Left Behind

13 Capítulo 13 - When The War Comes


Notas iniciais
Oi oi gente! Eu sei vocês estão querendo me matar, mas por favor perdoa a tia! Quem ta no ensino médio entende que não é nada fácil postar regularmente. Não que isso seja uma desculpa mas... É. O capítulo estava pela metade até que eu tive um bloqueio criativo e comecei a achar que tava tudo um lixo e acabei apagando tudo. Ai acabaram as provas e chegaram as férias e eu finalmente consegui escrever algo que preste (ou pelo menos espero que preste). Fiquei acordada até tarde pra terminar o capítulo e enfim consegui, agora to postando ai pra vocês xuxus, espero que gostem, Enjoy ♥ obs.: não pensem que eu to ignorando vocês amores, vou responder os comentários assim que possível, prometo!

Capítulo 13 — When The War Comes

S A M

— O que você faria? — a pergunta me fez parar e refletir por alguns segundos. Da parede oposta, Ellie prestava atenção enquanto eu preenchia os pentes das armas com a munição disposta sobre a mesa. Trabalhava sem descanso, tentando ocupar a mente e não deixar espaço para as alucinações… Temia não tê-las deixado para trás, em Atlanta. — Você entregaria Michonne em troca de trégua?

— Eu acho que não seria idiota a ponto de pensar que o Governador cumpriria o acordo… Assim que tivesse Michonne, ele mataria todos nós — respondi. Ellie encarou-me curiosamente. — Acho que Rick sabia disso… Mas não posso imaginar como é estar nessa posição.

— Não foi por acaso que ele deixou de ser o líder do grupo — comentou ela, voltando a encaixar as balas no pente.

Andrea havia organizado uma reunião entre Rick e o Governador no dia anterior. O líder do grupo contara que o homem demandara Michonne, só assim nos deixaria em paz. Rick havia contado à Merle, que sequestrou a mulher e a levou para Woodbury, porém mudou de ideia no meio do caminho e a deixou ir. Daryl saíra em busca do irmão e havia chegado há pouco. Não foi preciso muito para que todos soubessem que Merle estava morto. Uma espécie de remorso apoderou-se de mim. Por mais que possuísse sentimentos negativos em relação a ele, sua morte não me deixou feliz ou satisfeita. Eu era incapaz de imaginar a dor de Daryl ao perder o irmão.

— O que você faria — foi a minha vez de perguntar.

— Eu teria estourado a cara do Governador antes que ele pudesse falar qualquer coisa — respondeu ela, sem tirar dos olhos do que fazia. Sua resposta me impressionou. — É o que Rick deveria ter feito.

Era deprimente ver como o mundo havia mudado Ellie. Tinha apenas treze anos e tudo o que pensava era em sujar as mãos de sangue, alimentando diariamente um ódio profundo que se instalara dentro de si.

Parei por alguns instantes e suspirei, pensando que por mais que eu tentasse desviar daquele caminho, eu não via as coisas tão diferente do modo como Ellie as via… Por mais que eu evitasse o desejo de matar o homem que assassinou meu pai, ele era inevitável. A cada dia ficava ainda mais difícil escondê-lo.

— O que aconteceu com a nossa humanidade? — murmurei, involuntariamente, balançando a cabeça.

— Os mortos a devoraram — respondeu Ellie.

***

O grupo voltou a se reunir algum tempo depois, porém Daryl continuava isolado em alguma cela no andar superior.

— Nós precisamos decidir o que vamos fazer — Rick quebrou o silêncio. — Se vamos ficar ou partir… Precisamos decidir.

Hershel ajeitou-se sobre as muletas.

— Nós deveríamos partir — sugeriu. — Esse lugar não vale mais mortes.

— Pelo contrário — começou Glenn. — Nós deveríamos ficar e defender o lugar para que todos que morreram aqui não tenham morrido em vão.

— Mas como vamos fazer isso? — questionou Carol. — O Governador tem uma cidade inteira. E mais armas.

— Ele não tem os corredores dessa prisão — pronunciou-se Ellie, surpreendendo-me. Rick dirigiu o olhar a ela, curiosamente. — Eu estive andando por lá… Esse lugar é um labirinto! Nós poderíamos usar isso de alguma forma.

— Ela tem razão — apoiou Glenn. — Podemos encurralá-los nos corredores quando entrarem.

— Pode funcionar — ponderou Rick. — Podemos deixar a prisão, levar tudo o que temos, vai parecer que fomos embora. Quando entrarem nos corredores para nos procurar jogamos as bombas de fumaça e acabamos com eles.

— Vamos simplesmente matar todos eles? — espantou-se Carol.

— Eles vão vir aqui para matar todos nós — lembrou Carl, que permanecera em silêncio até o momento.

Rick deu um passo para trás, observando o filho por alguns instantes.

— Todos estão de acordo? — perguntou.

— Não. — Apenas Hershel respondeu, apesar de Carol não parecer muito confortável com a ideia. — Se funcionar, ficaremos bem, mas as chances de tudo dar errado são muito maiores.

— A vida é feita de riscos agora, Hershel — começou Glenn. — Se não nos arriscarmos aqui, nos arriscaremos lá fora, e eu digo que nossas chances são muito maiores aqui.

— Bem, então ao menos precisamos de um plano de escape caso não funcione — aconselhou Carol.

— Ela tem razão — concordou Maggie. — Vamos esconder os carros em um lugar acessível, caso precisemos fugir.

— Certo, vamos fazer isso — falou Rick, por fim. — Hershel, Beth, Carl, Sam e Ellie ficarão escondidos na floresta enquanto o restante…

— O quê? — exaltou-se Carl.

— Carl, será mais seguro…

— Não, pai, eu tenho que estar aqui — insistiu o garoto.

— Você estará protegendo eles, protegendo Judith — continuou Rick.

— Eu quero ajudar a proteger a prisão.

— Você pode ajudar de outra maneira. Carl, eu preciso que faça isso.

O garoto soprou o ar com força pelas e balançou a cabeça, irritado.

— Isso é ridículo — ele se levantou e deixou o bloco de celas com passos pesados.

Rick suspirou.

— Não espere que eu fique escondida atrás das árvores também enquanto o Governador está aqui — comecei.

— Você estará segura…

— Eu entendo que queira proteger seu filho, Rick. Mas não a mim — cortei-o. — Eu vou estar aqui.

Ele me encarou por alguns segundos, antes de ceder.

— Tudo bem, eu não posso decidir por você. Ficaremos escondidos pela prisão e quando eles chegarem… — Ele não precisou completar a frase, todos sabiam o que deveria ser feito. — Deveriam descansar agora. Amanhã será um longo dia.

***

Assim que as primeiras luzes solares invadiram as janelas, os preparativos para deixar a prisão começaram.

Quando Ellie se levantou eu já havia guardado parte de nossos pertences. Ela se sentou no colchão e me observou antes de colocar-se de pé.

— Aqui — estendi a ela um casaco grosso. — Está frio lá fora.

Ela o vestiu e abaixou-se ao meu lado, ajudando-me a preparar as malas.

— Você acha que isso vai mesmo dar certo? — perguntou.

— Tem que dar. Não temos outra escolha.

— Eu quero estar aqui quando ele chegar — ela me encarou como se fizesse um pedido silencioso.

Balancei a cabeça.

— Você não vai matá-lo, Ellie. Não vou deixar você se tornar uma assassina por causa de um homem como o Governador.

— Eu matei um homem sem ao menos conhecê-lo — lembrou ela. — Joguei ele de uma torre, para os errantes.

— Isso é diferente.

— Não é não, Sam. A única diferença é que dessa vez será o Governador. O homem que matou nosso pai, e não qualquer um.

— Então é isso que você quer? Vingança? — fitei-a por alguns instantes. — Vai se sentir melhor quando consegui-la? Aposto que não se sentiu melhor quando soube que Merle estava morto.

Ela desviou o olhar para o chão, talvez refletindo a respeito. Permanecemos em silêncio por alguns instantes, apenas dobrando e guardando roupas.

— E quanto a você? — Ergui o olhar para ela. — Vai matar ele?

Engoli em seco, sem uma resposta plausível.

— Eu não sei… De qualquer forma isso acaba hoje. — esclareci. — Eu escolhi ficar porque eu não posso deixar que ele mate mais alguém, ou que ele tome esse lugar. Não por vingança.

— Está dizendo que se a cabeça dele acidentalmente cruzar sua mira você vai puxar o gatilho?

— Ellie… — suspirei.

— Então sim — cortou ela, com um resquício de ironia. — Você vai matar ele. — Ela se levantou jogando a mochila por cima do ombro, parecendo irritada. — Sabe, você não precisa mascarar quem você é, Sam. Não para mim.

— Quem eu sou? — repeti. — Você acha que eu queria que as coisas fossem assim?

Ela revirou os olhos.

— Eu estou tentando proteger…

— Proteger? Eu? — repetiu ela. — Você não está me protegendo, você só está me escondendo do que há lá fora! — Ela balançou a cabeça, irritada. — Eu não vou ser uma criança pra sempre.

Ellie deixou a cela com passos duros, deixando-me atordoada. O fato de que ela não seria uma criança para sempre estava claro em minha mente, mas isso não significava que eu deveria permitir que ela virasse uma selvagem naquele mundo onde tudo o que importava era a sobrevivência… Eu sabia que o Governador havia tirado muito de nós, mas eu não podia deixar que ele também levasse embora o resquício de humanidade que restava em minha irmã. Estava disposta a ceder a minha, mas jamais a dela.

Peguei-me pensativa, revirando o pequeno relicário entre os dedos quando Beth adentrou o cômodo.

— Ei, precisa de ajuda?

— Não, tudo bem, eu já estou terminando… — Neguei, porém a loira avançou e pegou uma das malas, carregando-a no ombro e em seguida sorriu gentilmente. — Obrigada.

Levantei-me, apanhando a última mochila e a acompanhei para fora da cela. O bloco C estava completamente vazio, Carol esvaziava a última prateleira quando avançamos pelo portão.

— É estranho ver tudo tão vazio, não é? — comentou Beth. Olhei ao redor, confirmando o sentimento de assistir o que costumava ser nosso lar por pouco tempo sendo abandonado.

— Eu só espero que possamos voltar para cá, quando acabar.

— Nós vamos — sorriu ela. — Só temos que ter um pouco de esperança.

Eu não tinha certeza de que ter esperança nos ajudaria em algo, porém fiquei em silêncio.

Saímos para o pátio onde Rick cuidava dos últimos reparos nos veículos e os demais guardavam as malas. Direcionei-me ao porta-malas e retirei a mochila das costas, amontoando-a as demais. Localizei Ellie beirando as cercas e avancei até ela, parando ao seu lado. Ela trazia o rifle pendura ao ombro e as mãos nos bolsos do casaco, assim como um olhar indecifrável para além das cercas.

— Você vai ficar bem na floresta?

— Não vou fazer nada estúpido, se é isso que está perguntando — resmungou ela em resposta.

Balancei a cabeça e encarei o horizonte, sentindo o vento frio cortando minha face. Jamais imaginara que chegaria a fazer o que estava prestes a fazer… Jamais imaginara que o mundo chegaria a tal ponto que os sobreviventes realmente matassem uns aos outros sem uma razão aparente. Talvez merecêssemos tudo aquilo; o mundo estava perdido e não estávamos fazendo nada para tentar salvá-lo, mas sim afundá-lo ainda mais. Um modo efetivo de se destruir as pessoas: fazendo-as destruir a si mesmas.

— Eu estou com medo — comentei, pegando Ellie de surpresa. O medo era algo difícil de admitir, porém era o sentimento mais comum para mim. Ele estava comigo o tempo todo. Minha irmã ergueu o olhar para mim e encarou-me por alguns segundos com uma ponta de tristeza nos orbes verdes.

— Eu também.

Durante aquele meio tempo ficamos apenas em silêncio. Eu gostaria de poder dizer a ela que não havia necessidade de sentir medo. Que tudo ficaria bem. Porém o medo era necessário… Ele nos mantinha vivos.

— Hora de ir — anunciou Rick, ao longe. Hershel, Beth e Carl juntaram-se próximos ao portão.

Ellie voltou-se para mim e me estendeu o rifle.

— Acho que vai precisar disso.

Peguei-o de suas mãos, pendurando-o no ombro em seguida.

— Certo… Nos vemos mais tarde.

Ela se virou para mim e encarou-me balançando a cabeça positivamente. Apesar de nossa briga, eu gostaria de poder dizer que a amava e não queria perdê-la, pois aquele era o momento de se despedir caso as coisas acabassem mal e todos estivessem mortos no fim do dia. Ellie e eu éramos próximas o suficiente para isso, porém nenhuma de nós jamais admitira que não poderia viver sem a outra. Talvez fosse algo comum entre irmãos.

— Não morra — pediu ela por fim, afastando-se em seguida, sem esperar por uma resposta.

Observei enquanto ela deixava a prisão acompanhada do pequeno grupo, desejando que nos encontrássemos novamente.

— Certo, Daryl e Carol vão esconder os carros na estrada, enquanto isso o restante fica aqui e vigia — relembrou Rick, gesticulando com a cabeça em minha direção em seguida. — Você e eu vamos jogar as bombas de fumaça nos corredores quando eles chegarem, então fique por perto.

— Tudo bem — assenti, tentando esconder o nervosismo.

— Vamos ficar em posições, ele podem chegar a qualquer momento.

O grupo rapidamente se espalhou. Daryl deixou a prisão com sua moto carregada enquanto Carol dirigia o carro. Glenn e Maggie terminavam de vestir os trajes de proteção e direcionavam-se à ponte, onde as múltiplas tábuas haviam sido depositadas para proteção.

— Michonne ligará os alarmes depois de termos lançado as bombas — continuou Rick. — Vai atrair os errantes direto para eles.

A mulher apenas balançou a cabeça e dirigiu-se para o interior da prisão. Rick buscou meu olhar em seguida.

— Você tem certeza disso?

— Não posso desistir agora, não é? — Respondi. — Vamos acabar logo com isso.

Retornamos ao bloco de celas, completamente vazio agora. Rick abriu o portão para os corredores aos quais o grupo apelidara de “Tumbas”. Eu não fazia ideia de quantas pessoas haviam perdido ali, ou mesmo tinha coragem para perguntar. Seguimos pela passagem escura até que ele ascendeu uma lanterna. Era realmente um lugar assustador: a maioria das paredes tinha manchas vermelhas, secas, e restos mortais esmagados. Um cheiro pesado de sangue e podridão impregnava o ar. Eram corredores largos, mas ao mesmo tempo causavam a impressão de estar me sufocando. Caminhamos por mais alguns metros enquanto eu tentava evitar respirar pelas narinas para bloquear o odor.

— Estamos perto? — perguntei, mesmo não sabendo para onde estávamos indo. Rick acenou com a cabeça e iluminou o pequeno portão à frente. Aproximei-me e pude ouvir os grunhidos dos mortos, que não aparentavam estar em pequenos números. Ele fez sinal para que eu permanecesse em silêncio e aproximou-se a passos lentos das grades de ferro, girando uma chave na fechadura em seguida e puxando o portão lentamente. Estava aberto o suficiente para que os errantes pudessem empurrá-lo com o peso de seus corpos quando fossem atraídos pelo barulho das sirenes ativadas por Michonne.

Em silêncio, refizemos metade do caminho de volta, parando em um ponto e escondendo-nos atrás das paredes.

— Daryl e Carol devem estar voltando a essa altura — sussurrou Rick. — Só teremos que esperar mais um pouco. — Ele fez uma pausa e me encarou por alguns instantes. — Ei, o Governador vai estar aqui. Eu sei que… Quer que ele pague pelo que fez ao seu pai, todos nós queremos nossa parte na vingança, mas não faça nada estúpido.

— Não se preocupe com isso, eu não vou tentar atirar nele ou algo assim — confortei-o. — Vamos atirar as bombas de fumaça e cair fora daqui.

Ele balançou a cabeça positivamente.

— Eu sei que pareço só uma adolescente rebelde e burra, e bem, talvez eu seja mesmo, mas estou tentando crescer. Minha irmã precisa de mim e eu não posso agir como uma criança desmiolada.

— Você não é rebelde e muito menos burra, mas ainda assim é jovem demais para ter essas responsabilidades — comentou ele.

— Não é algo que eu posso escolher.

Ele balançou a cabeça e desviou o olhar. Um olhar visivelmente cansado, mesmo sob o fraco feixe de luz da lanterna eu podia enxergar todas as linhas de seu rosto, assim como as pequenas rugas formando-se na lateral de seus olhos.

— Eu sei. Quando as pessoas dependem de você não há saída. Você tem que agir, tem que tomar as responsabilidades. Não existem escolhas.

Rick era a pessoa que mais entendia do assunto. Era o líder do grupo até um dia atrás, quando dissera a todos que não podia mais fazê-lo. Todos eram o bem maior e todos deveriam decidir pelo grupo. Eu o admirava por ter dito aquelas palavras em vez de continuar a assumir toda a culpa e todas as responsabilidades por nós.

Um ruído distante ecoou pelo vazio dos corredores. Rick e eu nos entreolhamos e ele imediatamente apagou a lanterna. Não havia como ter certeza se o Governador havia chego, estávamos há uma longa distancia dos blocos, não havia como ouvir o som dos veículos ou qualquer outro. Porém após o ranger do portão enferrujado e do som de inúmeros passos, pude afirmar que ele estava ali, e era impossível dizer quantas pessoas o acompanhavam. A julgar pelo barulho, não teríamos chance alguma caso o plano não funcionasse.

Olhei atentamente para a direção de Rick, mesmo não podendo enxergá-lo devido à escuridão. Aos poucos meus olhos acostumaram-se e pude distinguir sua silhueta à minha frente. Ele tirou uma bala do bolso da camisa e a ergueu no ar, soltando-a em seguida. O som metálico ecoou pelo lugar. Pude ouvir uma agitação da parte do grupo que adentrava os corredores, seguido de mais passos aproximando-se de nossa localização. Aquele era o momento em que começaríamos a nos mover.

Avistei os feixes de luz e algumas sombras de pessoas armadas. Aproximamos-nos com passos silenciosos. Estávamos há poucos metros de distância quando Rick deu o sinal. Instantaneamente puxei o pino, destravando a granada e arremessei-a contra o chão. A de Rick foi a primeira a explodir, assustando o grupo e liberando a fumaça, e em seguida outra explosão provocou gritos e disparos para todos os lados. Rick disparou mais uma antes de começarmos a correr para o lado oposto, nos afastando da confusão. Os alarmes dispararam, piscando as luzes vermelhas e a gritaria apenas aumentou. Era possível ouvir o tiroteio e os grunhidos dos errantes quando alcançamos o portão e deixamos o bloco de celas.

Nos dirigimos para trás das caixas posicionadas para proteção. Puxei o rifle e mantive-o em posição, aguardando. A multidão logo saiu pelos portões, em desespero, então Glenn e Maggie começaram a atirar da ponte. Alguns passavam abaixados, aos gritos enquanto outros tentavam revidar, escondendo-se. Ao meu lado, Rick colocou-se de joelhos e começou a disparar freneticamente. Logo o imitei, apontei o rifle para uma direção aleatória em meio a um grupo que se movia e puxei o gatilho. Não esperei para ver o resultado, carreguei a arma e disparei novamente. Eu temia que Isaac estivesse em meio àquelas pessoas, ou pior, que fosse atingido em meio ao tiroteio.

Estava procurando um alvo quando uma saraivada de balas cobriu as caixas, pegando-me de surpresa. Abaixei instintivamente, posicionando as costas contra a madeira e arquejando. Meu coração pulsava aceleradamente.

— Você está bem? — perguntou Rick, ao meu lado.

Apenas balancei a cabeça, recuperando o fôlego.

Voltei a me levantar depois de alguns instantes, porém minhas mãos tremiam violentamente. Mesmo assim insisti e puxei o gatilho repetidas vezes em direções aleatórias, sempre próximas aos grupos que corriam pelo pátio. Não sabia dizer se havia acertado alguém, contudo não havia nenhum corpo no chão.

Todo o grupo conseguiu chegar aos caminhões. Rick e eu avançamos, nos protegendo e voltamos a atirar contra os veículos, que logo ligaram os motores e se retiraram da prisão às pressas, deixando apenas nuvens de terra no lugar onde os pneus haviam se arrastado.

Levantei-me ainda não acreditando que o grupo havia mesmo fugido.

— Funcionou — arquejei.

Rick fez sinal para que voltássemos ao pátio, então aceleramos o passo.

Glenn e Maggie desciam de seus postos, tirando os capacetes, sorridentes. Olhando para o horizonte notei que uma das torres estava destruída e uma fumaça densa emanava da construção, subindo ao céu. Inúmeros errantes vagavam pelo campo, alguns escapando pelo portão arrebentado.

Logo Daryl, Michonne e Carol apareceram ofegantes e carregando suas armas.

— Conseguimos — anunciou Rick. — Nós os afastamos.

— Deveríamos ir atrás deles e acabar com isso — sugeriu Michonne.

— Já acabou, não os viram fugindo? — discordou Maggie.

— Eles podem se reagrupar — lembrei, pensando que não teríamos chances caso voltassem.

— Não podemos arriscar — concordou Glenn. — Ele não vai parar.

— Eles estão certos — ofegou Carol. — Isso tem que acabar, não podemos continuar vivendo assim.

— E iremos até Woodbury? — perguntou Maggie. — Mal voltamos da última vez!

Rick suspirou, olhando para os membros do grupo. Por fim balançou a cabeça.

— Vamos checar os outros, resolveremos isso depois.

Concordamos e começamos a segui-lo em direção ao bloco de celas. Passamos pelos portões e nos dirigimos ao ponto de encontro. Depositei o rifle sobre uma das mesas e apoiei as mãos na superfície metálica para recuperar o fôlego. Não demorou muito para que Beth adentrasse o cômodo carregando Judith e seguida de perto por Hershel, Carl e Ellie.

Dirigi-me à minha irmã.

— Ei, vocês conseguiram — comentou ela. Parecia um pouco assustada com a situação, e eu não a culpava. Minhas mãos ainda tremiam.

— Ainda não acredito que funcionou.

— Não me agradeça — sorriu ela, lembrando que a ideia de usar os túneis fora sua.

— Não comece a se exibir — brinquei. Percebi que ela forçou-se a rir, mas logo seu sorriso desapareceu. — O que houve? Você não parece bem.

Ela olhou na direção de Rick, Carl e Hershel que conversaram um pouco distantes.

— Carl matou um garoto.

Ergui as sobrancelhas.

— O que? O grupo do Governador… Eles encontram vocês?

— Não… — ela parecia incomodada. — Era só um garoto, ele fazia parte do grupo, mas… Ele estava fugindo. Estava entregando a arma, e então… Carl atirou.

Olhei para o trio do outro lado do bloco. Rick encarava o filho com espanto e o garoto parecia irritado, como sempre.

— Eu sei que ele fez isso para nos proteger. — Afirmou Ellie.

— Então qual é o problema?

Minha irmã parecia estar presa em um conflito interno.

— Era só um garoto, um pouco mais novo que você. Aposto que ele estava se borrando todo.

Franzi o cenho para ela.

— Não me olhe desse jeito! Eu só não me acostumei com essas coisas ainda.

Ela balançou a cabeça e afastou-se para as celas. Acostumou. Como poderia uma criança acostumar-se em ver alguém ser morto? Olhei para Carl, distanciando-se do pai... Como poderia uma criança matar outra para sobreviver?

Senti-me perdida, então balancei a cabeça para afastar os pensamentos e aproximei-me do grupo.

—… É muito arriscado. Não precisamos ir — Maggie tentava convencer os outros a ficar na prisão, porém todos pareciam muito inclinados a não ouvi-la.

— Temos que acabar logo com isso — insistiu Michonne.

Rick aproximou-se, parecendo distraído com outra coisa, talvez a notícia de que o filho havia matado uma pessoa realmente o abalara.

— Não há mais o que discutir — informou ele. — Nós vamos.

— Certo, vou preparar a picape — disse Glenn e afastou-se e Maggie o seguiu.

Daryl e Michonne também se dirigiram para fora, acompanhados de Rick. Procurei Ellie com o olhar e indiquei com a cabeça os portões. Ela me seguiu até o pátio, onde Michonne e Daryl guardavam as armas no veículo e os demais se preparavam.

— Eu vou com eles — informei à minha irmã. — Eu sei que quer ir, mas…

— Mas é muito perigoso — ela imitou minha voz. — Eu sei que não vou, não precisa voltar a esse assunto.

Suspirei, aliviada.

— Certo, então tome cuidado. Não sabemos se eles irão voltar. — Puxei o rifle das costas e o devolvi a ela. — Ajude a proteger a prisão.

Ela o aceitou.

— E você, chute a bunda dele por mim.

Soltei um breve riso antes me reunir ao grupo.

— Nós iremos ficar — anunciou Glenn, indicando Maggie. — Não sabemos onde ele está, mas se voltar, estaremos aqui.

— Seremos só nós quatro? — concluiu Daryl. — Certo.

Lancei um pequeno sorriso à Maggie antes de dirigir-me à Daryl e sua motocicleta.

— Posso ir com você? — perguntei, ele olhou-me curiosamente.

— Você não vai pilotar, se é isso que está pensando.

— Eu só preciso de um pouco de ar. — Não podia negar que a sensação do vento batendo em meu rosto em alta velocidade era algo indescritível. Além disso, eu achava que Daryl precisava de um pouco de companhia após perder o irmão… Não podia estar sendo fácil para ele.

Ele apenas concordou com a cabeça e continuou a guardar as flechas.

— Você mandou bem hoje — comentou o caipira, surpreendendo-me.

— Desde quando você começou a elogiar as pessoas? — brinquei.

— Não foi um elogio — disse ele com sua voz rouca; um mínimo sorriso de lado.

Ouvimos Rick e Michonne adentrarem o carro e baterem a porta. Daryl e eu nos entreolhamos.

— Primeiro as damas — brinquei, indicando a moto.

Ele riu de um modo grosso e juntou um pouco de saliva na boca, cuspindo na grama em seguida, algo que eu consideraria nojento caso não tivesse visto coisas extremamente piores no quesito nojento.

Subi na moto e segurei-me em Daryl, então ele deu a partida. Glenn e Maggie liberaram os portões; mataram os errantes mais próximos e os empurraram para que pudéssemos passar. Daryl acelerou pela estreita estrada de terra com Rick e Michonne em nosso encalço. Logo perdi a prisão de vista, e tudo que havia pela frente era o asfalto e as folhas secas do outono que o cobriam. O vento frio soprava meus cabelos e congelava minhas feições, porém a sensação de liberdade era mais do que satisfatória.

Percorremos alguns quilômetros antes de avistar um caminhão parado em meio à estrada. Meus sentidos puseram-se em alerta quando percebi que se tratava de um dos caminhões de Woodbury. Contudo, estava vazio. Daryl reduziu a velocidade até que paramos em frente ao veículo. Pulei para o chão enquanto ele estacionava a moto e preparava sua besta. Rick e Michonne desceram armados e puxei a pistola de Glenn do coldre, destravando-a.

Alguns corpos estavam dispostos pelo chão, sendo devorados por errantes. Daryl atirou uma flecha no primeiro e Michonne eliminou o restante com sua lâmina. Rick puxou a faca e avançou contra o último, cravando-a em sua testa. Olhei ao redor, tentando adivinhar o que havia ocorrido ali.

Uma batida vinda do caminhão chamou a atenção de todos. Imediatamente apontei a arma para a janela do veículo, onde uma mulher apoiava as mãos do lado de dentro. Daryl abriu a porta e a mulher desceu com as mãos erguidas. Logo reconheci as feições assustadas e cabelos encaracolados.

— Karen?

— Sam… Você está viva. — Ela olhou para o trio desconhecido.

— Às vezes eu esqueço que você estava com essa gente — disse Daryl com amargura, apontando a besta para a mulher.

Baixei a arma lentamente.

— O que aconteceu aqui?

— O Governador… Ele… Ele começou a atirar em todo mundo — explicou ela, nervosa. — Ele simplesmente matou todos. Jimmy caiu morto em cima de mim e eu consegui me esconder…

— Ele matou o próprio pessoal? — perguntou Rick.

— Não é de se espantar. O cara é louco — comentou Daryl.

— Você é a única sobrevivente?

— Sim… Eu acho que sim.

Eles abaixaram as armas.

— E quanto ao Isaac? — perguntei. — Ele estava com vocês?

— Sim, eu o vi no caminhão mais cedo…

Meu coração acelerou imediatamente e senti-me incapaz de aceitar que ele estava caído entre aqueles corpos. Devolvi a arma ao coldre e corri para o gramado, onde havia uma grande quantia deles, deixando o trio interrogar Karen. Virei cada um dos corpos para conferir os rostos. Eu reconhecia todos eles; pessoas com quem eu convivera em Woodbury, pessoas inocentes. Mesmo assim senti-me aliviada por não encontrar o corpo de Isaac ali. Ele ainda poderia estar vivo.

Retornei ao grupo, que questionava a mulher.

— E quanto ao Governador?

— Eu não sei, ele foi embora depois da matança… Não sei para onde.

— Vamos para Woodbury. Você vem conosco — informou Rick.

Ela apenas balançou a cabeça, suficientemente assustada para não discordar.

O trio dirigiu-se ao carro e eu acompanhei Daryl até a moto.

— Encontrou seu amigo? — perguntou ele.

— Não... — respondi. — Não acredito que ele assassinou todas essas pessoas só porque estava com raiva.

— É… Vamos logo embora daqui.

Subimos na motocicleta e voltamos à estrada.

Já anoitecia quando enfim chegamos à Woodbury. Estacionamos em um ponto afastado da cidade e nos aproximamos a passos largos, com as armas em riste. A luz da lua e os holofotes nos muros eram a única coisa que nos guiava pela escuridão.

Acabara de avistar os muros quando um disparo atingiu o chão bem a nossa frente, e logo mais tiros ecoaram pela noite. Joguei-me em direção ao carro abandonado ao lado para me proteger. Rick e Michonne trocaram tiros com quem quer que estivesse nos muros.

— Tyreese! Sou eu! — gritou Karen, levantando-se.

— Abaixe-se! — Rick a puxou para trás do carro novamente, porém o tiroteio cessou.

— Karen, você está bem? — gritou uma voz masculina após alguns segundos.

— Estou! — A mulher voltou a se levantar e dessa vez se afastou.

— Onde está o Governador? — O homem voltou a perguntar.

— Ele atirou em todo mundo — informou ela. — Matou todos.

Fez-se silêncio por alguns instantes.

— Por que está com eles?

— Eles me salvaram.

Rick observou por cima do carro.

— Estamos saindo! Não atire.

Ele se levantou, erguendo as mãos e eu o imitei, assim como Michonne e Daryl. Nos aproximamos dos muros e logo os portões se abriram revelando uma dupla. O homem era alto e encorpado, tinha uma espessa barba e usava uma touca sobre a cabeça. Tinha a pele escura assim como a mulher, que mantinha o cabelo preso para trás e possuía feições parecidas a ele. Ambos carregavam armas pesadas. O vapor emanava de suas bocas à medida que respiravam o ar frio da noite.

Nos aproximamos o suficiente e por fim baixamos as mãos.

— O que estão fazendo aqui? — perguntou o tal Tyreese.

— Viemos para acabar com isso — respondeu Rick. — Até que vimos o que o Governador fez.

— Ele… os matou?

Rick balançou a cabeça.

— Sim.

— Karen nos contou que Andrea pulou o muro. Que foi à prisão… — contou Rick. — Mas ela nunca chegou lá. Talvez esteja aqui.

Olhei de Rick para Daryl, eu não havia ouvido aquela parte da história.

— Certo, vocês podem entrar. — disse Tyreese. — Vamos procurá-la.

Eles liberaram a passagem para nós. Passei pelos portões e todas as memórias do lugar voltaram à minha mente. Tentei bloqueá-las, sem sucesso.

— Alguma ideia de onde ela possa estar? — perguntou a mulher.

— Sim — respondi, caminhando à frente. Rick e eu nos entreolhamos e ele balançou a cabeça.

Guiei-os pela cidade deserta tentando inutilmente não me comover com o lugar e com todas as memórias dolorosas que trazia de meu pai. Seguimos até os limites dos muros, onde já não havia mais casas habitadas, onde ficava o porão em que o Governador havia nos prendido.

— Ali — Rick apontou uma das construções afastadas. — Foi ali que prenderam Glenn e Maggie.

— O Governador prendia gente aqui? — perguntou Tyreese, surpreso.

— Ele fazia mais do que isso — respondi, com amargura.

Nos dirigimos ao esconderijo, armados. Rick tomou a frente até que chegamos a uma estreita porta de metal, onde uma poça de sangue havia se formado por baixo.

— Pode abri-la? — perguntou Michonne, com a voz ligeiramente abalada. Lembrei que ela e Andrea haviam chegado juntas em Woodbury.

Rick posicionou uma mão sobre a porta e apontou a arma com a outra.

— Um, dois… — Ele a empurrou e a primeira visão que tivemos foi a de um corpo caído e coberto de sangue logo a frente e eu o reconhecia. Era um tipo de assistente para o Governador, nunca estava muito presente na cidade, eu sempre me perguntara onde ele passava o tempo. E agora estava morto, aparentemente havia se transformado antes que alguém o nocauteasse. Apoiada na parede ao lado estava uma mulher loira, sentada e pálida.

— Andrea! — Michonne correu para perto da amiga.

Adentramos o cômodo e ela se ergueu lentamente.

— Eu tentei impedi-los.

— Você está queimando — notou Michonne.

Ela baixou a cabeça tristemente e afastou a blusa, mostrando a mordida em seu pescoço.

Eu não a conhecia o suficiente e não me sentia no direito de estar ali com aquelas pessoas tão próximas a ela. Eu não podia compartilhar sua dor, podia apenas observá-la de longe. Balancei a cabeça e afastei-me lentamente. Daryl notou, mas não tentou impedir. Virei-me e deixei o recinto, voltando ao ar frio da noite. Estava cansada de ver a morte por onde quer que andasse.

Acelerei o passo de volta ao centro da cidade e poucos instantes depois ouvi o ecoar do tiro. Conclui que a mulher agora estava morta.

Continuei a me afastar até parar em frente ao que costumava ser a enfermaria. Observei a pequena construção enquanto meu corpo tremia levemente ao vento gelado… Foi quando eu o vi. Parado entre os arbustos, iluminado pela fraca luz dos holofotes ao longe; braços cruzados e aquele sorriso reconfortante. Usava a mesma camiseta cinza do dia em que fora assassinado.

— P-pai… — minha voz saiu com dificuldade.

Ele ergueu uma sobrancelha e fez sinal para que eu o seguisse.

Lembrei-me da garotinha em Atlanta e em como ela parecia real… Assim como ele. Mas aquilo era impossível, ele estava morto. Eu estava alucinando novamente. Estava decidida a lutar contra aquilo, porém era inevitável.

Comecei a segui-lo pelas ruas, perguntando-me porque eu estava fazendo aquilo, mas não parando em nenhum momento. Ele me guiou até o apartamento em que vivíamos.

Subi os degraus às cegas e parei em frente à porta. Girei a maçaneta e adentrei o cômodo. Estranhamente, tudo estava exatamente da maneira como havíamos deixado. Até mesmo nossos pertences não haviam sido retirados.

Meu pai estava sentado em uma cadeira há alguns metros de mim. Ele me observava parecendo sorridente, porém carregava certa tristeza no olhar.

— Por que você está aqui? — perguntei, ele apenas sorriu. — Por favor... Você tem que ir embora. Você não é real... Por favor...

Seu sorriso foi substituído por um olhar de compaixão. Se eu tivesse a capacidade de entender coisas como a vida após a morte chegaria a conclusão de que ele estava ali por mim; eu era culpada. Eu não queria deixa-lo ir.

— Isso tem que parar — balancei a cabeça. — Você pode ir embora... Nós vamos ficar bem. Eu prometo que cuidarei da Ellie como você sempre cuidou de nós. Você pode ir.

Ele continuou parado onde estava, lançando-me aquele olhar tão conhecido.

— Certo — fechei os olhos. — Você não está aqui… — respirei profundamente. — Você não está aqui… — Repeti para mim mesma, tentando me acalmar. — Ele não está aqui.

Quando abri os olhos não havia mais nada ali a não ser a fraca luz do luar que adentrava a sala pela janela, iluminando fracamente o ambiente.

Fiquei ali parada por mais tempo do que poderia contar, apenas observando a cadeira vazia.

Quando senti que estava pronta, adentrei o quarto e recuperei as mochilas com nossas roupas e deixei o cômodo, deixando as malas de meu pai para trás.

Olhei uma última vez para o apartamento e virei-me, deixando o lugar e fechando a porta ao sair. Desci as escadas e retornei à rua, onde avistei Rick e o grupo se aproximando. Dirigi-me a eles e ouvi brevemente Rick conversando com Tyreese a respeito das pessoas que haviam ficado em Woodbury, Por fim decidiram que as levariam para a prisão, então o homem os guiou até o abrigo. Apenas Daryl ficou para trás e aproximou-se de mim.

— Andrea está…

— Morta — confirmou ele.

— Sinto muito.

Ele apenas balançou a cabeça e retirou o maço de cigarros do bolso, colocando um nos lábios e ascendendo-o com o isqueiro.

— Eu vi meu pai — comentei olhando para o horizonte escuro.

Senti o olhar de Daryl sobre mim.

Ele puxou outro cigarro do maço e o estendeu a mim. Aceitei-o sem tirar os olhos das sombras ao longe e ele o ascendeu. Levei-o aos lábios e suguei a fumaça tóxica sem pensar. Senti o gosto amargo em minha boca e o vapor quente queimando minha garganta, Tive vontade de tossir e me livrar daquilo, porém não o fiz, apenas soltei a fumaça lentamente e assisti enquanto ela dançava em meio ao ar gélido.

***

O sol mostrava seus primeiros indícios quando voltamos à prisão, seguidos pelo ônibus que carregava os últimos sobreviventes de Woodbury.

Desci da motocicleta assim que Daryl a estacionou e logo Ellie apareceu nos portões, seguida por Carl e pelo restante do grupo. Ela se aproximou e sorriu com os lábios quando me viu, então observou as pessoas descendo do ônibus e pareceu compreender o que estava acontecendo, ela também as conhecia.

— E o Governador?

Suspirei brevemente antes de responder.

— Acabou.

Ela me olhou um pouco confusa, mas decidiu não questionar.

Assistimos enquanto todas aquelas pessoas eram acolhidas em meio ao nascer do sol. Os pássaros cantavam, abafando os gemidos dos mortos ao longe.

— O que acontece agora? — perguntou Ellie.

Olhei para o grupo e para a prisão arruinada… Parecia que nossas opções não eram muitas. Ficaríamos ali, reconstruiríamos nosso lar. Baixei o olhar por fim para minha irmã.

— Nós vamos ficar bem.

Notas finais
Finalmente terminamos esse arco da terceira temporada! Agora começa a diversão. Vou viajar essa semana, mas prometo que vou tentar não demorar tanto. Mesmo nas ferias a vida ta corrida, não ta facil não. Alias, eu gostaria muito de agradecer a todas vocês por não terem desistido da fanfic e por continuar acompanhando por mais que eu sempre demore pra postar. Enfim, estou ansiosa pelos comentário e pra ver o que acharam! Beijos e até o próximo!