Legacy
6 Capítulo 6 - "We like to party!"
Nossa penúltima parada foi a Iota Lambda Mu. Por algum motivo, o nome já não me parecia algo interessante, e a visita não foi muito diferente. Fomos recebidas por um coral e depois a presidente da irmandade, Sarah Wilkinson, falou por um bom tempo. Ouvimos algumas candidatas comentando que a única coisa que a ILM fazia era estar atrás da Zeta Eta Beta, casa que visitaríamos em seguida, e por isso eram tão entediantes.
Charlie e eu aproveitamos o tempo para conversar sobre a experiência incrível que havíamos acabado de ter na Sigma Psi, aquilo havia finalmente nos empolgado e era claro que não esperávamos encontrar algo tão divertido quanto aquelas garotas. Felizmente, a conversa fez com que o tempo passasse rápido e seguíssemos para a última casa da visitação.
Logo ao chegarmos no quintal da casa da Zeta Eta Beta, ficou claro que elas estavam alguns, ou vários, passos na frente da Iota Lambda Mu. Uma apresentação incrível de dança nos deu boas-vindas e a estrutura da casa era maravilhosamente linda e bem decorada. Além disso, fomos presenteadas com uma variedade incrível de petiscos, que estavam deliciosos. Depois de toda a formalidade, houve um momento de descontração para conversamos com as meninas da irmandade e também dar uma volta pela casa, nessa hora também foram oferecidos bolo e sorvete.
— Seu irmão me disse que a garota é julgada pela sua escolha, dependendo do que pega primeiro, bolo ou sorvete. – contei para Charlie.
— E qual devemos pegar primeiro? – perguntou. – Porque os dois parecem deliciosos.
— Essa parte eu não lembro. – disse rindo. Quando um garçom se aproximou com a bandeja, Charlie fez o inesperado, pegou os dois e mergulhou o sorvete no bolo, fazendo com que nós duas acabássemos mais uma vez rindo.
— Uau, essa com certeza foi original. – uma voz desconhecida surgiu ao meu lado. Era uma ZEB, pois estava usando a camiseta da irmandade. Não soubemos reagir, estávamos nos divertidos, e apesar de aquilo tudo ser um tanto fútil, não tínhamos intenção de desrespeitar. – Relaxem, não sou a julgadora do “bolo e sorvete”. – ela disse rindo, e causando uma nova risada em nós duas. – Sou a Katherine. – apresentou-se.
— Eu sou a Amy. – também me apresentei, erguendo um sorriso no rosto.
— E eu a Charlie. – minha companheira de quarto disse. – Então é verdade mesmo? Esse negócio do bolo e do sorvete? – perguntou curiosa.
— Juro que nunca vi alguém ser descartada por motivos de bolo e sorvete. – Katherine disse rindo. – Acho que usam isso como desculpa para encomendarmos essas delicias durante a visita das candidatas todo ano. – rimos junto.
— Realmente, está maravilhoso. – Charlie disse sorridente.
Acabamos passando o resto da visita com Katherine, ela era extremamente simpática e divertida. Conhecemos o resto da casa e um pouco da história da irmandade. Aquela era a mais tradicional do campus e mantinha a boa fama desde seus tempos remotos, por isso passava a visão de que, para ser uma ZEB, a garota tinha que ser perfeita. Porém, Katherine contou que muitas das coisas faladas, eram somente mitos, elas realmente se divertiam, mesmo quando era necessário manter a postura da casa em público, e parecia difícil duvidar de qualquer palavra que saía da boca de Katherine, uma áurea de sinceridade brilhava em torno dela, até me lembrava um pouco as garotas da Sigma Psi.
Se fosse eleger as visitas das quais havia gostado, minha lista incluiria apenas a Sigma Psi e a Zeta Eta Beta. Nos despedimos de Katherine quando o tempo chegou ao fim, e apesar de ter me divertido, senti um alivio ao saber que finalmente havíamos terminado.
— Meninas, agradeço imensamente a colaboração de todas e desejo todo o sucesso do mundo na irmandade que ingressarem. – Dianne começou a se despedir. – Lembrem-se: as cartas das irmandades que desejarem o seu ingresso serão enviadas na quinta-feira e o seu recebimento deve ser mantido em sigilo. – alertou. – Não contem aos seus pais, namorado, tios, avós, nem mesmo a suas companheiras de quarta. -–Charlie e eu olhamos uma para outra, como se aquilo tivesse sido uma indireta, tivemos que nos segurar para não rir. – Mais uma vez, obrigada! Retornem com segurança para suas casas e dormitórios. – ela encerrou e uma onda de aplausos complementou a despedida.
Aos poucos, todas foram se dispersando. Olhei para o relógio, era 21:30.
— Acha que estamos bem vestidas para essa festa? – Charlie perguntou.
— Acho que sim, não deve ser nada muito extravagante. – eu imaginava e esperava que não fosse.
— Então não vamos perder tempo. – disse ela e eu concordei com o olhar.
Seguimos pela rua principal de Motown, até encontrar a casa com o símbolo da Sigma Psi entalhado. Tocamos a campainha e rapidamente um par de olhos azuis, que não esqueceríamos mais, nos recebeu com um sorriso simpático.
— Vocês vieram! – disse animada. – Espero que lembrem de mim, sou a Lexa. – agora podíamos visualizar claramente os cabelos loiros dela, que antes não eram visíveis no escuro.
— Não teríamos como esquecer de você, Lexa. – eu falei com tom de brincadeira, soltando uma leve risada.
— Amy! Charlie! – Briana apareceu logo quando entramos na casa. Música alta estava tocando e a maioria das garotas estava ali, dançando descontraídas. – Estou muito feliz que vocês vieram. – ela disse nos abraçando. – Essa festa vai ser incrível! – afirmou. – Vamos sair em 15 minutos, fiquem à vontade! – Bri falou. – Podem beber e comer o que quiser, só peço desculpas por nosso estoque de comida não estar muito reforçado, já que a maioria de nós voltou ontem para cá.
Era ótimo se sentir bem naquela casa. Após a breve conversa com Bri, Lexa nos levou para a cozinha e apresentou alguns outros cômodos do lugar. A casa não tinha nada de extravagante, mas era muito bem organizada e confortável. Na hora de sair, encontramos com Bri novamente e caminhamos ao lado dela em direção a casa da fraternidade Omega Gamma.
— Alguns dos Omega Gamma são extremamente imbecis, mas a maioria deles são caras legais. – Bri contou enquanto chegávamos em frente a casa, visivelmente já movimentada. – E, sem dúvidas, dão as melhores festas. – disse enquanto adentrávamos o local.
— Meu irmão é dessa fraternidade, mas não me conta muita coisa. – Charlie comentou.
— Seu irmão? Qual é o seu sobrenome mesmo? – Bri perguntou curiosa, como se tivesse acabado de ligar os pontos de um enigma.
— Lambert.
— Não acredito! – os olhos castanho-escuro de Briana se arregalaram, e seu cabelo de mesma cor voou ao mesmo tempo em que ela virava para encarar Charlie diretamente. – Você é irmã do Josh?!?
— Sim! – Charlie exclamou. – Ai meu Deus, isso é ruim?
— Não, ele é um cara legal. – disse Bri. – Só que nós tivemos um lance juntos, não sei bem como definir isso. – agora fomos eu e Charlie que arregalamos os olhos.
— Você e o Josh? – Charlie perguntou espantada. – Mas você é tão legal, e o Josh é tão Josh.
— Esse foi mais ou menos o problema. – Bri disse rindo. – Mas são águas passadas. – isso sim havia sido uma surpresa.
Ao atravessarmos a sala principal da casa, chegamos à parte de trás, onde a festa estava acontecendo. A música alta interrompeu nossa conversa, juntamente com o eco das vozes da galera. Isso tudo durou pouco tempo, pois uma única voz interrompeu tudo.
— OOOOOOOOOOOOMEGA! – um garoto, em cima de uma mesa, gritou.
— GAMMA! – vozes graves responderam em resposta.
— TÁ TODO MUNDO SE DIVERTINDO? – o mesmo garoto gritou. Tinha o cabelo curto e moreno, já visivelmente suado e usava uma bandana preta na cabeça. Estava sem camisa e possuía um corpo consideravelmente forte. Um conjunto de gritos respondeu sua pergunta. – ESSE É O ESPÍRITO! – gritou novamente. – Antes de começar oficialmente essa festa, agora com convidados... – risos ecoaram pelo local. — ... gostaria de primeiramente desejar mais um ótimo ano para a melhor fraternidade do campus.
— CHUPA ALPHA XI! – alguém gritou no meio das pessoas, gerando mais risadas. O garoto em cima da mesa também riu.
— Boa, Greg! – voltou a falar. – Já que sou o presidente e preciso manter a postura, você grita por mim. – novamente as risadas ecoaram. – Enfim, agradeço especialmente a presença das nossas queridas, e belíssimas, garotas da Sigma Psi! – as meninas gritaram em resposta. – Para não desperdiçar tanta beleza reunida em um lugar só, vou aproveitar esse momento para eleger a rainha dessa festa, que vai ser presenteada com um caloroso beijo do cara mais bonito aqui presente. – as risadas continuaram, ele estava claramente alterado, mas todos pareciam conhecer muito bem o jeito do garoto. – E vai ser você! – ele disse olhando ao redor, e apontando em minha direção. Torci com todas as forças para estar enganada, mas antes mesmo de poder pensar em uma solução, outros quatro garotos, também sem camisa, me cercaram e me colocaram sobre seus ombros.
Não sabia o que fazer, aquela situação era quase tão trágica quanto cômica. Cada garoto tinha uma fruta na cabeça, um cacho de uvas, um cacho de bananas, uma casca de laranja e uma casca verde, por algum motivo desconhecido que nunca saberei. Em questão de segundos, colocaram-me em cima da mesa junto ao garoto.
— Prazer em conhece-la, sou o Scooter. – ele se apresentou. – Som na caixa DJ! – gritou antes de voltar sua atenção para mim novamente. Estávamos extremamente próximos, e infelizmente, ele era ainda mais atraente de tão perto. Por mais que eu não tivesse motivo algum para não fazer aquilo, eu apenas não podia me permitir ser tão fácil. Perdi tempo demais pensando. Quando percebi, Scooter aproximava cada vez mais sua boca da minha.
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