mesa e me pergunto o que aconteceu para que ele faltasse ao trabalho hoje.
Aah você está ai ! Ainda bem que chegou querida!
A voz amável de meu tio faz sentir-me amada, dou um sorriso para ele e logo depois não me aguento vendo ele com calças de dormir e blusa de flanela, e solto um riso baixo. E ele me olha com uma sombra de um sorriso em seu rosto.
o que aconteceu tio ?
Pergunto sem nenhuma hesitação quando ele se vira para colocar o café na xicara de porcelana branca que era da minha tia. Acho que ele toma café apenas por isso, ele gosta de lembrar dela.
Com o que querida ? Ele suspira
Com você tio, não era para você estar no trabalho ? Digo impaciente e com a voz meio rouca. Não sei como meu tio consegue ser tão irritante ele é uma pessoa tão legal e compreensiva.
Querida como pode não saber ? estamos conversando sobre isso há semanas.
Seus olhos acham o meu bracelete de metal, que serve como um tipo de rastreador e identificação para os cidadãos dessa cidade que mais parece uma prisão, já que ninguém pode sair ou entrar sem permissão de um superior do Núcleo, e sua expressão é de preocupação, como sempre quando se trata de mim . Fico sem graça e dou de ombros .
- Aah sim..
Digo com a voz rouca e muito baixa, a aflição me invade. E sinto a preocupação de Nathan quando ele me abraça, logo depois me solta e me dá uma xícara de café. Nós não temos chá aqui na cidade, foi proibido pelo concelho. Dizem que as folhas do outro lado são infectadas pela radiação que afetou tudo e todos. O café é uma das poucas coisas que cultivamos aqui.
Melhor ir descansar querida nos vemos depois, tudo bem ? Diz ele olhando para a xícara em sua mão. A fumaça do café exala por toda a cozinha e deixa um cheiro delicioso.
Dou-lhe um sorriso e logo depois vou para meu quarto, as paredes com tinta branca deixam o quarto mais amplo e o chão de madeira escura dá uma sensação de conforto, meus livros estão na estante ao lado da janela, a foto de meus pais estão na cabeceira ao lado de minha cama que recentemente mudou para uma de casal, eles estão sorridentes e vejo a alegria em seus olhos marcada no papel de fotografia, deito-me na cama e me afundo nas cobertas abaixo de mim, Nathan fez questão de colocar incontáveis travesseiros na minha cama, retiro quase todos e só restam alguns, me coloco embaixo das cobertas e me deixo cair no sono.
As águas correm em um rio longo e profundo, do outro lado há um grande árvore com frutos enormes e galhos grandes que parecem ser fortes e atravessam o rio até o meu lado como se fosse um ponte, subo em um me seguro firme, ele está cheio de limo e sinto que vou cair, e não é só sentindo, eu realmente estou caindo a gravidade não ajuda e caio talvez mais rápido do que deveria. Quando meus cabelos longos e castanhos tocam a água clara e gelada me vem uma leve sensação de náuseas, fico inconsciente antes mesmo de eu atingir completa submersão.
Desperto do profundo sono assustada e suada, ofegante até, ouço a voz de meu tio na cozinha, me levanto e coloco meus pés sobre o chão frio e sigo para a cozinha, a presença da mulher com cabelos curtos e de um intenso preto que reflete a luz que passará pela janela de vidro da sala, parece ter um certo tipo de intimidade com meu tio, fico parada atrás da coluna entre o corredor e a cozinha, fico atenta para que eles não percebam minha presença e ouço um pedaço da conversa que mais parece uma discussão.
Fale baixo ela está dormindo! Meu tio ofega com preocupação e impaciência.
Você sabe o que está em jogo aqui, é perigoso e jamais permitiriam a saída de alguém que não fossem os caçadores, mesmo que fosse para um bem maior . seus olhos fixam nos dele.
Você sabe que as coisas podem ficar bem piores não é ? Ele exclama com um tom intimidador.
Acredito que não acontecerá nada . Ela suspira. Eu espio e vejo que ela tem em mãos um porta retrato.
Não acontecerá nada Ele olha para ela e surge raiva em seus olhos.
Em seguida os dois se levantam e seguem em direção a porta, eles se cumprimentam com a cabeça, e ela se vai. Ele fecha a porta e suspira, como uma sensação de alivio, ele entra na cozinha e pega uma xícara de café e segue para seu quarto depois da sala e o escritório. Eu saio de meu esconderijo minúsculo e sento no sofá branco e macio da sala, vejo o porta retrato que a mulher pegou nas mãos, era a foto de minha tia, ela estava tão linda na foto que eu até êxito em parar de olhar. Mas não quero chorar, ela foi como uma mãe para mim, perde-la foi difícil demais, o mesmo tanto ou mais para Nathan. Vou para a cozinha e começo a fazer o jantar, tiro o frango da geladeira os temperos e tudo o que preciso, cozinho o arroz, e volto para o frango, o cheiro de comida invade todos os cômodos da casa, enquanto tudo está cozinhando, olho pela janela e vejo que os pássaros cantam mais alto hoje, e me perco no tempo desejando saber voar por alguns instantes, volto á realidade e sento-me na bancada e espero tudo ficar pronto. Depois de uns 40 minutos o alarme toca avisando que o frango já está pronto, mas eu já desliguei o fogo de tudo e por sorte meu pensamento distraído e eu não deixamos queimar tudo. Vou no quarto de Nathan e verifico se ele ainda está dormindo, já que ele tem sono pesado posso abrir a porta que ele não vai acordar, como eu pensava ele ainda está dormindo e agarrado com um livro grande e de capa marrom, fecho a porta devagar e sigo corredor a frente . O telefone toca e eu o atendo rapidamente para não acorda-lo.
Alô Percebo que minha voz saiu alta .
Sr. Ross ?
Não senhora, é a sobrinha dele Na.. A moça me interrompe.
Por favor Natalie diga para ele ligar para esse mesmo número assim que estiver presente. Obrigada e uma Boa Tarde Ela suspira.
Igualmente . Eu olho para o telefone e em seguida o coloco no gancho.
Como essa mulher sabia o meu nome — com certeza meu tio comentou sobre mim para ela — sigo para a cozinha e a fome me veio a tona e coloco no prato o bastante para mim, pego uma maçã e a corto em quatro, coloco na beira do prato e a como primeiro, eu posso não saber mexer com medidor de pressão ou qualquer aparelho medico como meu tio deseja que eu saiba manusear, mas ele tem que admitir que eu cozinho bem. — Não que eu seja egocêntricaNão demorou muito tempo para que eu limpasse meu prato, o lavo e vou conferir se meu tio ainda dorme, sigo o corredor com vários certificados que meu tio faz questão de exibir por toda a casa, a foto de meus pais está do lado direito da parede e sempre olho para o outro lado ou para baixo quando passo por aqui. Abro a porta devagar e o vejo no telefone, esta falando baixo e não ouço nada, ele me vê e depois de uns segundos desliga o telefone. Agora tenho certeza de que ele esconde algo de mim. Ele vem em minha direção abre a porta, sai e em seguida a fecha.
Tudo bem , Querida ? Diz ele
Não queria interromper a sua conversa Digo com a voz baixa e olhando para baixo.
Não se preocupe com isso, não era nada Diz ele me fitando.
Dormiu bem ? Diz ele tentando mudar de assunto, dando um sorriso e caminhando para o escritório.
Tive um sonho meio estranho mas estou bem Digo o seguindo-o.
Estranho? Diz ele com um olhar curioso quando olha para mim assim que se senta na poltrona de couro preto.
Deixar pra lá tio... foi só um sonho respondi com sinceridade e impaciente.
Ele me dá um olhar cético
Vou sair Preciso respirar um pouco Digo enfim.
Aonde vai ? Ele me olha desconfiado e com preocupação. Afinal por que ele se preocupa tanto comigo? Não me meto em problemas, quase não saio dessa casa, e faço tudo o que ele me pede, nunca escondi se quer uma coisa dele ele nunca escondeu nada de mim, pelo menos é o que achava até agora.
Tive a impressão de que ia sufocar , pego o casaco e saio sem dar explicações a ele, nem olho para trás. Sigo em frente tão depressa e impaciente que quase tropeço em meus próprios pés. — Ainda bem que ninguém viu Tudo está como sempre por aqui , mesmo que eu não saia muito é possível notar. As árvores estão grandes e fortes, os frutos que brotam de seus galhos estão quase maduros, as ninhos dos pássaros estão bem seguros, eles cantam e voam, uma combinação tão perfeita que o desejo me consome, uma pena que não tenho asas. As pessoas daqui são bem fechadas umas com as outras, elas apenas sorriem umas para as outras, nada de cumprimentos em publico do tipo, abraço ou beijos. Ando pelas ruas que aos poucos vão ficando desertas, o céu de repente escurece e penso que já é hora de voltar, mas não me obedeço, enquanto eu olhava por sobre o ombro para a nuvem degradante , percebi que eu estava bastante distante de casa , não deve passar das seis e meia eu acho — Cada vez a o número de pessoas vai diminuindo e estou pensando no que será que meu tio pode estar escondendo de mim ? Para que tanto segredo? Depois que meus pais morreram eu não sei mais de nada, não posso mais escolher nada sobre minha vida, parece que ainda sou uma criança recebendo ordens para não mexer e não bagunçar nada , mas sei que no fundo meu tio quer o meu bem, eu sei que sou a única família dele e ele é a única família para mim, mas é por esse motivo que nós não devíamos esconder nada um do outro, mas parece que ele não pensa assim. Sigo em frente furiosa com ele e comigo mesmo por estar pensando essas coisas, quer dizer ele não tem que me contar tudo. Chego ao fim da rua e não há mais nada para se caminhar, olho para minha direita e vejo uma outra rua pequena e parece bem longa, vou caminhando e não tem casas aqui, apenas um muro grande do meu lado esquerdo e do outro a mesma coisa, vejo o fim da rua adiante e não há mais nada a se caminhar. Mas não volto, caminho até o fim e um portão grande alto e prateado está escrito numa placa Área restrita a curiosidade me consome como sempre e tento empurra-lo, quando ouço alguém atrás de mim. Olho para trás e lá está ele, descendo do carro e olhando para mim balançando a cabeça com desaprovação.
O que está fazendo aqui ? Ele diz com voz alta e aborrecida.
Tio... digo surpresa e meio constrangida pelo flagra de minha quase invasão.
Entre no carro agora ele solta um olhar furioso para mim — Ele olha em volta e me puxa pelo braço. Entro no carro e ele dá ré, seguimos pela rua longa e entre os muros, quando saímos de lá ele me olha e faz um sinal de desaprovação novamente .
O que você estava pensando Natalie? ele segue olhando pela rua que já estará escura .
Só estava curiosa digo com a voz rouca e meio sem graça.
não quero que vá lá novamente! seu tom é autoritário e cheio de preocupação.
como sabia que eu estava lá ? porque eu nunca fecho essa minha boca!?
Isso não importa, nunca mais vá lá se não for comigo! novamente o tom autoritário aparece.
Sim, tio. digo com a cabeça baixa.
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