Left Behind
6 Need more time
Notas iniciais
A floresta. Eu estava na floresta. Meu coração estava acelerado. E eu estava com medo. Mas de repente todo o cenário mudou. Ao invez da floresta estar escura, ela estava iluminada. Era final de tarde, e o clima estava agradavel. Haviam vagalumes brilhando sob as copas das árvores. Olhei em volta.
–Não vai comer, meu amor? -Amor? Garrett estava sentado sobre uma toalha de piquinique que ele montara no chao da floresta.
–Já estou indo. -Eu falei, mesmo não sabendo o porque. Eu não tinha controle do que fazia. Me aproximei de Garrett, sentei no chão e lhe dei um selinho demorado.- Isso ta incrivel.
–Obrigado. Hoje é um dia especial. Nós merecemos. -Ele me deu um beijo na bochecha, e se aproximou para sussurrar.- Fez aniversário de namoro.
–Namoro?
Eu arregalei os olhos, no mesmo momento que a floresta voltara a ficar escura. A toalha de piquinique havia sumido. Tudo. Mas Garrett ainda estava la. Ele tinha a lista em uma das mãos, e a cabeça de Liam na outra. Meu estômago se revirou, e lágrimas sairam dos meus olhos.
–O que você fez, Garry?
–Fiz o que tinha que ser feito. Mais 18 milhões para mim. Mas sabe, Liam nem vai fazer tanta falta.
E nesse segundo, o Berserker perfurou o peito de Liam com sua mono garra. Ele o matara.
–*-
–Hope? Hope, acorda. Hope!!
Sentei na cama num pulo, tentando controlar a minha respiração. Meu coração batia forte, e eu ainda chorava. Um sonho. Aquilo foi só um sonho. Mais um. Mais um de muitos que eu sempre tinha desde a morte de Garrett.
–Outro sonho ruim? -Liam estava deitado ao meu lado na cama, com uma expressão de pena. Eu suspirei.
–Garrett de novo. Ele não sai da minha cabeça. -Bufei de frustração. A minha frase nao pareceu agradar muito Liam, que passou a mão no cabelo, impaciente.
–Talvez deva visitar uma psicologa.
–Ah claro. Querida psicologa, eu vi um amigo meu morrer por punhalada no peito. Vi o meu namorado virar lobisomem, e além de tudo, descobri que todo mundo que ele anda é estranho e...
–Namorado? -Ele sorriu. Um sorriso vitorioso.
–De tudo o que eu falei, só se prendeu nisso? -Cruzei os braços, revirando os olhos.
Liam sorriu, balançando a cabeça. Ele se ajeitou melhor para que pudesse se inclinar para começar um beijo. Retribui o seu beijo no mesmo instante. Era relativamente difível resistir a ele.
–Você vai esquecer ele, cedo ou tarde. Vai esquecer tudo isso. Já fazem quase dois meses, Hope!
–Eu sei, eu sei.
–Olha, eu vou tomar um banho, ok? -Ele se levantou da cama, e eu o imitei.
–Não demore. Não quero chegar atrasada na aula. De novo.
Ele bateu a porta do banheiro, rindo baixo. Pude ouvir o chuveiro sendo ligado. Eu fui até a minha bolsa, e peguei a roupa que havia trasido. Me troquei.
Era engraçado acordar em uma casa que não era sua. E devo admitir que havia feito isso algumas vezes nesse mês. Mas Liam nunca haviamos feito nada. Ainda. Nada além de literalmente dormir juntos. Dormir mesmo.
Guardei o resto de minhas coisas, e quando estava indo ao banheiro para chama-lo, um livro me chamou a atenção, em cima da escrivaninha dele. "O Bestiário". Só o nome me dera arrepios.
Abri-o, e folheei. Parei na sexta página. "Lobisomens: Olhos amarelos, azuis, vermelhos. Cada qual com seu significado". Franzi a testa, e continuei lendo.
"Todos os lobos iniciam com olhos amarelos. Os olhos azuis não são dificeis de conseguir. Os lobisomens que tem olhos azuis brilhantes em sua forma animal, carregam um passado complicado, porque para se ter essa cor, precisa-se cometer um assasinato".
Com essa frase, lembrei da noite que vi Liam como lobo pela primeiva vez. Olhos amarelos.
"Olhos vermelhos, os mais poderosos. Deve-se matar um alfa para se ter olhos vermelhos. Ou ser um alfa de nascença, o que é muito raro."
Virei a página, e caí em "Kitsune":
"Kitsune, mais conhecidos como espiritos raposa. São em sua maioria, japoneses. Tem quase as mesmas habilidades que os lobisomens, apesar de não ter as garras e as presas. Também são otimos lutadores, e ora ou outra conseguem controlar a eletricidade de um lugar."
Virei novamente a página. A próxima era "Banshee".
"As banshees são seres mitologicos que preveem a morte. Normalmente gritam para canalizar energia. São extremamente intuitivas para coisas sobrenat-"
–Fuçando nas minhas coisas, Hope? Que feio. -Fechei o livro em um baque.
–Desculpe. Fiquei curiosa. -Liam deu um sorriso, e colocou os braços sobre os meus ombros, murmurando um "vamos". Saímos de casa.
A escola toda já não me olhava mais torto, depois de dois meses. Haviam aparentemente esquecido da morte de Garrett. E pensar que não sabem nem da metade...
Liam me dissera que a lista foi disponibilizada na internet, criptografada, e alguns assassinos profissionais se interessaram em matar os seres sobrenaturais de Beacon Hills. Garrett e Violet formavam a dupla conhecida como "Os órfãos". Eram famosos nesse ramo, por se "camuflarem" bem entre os adolescentes.
–Você quer ir?
Fui acordada do meu devaneio por Liam, que havia parado na minha frente, com as sobrancelhas levantadas de espectativa.
–Desculpe, onde?
–Na festa, Hope! A festa do time de Lacrosse, não se lembra? É amanhã a noite, e todo mundo do time precisa ir. Acompanhado, claro. A melhor festa do ano.
Estava pronta para dizer não, mas ele sorriu. Aquele sorriso acabou por me derreter inteira, e eu suspirei.
–Ta, eu vou. Por você.
–Obrigado, Hopie. -Liam disse, enquanto atendia o celular. Ele foi para um canto do corredor, longe das pessoas. Eu o segui.
–Aham. A lista? O que? -Liam parecia aflito. Algo tinha dado errado.- Uma familia inteira? Céus. Ta. Tudo bem.
Ele desligou, e ficou quieto por um minuto. Eu fiquei na frente dele, fitando seus olhos azuis. Azuis quando humano... Amarelos quando lobo.
–Mataram uma familia inteira Hope. Um tal de Muted. Matou uma familia de sobrenaturais. Foram riscados da lista. A gente precisa dar um jeito nisso rápido, Hope.
–Calma, ta. Ta todo mundo trabalhando nisso, Liam. Não pira.
–A lista foi divulgada online, Hope! -Ele aumentou o tom de voz, mas assim que percebeu, voltou a sussurrar.- Agora qualquer um pode tentar matar um de nós para descolar uma grana. Sabe o que isso significa? Qualquer um da cidade que saiba sobre seres sobrenaturais pode nos matar! Estamos fritos.
Eu coloquei minhas duas mãos no rosto dele. Suas veias do pescoço estavam saltando. Ele estava nervoso. Eu sorri, e me estiquei para lhe dar um selinho demorado.
–Relaxa, ta. Vocês vão sair dessa. Vivos, digo. Vão arranjar um jeito de desligar a lista, ok? Não se preocupe Liam. Eu vou ajudar.
–Não quero te meter em problemas.
–Já falei que estamos juntos nessa. Vou ajudar você. E os seus amigos.
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