Legacy
22 Capítulo 22 - "Settle down with me"
Notas iniciais
— Sair daqui? – perguntei de imediato, esperando que ele aprofundasse melhor aquela ideia. – Não sei se essa seria uma boa solução, posso não ter forças suficientes para sair daqui. – confessei com um leve tom de brincadeira, que era acompanhado de fatos reais. – Talvez um forte copo de café ajudasse.
— Coincidentemente, temos uma máquina de café lá em cima. – Seth disse sorridente. – Mas, julgando pela expressão no seu rosto e sem querer ofender de maneira alguma, diria que talvez um copo médio de caramel macchiato seria muito mais reconfortante e animador do que uma simples dose de café preto.
— Vocês têm coisas assim elaboradas na máquina? – perguntei, retribuindo o sorriso de animação.
— Não, só café preto mesmo. – Seth falou. – Por isso sugeri sairmos daqui, o Rise fica aberto durante a madrugada nos finais de semana. – contou. – E você não parece estar curtindo muito essa festa.
— Agora tudo soa como uma ótima ideia. – falei, feliz com a sugestão. – Mas não é ruim você sair da festa da sua fraternidade?
— Não sou muito fã da primeira festa do ano. – ele admitiu. – É mais uma coisa para garantir que a Alpha Xi e a Zeta Eta Beta vão continuar lado a lado durante o novo período de aulas. – falou. – E se você está aqui, provavelmente significa que vai iniciar na Zeta Eta Beta. – Seth concluiu. – Não seria ruim sair também? – perguntou. – Apesar de eu não ver isso como problema algum, sei que a ZEB tem certas implicâncias.
— Não fui orientada sobre nada em relação a isso, só sei que precisamos estar na casa da ZEB amanhã às 10 horas em ponto. – respondi, sem nenhuma animação ao lembrar disso. Porém, minha infelicidade em ser obrigada a estar ali não deveria ser descontada em Seth. – E, no momento, eu realmente não me importo muito com isso. – só não deixei claro que totalmente não ligava para aquilo porque ingressar naquela irmandade era necessário por inúmeros motivos. – Vamos? – perguntei esboçando um sorriso nos lábios e desencostando da parede.
O caminho de Motown até o Rise levava cerca de 10 minutos de acordo com Seth, já que o café se situava no centro da universidade. Ele disse que, se eu preferisse, poderíamos ir de carro, mas aceitei a caminhada. Quase me arrependi alguns minutos depois, quando lembrei que já era mais noite do que quando havíamos chego na festa. O arrependimento não se dava por achar a situação perigosa ou algo do tipo, ainda não estava tão tarde e era praticamente impossível se sentir insegura ao lado de Seth, levando-se em conta tudo o que ele havia feito para garantir que eu estivesse bem alguns dias atrás. O problema era que, com o fim do verão, as noites começavam a ser mais frias, principalmente para quem vivia no norte do país, e eu havia sido totalmente imprudente ao não lembrar disso quando deixei meu dormitório no final da tarde sem um casaco.
— Está com frio? – Seth perguntou percebendo que eu esfregava meus próprios braços em forma de abraço. Imediatamente ele tirou sua jaqueta de couro e colocou-a por cima de mim, lembrando que minha preocupação deveria ser mínima devido ao fato de eu estar sendo acompanhada por um cara extremamente gentil e cavalheiro.
— Não precisa fazer isso. – falei, dirigindo o olhar a ele. – Essa camisa parece fina, desse jeito quem vai ficar com frio é você.
— Não se preocupa comigo. – Seth falou. – Treinando semanalmente por muito tempo posso dizer que adquiri forte imunidade ao frio. – ele contou. – E mesmo se eu não tivesse, teria feito a mesma coisa. – ergui um leve sorriso ao ouvir as palavras dele.
— Obrigada, então. – agradeci enquanto continuávamos caminhando. Já podia avistar o Rise mais adiante.
A quantidade de pessoas frequentando o local àquela hora era maior do que eu imaginara, mas consideravelmente menor do que durante o dia. Antes de escolhermos uma mesa, fomos direto ao balcão fazer os pedidos.
— Caramel Macchiato mesmo? – Seth perguntou, virando o rosto em minha direção ao mesmo tempo em que apoiava os braços cruzados sobre a plataforma.
— Com certeza. – confirmei. – Mas, só uma dúvida, como você sabe que é o meu preferido?
— Eu não sabia. – não era essa a resposta que eu esperava. Nós dois nos entreolhamos com expressões intrigadas, sem entender o que estava acontecendo. – É o meu.
— Ok, essas coincidências estão começando a ficar estranhas. – disse em tom de brincadeira. – Primeiro somos fanáticos por tirinhas de peixe, agora gostamos do mesmo café.
— Tenho que admitir que essa do café também me assustou um pouco. – Seth concordou soltando uma leve risada.
Em seguida, uma mulher nos atendeu e em menos de cinco minutos estávamos com nossos pedidos na mão. Escolhemos uma mesa e sentamos um em cada lado, até perceber que tudo aquilo estava entediante, o que demorou apenas alguns segundos.
— Sei que já sugeri isso hoje, mas o que acha de sairmos daqui? – Seth perguntou.
— Imagino que seria uma boa ideia, só não sei para onde iriamos dessa vez. – falei.
— Você é nossa guia hoje, pode escolher qualquer lugar que aparente ser capaz de combater o seu tédio. – ele disse.
— Não conheço tanto daqui, posso acabar escolhendo algum lugar que não seja permitido sem querer. – repliquei.
— Hoje qualquer lugar está permitido, desde que salve sua noite. – Seth declarou, com um sorriso divertido no rosto. Eu quase não conseguia compreender como ele conseguia me tratar tão gentilmente e, ainda assim, manter sempre a graça da conversa. – Pode ser o quão criativa quiser.
— Já sei. – eu disse. – Por que você não me leva até o seu lugar preferido da universidade? – sugeri.
— Meu lugar preferido? – ele questionou. – Não sei se você acharia tão emocionante.
— Tenho certeza que acharia. – afirmei. – E além do mais, é a sua vez de me contar alguma história interessante, sinto que só eu falei sobre a minha vida. – disse. Seth havia comentado sobre alguns pontos de sua rotina na última vez que havíamos nos visto, mas por sabe se lá qual motivo eu acabara entrando em maiores detalhes ao falar sobre a minha confusão diária desde que estava na Cadillac. Talvez eu simplesmente tivesse enxergado em Seth uma pessoa confiável que não tinha relação direta com qualquer problema acumulado desde minha chegada, acrescentado ao fato de que era extremamente fácil conversar com ele.
Seth concordou com a ideia de irmos até o seu local preferido da universidade, o qual ele preferiu não revelar. Durante o caminho, nossos cafés foram úteis para ajudar a ignorar o frio daquela noite de fim de verão. Continuamos conversando sobre assuntos comuns, ele prometeu que falaria mais de sua vida assim que chegássemos ao destino combinado. O campus, longe de Motown, estava consideravelmente vazio. Mesmo assim, no meio da trajetória, fomos interrompidos por alguns garotos que reconheceram Seth do time de futebol, eles pediram para que eu tirasse uma foto, o que foi bastante engraçado. Eu sabia que Seth era uma espécie de celebridade dentro da universidade, mas isso parecia novidade para mim ao presenciar de perto.
— Muito obrigado, cara! – um deles agradeceu ao mesmo tempo em que eu devolvia o celular. – E desculpa por atrapalhar a noite com a sua namorada. – disse, dirigindo o olhar rapidamente a Seth e depois a mim. Nós dois rimos.
— Ela não é minh... – Seth começou a frase, mas os garotos já estavam correndo para longe quando ela mal chegara na metade. Ele olhou para mim, como alguém que pedia desculpas por não ter cumprido algo, mesmo tentando ao máximo.
— Não me olha assim. – falei, disfarçando um leve tom de repreensão e me aproximando dele. – Se você acha que o nosso relacionamento está atrapalhando sua carreira célebre, é melhor me avisar agora enquanto há tempo, Seth Tanner. – brinquei em um falso tom dramático, que os muitos anos de teatro me possibilitavam aplicar com naturalidade. Estávamos próximos um do outro, e, por alguns segundos, ficamos apenas nos encarando até que, quase em uma sincronia perfeita, caímos na risada novamente.
— Você é realmente muito boa nisso. – Seth elogiou, cessando a risada com um sorriso. – E se me permite finalizar a cena, preciso dizer que não teria como você ser um problema. – nesse momento, já havíamos voltado a caminhar, para minha sorte, pois não saberia como responder aquele comentário. Um sorriso inevitável se formou em meus lábios. – É que não é a primeira vez que uma situação como essa acontece, só não quero que se torne desconfortável.
— Não precisa se preocupar com isso. – garanti. – Sei como as pessoas são.
— Isso é ótimo. – ele disse demonstrando verdadeiro alívio. – Mesmo que tenhamos nos conhecido da forma mais inesperada possível, eu me consideraria um desastre se em menos de uma semana já estragasse esse pequeno convívio. – ri do comentário, que era ao mesmo tempo fofo e engraçado.
Nos conhecíamos apenas há uma semana, isso era um bom lembrete. Nem entendia muito bem como havíamos nos conectado daquela forma tão rápida, mas eu simplesmente acreditava que aquilo estava sendo muito bom. Meu único receio era somente até que ponto eu poderia me sentir atraída por Seth. Éramos simplesmente duas pessoas que, a princípio, se davam muito bem e tinham muito a ser compartilhado, só não sabia em quais sentidos ele poderia enxergar isso. Talvez nem fosse nada demais, talvez fossem somente os olhos verde, o jeito com que o corte de cabelo encaixava perfeitamente em seu rosto, a voz suave e a personalidade completamente gentil, divertida e agradável.
Mesmo no escuro, quando chegamos em certo ponto do caminho, avistei o imenso estádio Saint Clair metros de distância à nossa frente. Ao enxerga-lo, tive certeza de que era para lá que estávamos indo.
— Não acredito que não adivinhei aonde estávamos indo. – falei, conforme nos aproximávamos cada vez mais do local.
— Calma, Amy. – Seth disse. – Ainda não chegamos. – afirmou, mais uma vez formando um sorriso divertido nos lábios, o qual eu ainda não sabia interpretar, mas que certamente me intrigara todas as vezes. Já estávamos ao redor do estádio, dando a volta no mesmo, não sabia qual poderia ser o destino final, até Seth parar em frente a uma porta, no lado oposto onde ficavam os portões principais. Rapidamente colocando a mão no bolso dianteiro da calça, ele retirou um par de chaves e usou uma delas para abrir a porta. – Você primeiro. – falou, fazendo um gesto com o braço para que eu fosse na frente e acionando o interruptor na parede para iluminar o local.
— Como sei que estou entrando em um lugar seguro? – perguntei, arqueando as sobrancelhas e dirigindo o olhar a ele.
— Não é seguro, no final do corredor você encontrará a entrada para uma arena cheia de monstros. – Seth brincou, mantendo o sorriso nos lábios.
— Se em monstros não estiverem inclusas aranhas, por mim tudo certo. – eu disse e nós dois rimos.
— Bom saber que você tem medo de aranhas. – ao dizer isso, cuidadosamente Seth passou por mim e adentrou o corredor após a porta. – Será que você, Amy Jenkins, aracnofóbica declarada, se sentiria mais segurada sendo guiada por mim nesse corredor misterioso? – Seth estendeu a mão, convidando-me da forma mais gentil e educada possível para acompanha-lo. Sorri com o gesto, e, sem hesitar, segurei sua mão esquerda com a minha direita.
Uma das primeiras coisas que Seth me contara sobre ele, no dia em que saímos juntos após a consulta de Charlie, era o fato de ele ser canhoto. Não que isso importasse, mas ao ver a mão que ele imediatamente estendera, lembrei deste fato. Entrelacei nossos dedos de leve, o suficiente para que eu pudesse deixa-lo me guiar pelo corredor. Curiosamente, era novidade sentir o toque de mãos de Seth, por mais que já tivesse sentido seus braços e compartilhado de momentos em que ficamos ainda mais próximos, aquele simples encostar de mãos era desconhecido até o momento.
Não demorou para que atravessássemos o corredor, que era espaçoso o suficiente para que pudéssemos caminhar ao lado um do outro. No final, encontrava-se uma escada de mesma largura, direcionada para baixo, que nos levou a um corredor maior do que o primeiro. A partir daí, existia uma direção para cada lado e pude contar algumas portas sob nossa visão. Seth nos levou até uma situada um pouco mais a direita e usou a chave restante para abrir a porta.
— Seja muito bem-vinda ao recinto de maior tensão, alegrias e emoções que conheci durante meus anos aqui. – Seth falou ao mesmo tempo em que acendia as luzes. – Entretanto, devo informar que esse ainda não é nosso destino final.
— Agora estou começando a ficar extremamente curiosa. – admiti, enquanto entravamos dentro da sala. Mesmo não sabendo, ou entendendo, muito sobre futebol, era totalmente óbvio onde estávamos; no vestiário dos Risers. O local era consideravelmente grande e confortável, de um lado tinham alguns gabinetes livres e do outro personalizados, com o nome e número de alguns jogadores e banners das costas de suas camisas. Um desses continha “Tanner #07”, esse era o de Seth, com seu sobrenome.
— O que você achou? – Seth perguntou ao ver que eu observava ao meu redor.
— Fantástico. – respondi sorridente. Avistei ainda pequenos pufes e também alguns mini-frigobares. Realmente, parecia muito divertido fazer parte de tudo aquilo. – Eu adorei esse ambiente, não sei bem o porquê.
— Eu diria que transmite uma boa energia. – concluiu.
— Só tenho uma pergunta: o quão embaixo da terra teremos que ir para chegar no seu lugar preferido da Cadillac? – perguntei em tom de brincadeira, fazendo com que novamente caíssemos na risada.
— Na verdade, agora voltaremos para a superfície. – ele anunciou, apontando em linha reta, para outra porta no final do corredor. Essa possuía duas aberturas e levava diretamente a uma escada, dessa vez direcionada para cima.
Seguimos o caminho e subimos os degraus, aos poucos senti o frio da noite me atingir novamente e, quando chegamos ao topo, me deparei com algo inesperado: estávamos dentro do campo. Sem perceber, me desvencilhei da mão de Seth e fui em direção ao meio, para poder desfrutar de toda a visão. Nunca havia estado em um estádio daquele tamanho, o da escola nem sequer podia ser comparado àquele, e minha cidade natal não possuía um time de futebol. Não precisava entender do esporte para sentir a emoção daquelas imensas arquibancadas todas voltadas e encarando uma única coisa.
— Seth, isso é incrível! – exclamei, entusiasmada.
— Fico feliz que tenha gostado. – ele disse se aproximando, com um novo sorriso estampado nos lábios.
— Eu nunca estive em um estádio tão grande, muito menos dentro do campo. – contei.
— Então você está oficialmente convidada para comparecer aos jogos da temporada. – Seth disse. – Juro que isso aqui é ainda mais incrível quando está lotado.
— Eu consigo imaginar. – falei, ainda admirada. – Então esse é o seu lugar preferido? – perguntei.
— Teoricamente sim, mas eu ainda seria mais específico do que isso. – respondeu.
— Bom, você já sabe que sou curiosa, então estou aguardando uma explicação para essa sua especificidade. – eu disse, ficando ao lado de Seth e segurando sua mão novamente, como se o autorizasse a me levar aonde quer que fosse. Ele manteve o sorriso nos lábios, o que não ajudava nem um pouco na minha tentativa de tentar não me sentir totalmente atraída por ele. Meu subconsciente provavelmente já havia desisto há muito tempo.
Andamos em direção diagonal e esquerda dentro do campo. Fui contando as jardas que ultrapassávamos pelo chão, não era difícil ler os números escritos em tamanho gigante: 50, 40, 30, 20, até finalmente pararmos na linha do 10.
— É aqui. – Seth disse, parando o passo. – Linha de 10 jardas à esquerda, meu lugar preferido.
— Uau, Tanner! – exclamei, impressionada. – Parece que eu estava enganada então, não teria como imaginar o seu lugar preferido no campus. – admiti. — Mas por que especificamente aqui?
— Foi passando por essa linha que marquei os touchdowns mais importantes da minha vida. – ele contou. – Ainda na época da escola eu tive meus momentos passando por esse mesmo ponto, mas principalmente aqui, nesse estádio, essa linha é muito especial.
— Não consigo imaginar como deve ser anotar um touchdown, mas já fico feliz em saber no quanto significa para você. – falei com sinceridade, podia sentir o mesmo sentimento nas palavras de Seth.
— Se já estamos aqui e você afirma desconhecer a emoção de anotar um touchdown, não acho justo sairmos sem que isso se reverta. – Seth disse, adicionando novamente uma expressão de divertimento em seu rosto. – Sim, é um desafio. – ele me encarou diretamente nos olhos ao pronunciar as palavras.
— Eu não recuso desafios. – falei com firmeza, retribuindo o olhar. – Só não sei como isso seria possível, se não temos uma bola e muito menos um time.
— Nós dois somos o suficiente. – garantiu. – E quanto a bola, me dê dois minutos. – ele pediu, já soltando minha mão e correndo em direção ao vestiário. Nesse momento, percebi o quão rápido Seth era, fazia jus a sua função no time, pelo menos até onde eu entendia.
Quando ele voltou, tive uma breve aula sobre a posição de runningback no futebol americano. Na verdade, estávamos apenas nos divertindo. Seth me mostrava tudo em forma de brincadeira, mas, de algum modo, eu acabei captando diversas informações sobre o jogo, era muito mais fácil do que aparentava.
Arremessamos, corremos, marcamos pontos e vibramos como se fosse uma partida de verdade, tudo de forma leve é claro. Me sentia isolada do mundo dentro daquele estádio praticamente vazio, se não fosse pela nossa presença, e essa sensação no momento era maravilhosa. Não lembrava mais do cansaço, nem do tempo que passava.
— E agora? Sentiu a emoção de marcar um touchdown? – Seth perguntou enquanto voltava a se aproximar de mim.
— Eu diria que sim! – disse sorridente, ele ainda estava um pouco distante e parou de se movimentar por um instante.
— Mas nem tudo são flores, Amy. – falou em um tom brincalhão. – Às vezes o runningback não consegue chegar até a linha final.
— Ah, é? – perguntei, um pouco sem entender.
— A defesa geralmente é muito forte, o que dificulta tudo. – ele esclareceu.
— Aposto que eu não seria derrotada pela defesa. – eu disse em tom desafiador. Seth me encarou da mesma forma e logo em seguida correu em minha direção, erguendo-me do chão com seus braços, assim como os jogadores faziam no jogo, tirando o fato de que Seth realizava a ação de maneira cautelosa. Prendi meus próprios braços ao redor dos ombros dele, ao mesmo tempo em que ele me girava e riamos juntos.
— Eu diria que a essa altura do jogo, você estaria sendo derrotada. – Seth disse, ainda rindo. – O problema é que, no futebol americano, a jogada só acaba quando a bola encosta no chão. – sem nem me dar tempo para pensar em algo para revidar o comentário, Seth rapidamente levou nossos corpos para o chão, do modo mais cuidadoso possível, garantindo que ninguém se machucasse e fazendo com que eu nem sequer sentisse aquela, teoricamente, queda. – Fim do jogo, Amy. – ele falou por fim, enquanto eu me ajeitava sentada ao seu lado na grama, ainda rindo. Dessa vez, meio sem querer querendo, estávamos realmente muito próximos, mais do que em qualquer outro momento. Seth olhava diretamente em meus olhos e eu nos dele, mil pensamentos voavam por minha cabeça, mas era difícil prestar atenção neles com aquele profundo par de olhos verdes me encarando. Como se soubesse de toda aquela confusão de sentimentos, Seth ergueu um sorriso nos lábios. Mesmo sendo mais alto do que eu, a distância em que nos encontrávamos parecia ser perfeitamente planejada para ser vencida a qualquer momento. Gentilmente, Seth usou sua mão esquerda para colocar uma mecha de cabelo minha por trás da orelha, ao mesmo tempo em que aproximou-se ainda mais de meu rosto, e, consequentemente, de meus lábios.
— Não vou fazer nada que você não queria. – ele prometeu, sem desviar o olhar. A imensidão daquele estádio vazio, o frio da noite e os infinitos pensamentos sobre motivos que poderiam me levar a não prosseguir com aquilo, pareciam estar todos extremamente distantes de repente. Eu só enxergava os olhos de Seth, e só escutava sua voz suave, quase como um sussurro com aquela proximidade. Ignorando tudo que pudesse me contrariar, fechei os olhos e permiti então que ele finalmente acabasse com a distância restante entre nossos lábios.
Se eu pudesse traduzir uma pessoa na forma de um beijo, essa seria Seth Tanner. Do mesmo modo como agia, da mesma maneira com que sua voz soava de forma agradável, seus lábios traziam um conforto que eu jamais sentira em minha vida. Os movimentos eram desapressados, como se tivéssemos todo o tempo do mundo e nada com o que se preocupar. A mão de Seth permaneceu posicionada em meu queixo, o que foi útil para que nos aproximássemos ainda mais. Cruzei meus braços sobre seus ombros e aos poucos as mãos dele foram deslizando lentamente pelas minhas costas, até chegarem em minha cintura, onde permaneceram. Incrivelmente, de alguma forma desconhecida, todos os pensamentos evaporaram. Prendi minhas mãos por trás de seu pescoço, garantindo nossa proximidade conforme os movimentos se intensificavam, como se estivéssemos tentando explorar ao máximo daquela novidade, mas sem estragar toda a surpresa de uma única vez. Meu coração acelerava com a suavidade dos lábios de Seth e a sensação de suas mãos sobre meu corpo. Não tinha a mínima noção do tempo que se passava, só lembrei do fato de estarmos no mundo real quando pude prestar atenção em nossas respirações consideravelmente ofegantes. Mordi levemente o lábio inferior de Seth antes de enfim nos desvencilharmos, em seguida abrindo os olhos, para mais uma vez encontrar os dele.
— Só porque você me salvou. – brinquei após alguns segundos em silêncio. Seth sorriu.
— Seria muito insensível dizer que me sinto extremamente sortudo por meu amigo ter te atingido com uma bola de futebol na cabeça? – ele perguntou no mesmo tom, fazendo com que eu risse.
— Dizem que nada é por acaso. – falei, substituindo a risada por um sorriso. Ainda com seu próprio sorriso estampado, Seth passou o braço em volta de meu ombro, e, quase como se fosse combinado, acabamos deitando na grama. O céu tinha bastantes estrelas naquela noite. – Queria não ter que sair desse estádio tão cedo. – confessei.
— Podemos ficar aqui o tempo que você quiser. – ele disse. Mesmo sabendo que não poderíamos de verdade, eu acreditei nas palavras, aproveitando para me aconchegar melhor em seus braços. Seth apertou o abraço, transmitindo toda a segurança do mundo. Fechei os olhos e me permiti esquecer de todas as confusões novamente, estava protegida ali.
Mas amanhã eu não estaria.
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