Left Behind

1 Deixado para trás.


Notas iniciais
Olá pessoas ♥
Bom... depois da minha ultima fic "Twice Love" no site spirit (logo ela será postada aqui) Eu não pretendia postar outra nem tão cedo. Mas daí, não sei da onde, das cinzas e trevas talvez, me veio uma pequena inspiração que eu queria poder colocar em palavras, nesse caso, na minha mais nova mini-fic (Sim ela vai ser bem pequena) "Left Behind" Que tem como tradução de titulo "Deixados para trás".

Eu espero realmente que vocês curtam esses poucos capítulos, lembrando que, passou a minha faze dark de drama dando lugar a uma comedia romântica básica inspirada na serie " The last man on earth"
Aqui está o LINK do trailer da fic > https://www.youtube.com/watch?v=NhAD-TdGQ28&feature=youtu.be

Mais uma vez, espero que gostem.
E ação...

Cinco, quatro, três, dois, um. É oficial, fazem exatos um ano e meio desde que tudo aconteceu.

Não gosto muito de me lembrar do que se passou há um ano e meio atrás, afinal de contas não foi uma das melhores coisas da minha vida, na verdade acho que foi a pior das piores. É bem estranho um garoto de apenas 18 anos de idade passar pelo que passei, ver tudo e todos ao seu redor se esvaindo como se não tivessem nenhum significado até agora, ou pior, saber que seja lá quem fez tudo isso teve a capacidade de me deixar só.

Ando em busca de pessoas há mais de cinco meses e não encontrei uma sequer que me fizesse ao menos ter esperança a respeito da minha vida ou parte do que foi deixado dela. Muitos poderiam me denominar de louco, de azarado, ou simplesmente de o garoto mais sortudo do mundo por saber que agora estou só, algo de bom deveria ser tirado de toda essa história.

“Me encontre em Lima, Ohio”.

-Mais uma pichação Gregory. –Falo encarando minha bola de basquete – O que foi? A esperança é a última que morre, nunca ouviu esse ditado? – Continuo encarando a bola – Olha, eu tenho que aproveitar que ainda existe combustíveis e eu posso dirigir meu carro. Eu sei que já rodei os Estados Unidos inteiro a procura de pessoas, mas eu não vou desistir.

Não é possível que de tantas pessoas, de tantos estados, de tantos países logo eu tenha sido o único a ser deixado para trás. E o pior de tudo é ver os lugares que permanecem iguais ao começo de tudo, estão intactos.

-Ok. –Suspiro – Esse é o último lugar, vamos para casa agora meninos.

Corro em direção a minha caminhonete e me junto as minhas oito bolas de diferentes tipos. Não estou louco, é super normal alguém querer poupar a sanidade conversando com bolas, aprendi isso assistindo ao filme “Naufrágio”.

-Sabe meninos. –Digo ligando o carro – Não faço a mínima ideia do que fazer agora.

Abaixo a janela do meu carro e dirijo até a estrada principal, deixando o vento que agora está limpo assoprar os meus cabelos que aproposito estão incrivelmente grandes assim como a minha barba. Suspiro e tento relaxar, não penso em nada que possa me levar ao desespero de saber que agora não tenho mais nenhum objetivo a não ser esperar, mais sozinho do que nunca.

-Acho que a pior parte disso tudo foi todos morrendo. –Digo as bolas – Não acredito que nunca mais vou ter amigos, ou algum namoro, ou pior, a minha família. Não gosto de pensar nisso.

Não posso negar que também ainda sinto ódio pelo governo, que poderia muito bem ter avisado a todos a respeito do vírus. Foi tudo tão rápido, não gosto de me lembrar. Mas se formos olhar pelo lado bom da história, não há mais engarrafamentos.

-Acho que chegamos. –Digo diminuindo a velocidade do carro – Olhando mais uma vez pelo lado bom de tudo isso, agora posso morar na casa que eu quiser.

Paro o carro e observo o incrível condomínio de mansões que está bem diante de meus olhos, dou um sorriso como nunca e respiro fundo.

-Vai ser você. –Digo caminhando em direção a uma enorme casa branca. Não me preocupo com a minha vestimenta, já que sou o único, posso ficar bem à vontade como agora. Um moletom, uma cueca e um coturno que eu peguei emprestado de um vendedor morto.

Passo por cima de alguns matos grandes que crescem na frente da casa e depois de chutar a porta três vezes consigo abri-la. É completamente gigante, tem uma escada dupla que leva ao andar de cima e portas por todos os lados, além de fotografias.

-Vocês eram uma família muito feia. –Digo arrancando a fotografia da parede –Com certeza a sua mulher te traia. –Falo agora indo em direção a sala – Uau. Um piano.

A sala com certeza é bem maior do que toda a minha casa antiga. Um piano, uma lareira, uma televisão plana, um sofá confortável e várias outras coisas que me fazem ter arrependimento dessa família ter morrido.

-Olha, um jarro. –Digo indo em direção a um vaso de porcelana – Ops.

Deixo o vaso cair de proposito no chão, acho que ninguém vai limpar. Dando alguns sorrisos vou agora em direção a cozinha. Abro todos os armários e vasculho todas as comidas, está tudo fora da validade ou estragado tirando alguns enlatados e algumas caixas de cereais.

Caminho agora até o lado de fora e vejo uma piscina enorme, porém bem suja. Ela tem um trampolim que está coberto de lodo e uma imagem engraçada nos ladrilhos do chão. Esse lugar está bem acabado. Se assemelhando bastante a mim, que por sinal, precisa de um banho. Mas não agora.

Paro e observo a casa do lado de fora, levo minhas mãos até a cintura e entorto um pouco a boca, depois giro a cabeça 90° para um lado, depois 90° para o outro e por fim respiro fundo.

Já passei por tantas coisas na minha vida, já sofri, já chorei, já tive meus sonhos estragados e mais que nunca agora nada faz mais sentido eu estou sozinho, e isso me deixa angustiado por saber que já não tenho mais forças de ir à procura de alguém ou muito menos esperar aqui sentado. Preciso aproveitar o que me resta da vida, afinal de contas, é preciso algum motivo para que logo eu tenha sido o escolhido para não me juntar aos outros milhares estejam onde estiverem. Acorda para vida Blaine Anderson, o mundo agora é seu, só seu.

-O que um garoto de apenas 18 anos de idade, pode fazer em lugar que não há ninguém? –Questiono a mim mesmo em voz alta

Dou um sorriso e ando ligeiro novamente até o carro. Ligo ele e saio sem nenhum rumo, afinal de contas agora eu estou livre, de todas as regras e restrições. Acelero o máximo que posso, ultrapassando as placas de quilometragem, abro a janela do carro novamente e começo a gritar como nunca. Meus gritos até parecem ecos, são espalhados com velocidade em um ambiente solitário.

Estaciono de uma forma errada e saio do carro, indo em direção a um mercadinho. Ao invés de ao menos tentar abrir a porta, simplesmente pego uma pedra grande no chão e jogo ela contra o vidro fazendo um enorme buraco seguido de um enorme barulho de vidros caindo.

-Aeeeeee! –Grito rindo como nunca e levantando os braços, como se eu estivesse em uma partida de futebol

Passo pelo buraco e entro na loja, pego um carrinho de compras e saio passando por todas as prateleiras, pegando tudo que eu tenho direito. Derrubo uma pilha de latas de sopa que provavelmente foram empilhadas por algum funcionário sofrido e vou até um som e cato entre as pilhas de CDS algo que me agrade e acho pôr fim a música “Fluorescent Adolescent” Dos Arctic Monkeys.

Começo a dançar no som da música e ainda fazendo meus passinhos constrangedores chego a uma área que jamais estive antes, as prateleiras de revistas pornôs.

-Oh meu deus. –Parece que todas as minhas forças foram retiradas – Como sinto saudade de sexo. –Respiro fundo e começo a procurar entre as revistas

Nenhuma delas me agrada pelo simples e único motivo que todas têm uma mulher nua na frente, o que não é de minha preferência.

-Achei. –Digo rindo e segurando uma revista com um homem na capa.

E essa não é a única, encontro uma sessão logo ao lado de várias revistas com vários homens completamente maravilhosos na capa. Saio pegando uma por uma e enchendo o carrinho, para falar a verdade tem mais revistas do que alimentos. Logo após passo pelas prateleiras de bebidas e encho mais uma vez o carro com o máximo de álcool que eu consigo.

-Acho que é de graça. –Digo rindo e saindo com tudo para o lado de fora

Levo todas as coisas até o carro e uma coisa me chama atenção. Onde eu estou é um morro íngreme que leva direto a um estacionamento no fim. Tem um carro vermelho maravilhoso bem na minha frente, estacionado de uma forma errada. Roo as minhas unhas enquanto penso de devo fazer isso ou não, porque diabos estou me privando tanto? Quem vai me repreender? Estou sozinho não?

Sendo assim, caminho até o carro vermelho e encosto minhas duas mãos na sua traseira e começo a empurra-lo, com a maior força que eu consigo até que por fim de uma só vez o carro desce a inclinação e eu o observo ir em direção a mais dois carros que estão no estacionamento. Até que enfim, ele bate, logo em seguida explodindo.

-Uhu! –Grito mais alegre que nunca – É isso! Isso!

Queria que algum amigo meu estivesse aqui comigo para dividir esse momento, o que me deixa um pouco triste. Sendo assim, deixo os carros pegando fogo e caminho de volta até a minha caminhonete entro nela e sigo novamente meu caminho. Pareço estar realmente bem pelo fato de que o mundo praticamente acabou, mas na verdade, passei um ano sem sequer conseguir sair da minha antiga casa a não ser para conseguir alimentos. Foi o pior ano da minha vida, eu simplesmente não sabia o que fazer a não ser chorar, até o dia em que resolvi sair e ver como o mundo estava, pois bem... talvez tenha feito a coisa certa, ficar preso em um porão não é muito bom para a cabeça.

Com o carro ainda em alta velocidade volto para a minha mais nova casa. Largo o automóvel em qualquer lugar e levo as minhas “compras” para dentro, seguro uma garrafa de vodca e levo comigo uma das revistas educacionais.

-Onde posso fazer isto? –Questiono olhando para o quintal –Já sei.

Caminho em direção a borda da piscina e me sento nela, abaixo um pouco as minhas calças e bebo um gole da bebida que sai rasgando a minha garganta, respiro fundo e abro a revista. Observo o privilegiado da vez, um loiro forte e incrivelmente sexy.

Levo uma de minhas mãos até o meu pênis e observo as imagens do homem, me imagino em sua cama, ele me tocando em todas as partes, beijando o meu pescoço e descendo pelo meu peito e indo até o meu membro, me fazendo ter o melhor sexo oral da vida. Fecho meus olhos e me masturbo agora imaginando eu penetrando nele, enquanto ele geme, meus olhos se reviram e minha respiração fica aguçada, até que por fim, depois de sentir mais prazer, finalmente me liberto soltando meu liquido na piscina.

Me deito olhando para cima, o céu está ficando escuro e agora me sinto culpado. Na verdade, nunca gostei de me masturbar, mas de uns tempos para cá essa é a minha única opção. Como já sei que Deus a ciência, ou seja lá o que for, não vai me mandar nenhum homem como faria se fosse o caso de algum hetero querendo povoar novamente o mundo, tenho que infelizmente me contentar com revistas de homens que já estão mortos, o que é bem bizarro.

-Hey! –Grito olhando para o céu. –Seja lá quem estiver aí, será que poderia me mandar algum homem? –Um silencio segue – O que eu estou fazendo? Isso é pecado... eu acho.

Um novo silencio se segue...

-Eu só quero alguém que corte o meu cabelo! Ou que me dê um banho, é chato fazer isso sozinho! –Agora pássaros voam – Seria muito pedir um homem? Hey! Tem alguém aí? Olá?

Reviro meus olhos e tento ainda deitado beber o resto da garrafa de vodca e acabo melando não só a minha barba como meu moletom. Já estou cansado disso.

Não sei mais o que fazer, não quero viver sozinho pelo resto da minha vida, não quero sofrer em um futuro sem alimentos ou sem combustíveis, ou sem energia. Não quero mais nada disso. Amanhã vou resolver esse meu problema, com uma solução que eu deveria já ter feito desde o começo de tudo.

[...]

Cá estou eu, Blaine Anderson, o último homem da terra, o único que teve o azar de ser deixado para trás, dentro de sua antiga caminhonete em uma avenida completamente vazia e perigosa.

-Não queria levar vocês juntos comigo, mas do que adianta os oito ficarem sozinhos? –Digo olhando para as bolas – Thomas, não precisa ficar murcho por conta disso. –Observo a bola de vôlei que está murcha –Ok, não acredito que vou fazer isso.

Respiro fundo e ligo o carro, agarro o volante com força e observo a avenida que termina em uma curva que se não for muito bem-feita lhe leva até um precipício, ou seja, leva até o meu objetivo.

-Não vou ser o único aqui. –Digo cerrando os olhos – Cansei de tudo. Vamos lá, você não vai sentir nada Blaine, vai ser rápido.

Respiro fundo e me sinto pronto para morrer como jamais estive pronto para fazer qualquer coisa. E só então aperto com força o meu pé no acelerador fazendo um barulho de pneu alto soar e fumaças serem lançadas atrás do carro e só então meu automóvel dá partida, com uma velocidade completamente alta, meus braços começam a tremer e minhas pernas logo fazem o mesmo. Estou próximo do penhasco, há mais ou menos, uns sete metros, quando por fim algo me impede de seguir até o meu objetivo.

Um cara, com o cabelo assanhado e umas roupas velhas aparece na frente do carro, fazendo com que eu desvie de uma forma completamente desajeitada batendo em uma pedra enorme do lado do acostamento, me fazendo por fim desmaiar pelo impacto.

Notas finais
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