Legacy

29 Capítulo 29 - "Make sure you record it"


— Alô? – a voz conhecida de Theo atendeu por trás da linha, ele soava ainda mais grave pelo telefone. Pude ouvir vários murmúrios no fundo da ligação, provavelmente a casa estava movimentada.

— Oi, Theo. Você está me escutando? – perguntei.

— Sim, quem está falando? – ele perguntou.

— É a Amy, não sei se você está lembrado de mim, mas foi eu quem você atingiu com uma bolada na testa na primeira semana de aula. – lembrei.

— Ah, claro que estou lembrado. – Theo disse.— Além de ter sido um incidente extremamente incomum, meu colega de quarto eventualmente fala sobre você, não teria como esquecer. – sorri involuntariamente ao ouvir o comentário.

— Talvez seja estranho estar te pedindo isso, mas estou ligando porque preciso de um favor seu.— falei.

— Acho que eu te devo um.— ele concluiu. – Pode pedir, Amy.

Esperava que Theo fosse um cara legal, porém ele certamente me surpreendeu com tanta compreensão. De início, ele riu ao perceber no quão sem graça eu soava ao estar pedindo àquilo, mas eu estava certa quando imaginei que ele fosse entender a situação.

— Pode deixar comigo. – Theo afirmou no fim da explicação.— Já tenho tudo planejado em mente, te envio o vídeo amanhã no começo da tarde. — ele disse.— Posso só fazer uma pergunta?

— Com certeza. – afirmei.

— Por que está pedindo isso para mim se você se aproximou mais do Seth? – perguntou.

— Não sei bem como explicar. – respondi. – Só não queria que ele pensasse algo errado de mim, ou que estaria me aproveitando da nossa aproximação.

— Entendi. – ele disse.

— Jura? – perguntei.

— Juro. – Theo falou com convicção.— Conheço bem as meninas da Zeta Eta Beta, creio que essa tenha sido a intenção do desafio, fazer você escolher entre ele e a irmandade. – ele analisou.— Mas por sorte, eu existo.

— Não sei nem como te agradecer por isso. – falei.

— Não precisa, estamos quites.

— Mesmo assim, muito obrigada! – agradeci.

— Amanhã te enviarei.— ele garantiu. – Boa noite, Amy.— foram as últimas palavras que trocamos naquela ligação.

Acabei chegando tarde no dormitório devido a todos os ocorridos. Charlie já estava dormindo, ela também deveria estar muito cansada e por isso não quis acorda-la, poderíamos conversar pela manhã.

Acordamos consideravelmente atrasadas no dia seguinte, combinamos então de almoçarmos juntas e colocar os acontecimentos em dia antes que as informações fugissem do nosso controle.

Passei as aulas da manhã mais uma vez pensando em todas as coisas que não deveria, mas com sorte aquele seria o último dia em que isso iria acontecer, pelo menos durante a Hell Week. Não sabia que horas exatamente Theo pretendia enviar o vídeo, pensei em enviar uma mensagem de manhã para lembra-lo, só que optei por não fazer isso, soaria chata e insistente.

Quando encontrei Charlie na hora do almoço, ela estava acompanhada por Bri, o que foi melhor ainda. Depois da situação da carta, sentia que podia confiar em Bri também, então foi a oportunidade de poder contar para as duas sobre os encontros com Seth no dia anterior e da coincidência do desafio ter certa relação indireta com ele. Sei que talvez eu devesse ter medo de estar sendo vigiada ou algo assim, mas não acreditava que a ZEB seria realmente tão obcecada a ponto de vigiar as candidatas desse modo. Naquela altura do campeonato, alguém já deveria ter descoberto que eu era a garota misteriosa que havia saído com Seth na primeira festa, então fazia sentido a tarefa envolver ele, ainda mais se boatos tivessem sido de fato espalhados.

Estava mais tranquila conversando com as duas, quase consegui desviar um pouco meus pensamentos enquanto almoçávamos. Entretanto, foi nesse momento que meu celular tremeu e mostrou a notificação: “Theo Mason enviou um vídeo”. Tentei ser discreta ao ler isso, mas engasgar com o pedaço de carne que eu mastigava provavelmente não ajudou nem um pouco.

— Amy, calma! – Charlie se apressou em dizer, ao mesmo tempo que colocava um copo de água na minha frente.

— Ele enviou! – exclamei assim que consegui me recuperar.

Como se nenhuma outra coisa no mundo importasse, Charlie e Bri arrastaram suas cadeiras rapidamente, uma em cada lado, e se reuniram atrás de mim para assistir o vídeo.

— Será que eu não deveria assistir sozinha primeiro? – perguntei.

— Não! – as duas responderam em uníssono.

— Ok, tudo bem. – falei, sem me preocupar muito. Só queria assistir logo e consequentemente o vídeo pareceu demorar mais que o normal para carregar.

A filmagem começava com Theo ligando a câmera, reconheci o fundo do quarto dele e de Seth, que estava bastante iluminado, possivelmente com o Sol da manhã radiante que se passara.

— Olá, meu nome é Theo Mason e eu sou o atual quarterback do time dos Risers. — ele não usava nenhuma camiseta assim como exigido nos critérios e parecia se sentir totalmente à vontade quanto a isso.

— Parabéns. – Charlie comentou, fazendo com que Bri risse.

— Estou aqui hoje para garantir para quem quer que esteja assistindo esse vídeo, que a minha amiga Amy Jenkins é a candidata ideal para fazer parte da Zeta Eta Beta. — Theo continuou falando.

— Quem me dera. – comentei baixinho. Eu e Bri nos entreolhamos, era como se ela tentasse me tranquilizar através disso e, de alguma forma, era reconfortante porque eu sabia que ela me entendia.

— Mas como são inúmeros os motivos que poderiam ser citados nesse vídeo, achei melhor chamar um convidado especial para me auxiliar nessa missão.— Bri e Charlie me encararam, pedindo uma explicação que eu com certeza não fazia ideia de qual seria, também não estava esperado por isso.

— Não me perguntem, não faço ideia do que ele está fazendo. – foi tudo o que pude dizer.

— Seth Tanner!— Theo chamou. – O cara mais rápido da Cadillac!— ele exclamou entusiasmado ao mesmo tempo em que Seth surgia ao seu lado no vídeo. – Entendam como quiserem.— brincou em um tom de voz mais baixo.

— Meu Deus.— Charlie foi a primeira a dizer alguma coisa. Eu estava chocada demais para demonstrar reações em voz alta, minha expressão provavelmente poderia falar por mim.

— Ah meu Deus, cara, você está fazendo tudo errado.— Theo repreendeu Seth. – Eu avisei que você deveria vir sem camisa.— não sabia se aquilo tudo era combinado ou se simplesmente acontecera de forma natural, mas nenhuma de nós três conseguiu segurar a risada com o jeito o qual Theo falava.

— Achei que era brincadeira.— Seth disse esboçando seu típico sorriso no rosto.

— Eu não brinco em serviço.— Theo falou, ainda com a entonação séria, o que tornava tudo ainda mais cômico. – Você precisa tirar.

— É sério mesmo?— Seth quis confirmar mais uma vez.

— Muito sério.— Theo respondeu.

— Tudo bem, sem problemas.— ele disse e em um rápido movimento removeu a camiseta do corpo.

— Parabéns, Amy. – Charlie voltou a comentar.

— Tudo certo, agora podemos começar de verdade.— Theo disse. – Então, Seth, se você pudesse destacar três motivos pelos quais a Amy merece ser iniciada na Zeta Eta Beta, quais seriam eles?— Theo fingiu segurar um microfone invisível e passou o mesmo a Seth para que ele respondesse a pergunta.

— Bom, ainda bem que você pediu só três, porque se fosse para citar todos levaríamos um bom tempo gravando esse vídeo.— foi a primeira coisa que Seth respondeu. – Primeiramente, eu diria que a Amy é uma pessoa extremamente carismática, é ótimo conversar com ela e ela transmite uma energia incrível. — ele era uma pessoa inacreditável por estar sendo tão gentil. — Segundamente, ela é muito esperta e inteligente, não nos conhecemos há muito tempo, mas sei que ela sempre dá um jeito nas coisas.— continuou. — E por último, gostaria de dizer que ela é simplesmente uma das garotas mais fantásticas que eu tive a sorte de conhecer nos últimos tempos, mesmo que inesperadamente, seria um erro terrível não aproveitar a oportunidade de tê-la como membro.— Seth encerrou a fala.

— Uau, isso que eu chamo de um verdadeiro depoimento.— Theo elogiou. – Obrigado, Seth, pela participação na TV do Theo. — ao dizer isso, ele fez um sinal para que Seth saísse de cena. – E aí, ZEB? Vai perder essa oportunidade?— ele disse se aproximando da câmera. — Eu não perderia.— foi a última coisa que Theo disse antes de desligar a câmera.

Embaixo do vídeo, ele ainda havia deixado uma mensagem dizendo: “Foi ele quem pediu para participar”.

— Queria ser uma mosca para ver a reação da Jennifer quando assistir isso. – Bri falou.

— Quem é Jennifer? Se for a presidente da ZEB, acho que ela não existe mais, a Amy vai ser eleita depois desse vídeo. – Charlie brincou.

— Nem sei o que dizer. – falei.

— Não precisa falar nada para nós, acho que tem uma pessoa mais importante no momento que você deveria chamar. – Bri disse.

— Concordo totalmente. – Charlie também disse.

— Acho que vocês tem razão. – eu concordei, procurando a conversa de Seth no meu celular.

“Você não precisa fazer isso, nem sei como te agradecer.” Eu enviei para ele. Segundos depois, meu celular começou a tocar, indicando que ele estava me ligando. Paralisei por um segundo.

— Atende!! – Bri falou.

Sem responder, fiz o que ela pediu. As duas aproveitaram o momento para voltar suas cadeiras ao lugar de antes, ficando em frente a mim.

— Alô?— atendi.

— Boa tarde. – Seth me cumprimentou.

— Não acredito que você fez isso.— eu disse, ainda um pouco perplexa.

— Você poderia ter me pedido. — ele falou.

— Não poderia.— falei. – Eu me sentiria culpada.

— Eu acho que entendo os seus motivos, mas não quero que você se sinta culpada.— Seth disse. — Não fiz nada além de dizer a verdade.— afirmou.

— E tirar a camiseta, porém acho que isso não vem ao caso.— falei. Seth riu do outro lado da ligação. – Obrigada, de verdade.— agradeci. – Não sei o que fazer para retribuir isso.

— Eu tenho uma ideia.— ele falou. – Você pode aceitar o meu convite para comparecer à primeira festa dos Risers hoje à noite, no Mouthe.

— Hoje?— perguntei. – Eu realmente adoraria, mas acabei marcando um compromisso com algumas amigas.— quando me ouviram dizer isso, Bri e Charlie imediatamente começaram a fazer sinais negativos, indicando que eu poderia aceitar o convite de Seth. – Na verdade, esquece, posso ir sim.— corrigi.

— Você pode levar elas, se quiser.— Seth sugeriu. – A entrada é com uma lista, que só pode ser modificada pelos integrantes mais velhos do time.

— No caso você é um deles.— conclui.

— Exatamente. – confirmou.

— Tem certeza que podemos ir?— perguntei.

— Absoluta. – Seth garantiu. – Podem ir umas 21h.

— Combinado. – falei. – Obrigada mais uma vez.

— Nos vemos mais tarde então.— Seth disse.

— Nos vemos mais tarde.— repeti antes de desligarmos. Não consegui disfarçar o sorriso no rosto ao desligar a ligação, as duas riram e me fitaram, esperando informações.

— Vocês se importariam de ir comigo na festa dos Risers hoje à noite? – perguntei sorrindo.

— Isso foi uma pergunta? – Charlie questionou ironicamente.

— Lugar perfeito para planejarmos como desvendar o seu mistério da carta. – Bri disse. Ri do comentário.

— Então tudo certo. – falei.

Depois do almoço, assisti minhas aulas da tarde e Charlie e Bri fizeram o mesmo. Hoje o encontro na ZEB funcionaria de forma individual, então cada uma das candidatas havia recebido um horário particular, o meu seria às 20h. Decidi ir pronta para sair depois, me encontraria com as duas ali mesmo por Motown e então iriamos até o Mouthe.

Cheguei pontualmente no horário marcado e as sêniores já me esperavam junto com Jenn e um outro grupo de meninas, que eu acreditava serem as responsáveis pela criação das tarefas. Jenn e algumas delas também pareciam consideravelmente arrumadas, provavelmente também estariam na festa.

— Então, Amy, muita dificuldade nessa tarefa? – Jenn perguntou, deixando claro seu cinismo.

— Menos do que eu imaginava. – disse firme.

— Então todo o seu surto de ontem foi desnecessário, não é? – preferi não responder a esse comentário, estava começando a me irritar de verdade com as atitudes de Jenn e não sabia porque ela era tão cismada comigo.

A apresentação do vídeo foi um sucesso, todas as meninas pareceram surpresas, porém satisfeitas com meu desempenho. Com exceção de Jenn, é claro. Fui liberada cerca de meia hora depois, quando Vicky chegou para o seu horário. A orientação era para estarmos ali às 17h do dia seguinte, para os resultados finais da Hell Week. Desejei boa sorte para Vicky antes de sair da casa e disse que amanhã poderíamos conversar melhor. Em seguida, me encontrei com Bri e Charlie, pouco me importava se eu fosse ser vista com as duas na festa dos Risers. Imaginava que Jenn fosse implicar com isso, mas quanto mais desagradável ela era, menos eu acreditava em sua moral.

Chegamos no Mouthe perto das 21h30. Um segurança cuidava da porta, me identifiquei como Amy e ele encontrou meu nome em uma lista, onde estava escrito “Amy Jenkins e qualquer amiga que esteja com ela”, sorrimos ao ler aquilo.

O Mouthe estava todo modificado para a festa dos Risers, existiam menos mesas e alguns cantos com sofás e decorações. Uma banda tocava no palco e o local estava bastante cheio, não saberia como encontrar Seth ali, mas esperava que ele soubesse como. Ficamos de pé ao redor de uma mesinha alta e começamos a discutir sobre possíveis planos para solucionar meu problema. Estava começando a me sentir um pouco perdida porque Charlie e Bri pareciam estar pensando muito além do que eu podia me permitir, minhas ideias envolviam conversar com pessoas e as delas coisas como chantagens e ameaças emocionais.

— Talvez pudéssemos conversar com o diretor. – eu sugeri, ingenuamente.

— Amy, deixa que a gente planeja. – Charlie me cortou.

— Mas estamos falando sobre a minha vida. – contestei.

— Não importa, não se preocupa, iremos bolar algo inteligente. – ela garantiu. – E agora você tem coisas melhores para fazer. – disse. A pergunta de o que já estava na ponta língua, porém fui indelicadamente empurrada por Charlie para o lado e tudo indicava que iria cair ou esbarrar em alguém, porém fui impedida de isso acontecer por braços extremamente familiares, que me apoiaram.

— Uou, você está bem? – Seth perguntou enquanto eu me endireitava após minha quase queda.

— Desculpa por isso. – Charlie pediu.

— Obrigada. – eu disse séria para ela.

— Seth, você deveria levar ela para dançar. – Charlie sugeriu. Olhei séria para Bri, pedindo socorro. Seth riu e aproveitou para segurar minha mão e conduzir meu corpo em um rápido giro.

— Não entendo muito disso, mas poderia tentar. – ele falou, ainda em tom divertido.

— Não precisamos. – garanti, sorrindo com a tentativa dele. – Podemos guardar essa ideia para outro dia. – brinquei. – Já tive uma semana de bastantes novas aventuras. – falei.

— Eu adoraria ouvir sobre isso. – Seth disse, também erguendo um sorriso nos lábios.

Depois desse pequeno diálogo, resolvemos ir até um dos cantos com sofás que estavam vazios, onde seria mais fácil conversarmos. Entretanto, deixei claro para Charlie e Bri que iria voltar e que nenhuma decisão seria tomada sem mim.

Durante o resto da semana, era como se eu tivesse sentido uma pressão enorme para conversar com Seth, mas de repente, tudo isso havia desaparecido. Mesmo com toda a agitação ao nosso redor, ele conseguia transmitir a mesma tranquilidade da noite que havíamos passado no estádio vazio e silencioso.

Pude contar para ele um pouco do que havia sido a minha Hell Week e compartilhar um pouco da ótima sensação que era saber que o fim dela se aproximava. Seth também contou algumas histórias e explicou que todo ano aquela festa do time era realizada na sexta-feira da Hell Week, porque nenhuma fraternidade ou irmandade sediava eventos nesse dia e também para comemorar os novos membros aprovados no time. Era extremamente fácil conversar com Seth, os assuntos simplesmente fluíam e o fato de ele parecer interessado em tudo que eu falava tornava o momento ainda mais agradável.

— Obrigada mais uma vez pelas coisas que você disse no vídeo. – voltei a agradecer quando os assuntos se acalmaram.

— Não precisa me agradecer por dizer a verdade. – Seth disse, olhando diretamente para mim. Estávamos muito próximos, primeiro porque não havia espaço para uma terceira pessoa no sofá que havíamos encontrado, e segundo porque era necessário para manter uma conversa em um local barulhento.

— Preciso, você não tinha nenhuma obrigação. – lembrei. O rosto dele estava perfeitamente inclinado sobre o meu, Seth aproveitou o momento para posicionar sua mão direita sob meu queixo, servindo de apoio. Fechei os olhos assim que ele começou a se aproximar, mas ele apenas depositou um beijo no canto da minha boca.

— Suas amigas estão olhando. – Seth alertou. – Você se importa? – ele perguntou. Olhei para o lado, na direção da mesa em que estávamos antes e fiz um sinal para que elas parassem com aquilo, o que não serviu para nada.

— Elas provavelmente estão esperando um beijo de cinema ou algo do tipo. – brinquei, rindo rapidamente. – De qualquer forma, acho que consigo ignora-las nesse momento. – ele também riu dos comentários.

— Imagino que você deva entender mais disso do que eu, mas acho que não me sairia mal. – Seth disse. Inicialmente, não compreendi o que ele quis dizer com o comentário, entretanto, logo em seguida, ele usou a mão que antes estava posicionada sob meu queixo para trazer minhas pernas para um pouco acima de sua coxa. Com o braço esquerdo, Seth apoiou a mão em minhas costas e delicadamente inclinou meu corpo para trás. Sorri ao ver o que ele estava tentando fazer e entrelacei meus braços sobre seus ombros, apoiando as mãos levemente em seu pescoço.

— Eu não teria tanta certeza de que sou a grande entendedora por aqui. – falei. Seth sorriu com o comentário e, dessa vez, verdadeiramente se aproximou de meus lábios.

Senti meu coração acelerar com a mesma intensidade da primeira vez. Ao mesmo tempo em que Seth transmitia tranquilidade nos seus movimentos, ele era preciso, o que gerava uma sensação inexplicável. Já não escutava mais qualquer que fosse a vida fora daquele momento, mais uma vez ele era a única pessoa que conseguia me desviar de todas as coisas. As mãos dele percorriam minhas costas, causando leves arrepios e fazendo com que minhas unhas arranhassem levemente o seu pescoço. Eu não reclamaria se tivéssemos que passar o resto da noite daquele jeito, mas infelizmente fomos interrompidos por um vulto agachado em nossa frente.

— Acho que eu mereço um muito obrigado. – cortamos o beijo ao ouvirmos a voz de Theo.

— Por que muito obrigado? – Seth perguntou rindo.

— Porque fui eu que saquei que a Amy se importava com você quando ela falou sobre o vídeo, e também fui eu que saquei que você se importava com ela depois do dia da bolada. – Theo estava nitidamente muito alterado, mas ele parecia feliz de verdade ao nos ver juntos.

— Theo, essa não é a primeira vez que estamos juntos. – Seth contou. Foi inevitável não rir ao ver a reação dele, como se tivessem desconsiderado sua grande descoberta.

— Tá, não tem problema. – Theo disse. – Dizem que a segunda vez é sempre melhor.

— Não, dizem que a primeira vez é sempre melhor. – Seth disse rindo novamente.

— Eu diria que empata. – brinquei. Seth riu do comentário e me deu um beijo no rosto em seguida.

— Não tenho como discordar. – ele falou, me envolvendo com seu braço esquerdo.

Aproveitando a invasão de Theo, Charlie e Bri também surgiram de repente, reclamaria da situação se ela não fosse tão cômica.

— Não queríamos interromper, mas já que ele fez isso primeiro decidimos aproveitar a oportunidade. – Bri disse, referindo-se a Theo.

— Achamos a solução perfeita, porém precisamos da sua aprovação antes de prosseguir com os planos. – Charlie anunciou. – Eles são confiáveis?

— Sim. – garanti. Bri lançou um olhar suspeito ao Theo, desconfiando dele de certa forma. – Theo não vai se lembrar disso amanhã. – tentei tranquiliza-las.

— Ok, então se prepare. – Bri avisou. – Nós iremos invadir a sala da Dianne.

— Você está brincando, né? – perguntei.

— Nem um pouco. – ela respondeu. E sua expressão era séria.

Não somente séria, como totalmente determinada.