Legado

14 Capítulo 14


Dante acordou sentindo o cheiro dos cabelos de Agathe, que dormia confortavelmente em seus braços. Geralmente ele tinha um grande problema de insônia, mas quando estava com ela dormia como um bebê. Eles haviam se conhecido em um hotel onde ele foi chamado para realizar um exorcismo, se não fosse por aquele trabalho o destino dos dois nunca haviam se cruzado.

Ele havia se apresentado como um músico, devido a capa que cobria a Rebelion, sua espada. Assim que ela entrou no recinto, chamou a atenção do lendário caçador de demônios e foi por impulso que ele a abordou. Acabaram conversando e descobriram muito em comum, até que marcaram outras vezes até que iniciaram um estranho relacionamento, onde ambos não se cobravam, apenas se completavam.

E foi assim que já tinham mais de dez anos juntos. Como ela era muito focada na carreira, nunca havia exigido mais dele e ele muito menos dela. Ele realmente gostava da mulher que dormia tranquilamente em seus braços, e ele queria que ela fosse a mulher com quem passaria o resto de sua vida. Dante viu ela abrir os olhos e encara — lo, abrindo um belo sorriso em seguida:

—Bom dia. — Ela falou com a voz arrastada pelo sono.

—Bom dia querida, dormiu bem? — Ele a aconchegou em seus braços.

—Geralmente eu durmo muito bem depois de uma noite de sexo intenso. — A morena falou e em seguida beijou o peito dele. — Vou providenciar algo para comermos e depois podemos conversar sobre o que você quiser.

—Agathe, eu não sou o que você pensa que eu sou. — Dante iniciou.

—Eu sei disso. Na verdade sempre soube, mas nunca fez diferença para mim.

—Eu sou um demônio.

—Me conte uma novidade. — Agathe revirou os belos olhos âmbar.

—E eu ganho a vida caçando outros demônios.

—Também sabia disso. Fui eu que te achei e te contratei quando nos conhecemos, mas pedi outra pessoa para fazer uma ponte.

O Sparda mais novo olhou para empresária surpreso. Ela sabia de tudo por todo aquele tempo e nunca havia se importado, aquilo era mesmo surpreendente:

—Já que sabe do meu trabalho, vamos ao importante. Eu tenho um irmão gêmeo, o infeliz teve um filho, o menino foi tirado da mãe assim que nasceu e não sabia quem era a mãe. Eu descobri o moleque quando ele já era adolescente e meio que tomei a responsabilidade de cuidar dele, só que nesse ultimo incidente na cidade, o irmão que eu jurava que estava morto voltou e acabou que eu passei uma temporada no inferno com ele e só voltei antes porque o meu sobrinho arrumou uma forma de nos ajudar.

—Fico feliz por isso. Gostaria de agradecer o rapaz pessoalmente, mas acredito que ainda não queira me expor.

—Não! Agora eu quero mais do que nunca que o conheça, e sabe porque? — Ele sorriu.

—Por que?

—Porque ele é seu sobrinho também. A mãe dele é a Agnes.

—Você sabe que eu não gosto de falar dela. — Agathe saiu dos braços dele e se levantou. — Agnes abandonou a família para seguir o sonho de ser cantora e com isso ela foi exilada do nosso clã. Mesmo ela enviando recursos para nos ajudar, ela é alguém que não podemos aceitar em nossa vida. — Ela suspirou. — E se ela é mesmo mãe do seu sobrinho, me perdoe Dante, mas se tem uma coisa que a minha família detesta são crianças fora de matrimônio. Não posso me aproximar de nenhum dos dois.

—Agathe, me explica melhor isso. Vocês são sustentados pelos recursos da Agnes e simplesmente não podem aceitá — la porque ela saiu para viver um sonho e teve um filho?

—Somos parte de um clã de bruxos, temos regras. O fato de você estar aqui já é muito errado, mas não sei porque, eu nunca consegui me livrar do construimos juntos em todos esses anos...Saiba que eu aceitei tudo não é porque não me importava, era porque eu não podia.

—Eu não imaginava isso…

—Eu estou aqui porque completei meu treinamento, recebi licença para estudar e me tornar a empresária que sou hoje, mas eu tenho que voltar dentro do prazo de 15 anos, onde vão escolher um dos velhos do conselho para torná — lo meu marido. Mas se eu voltar provavelmente serei morta porque não sou mais pura.

—Mas que merda de clã é esse? — Dante se levantou irritado. — Você não vai voltar porque vai se casar comigo, esta me entendendo? E vai sim conhecer seu sobrinho e vai reencontrar a sua irmã, que por acaso é a minha cunhada e que esta na cidade.

—Dante…

—Se arrume mulher, hoje você vai conhecer a minha família.

—Então era por isso que você pediu um dia todo? — Agathe sorriu com os olhos marejados de lágrimas de emoção.

—Exatamente. — Ele se aproximou dela e a abraçou. — Nunca que eu iria deixar a mulher que amo ir embora, e sabendo que você pode se defender assim como a sua irmã, eu acredito que seja perfeita para mim.

—Já sabe das habilidades dela?

—Foi graças a ela e ao Nero que estou aqui. Vá se arrumar, eu vou ligar para o meu irmão para avisar que vamos visitá — los.

—Visitá — los?

—Meu irmão e a Agnes são namorados.

—Que? — Agathe o encarou surpresa.

—Eles se acertaram recentemente, creio que vão se casar em breve, que nem nós.

—Quer mesmo se casar comigo?

—Isso já deveria ter acontecido. Mas antes de irmos lá, o que acha de tirarmos o dia para planejarmos o nosso casamento? A propósito. — Dante foi até as suas roupas que estavam espalhadas pelo quarto, remexeu os bolsos da jaqueta com que havia se vestido na noite anterior, de onde tirou um anel com uma pedra de diamante solitário. — Aqui! Espero que dê no seu dedo.

—Me dê aqui. — A empresária caminhou até o hunter e pegou o anel da mão dele e colocou em seu dedo, onde o objeto se acomodou perfeitamente. — Certo, agora vamos nos casar.

—Pode parar mocinha. Eu quero uma cerimônia de casamento digna da princesa que eu sou. Eu quero escolher o vestido perfeito, não seja grossa. — Dante brincou fazendo Agathe gargalhar.

—Vou escolher um terno a altura para te acompanhar até o altar.