Left Behind

6 Capítulo 6 - Always


Notas iniciais
Heey!! Como vão vocês leitores lindos?? Obrigada pra quem vem acompanhando a fic, apesar dos muuuitos fantasminhas, to super feliz que estejam me apoiando! Esse cap fico um pouco maior pra compensar o anterior né Enjoy ♥

Capítulo 6 — Always

S A M

Um sentimento ruim havia tomado conta de mim naquela manhã. Não era exatamente um mau pressentimento, era a crítica sensação de algo acabaria terrivelmente errado no fim daquele dia.

A luz forte do sol invadia a enfermaria pelas janelas, e o claro som da música alta e de dezenas de pessoas rindo e conversando ao longe preenchiam o ambiente. Meu pai desenrolava as bandagens do ombro com a ajuda de Ellie, enquanto eu assistia encostada sobre uma das macas, de braços cruzados.

— Devia repousar por mais tempo — falei.

— Sinto muito querida — riu meu pai. — Não aguento mais olhar para essas paredes.

Alguns dias haviam passado desde que ele fora baleado. Eu me sentia grata por estar vivo e bem, mas algo me dizia que ele devia continuar deitado ali, pelo menos até o pior passar.

— É sério, você levou um tiro, não está completamente recuperado — insisti.

— Qual é Sam, pare de ser estraga prazeres — reclamou Ellie, enroscando-se com as bandagens intermináveis.

Meu pai me olhou, sorridente.

— Sua irmã é sábia, melhor ouví-la.

Balancei a cabeça, aceitando a derrota.

— Vou buscar algo decente para vestir — disse Ellie quando terminaram, então deixou a enfermaria.

Meu pai buscou meu olhar, intrigado.

— O que te preocupa tanto? — perguntou.

— Eles atiraram em você — respondi. — Quem garante que não vão tentar te matar de novo?

— Sam, foi um acidente.

— Não foi não! E você sabe disso! — parei por alguns segundos, encarando-o. — O que está escondendo de mim?

Ele riu, descontraído.

— O que eu poderia esconder? — perguntou.

— Você sabe de alguma coisa, não sabe? — me aproximei. — Foi por isso que nos seguiram e tentaram te matar.

— Sam, preste atenção no que está dizendo.

De alguma maneira eu tinha certeza de que ele sabia de algo, mas jamais me contaria. Talvez fosse uma maneira de tentar me proteger, mas era tarde demais, eu já estava envolvida.

— Você é um péssimo mentiroso — falei.

Antes que ele pudesse argumentar, Ellie adentrou o local portando uma das camisetas do papai, e entregou a ele.

— Novo em folha — disse, após vesti-la.

— Vamos lá pra fora — Ellie o puxou pela mão. — Estamos perdendo a festa!

Segui-os para fora da ala hospitalar, e passamos a caminhar em direção ao centro da cidade. As pessoas riam e conversavam animadamente, refrescando-se com as bebidas geladas. O sol forte incendiava minhas costas e fazia meus olhos estreitarem-se involuntariamente.

Chegamos a tempo de ouvir o final do discurso que o Governador fazia enquanto os cidadãos reuniam-se ao seu redor. Ellie e meu pai infiltraram-se em meio ao semicírculo formado em volta do Governador para ouvi-lo melhor, deixando-me para trás. Eu simplesmente não conseguia acreditar em uma única palavra que saía da boca daquele homem.

— Ei — Isaac aproximou-se e me entregou um copo de suco, enquanto bebia do seu próprio. Peguei-o e bebi um gole do refresco.

— Dá pra acreditar nesse cara? — falei baixo o suficiente para que ninguém além dele ouvisse.

— Dá — riu ele. — Essa é a pior parte.

— É não posso discordar — ri sem humor, observando as pessoas reunidas, olhando orgulhosamente para o Governador. Todos ali acreditavam, e eu também acreditaria caso nada houvesse acontecido em Atlanta.

— Reparou que chegaram pessoas novas? — perguntou ele.

— Eu ouvi algo assim… Estive meio ocupada com o meu pai, não consegui conhecê-las.

— São duas mulheres — comentou ele, distraído. — Parece que ficaram lá fora por muito tempo.

Lembrei-me brevemente de quando havia chegado à cidade, e de como tudo foi um incentivo para continuar viva. Uma visão de esperança, que agora se esvaía aos poucos.

— O que andou fazendo? — perguntei. — Você sumiu esses dias.

— Estava observando — respondeu ele, e ergui uma sobrancelha. — Sabe, o Governador e os outros…

— E?

— Nada demais — disse, com indiferença. — Apenas uma meia dúzia de errantes presos em containers.

Eu o fitei por alguns segundos.

— Por que não me contou antes?

— Achei que estivesse ocupada.

Não pude evitar o riso.

— Não estou mais, já pode me mostrar.

— Com todo prazer — disse ele, então se virou e começou a dirigir-se para longe do centro da cidade e eu o segui.

Caminhamos por um longo período de tempo, para um lado de Woodbury ao qual eu nunca visitara antes. Chegamos à extrema lateral da cidade, onde erguiam-se os muros separando-nos da floresta. Havia algumas construções de prédios antigos por perto, e um grande pátio cimentado à frente. Seguimos o caminho até a área desolada, onde alguns containers repousavam empilhados, e em um deles, a meia dúzia de errantes debatia-se contra as grades de ferro. Nos aproximamos o suficiente para que os mortos se agitassem e estendessem as mãos podres em nossa direção. Por sorte, a caixa estava muito bem selada.

— Por que manteriam errantes presos? — perguntei, confusa.

— Eu não faço a mínima ideia, mas coisa boa não deve ser.

— Você acha que as pessoas da cidade sabem disso?

— Se elas pudessem saber não precisariam escondê-los aqui… — ele parou, olhando para algo atrás de mim. — Vem vindo alguém!

Isaac me puxou para trás de uma das caixas. Eu não conseguia imaginar o que nos aconteceria se alguém nos encontrasse ali, bisbilhotando.

Uma mulher vinha caminhando pelo pátio, também parecia surpresa com o lugar e com os errantes presos, assim como nós. Tinha a pele escura, feições sombrias e uma faixa de cabelo envolvia os dreadlocks. Trazia consigo uma katana, e direcionou-se diretamente à prisão dos mortos.

— É a Michonne — sussurrou Isaac.

— Quem?

— Ela chegou ontem com a outra mulher — explicou ele. — Mas o que está fazendo aqui?

Como se respondesse a pergunta de Isaac, a mulher pegou uma pequena barra de metal depositada no chão e começou a bater contra a fechadura das grades.

— O que ela está fazendo?! — indagou ele.

— Ela vai libertar eles — conclui, em desespero.

Antes que pudéssemos fazer qualquer movimento o cadeado cedeu, e as portas foram abertas. Michonne posicionou-se diante dos errantes, brandindo a espada a centímetros de seu rosto, e esboçando um mínimo sorriso nos lábios grossos.

Os mortos avançaram e eu tive a nítida sensação de que a recém-chegada não sairia viva dali, porém estava enganada. Ela cortou o ar com a lâmina fina, arrancando ambos os braços do primeiro errante, e em seguida cortou fora metade de sua cabeça, bateu com o punho da espada no segundo que tombou para o lado e cravou-a na garganta do terceiro. Com movimentos precisos girou o corpo e abriu a cabeça do quarto errante de cima para baixo. Girou novamente, cortando o quinto ao meio e por fim, decepou a última. Ao terminar, sacudiu a lâmina para livrá-la do sangue dos mortos.

Isaac e eu nos entreolhamos boquiabertos. Em questão de segundos a mulher havia enfrentado os mortos com precisão e habilidade que eu nunca havia visto antes.

— Vamos dar o fora daqui — sussurrou Isaac. — Antes que mais alguém apareça.

Assenti e então seguimos nos escondendo entre os caixotes, tomando o máximo de precaução para não sermos vistos até chegarmos à extremidade oposta do pátio, onde deixamos o esconderijo e corremos para bem longe dali, parando apenas quando estávamos de volta ao centro da cidade.

— Droga — reclamei, ofegante. — Lá se vai nossa chance de descobrir o que era tudo aquilo.

— Vão surgiu outras — reconfortou-me ele.

— Claro que vão, e poderemos desvendar tudo se já não estivermos mortos até lá.

Isaac me olhou, intrigado.

— Ninguém vai morrer — disse. — Você está começando a ficar paranoica.

— E você diz isso porque não foi o seu pai que tentaram matar! — elevei meu tom de voz involuntariamente. — Você não se abaixou ao lado dele, chorando em desespero e sem saber o que fazer, enquanto ele sangrava no chão!

Isaac deu um passo para trás, tais palavras pareciam ter realmente atingindo-o.

— Tem razão — disse ele, eu não conseguia decifrar a expressão em seu rosto. — Eu não passei por isso e gostaria que você também não tivesse passado. Mas acabou. Estão seguros agora, ninguém vai tentar nada contra seu pai enquanto estiverem na cidade. Eles podem ser perigosos, mas não são burros.

Olhei para baixo, fitando o chão, um pouco arrependida por ter gritado com Isaac.

— O que você tem? — perguntou ele.

— Me desculpa tá bem? — suspirei. — É que… Estou com um mau pressentimento, só isso.

— Tudo bem — ele repousou as mãos sobre a cintura. — Por que não dá uma volta pela cidade e aproveita a festa?

— O que você vai fazer?

— Nada — respondeu com dureza e se afastou. — Eu te vejo mais tarde.

Observei-o sumir em meio às outras pessoas, me perguntando se o que eu havia dito seria tão ruim a ponto de deixá-lo daquela maneira. Algo em seus olhos me dizia que aquelas palavras o haviam feito lembrar-se de algo perdido em seu passado, algo que o afetava de uma maneira avassaladora. Ao mesmo tempo em que buscava uma resposta, dei-me conta de que Isaac tinha somente a mãe e o tio… Eu não sabia o que havia acontecido ao seu pai, e ele nunca revelara a ninguém. A culpa invadiu meu peito, fazendo-me sentir um monstro. Como podia ser tão insensível e simplesmente despejar tais palavras em Isaac sem ao menos conhecer um pouco sobre seu passado? Eu suspeitava de que algum dia ele me contasse o que acontecera ao seu pai depois que o mundo acabou, mas uma certeza dentro de mim me dizia que não fora uma despedida agradável.

Sentei-me em um dos bancos de pedra dispostos na praça, fitando o chão e remexendo na grama com os pés. Um longo tempo passou-se, e a festa continuava acontecendo. O sol parecia brilhar cada vez mais, e por sorte o banco era coberto pela sombra de uma árvore. Não havia muito o que fazer, a não ser esperar o tempo passar enquanto eu assistia às pessoas divertirem-se. Era como se eu estivesse de volta ao ensino médio, enquanto todos os meus amigos pensavam somente em festejar e se embebedar, eu preferia ficar bem longe deste tipo de atividade… Sempre sentira como se não me encaixa-se ao padrão da idade.

Não percebi quando Ellie aproximou-se e sentou-se ao meu lado, bebendo seu refresco, descontraída.

— Onde estava? — perguntou. — Ficamos te procurando, mas você sumiu.

— Andando por aí — menti, ainda olhando para a grama.

— Certo, vou fingir que acredito — disse ela, fazendo-me olhá-la, confusa.

— Onde acha que eu estava?

— Eu sei lá… — Um traço malicioso formava-se em seu sorriso. — Você e Isaac sumiram, na verdade — enfatizou.

— Espera, está dizendo que… — parei a frase não contando o riso. — Não tem nada entre mim e ele.

—Vou fingir que acredito de novo — brincou ela, e empurrei seu ombro de leve.

Ficamos encarando o horizonte em silêncio por alguns segundos.

— Acho que tivemos uma briga — falei.

— A primeira briga do casal? — admirou-se ela. — Não se preocupe vocês vão superar.

— Vai se danar — falei, rindo.

— Isaac não é de brigar — ela parecia estar falando serio agora. — Já tentou pedir desculpas?

— Eu pedi… Acho que ele só precisa de um tempo. — Refleti por alguns segundos, pensando se Ellie poderia saber de algo. — Ele já te falou alguma coisa sobre o pai dele?

— O pai? — repetiu ela, confusa. — Não, ele nunca disse nada. Por quê?

— Foi algo que eu falei sobre o papai… Pareceu ter atingido ele, eu não sei — expliquei.

Ellie assentiu e disse algo que não entendi, pois havia me distraído quando Michonne e uma mulher loira passaram por nós, caminhando em direção aos portões. Carregavam grandes bolsas e pareciam prontas para partir de Woodbury. Pararam diante da saída e conversaram algo com Merle, que após alguns minutos os abriu. As duas mulheres pareciam discutir enquanto isso, mas logo a morena afastou-se e saiu pelos portões, deixando a loira parada e sem reação.

— Sam? — Ellie estalava os dedos diante de meu rosto, chamando minha atenção. — Caramba, o que há com você hoje?

— Não é nada — respondi, ainda olhando intrigada para a cena. — Só um mau pressentimento.

***

A música alta ecoava por Woodbury, e a noite caía quando a cidade voltou a reunir-se novamente. A festa continuava, mas dessa vez parecia ser algo diferente.

Eu caminhava ao lado de meu pai e de Ellie, seguindo as demais pessoas que se dirigiam a um ponto distante da cidade. Os archotes acesos nos guiavam até um campo de areia, com arquibancadas dispostas paralelamente e uma espécie de arena no centro. As pessoas aglomeravam-se nas arquibancadas, parecendo excessivamente animadas com o que estava por vir.

— O que será que vai acontecer? — perguntou Ellie, empolgada. Parecia muito mais baixa andando em meio ao meu pai e a mim.

— Uma luta? — sugeriu o papai.

— Deve ser algo do tipo.

— Ei, Sam — chamou meu pai. — Se anime um pouco.

— Claro — assenti. Eu apenas ouvia a conversa sem dar muita atenção. Ao contrário das outras pessoas, não estava nem um pouco empolgada para a luta ou o que quer que fosse.

Adentramos a arena e nos sentamos nas arquibancadas. Não tivemos que esperar muito para que o evento tivesse início.

Holofotes ascenderam-se e o volume da música aumentou assim como o barulho emitido pelas pessoas. Havia errantes presos por correntes de ambos os lados da arena. Martinez e Merle adentraram a quadra de areia pulando e incentivando a plateia como lutadores que entram em um ringue, fazendo com que os cidadãos vibrassem cada vez mais, gritando seus nomes na torcida.

— Vou acabar com ele usando só uma mão! — gritou Merle, apontando Martinez, e arrancando aplausos e gritos da plateia. — Vamos começar!

Ele tirou o colete de couro e Martinez a camisa, então posicionaram-se para a luta. Merle desferiu um chute no parceiro, que rolou pelo chão de areia e em seguida levantou-se, rindo em desafio.

Eles estavam lutando em meio aos errantes… Olhei para Ellie e meu pai, para me certificar de que estavam pensando o mesmo que eu. Meu pai franzia o cenho enquanto Ellie parecia estar assistindo a algo totalmente bizarro.

— Mas que merda… — começou ela.

Eu não conseguia entender como as pessoas podiam gostar tanto de algo assim. Por mais que eu desprezasse Merle, ele estava correndo real perigo à medida que ambos empurravam-se contra os errantes, e a plateia parecia adorar a cada vez que um deles chegava muito perto da morte.

O homem que parecia ser o juiz apitou parando a luta, e em seguida afrouxou as correntes, deixando os errantes ainda mais próximos dos lutadores, e a área da quadra ainda mais limitada. Merle golpeou Martinez, empurrando-o para um dos mortos que o agarrou e por muito pouco o homem conseguiu desvencilhar-se, escapando da mordida. A luta prosseguiu, até que com um último golpe, Merle derrubou o adversário no chão, colocou o pé sobre seu peitoral e ergueu a mão, contando:

— Um! Dois! Três!

A luta estava acabada e ele havia vencido. A plateia comemorou enquanto Merle vangloriava-se.

— Quer saber? — disse Ellie. — Foi bom vê-lo apanhar um pouco, mas pena que ganhou.

Meu pai e eu rimos do comentário. Eu não podia discordar.

Dei-me conta de que os errantes que havia visto mais cedo no container deveriam servir para isso, então é claro que todos sabiam… Alarme falso.

Localizei Isaac na arquibancada oposta, e pensei em ir até ele para falar sobre a ida de Michonne, e o que isso poderia significar. Em minha mente passava-se que talvez ela tenha sido expulsa por ter matado todos os errantes, mas eu não tinha tanta certeza. Fiquei tentada a perguntar para a mulher loira o motivo, mas ao vê-la sentada ao lado do Governador me fez suspeitar de que também estaria envolvida em algo.

Olhando para Isaac novamente cheguei à conclusão de que o que ele havia dito era verdade. Eu estava ficando paranoica. Apesar de todos os fatos, eu não podia suspeitar de tudo e todos, ou acabaria enlouquecendo. Tinha que esquecer toda aquela história, e apenas ter cuidado. Estávamos seguros ali.

***

O dia seguinte amanhecera em um clima mais agradável. O movimento nas ruas começou tarde, devido às incessantes comemorações no dia anterior.

— Vou sair numa busca — avisou meu pai, ainda cedo. Ele se preparava juntando o que fosse precisar em uma mochila.

Eu mal podia acreditar que após a última vez ele teria coragem de voltar para o lado de fora, acompanhado dos homens do Governador. Estava apreensiva, mas não importava o que eu falasse, ele nunca iria ceder.

— Pai… — começou Ellie. Ela também não parecia nada feliz com a novidade.

— Não se preocupem — ele sorriu. — Fiquem bem, eu volto logo, prometo.

Ele abraçou Ellie e depositou um beijo em minha testa. Em um instinto de proteção segurei seu braço quando ele se afastou.

— Sam — ele repousou sua mão sobre a minha. — Vou ficar bem. Alguma vez deixei de voltar pra vocês?

Eu relutava em soltar, mas não havia nada que eu pudesse fazer para impedi-lo. Eu tinha que confiar que ele ficaria bem e voltaria no fim do dia.

— Se cuida — soltei-o.

— Sempre — Ele acariciou meu rosto afetuosamente e em seguida, saiu pela porta do apartamento.

Após o almoço resolvi andar pela cidade com o intuito de fugir das aulas da Sra. Lawson. Deixei que minha mente viajasse para qualquer lugar distante, enquanto minhas pernas me guiavam rumo ao desconhecido. Eu precisava me distrair enquanto meu pai estava lá fora, ou enlouqueceria. Também ainda não conhecia toda a cidade, e era uma boa oportunidade para fazê-lo.

Não havia conversado com Isaac desde o dia anterior, e não sabia dizer se ele estava realmente chateado ou estava apenas tomando um tempo para refletir. Continuava me perguntando o que de tão ruim eu havia lhe dito.

Segui ao extremo nordeste da cidade, chegando a outro ponto distante e desolado. As pessoas costumavam habitar o centro e as regiões mais próximas aos portões principais. O restante era protegido pelos muros, porém, abandonado. Continuei o caminho, as mãos repousando nos bolsos da jeans e olhando para o céu azul claro, com poucas nuvens. Eu teria prosseguido assim, não fosse pelos gemidos de dor vindos de algum lugar próximo. Parei, apurando a audição, tentando decifrar de onde aquele barulho torturante vinha. Segui para o casebre mais próximo e encostei-me contra a parede de tijolos para tentar ouvir melhor.

—... Quero saber agora! — os gritos eram seguidos por barulhos brutais, como se alguém estivesse sendo espancado do lado de dentro, e eu tinha a sensação de que conhecia aquela voz, o que me assustou mais ainda. Era a voz de Merle. — Onde diabos eles estão?! Diga!

Comecei a me afastar, com medo do que havia ouvido. Talvez fosse melhor se eu não soubesse o que estava acontecendo dentro daquele cômodo. Olhei para os lados para me certificar de que não havia ninguém por perto, mas não foi o bastante para me prevenir da pancada que acertou minha cabeça por trás, fazendo-se me perder os sentidos e desmaiar.

Notas finais
Tretas sinistras are coming! Até o próximo!