Left Behind

4 Madonna está morta?


Notas iniciais
Olá pessoas, estão todos bem? Alguém está achando os capítulos pequenos? PS: Próximo capitulo, PROMETE.

–Aonde estamos indo? –Questiono virando em uma curva

–Eu encontrei um supermercado há alguns quilômetros daqui. –Kurt responde olhando pelo retrovisor as minhas bolas – Quando pretende joga-las fora?

–Acho que nunca, elas foram as únicas ao meu lado nesses últimos meses.

–Você sabe que isso é bizarro não? –Ele pergunta rindo

–Sim, eu sei, mas não estou nem aí, o mundo é meu. –Falo rindo

–Nosso. –Ele me corrige

–Ok, o mundo é nosso. –Me corrijo – Mas me diga, o que vamos fazer no mercado?

–Se esqueceu que vai jantar comigo a noite?

–Como poderia me esquecer disso? –Digo o encarando – Quer dizer... ninguém nunca mais cozinhou para mim.

–Pois saiba que eu sou um ótimo cozinheiro. –Ele dá uma gargalhada

–Você conserta carros, arranja água, cozinha bem, se veste de uma forma legal e ainda não me deixa sozinho. Tem alguma coisa que você faça que não seja ótimo?

O rosto do Kurt se cora e ele desvia o seu olhar de mim e passa a encarar a estrada. Ele ficou completamente envergonhado com esse meu último comentário o que me deixa feliz.

–É aquele ali na frente. –Ele diz indicando com o dedo

–Só tem vagas para deficientes aqui na frente. –Digo

–Mas não tem nenhum deficiente no mundo. –Ele indaga –Ou ninguém.

–Eu sei, mas essa é uma ótima desculpa para eu poder fazer uma coisa que jamais fiz antes. –Digo acelerando

–Blaine, o que está fazendo? –Ele diz assustado se agarrando no banco

–Digamos apenas que nós vamos estacionar bem perto! –Digo rindo e aumentando a velocidade

–Blaine! –Kurt grita

E só então de uma só vez atravesso com a minha caminhonete pelo portão de vidro do supermercado, quebrando a passagem por completo e estacionando o carro dentro do local.

–Você é louco? –Kurt grita assustado, mas eu começo a rir – Qual é o seu problema?

–Vai dizer que não foi engraçado? –Questiono rindo

–Não! –Ele grita me encarando

–Qual é olhos azuis, vamos, pare de ser tão preso, se solte. –Digo o olhando

–Você está dizendo que eu não sei me divertir? –Ele questiona me encarando bem próximo do rosto

–Sim, é exatamente o que eu estou dizendo. –Digo também me aproximando – Quer que eu soletre? –Desvio meus olhos dos seus e levo meu olhar até a sua boca

–Não. –Ele diz se afastando e abrindo a porta do carro – Vamos ver quem não sabe se divertir.

E só então sai, me deixando ao morder lábios dentro do carro. Esse homem está me deixando louco, só pode estar brincando comigo. Dou uma gargalhada e então saio do carro passando por alguns vidros que estão espalhados pelo chão e indo em direção as prateleiras.

Assim que toco no carrinho de compras um som completamente alto soa das caixas acústicas do mercado e logo após a música “Girls Wanna Have Fun” Da Cyndi Lauper começa a tocar. E Só então eu vejo o Kurt, vindo em minha direção sorrindo.

–O que você está fazendo? –Questiono rindo

–Me divertindo. –Ele dá uma risada e só então do nada aperta uma espuma de barbear em mim

–Kurt! –Grito enquanto ele me mela todo

Kurt espreme toda espuma em mim e leva ela até o meu rosto, passando suas mãos pela minha pele.

–Não acredito que fez isso. –Digo com os olhos fechados por conta da espuma

E então ele leva um de seus dedos pela minha testa, depois bochecha e por fim chega com eles em meus lábios e os alisa com o polegar que aos poucos vai entrando em minha boca, sendo assim não consigo evitar e dou uma leve mordida.

–Tem gosto de espuma. –Digo rindo

Kurt dá uma risada e se afasta de mim ainda rindo, eu passo minhas mãos nos olhos e tiro a espuma, no entanto ainda estou melado. Agarro novamente o carrinho de compras e subo nele, o fazendo de skate até que a música “Living On a Prayer” Do Bon Jovi começa a tocar.

Começo a gritar por todas as prateleiras enquanto Kurt me imita com o carrinho, e estamos os dois cantando a música enquanto vamos de um lado para o outro.

–Oh, we're half way there –Grito

–Oh, oh, living on a prayer –Kurt Grita

–Take my hand, we'll make it, I swear –Grito rindo e Kurt para na minha frente

–Oh, oh, living on a prayer –Nós dois gritamos

Nós começamos a rir como nunca ao mesmo tempo que eu coloco tudo dentro do carrinho ao contrário do Kurt que apenas coloca aquilo que irá usar no jantar. Eu não faço a mínima ideia do que porque ele ter me convidado, Kurt não quis me responder a respeito da perguntinha que fiz a ele e do nada me chama para jantar em sua casa. Não sei o que pensar a respeito disso tudo.

–Hey, engomado! –Kurt grita

–Já achou outro apelido? –Respondo rindo – O que quer?

–Gosta de macarrão, não é? –Ele pergunta cerrando os olhos a espera da resposta

–Claro que sim. –Digo

–Ótimo, pois é a única coisa que vai dar para fazer. –Ele responde rindo

–Tenho certeza de que será delicioso. –Falo lhe olhando

Ele me observa e não consegue evitar de dar uma risada, abaixa a cabeça pois novamente ficou corado.

–Acho que já podemos ir. –Ele diz mordendo os lábios

–Adoro quando faz isso. –Digo olhando o gesto

–Faço o que? –Ele questiona confuso

–Nada. –Respondo rindo – Vamos.

Nós levamos todas as “compras” para o carro e seguimos caminho de volta até casa. Deixo o Kurt em sua mansão e sigo para minha.

Vou direto até o guarda roupa do antigo dono da casa, espalho todas as suas roupas pelo quarto a procura de algo que seja ao menos bonito para a ocasião. Na verdade, nem sei por que estou fazendo isso, afinal de contas irá ser um jantar que o Kurt vai fazer para que possamos nos conhecer melhor, já que passamos os últimos dias apenas brigando. Não consigo disfarçar que estou dando em cima dele, e talvez o Hummel já tenha notado, por isso sempre fica envergonhado. Tenho que parar com isso.

Depois de muito procurar encontro algo que me sirva bem. Vou direto para o banheiro e verifico que a água realmente chegou nas casas, apesar de que ainda em pouca quantidade. Ligo o chuveiro e entro no banho.

Começo a dançar no boxe cantando a música “Stayin Alive” Do Bee Gees. Após um banho demorado saio ainda dançando do chuveiro e vou em direção ao quarto, troco a minha roupa e mais uma vez xereto o lugar a procura de algum perfume, quando enfim acho me cubro com o cheiro, passo novamente o gel pelos meus cabelos e me encaro no espelho.

–Você está divino Blaine Anderson. –Falo para mim mesmo

Saio do quarto e desço as escadas e logo após passo pela porta. Já está escurecendo e eu caminho até a casa do Hummel. Olho pela janela e o vejo de longe colocando a mesa, a casa está iluminada por velas e ele parece se preocupar com os mínimos detalhes.

Bato duas vezes na porta da casa e alguns segundos depois ele finalmente a abre.

–Boa noite. –Digo sorrindo

–Boa noite. –Ele responde me dando espaço para entrar – Que cheiro é esse?

–Perfume. –Respondo acanhado

Kurt me olha e dá um sorriso novamente acanhado, e depois de parecer que vai dizer algo simplesmente fecha a porta e me guia até a mesa.

–E então? Preparado para comer? –Ele questiona

–O que? Comer o que? –Rebato assustado

–O jantar Blaine. –Ele diz me olhando estranho

–Ah sim! O jantar! –Digo envergonhado – Claro.

–Espero realmente que goste, foi bem difícil acender um fogo para cozinhar esse macarrão. –Ele diz rindo

–Eu vou gostar, tenho certeza. –Digo me sentando

–Bom... a bebida que irá acompanhar a refeição é... –Ele diz trazendo uma garrafa – Água.

–Perfeito. –Rebato rindo enquanto ele me serve

Após me servir a água Kurt traz consigo dois pratos com macarrão ao molho e algumas almondegas enlatadas. Ele me serve e se senta de frente para mim na pequena mesa.

–Eu escutei daqui você cantando Bee Gees. –Hummel inicia

–Serio? –Digo acanhado – Me desculpa por isso.

–Nada disso, você tem uma voz incrível. –Ele fala enrolando o macarrão no garfo – Percebi isso vendo você cantar Bon Jovi.

–Gosto bastante das músicas dos anos 80. –Digo comendo pela primeira vez o macarrão. –Oh meu deus! Isso está uma delícia!

–Obrigado. –Kurt diz rindo – Eu amo Madonna.

–Serio? –Questiono curioso

–Sim, e até me perguntei hoje enquanto fazia a comida. Será que a Madonna está morta?

–Oh meu deus, é verdade. –Arregalo meus olhos –Será que todos esses astros estão mortos?

–Provavelmente. –Ele diz bebendo a água – Prefiro não pensar nisso.

–Uau. –Digo suspirando só de pensar nessa possível argumentação

Um silencio se segue enquanto nós dois deliciamos o macarrão. Ninguém nunca mais cozinhou algo para mim e só o fato de ter alguma coisa quente entre as minhas bocas já é um avanço.

–Você ficou bem diferente sem o cabelo grande e a barba. –Kurt diz

–Diferente? –Questiono

–Sim. –Ele me olha – Ficou bonito. –E só então desvia o olhar para baixo

–Obrigado. –Digo acanhado – Você parece que se cuidou bem esse tempo

–Um pouco. –Ele dá uma risada – Mas vamos, me conte a seu respeito.

–Bom, eu sempre morei nesse estado e estudava quando tudo aconteceu. Tenho 18 anos de idade e queria ser cantor, porém o destino não foi muito ao meu favor.

–Você agora tem um mundo inteiro para você, basta apenas seguir os seus sonhos. –Ele rebate

–E para quem eu vou cantar? –Retruco

–Cante para mim. –Ele me encara – Eu serei sua plateia.

–Mesmo sendo uma proposta tentadora, não vou negar que é deprimente.

–Talvez você devesse aproveitar o que se tem. –Ele me olha

Kurt continua me olhando e eu não consigo evitar de fazer o mesmo, será que isso foi algum sinal de sua parte para que eu pudesse avançar? Ou será que foi apenas um conselho para que eu não me menosprezasse?

–Talvez. –Digo – Mas e você? Me fale a respeito do Kurt Hummel.

–Bom, eu também era de Lima, porém fui até New York para tentar entrar na universidade, tenho 19 anos e acho que só. –Ele suspira – Minha vida não era tão empolgante.

–Acho isso pouco provável. –Rebato – Você parece ter tido tudo.

–Acho que não é bem por aí.

–Não? –Questiono confuso – Passei minha adolescência toda tentando achar o amor da minha vida e agora o mundo acabou. Não tenho mais nada o que fazer.

–Primeiramente, não tinha tudo pois passei minha adolescência fugindo de caras que queriam me bater e segundo por que não arranjou uma namorada? Você é um cara incrível.

–Primeiramente eu não sou incrível. –Rebato

–Ok, se diz. –Ele rebate

–E segundo, eu não arranjei uma namorada por que sou gay.

Kurt novamente me encara, mas não da mesma maneira como quando lhe fiz a pergunta, agora ele está com um olhar diferente, estranho.

–Bom. –Ele diz se levantando da cadeira

–Sabia. –Resmungo –Sabia que no mesmo instante que eu falasse que sou gay ao único cara que está na mesma situação que eu tudo iria mudar.

–Será mesmo? –Ele questiona se sentando no sofá

–Sim, é o que está acontecendo. –Me levanto – Kurt, não é só por que eu sou gay que quero transar com todos os caras, ok?

–É mesmo? –Ele diz em ironia

–Você está sendo sarcástico? –Questiono me aproximando – Olha, tudo bem você é um cara lindo, não posso negar isso. Mas não é por que sou gay que vou querer lhe atacar.

–Bom saber. –Ele diz ainda em tom de sarcasmo

–Kurt me escuta. –Me sento em sua frente no sofá – Não quero que você deixe de falar comigo por conta disso, você me chamou para jantar pelo único motivo de nos conhecermos melhor e é exatamente isso que estou fazendo, me abrindo para você.

–Ok. –Ele continua com o tom

–Kurt, será que você pode parar de debochar da minha cara? Eu não gosto disso, não gosto de fato de ser o único assim ou o fato de que...

E só então ele leva o seu dedo indicador até os meus lábios, me calando. Tento falar, mas ele apenas faz “Shii” com a boca.

–Não estou lhe criticando ou debochando de você. –Ele sussurra enquanto lhe olho

Ele arrasta seu dedo sobre os meus lábios, e depois leva eles até a pele do meu rosto. Meu coração está acelerado e eu não faço ideia do que ele está fazendo. Kurt se aproxima um pouco de mim, se sentando bem na minha frente, enquanto novamente com o dedo volta a alisar os meus lábios e me olhar bem nos olhos e só então ele se aproxima mais e mais, indo em direção a minha boca, porém desvia dela, transferindo seus lábios até o meu pescoço.

–O que você está fazendo? –Questiono

–Shii. –Ele sussurra passando os lábios sobre a minha pele

Os meus pelos se arrepiam e Kurt beija o meu pescoço, meus olhos se fecham à medida que ele vai subindo e subindo com seus lábios em minha pele. Ele leva uma de suas mãos até a minha nuca e agarra com força o meu cabelo, e com a boca agora vai caminhando até o meu rosto e beijando a minha bochecha.

Abro enfim os meus olhos e Kurt me encara bem no fundo deles, aproxima finalmente seus lábios dos meus mais não encosta neles, apenas deixa as nossas respirações se misturarem e após desviar seus olhos até a minha boca ele simplesmente me beija.

Nossos lábios se tocam e nossas respirações ficam aguçadas, levo uma de minhas mãos até o seu peito ao mesmo tempo em que ele aperta a minha nuca. Nossas línguas se entrelaçam em uma perfeita sintonia e por fim, ele se afasta da minha boca mordendo meu lábio inferior e me encarando nos olhos.

–Acho melhor você ir para casa agora. –Ele sussurra

–Certo. –Digo começando a tremer as mãos

–E não se esqueça de refletir se a Madonna está morta. –Ele diz me olhando

Faço que sim com a cabeça e me levanto no mesmo instante, ainda com o corpo tremulo. Não acredito no que aconteceu aqui, não posso acreditar que ele realmente me beijou. Lhe olho uma última vez e penso em sorrir, mas estou completamente... na verdade não sei o que estou sentindo agora, de qualquer forma, caminho até a porta e a abro, mas antes que eu possa sair ele simplesmente me interrompe falando:

–A propósito, eu também sou gay, Blaine. –E só então sorrindo, saio da casa e corro em direção a minha, tentando não me iludir em pensar no que está por vir.

Notas finais
Dicas? Opiniões? Seja lá o que estiver pensando, comenta ai ;)