Legado
11 Capítulo 11
Nero recebeu a chamada de telefone de Vergil no meio da noite e aquilo o surpreendeu. Não levou muito tempo para chegar a casa da mãe, e como Kirye havia feito alguns doces para as crianças, ela havia enviado um pouco através dele para agradar a sogra. Ao entrar na casa, ele encontrou o trio reunido na mesa que ficava na cozinha:
—Hoje é dia de reunião de família. — O jovem brincou indo até a mãe e a abraçando em seguida.
—Sua mãe passou por um dia difícil, achei que seria bom vê — la. — Vergil falou.
—Acabamos de jantar, quer um pouco? — Agnes perguntou após beijar o rosto do filho.
—Não, obrigado, eu já jantei em casa. Aqui, a Kirye mandou para senhora. — Nero depositou a pequena bolsa sobre a mesa. — São coockies com gotas de chocolate.
—Ela sabe como me agradar. — Agnes pegou o pacote e abriu seu conteúdo, oferecendo a Dante e Vergil em seguida. — Já que os três estão aqui, gostaria de mostrar a vocês o meu novo lançamento. Vamos para o meu estúdio?
O trio Sparda se levantou e seguiu Agnes, que entrou na biblioteca da casa, parando a frente de uma parede falsa e abrindo a porta oculta em seguida:
—Eu não sabia que tinha isso aqui. — Vergil comentou.
—E não era mesmo para saber. Esse é o meu refúgio. — Agnes entrou no local dando espaço para os três homens entrarem.
A sala era toda branca, com instrumentos clássicos de corda, como violão, violoncelo, violino, uma enorme harpa prateada e um belo piano de cauda que ficava no centro do local. Havia revestimento acústico em todas as paredes e aparelhagem para amplificar o som. Era um estúdio completo:
—Uau. — Nero falou olhando ao redor.
—Posso? — Dante se aproximou do violão impecavelmente branco.
—A vontade. — Agnes se acomodou no banco do piano, enquanto Nero se juntou a ela e Vergil se encostou no piano.
Dante pegou o violão e com uma habilidade incrível, passou a dedilhar fazendo soar as notas de uma bela serenata. Logo Agnes se juntou a ele no piano, e não querendo perder para o irmão, Vergil pegou o violino e passou a tocar o instrumento com maestria surpreendendo os demais:
—Fui premiado cinco vezes em competições. — Vergil sorriu orgulhoso.
—Isso é novo para mim. — Agnes falou.
—Para mim também. — Nero falou. — Me sinto mal porque não tenho habilidade alguma para música e meus pais são super talentosos.
—Não se culpe por isso, sei que tem alguma coisa escondida aí dentro. — Agnes abraçou o filho com carinho.
—Por acaso, teria uma bateria ou guitarra perdida em algum lugar? — O jovem perguntou com olhos esperançosos.
—Sempre tem. — A cantora apontou uma parede. — A minha ideia inicial era criar os arranjos aqui mas a Scarlet não aprovou. Ali você vai encontrar tudo que precisa, só pressione a parede levemente que o armário vai abrir.
Nero seguiu o que foi indicado pela mãe, e assim que pressionou o local, a parede se moveu dando a visão de um mini palco com os instrumentos necessário para um show particular:
—Uau, essa casa nunca deixa de me surpreender. — Dante falou admirado.
—Não duvido encontrar uma sala cheia de armas e coisas de magia. — Vergil comentou.
—Isso eu já estou montando. — Agnes sorriu travessa. — Preciso praticar as minhas poções e magias.
—Não estou dizendo?
—Mãe, poderia cantar uma de suas músicas famosas para te acompanharmos? Acho que o Dante consegue. — Nero sorriu.
—Claro. — A morena iniciou um acorde no piano e logo foi seguida por Dante, que havia trocado o violão por uma guitarra.
Vergil observou Agnes iniciar a música. Ela ficava linda tocando piano. Dante parecia bem familiarizado a tocar a música e Nero sabia tocar bateria muito bem. A voz da morena ecoou pela sala, encantando o trio Sparda. Agnes tinha uma voz firme, como uma cantora de ópera deveria ter, apesar de não alcançar notas tão agudas, ela era famosa por seu tom voz, sendo considerada uma lendária cantora de ópera rock.
A música absorveu o grupo em uma energia única, preenchendo os corações e almas com algo que não era possível identificar. Assim que terminaram a música, Agnes seguiu com os acordes do piano para apresentar a nova música que iria apresentar em sua nova turnê.
A forma como ela cantou e tocou a música deixou os Spardas de queixo caído. Era a apresentação mais intensa que eles já haviam visto na vida:
—É maravilhosa, não tenho palavras para descrever o que senti. — Dante falou ainda encantado pelo efeito da música.
—Mãe, é simplesmente insano. Se essa música não estourar nas paradas, eu não sei o que mais poderia fazer sucesso. — Nero disse sorrindo.
—Foi você que escreveu a letra? — Vergil perguntou.
—Sim. Na verdade, todo esse álbum é da minha autoria. — Agnes sorriu e estendeu uma mão a direção dele, que segurou com carinho. — Essa música eu escrevi quando perdi o Nero.
—Mas o final não é algo como um reencontro? — Dante perguntou.
—Sim, isso porque eu reencontrei o Vergil, o Nero e também te conheci. — Agnes sorriu.
—Eu tenho a melhor mãe do mundo. — Nero saiu de onde estava e foi até a mãe para abraçá — la. — Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. — O rapaz falou carinhoso.
—Deixe a Kirye descobrir que você falou algo assim. — A cantora brincou enchendo o rosto do filho de beijo.
—Acho que estou com inveja do Nero. — Dante falou colocando a guitarra no lugar de origem.
—Por que? — Nero e Agnes perguntaram juntos.
—O Nero ganhou um monte de abraços e beijos enquanto eu e o Vergil ficamos de lado.
—Ai que dó, ele esta carente. — Nero implicou.
—Fale por você, eu recebo o suficiente para não sentir ciúmes do meu filho. — Vergil se pronunciou. — E eu não admito você pedir uma coisa assim da minha mulher.
—Ah vá Vergil, largue a mão de ser ciumento. — Agnes se levantou, deixando Nero de lado e caminhou até Dante, onde o puxou levemente pelo braço e lhe deu um beijo no rosto. — Feliz agora?
—Adoro receber beijos de garotas bonitas, ainda mais se for para deixar meu querido irmão irritado. — Dante sorriu de lado ao perceber que Vergil o fuzilava com o olhar.
—Ele se irrita com qualquer coisa. — A cantora voltou para o piano e sentou ao lado do filho novamente. -Vocês vão a minha estreia desse álbum?
—Não perderia isso por nada. — Nero respondeu.
—Como eu sei que se eu deixar com o Vergil, ele não vai convidar ninguém, e se eu deixar com o Dante, ele vai vender. Então os convites vão ficar com o Nero. O transporte será por conta de vocês, mas já vou logo avisando que quero todos lá.
—Não conte comigo. — Dante logo se manifestou.
—Ah, mas claro que conto. Os convites são para área VIP com open bar, não quero desculpa, vocês são a minha família e eu quero os três lá.
—Família…
—Sim, família. A minha família. — Agnes abraçou Nero. — Eu não sei sobre o passado de vocês, mas acredito que seus pais estariam orgulhosos agora por vê — los reunidos e vivos.
—Isso é algo que eu não gostaria de lembrar. — Dante falou com um semblante perdido.
—Eu também não gostaria de falar sobre isso agora. — Vergil complementou.
—Ainda bem que eu tive a oportunidade de conhecer o V, se não fosse a passagem dele eu não saberia de nada do passado de vocês. — Nero reclamou.
—V? — Agnes observou o filho curiosa.
—Tenho uma ligeira impressão de que vocês preferiam ele a mim. — Vergil falou.
—Preferíamos. — Nero e Dante responderam juntos fazendo o gêmeo mais velho fechar o semblante.
—Não entendi essa. O que esse V tem haver com você? — A morena fitou o amante curiosa.
—Ele era uma parte minha, que agora eu entendo que era para eu ter dado mais importância. Provavelmente ele seria a pessoa certa para você. — O Sparda mais velho falou com naturalidade.
—Hum...Gosto dessa história de ter dois Vergils, mas prefiro ter um completo ao meu lado. Feliz em saber disso?
—Muito feliz.
—Bem, acho que devemos ir Nero. — Dante se pronunciou. — Rola uma carona?
—Vamos. Se eu chegar tarde a Kirye vai reclamar. — Nero se levantou e ia seguindo o tio.
—Vida de casado é um saco. — Dante brincou.
—Mas viver sozinho para o resto da vida é pior ainda. Tome vergonha e assuma logo a Lucia. — O mais novo falou irritado.
—Não levo jeito para essas coisas.
—Você pode não levar, mas ela leva. Vou dar um jeito dela tomar a iniciativa por você. — Agnes brincou.
—Vergil dê um jeito de parar a sua mulher. — Dante reclamou.
—Eu não tenho nada haver com isso. — Vergil se pronunciou saindo da sala.
—Sério Dante, você deve se dar uma chance também. Amar e ser amado é algo que todos devem receber neste mundo, apenas aceite isso. — A cantora falou carinhosa.
—Vou pensar sobre isso. — Dante falou seguindo o irmão e o sobrinho.
Nero deixou Dante no escritório que também chamava de casa. As palavras da mãe ainda passeavam pela cabeça dele. Ela havia falado de brincadeira, mas eles haviam conversado algumas vezes sobre as condições psicológicas dos gêmeos Sparda. Como ela sofria de depressão, ela sabia identificar os sinais e havia dito a ele que principalmente Dante estava sofrendo por causa do início dificil de vida.
Quanto a Vergil, ela havia contado a ele que o pai estava mais aberto a melhorias por isso os dois estavam se tratando junto, e isso estava ajudando na união deles. Até mesmo ele estava notando a mudança em si mesmo depois que descobriu que tinha uma família. Nero entrou em casa e se dirigiu ao quarto, encontrando a esposa sentada na cama com a tv ligada:
—Ainda não dormiu? — Ele se aproximou e a beijou na testa.
—Estou sem sono e também resolvi te esperar. — A moça sorriu.
—Já disse que não precisa fazer isso. — Nero acariciou o rosto dela.
—Vai me contar o que aconteceu?
—Ao que parece houve uma confusão entre a minha mãe e a Scarlet, ela e meu pai se acertaram para valer e isso irritou a Scarlet. Com isso minha mãe esta sem agente. — O devil hunter se livrou dos sapatos e do casaco que usava, se jogando na cama em seguida e puxando a esposa para si. — Hoje eu tive a oportunidade de ouvir a minha mãe cantar e descobri que meu pai sabe tocar violino.
—Gostou de saber disso?
—Ao que parece, o gosto por cantoras eu herdei do meu pai. A voz da minha mãe é tão linda quanto a sua. Vocês deveriam fazer um dueto qualquer dia desses.
—Seu aniversário esta chegando, podemos fazer algo assim, o que acha?
—Eu iria adorar ver vocês duas juntas cantando.
—Farei isso por você. — Kirye o puxou para um doce beijo.
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