Legado

10 Capítulo 10


Vergil havia acabado de chegar de um trabalho com Dante, e como sempre, eles dividiam o lucro após a entrega do serviço. O ramo como Devil Hunter era muito lucrativo, ele não entendia como Dante vivia atolado de dívidas e morando em um local tão ruim:

—Dessa vez o trabalho pagou bem. Morisson deve estar feliz agora. — Dante falou se jogando no sofá.

—Só quero a minha parte para ir embora. Quero ver a minha mulher antes dela sair para a gravadora.

—Olha só como ele se sente o tal só por ter uma mulher. — Implicou Dante.

—Não é uma mulher qualquer, é a mãe do meu filho. — Vergil falou presunçoso. — É provável que eu fique só em casa hoje. Vá até lá se quiser apanhar.

—Acho que quem vai apanhar vai ser você. Mas vou sim e levo pizza para jantar.

—Eu faço o jantar, dispenso a pizza.

Vergil pegou o envelope deixado por Morisson e saiu do escritório do irmão. No caminho ele encontrou uma barraca de flores onde comprou um buquê de lírios branco com rosa. Já que era bem cedo, ele acreditava que ainda poderia entregar as flores sem problemas.No momento ele e Agnes estavam se entendendo, mas os encontros e interações eram todos escondidos da equipe dela.

Ele já havia presenteado na semana passada com uma singela correntinha dourada com um pingente em forma de lírio. Era a flor favorita dela, e ele não havia se esquecido mesmo se passando tantos anos. Não demorou muito a chegar a casa, e o que ele encontrou não o agradou.

Vários carros estavam estacionados a frente da casa, incluindo o carro de Scarlet e ele não se lembrava da loira baixinha ter passado a noite com ele e Agnes. Depois que ele e a cantora se acertaram, ela evitava que os empregados ficasse na casa após certo horário e fazia de tudo para Scarlet ficar bem longe do local, para o contato dele com a empresária ser o mínimo possível.

Assim que entrou na casa, ele pode ouvir gritos:

—É isso que você quer para sua carreira? Estragar tudo, justo agora que esta prestes a lançar seu novo trabalho? — Scarlet falou irada fazendo Agnes se encolher.

Vergil observou a cena diante de seus olhos com curiosidade, ele nunca havia visto a agente perder o controle daquela maneira e muito menos, nunca havia visto Agnes recuar:

—Até onde achou que isso iria dar? Iria me esconder até quando? — Scarlet bateu na mesa. — A porcaria de um desconhecido...já não basta aquele rapaz que só atrapalha o seu trabalho...um romance Agnes? Faça o favor de acabar com isso. — Scarlet se virou para os outros homens que estavam na sala e ao que pareciam eram seguranças. — Esperem lá fora.

A ordem foi acatada pelos homens, e antes que fosse visto, Vergil usou suas habilidades para se esconder em outra sala, que ainda dava visão para onde Agnes e Scarlet estavam:

—O que eu te dei não serviu Agnes? Sua vadia bebada! — Scarlet continuou gritando. — Precisava de um pau para te foder para acabar com o seu fogo? — Agnes passou a chorar. — Posso contratar quantos caras quiser para fazer isso e hoje você vai voltar para o nosso país.

—Eu não vou voltar… — Agnes falou com um fio de voz.

—Você vai voltar! — A loira desferiu um tapa no rosto da cantora. — Acha que as coisas vão ser do jeito que quer? Esta enganada, querida. Acabou a brincadeira, você vai voltar, vai fazer essa turnê e ainda vai lançar mais três discos antes de pensar em aposentadoria. Esta me ouvindo? — Ela se aproximou da morena. — Você é minha, você sabe disso. Tudo o que você tem é graças a mim e se tentar pensar por si mesma eu vou ter prazer em destruir a sua carreira perfeita.

—Se afaste dela. — Vergil entrou no local chamando a atenção das duas.

—Você não tem nada a fazer aqui, desapareça!

—Você quer que eu vá embora Agnes? — Ele ignorou a loira e olhou para a mulher que amava.

—Não, e eu não quero ir embora também...quero ficar para sempre com você e com nosso filho. — Agnes respondeu encontrando forças no olhar de Vergil.

—Nosso filho? É isso mesmo que ouvi? — Scarlet passou a gargalhar. — Você estava armando isso pelas minhas costas, sua vadia?

—Se chamar a minha mulher de vadia mais uma vez eu vou te partir em duas, sua vaca interesseira… — Vergil encarou Scarlet com tanto ódio que a loira recuou. — Escute aqui você: eu tenho uma dívida enorme com essa mulher e eu vou protegê — la nem que custe a minha vida e hoje eu começar a pagar a minha dívida. — Ele ergueu uma mão e a espada Yamato surgiu. — Se não sair daqui agora, eu vou te matar.

—Esta me ameaçando? Vou te denunciar a polícia por isso.

—Acha mesmo que eu tenho medo de policia? — Vergil ativou sua forma demoníaca, deixando Scarlet em choque.

Ao ver o grande demônio parado a sua frente, ela se desesperou e com um grito de pavor ela saiu correndo do local:

—Isso não vai ficar assim!

Assim que a loira saiu, Vergil desfez a transformação e em seguida pode ouvir a gargalhada de Agnes:

—Não acredito que fez isso. — Ela falou entre risos.

—Por que não me disse que era tratada assim? — Ele se aproximou e sentou ao lado dela no grande sofá marfim.

—Sempre fui tratada assim, Vergil.

—Ela sempre foi sua agente?

—Não, foi depois que eu tive o Nero. Como precisei de quase um ano para me recuperar do incidente eu precisava de alguém muito bom para reinserir no mercado novamente. A empresa me enviou ela e desde então, estamos nessa.

—Afinal, o que aconteceu?

—Lembra da ultima vez que tirei uma folga e passamos um tempo juntos? Um paparazzi conseguiu as fotos e bem, eu sou conhecida por ter uma trajetória de carreira perfeita e se a nossa história vier a tona, seria uma mancha e tanto.

—O que quer fazer?

—De uma coisa eu tenho certeza: eu não quero ficar longe de você e do Nero, nunca mais. E se eu quero que isso aconteça, eu vou me livrar dela. É meu ultimo ano, eu vou sim me aposentar e bem, qualquer um pode me ajudar a gerir a minha agenda.

—Quer ajuda com isso?

—Não precisa se preocupar, a empresa faz de tudo por mim. Eu sou boa demais para me perderem por causa do desequilíbrio da Scarlet, o ruim é que eu vou ter que fazer o que eles pedirem.

—Faça o que estiver dentro dos seus limites.

—Tudo bem. — Ela se atirou nos braços dele, que a abraçou. — Obrigada por estar na minha vida.

Devido a confusão, Agnes reagendou todos os compromissos para o dia seguinte e se trancou no escritório para começar a negociar com o presidente da empresa a sua situação. Os empregados haviam sido dispensados naquele dia, então Vergil teve a casa a sua disposição. Já era inicio de noite quando Dante chegou trazendo uma sobremesa consigo:

—Esta tudo bem? Você me parece preocupado. — Dante observou o irmão, que terminava de cozinhar algo que tinha o cheiro muito bom.

—Hoje a Agnes teve um problema com a empresária dela. Parece que eu ter voltado para vida dela não foi bom para carreira perfeita que ela tinha. — Vergil confessou.

—Bobagem isso. Ela é uma cantora maravilhosa, seus fãs amam sua voz e não a sua vida privada. Vocês dois tem que ficar juntos, um completa o outro, não há como negar.

—Eu não nego isso e muito menos ela. — O sparda mais velho suspirou. — Estou preocupado com que tipo de reação a Scarlet pode ter. Querendo ou não, a Agnes era a maior fonte de dinheiro que ela tinha...eu nunca quis contar a ela, mas Agnes já perdeu muito dinheiro que foi desviado para a Scarlet.

—Mas que droga, hein?

—Eu queria fazer algo para reverter isso, mas o projeto de empresária percebeu que eu descobri e quer se ver livre de mim.

—Você é mais inteligente que eu, vai dar um jeito nisso.

—Nossa, que cheiro bom. — Agnes entrou na cozinha atraída pelo aroma da comida. — Achei que eu teria de cozinhar hoje. — Ela foi até Vergil e o beijou no rosto.

—Esta tudo bem? — Ele perguntou observando os belos olhos âmbar.

—Acho que resolvemos a primeira crise. — Só então ela percebeu a presença de Dante. — Olá Dante, que bom que resolveu frequentar a minha casa.

—Embora eu não goste de admitir, gosto de passar algum tempo com esse cabeçudo. — Dante sorriu de volta.

—Sei que ele gosta disso também. Bom meninos, eu só vim avisar que me junto a vocês daqui a pouco. Acho que preciso de um banho.

—Já esta quase pronto. — Vergil avisou.

—Me sinto tão amada quando você cuida de mim. — Ela o puxou para um rápido beijo. — Eu te amo.

—Eu também te amo.

—Que casalzão da porra! — Dante vibrou. — Shippo muito!

—Shippo? — Vergil encarou o irmão curioso.

—Uma palavrinha que aprendi com a Patty.

—A sim, a garota que te adotou como pai.

—Na maioria das vezes é um incomodo, mas um incomodo bom. — Dante sorriu. — Minha garotinha é um mulherão hoje.

—Sorte a sua ter acompanhado o desenvolvimento dela e do Nero.

—Ei! Sei que vocês dois podem ter mais uns quatro filhos ainda. Pode parar com esse tom de arrependimento. Agnes, quero sobrinhos para enlouquecer o meu querido irmão mais velho para ontem. — Dante implicou.

—A ideia é tentadora, mas não posso mais ter filhos. — A cantora confessou com tristeza no olhar. — Só com um milagre eu poderia ter.

—Olha o milagre ai do seu lado! O cara sobreviveu a muita coisa, ele pode fazer esse milagre em você, acredite. — Ele sorriu de lado. — Então, só para lembrar, eu estou com fome, mas faço questão de aguardar a minha cunhada linda.

—Vou fingir que não percebi essa bajulação. — Agnes se retira.

—Você sabia dessa? — Dante perguntou ao irmão.

—É mais uma novidade para mim. — Vergil suspirou. — Por isso ela sempre disse que o Nero era único para ela.

—Mas toda mãe não fala isso?

—Não do jeito que ela fala. Devo conversar com ela depois que essa tempestade passar.

—Deveria chamar o Nero para vê -la.

—Farei isso.