Legacies-Segredo revelado
5 Senhorita Forbes
P.O.V. Klaus.
É estranho ouvir os alunos chamando a Caroline, de Senhorita Forbes.
Ela parece diferente, mas igual ao mesmo tempo. Mesmo com aquele terninho ela ainda é a mesma Caroline sorridente, otimista e com um coração do tamanho do sol.
P.O.V. Jean.
Quando eu ouvi aquilo, eu dei um sorriso. A Senhorita Forbes tem que ser beatificada.
—Posso me sentar?
—Pode.
—Posso saber porque está sorrindo?
—Porque a Senhorita Forbes é uma santa. Ela tem que ser beatificada.
—Por qual razão?
—Ela conseguiu fazer em alguns anos, o que você nunca conseguiu fazer em séculos. Ela domou a fera. E nem mesmo aquela psicóloga, aquela Camille conseguiu fazer ele esquecer dela.
—Porque você salvou Niklaus da Hollow?
—A coisa precisava ser destruída. A qualquer custo. O problema de vocês, os Mikaelsons mais antigos é que vocês nunca pensam nas consequências dos seus atos. Fazem primeiro e pensam depois. É sempre culpa de outro alguém, mas não de vocês, nunca de vocês. Vocês sozinhos se bastam, só que não.
—O que quer dizer?
—Você não tem um amigo nesse mundo, ninguém gosta de você. Por favor, se eu estiver errada me corrija. Vocês se acham auto-suficientes, mas se não fosse a Davina e a magia dela, eu não estaria aqui e nem a Hope, você a usou, a enganou, a sacrificou, fez o que queria. Não pensou que isso magoaria o tio Kol e o Marcel, não pensou na dor que ela sentiria, não pensou que talvez houvesse outra saída. E quando o Marcel ficou magoado e com raiva, você o matou e o deixou pra apodrecer. O único amigo que você tinha, que já teve, você traiu. A sua desculpa é eu não tenho escolha ou eu não tive escolha, mas você tem sim. Todos temos. Você tem escolha sim, tem escolha e tá escolhendo errado!
—De que forma?
—Tá fazendo isso a tanto tempo que nem percebe mais o que está fazendo. Talvez isso refresque a sua memória. Oh, mas eles estavam certos sobre vocês. É. Aurora, Tristan, Lucian... todo mundo que não é sua família, não é nada pra vocês.
—Marcel nos disse isso no bar.
—Sim. Ele disse e estava certo. Mikaelson retribui lealdade com sangue, morte e ingratidão. E é por isso que vocês nunca dão certo em lugar nenhum, por isso que o número de inimigos cresce a cada segundo.
—Você parece mesmo ser onisciente.
—Eu sou. Posso ver as coisas que aconteceram no passado, posso ver as coisas acontecendo agora e posso ver as coisas que ainda não aconteceram.
—Então sabia sobre esse momento.
—Eu sou vidente, não profetiza. As minhas visões são subjetivas, quer dizer... o futuro sempre pode mudar.
—Como assim?
—Eu vejo o caminho das pessoas enquanto elas estão nele, se a pessoa muda de ideia, a visão muda.
—É um dom interessante.
—Minha mãe sempre me dizia que eu peguei as coisas boas dos dois lados da família. Eu tenho todos os dons de todos os meus parentes Cullens, todos os dons que a minha mãe clonou e a sua habilidade de clonar os dons dos outros, mas eu tenho algo que ela não tem. O meu sangue pode curar até a mais grave das doenças. E como a minha prima, posso criar híbridos.
—Como?
—E eu que sei? O maluco me sequestrou, tirou meu sangue com uma agulha, injetou no cara e quebrou o pescoço dele. E quando ele viveu de novo, ele me cortou com uma faca e o cara bebeu meu sangue e virou um híbrido que nem o tio Klaus. A minha mãe acha que é porque eu sou meio Mikaelson, meio Petrova.
—E você é a última de ambas as linhagens.
—Não. Mikaelson pode até ser, mas Petrova não. Elena e o tio Stefan casaram tiveram uma filha. Loren Salvatore. E o tio Damon bebeu a cura hoje, agorinha. Não faz nem dez minutos.
—Mas, Rebekah...
—Ela vai ter que esperar ou eu posso fazer uma dose pra ela.
—Você?
—Vantagens da onisciência. Lembra que eu disse que vi as coisas que aconteceram no passado? Eu vi a Qetsiyah fazer a cura e o feitiço da âncora. Em minha defesa, eu não sabia que éramos parentes e eu tava usando a lógica.
—O que?
—O tio Klaus. Ele é que a âncora agora.
—Isso explica os seus ataques de insanidade.
—Ele não tá falando sozinho se é o que quer saber. Está falando com os seres sobrenaturais mortos que andam por ai, imagino que seja confuso. Quando a conheci, Amara já não podia mais dizer a diferença entre os vivos ou os mortos. E como âncora para o outro lado ela não podia ver apenas alguns poucos, ela podia ver tudo, todos eles.
—Interessante.
—A âncora tem um pé de cada lado ou algo assim, ela existe em dois lugares simultaneamente aqui e do outro lado.
—O que quer dizer?
—Quer dizer que a âncora pode ver os seres sobrenaturais mortos e fazer contato físico com eles. Contato físico real.
Ela pegou minha mão.
—Ta sentindo eu tocar em você?
—Sim. É claro.
—Como a âncora, o tio Klaus sente quando os fantasmas tocam nele. Do mesmo jeito que você está sentindo eu pegar na sua mão.
—E quando ás dores?
—Dores? Ninguém me falou nada sobre dores. Eu só sei que pra manter o outro lado no lugar e salvar a Amara, eu precisava de algo pra ancorar o feitiço, algo que pudesse durar pra sempre. Então, eu arrumei um talismã que representava o Klaus e eu fiz o feitiço. Eu transformei o híbrido que massacrou a minha família numa cabine de pedágio entre o nosso lado e o outro lado dando-lhe o poder de interagir com o nosso mundo físico e com o purgatório sobrenatural. Eu não sei porque a Katherine quis nos ajudar, mas ela ajudou.
—O que Katerina tem a ver com isso?
—Eu precisava de uma fonte. Precisei de uma enorme quantidade de energia mística pra fazer o feitiço e a lua não estava cheia, não passaria um cometa descente por mais alguns bilhões de anos, mas eu tinha uma tia em casa que estava preocupada com a melhor amiga morta, uma mãe e uma imortal suicida!
—Duplicatas. Você usou as duplicatas.
—Sim. Elas são místicas, poderosas e ocorrem naturalmente. Eu fiquei confusa quando a Katherine quis ajudar, mas como era o que eu precisava eu não questionei.
—E quanto a Qetsyiah?
—Eu drenei os poderes dela, roubei ele pra mim. Dai ela foi brutalmente torturada, assassinada e jogada numa cova rasa. Então sinto muito, mas ela tá fora de alcance.
—Torturada e assassinada?
—Ela trancou ele numa tumba por dois mil anos, fez ele acreditar que o amor da sua vida tava morto e armou pra cima dele. São bons motivos para se ter raiva. Amara e Silas torturaram ela das formas mais hediondas e depois, ele atravessou um atiçador de lareira no peito dela. E como ela não era nada mais do que um ser humano não sobrenatural ela foi embora. Atravessou direto.
Estávamos conversando, acho que Niklaus ouviu a conversa.
—Você. Você fez isso comigo!
—Te transformar na âncora? Foi.
—Sabia que Katerina me contou um segredo.
—E eu com isso?
—Ela foi a minha primeira. A primeira que eu vi. Fiquei feliz em vê-la, mas não compreendi de onde ela havia saído, como havia entrado na casa. Então ela olhou bem no fundo dos meus olhos e disse: Você é a âncora agora. Perguntei a ela de onde ela havia saído, como havia entrado na casa e sua resposta não podia ter me pegado mais de surpresa. Ela disse, eu estou morta e quando eu passar por você, você vai sentir a minha morte bastardo miserável, você vai sentir cada morte, todo ser sobrenatural que passar para o outro lado, vai passar por você. Fico feliz em dizer que isso vai doer demais.
—Mas, foi isso o que você deu. Foi tudo o que você deu pra todos á sua volta por mil anos. Dor. Ódio. Vingança.
—Ela está...
—Cala a boca! Você não tem moral pra falar. Você não é, melhor que ele.
—Eu fiz o feitiço usando a lógica. Precisa de algo que durasse pra sempre e era só o que importava. Eu não sabia da parte da dor, mas mesmo se eu soubesse... teria feito mesmo assim.
Ela levantou e foi embora.
P.O.V. Caroline.
Minha nossa senhora!
—Klaus. Vamos sair daqui, vamos dar uma volta.
—Caroline...
—Eu não tava pedindo. Se ficar aqui, vai fazer besteira.
Eu levei ele embora, para o Mystic Grill.
—Precisamos de uma bebida ou talvez seis.
—Da última vez que eu te ofereci uma bebida, disse que preferia morrer de sede.
—Ah, era parte da brincadeira. Eu talvez fizesse você me perseguir por mais alguns séculos, era a parte mais divertida.
Ela serviu o uísque nos copos.
—Bebe ai.
—Eu quero matar aquela pirralha.
—Me perdoe a franqueza, mas você deu para muita gente.. muitos, inúmeros motivos para odiarem você. Tudo o que vai, um dia volta.
Nós bebemos.
—É. Suponho que tenha razão.
Ela falou enquanto servia outra dose:
—Eu sei que tenho razão. Além do mais, ela não sabia nada sobre a coisa da dor.
—Mas, admitiu que mesmo se soubesse faria mesmo assim.
—Acho que ela é mais Mikaelson do que gostaria de admitir.
—É. Eu acho que sim. O que ela fez é a prova de que ela é mesmo filha do Elijah.
Caroline riu.
—Saber que eu sou a âncora e que eu sinto a dor deles... te deixa feliz?
—Que?! Que raio de pergunta é essa?
—Deixa?
—Uau! Você realmente não me conhece Klaus Mikaelson. Isso não me deixa feliz. Vingança odiosa é pra quem não tem amor de verdade.
Ela estava com a mão encima da mesa e eu vi a pulseira, no pulso dela. Eu peguei o pulso dela.
—Você usa isso sempre?
—Pra dar sorte.
—Eu me lembro quando te dei isso, no baile que minha mãe organizou.
—É. Aquele baile foi um furdunço.
—Mas, você estava linda naquele dia.
—É. Eu até tentei achar um vestido que não aquele, mas eu não consegui. Lembro que enquanto cavocava o meu armário eu fiquei furiosa e te chamei de filho da puta.
Eu dei risada.
—A minha mãe era uma puta.
—Credo Klaus! Sua mãe pode ser pirada e meio raivosa, mas você não deve dizer essas coisas dela. Ela era sua mãe.
—Eu acho que eu mereço isso. Essa coisa de âncora. Eu matei tanta gente, eu persegui tanta gente. É minha culpa que a minha filha tem um alvo na testa.
—Ela te ama seu besta.
Então, ele olha para o nada que imagino que não seja o nada. E então ele começou a gritar e eu fiz o que eu podia. Ele berrava e se contorcia e eu tentava acalmar ele.
—Calma, calma. Vai parar uma hora.
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