Left Behind

9 I'll help you, Hope.


Hope estava com aquele ideia idiota na cabeça novamente. Ela até tentara abandona-la, por ser até um pouco perigosa nas condições atuais da cidade, mas ela ainda parecia uma boa saída.

A garota entrou na escola e já foi para seu armário, pegar seu material da aula que teria naquele período. Entrou na sala antes da professora, e Liam entrou logo atrás, sentando-se em uma carteira atrás dela. E ficaram assim, um tempo em silêncio. Hope logo o quebrou, virando se para trás.

–Bom dia, Liam. -Ele apenas deu um sorrisinho.

–Como está seu pulso? -Hope revirou os olhos discretamente, e descansou o pulso machucado no colo, longe da visão de Liam.

–Está ótimo. Falei que não precisa se preocupar.

Ele fez uma careta, mas antes de poder retrucar, a professora entrou na sala, já introduzindo a aula a todo vapor. E Hope mal prestou atenção em suas palavras. A sua mente estava bem ocupada tentando achar um jeito de por sua ideia maluca em prática. E também estava pensando em alguém para ajuda-la, porque definitivamente era impossível fazer aquilo sozinha. E nem Liam, nem ninguém da turma de Scott a ajudaria.

Assim que o sinal deu fim aquela aula, ela pegou seus materiais e foi saindo da aula. Liam fez de tudo para guardar seus materiais igualmente rápido e segui-la. Assim que o fez, saiu da sala, mas nenhum sinal de Hope. Ele ainda tinha plena convicção que ela tinha medo dele, pelo que houve duas noites atrás. Ela estava o tratando diferente. Estavam conversando, mas bem pouco. Ele mal tivera chance de lhe dar um beijo naquela manhã. Ele suspirou, e foi trocar de materiais em seu armário.

Enquanto isso, Hope estava no outro canto da escola, mas precisamente no campo de Lacrosse. Ela sabia que as terças feiras os veteranos tinham treino, e a grande maioria não ia as aulas. Brett era um deles. E Brett seria uma ótima pessoa para ajudá-la em seu plano. Ao menos ela achava, já que na verdade Brett não tinha motivos para ajudá-la, ou confiar nela. Mas ia tentar, de qualquer jeito. Hope invadiu o campo, no meio de uma tacada de um dos jogadores, e se esquivou para não ser acertada.

–BRETT! -Hope gritou pelo garoto, que logo dirigiu o olhar a ela, e foi ao seu encontro.

–Hope! O que devo a honra de sua visita... Inesperada? -Ele tirou o capacete da cabeça, e jogou-o para outro garoto, que provavelmente seria o reserva dele.- Fala do que você precisa?

–Como sabe que eu preciso de alguma coisa? -Cruzei os braços. Eu já havia perdido o fator surpresa.

–Não somos amigos, nem namorados, nem irmãos. Se está me procurando, ou quer me bater, ou quer um favor. Agora fala. -Hope revirou os olhos, começando a achar a ideia de bater nele bem oportuna.

–Podemos conversar a sós? -Brett ficou sério, talvez um pouco preocupado.

–Ta, podemos. -Ele deu de ombros e sinalizou para o time que já voltava.

Brett fez um sinal de cabeça para que Hope o segui-se. E ela o fez. Hope pensou que ele a guiaria para, no máximo, uma sala dentro da escola, mas ele não fez isso. Ele a levou para um lugar fora do prédio escolar, que quase não havia luz alguma. Ele garantiu que ali, ninguém ia ouvi-los. Hope teve um arrepio. Mas valia a pena correr o risco.

–Fala. -Brett disse, encostando-se na parede dali. Hope se encostou na outra, deixando uma distância segura entre eles.

–Eu preciso de um favor seu...

Depois de uma longa explicação do que Hope queria, Brett ficou em silêncio. Ele divagava sobre o que ela pedira a ele. Ela realmente uma ideia bem idiota, que tinha infinitas maneiras de dar errado. Mesmo querendo ajuda-la, ele estava longe de aceitar aquilo. Quer dizer, aquilo podia mata-la?

–Deixa eu ver se eu entendi bem... -Ele tomou fôlego, enquanto ela só o fitava.- Você quer se tornar o que eu sou. Quer ser uma lobisomem. Quer se tornar exatamente o que assassinos profissionais estão querendo exterminar. Bacana, você uma suicida maluca.

–Brett! Eu já expliquei porque quero isso! Se eu fosse forte como vocês, não precisarei de ninguém para me defender. Por favor... -Hope desencostou da parede que estava, e deu um passo da direção dele. Estava pronta para implorar se precisasse.

–Hope, isso é ridículo. Acha que eu seria um lobisomem se eu tivesse escolha? Acha que qualquer um seria? Eu nasci assim, Hope!

–Mas Brett. Você é o único que pode me ajudar.

–Porque pensou que eu ajudaria?

–Porque não somos amigos. Nem namorados, nem irmãos. -Ela devolveu o que ele dissera mais cedo- Achei que não se importasse comigo.

Brett desencostou da parede, e se aproximou o máximo que pode dela, fazendo Hope ir para trás, encostando as costas na parede novamente. Brett colocou um dos braços apoiado na parede, ao lado da cabeça dela.

–Quem disse que eu não me importo?

Hope prendeu a respiração. Ele estava a centímetros dela. Ela tomou fôlego e colocou uma das mãos no peito dele, empurrando-o até que ele estivesse encostado na parede oposta a que ela estava.

–Por favor, Brett. -Hope sussurrou, fitando-o.

Uma das mãos de Brett parou na cintura dela. Ele fechou os olhos por poucos segundos, e quando os abriu, os seus olhos estavam amarelos brilhantes, iguais aos de Liam.

–Sabe o que eu vejo em você? Você é pura demais para isso, Hope. Por favor, pense direito. Vale mesmo o risco? As coisas podem dar errado. Seu corpo pode rejeitar a transformação e...

Ele não terminou a frase. Hope suspirou. Então aquilo era um "nada feito". Ela assentiu, se afastando dele. A mão de Brett que estava em sua cintura relutou em deixa-la, mas acabou por cair ao lado de seu corpo. Hope deu uma última olhada para Brett, e lhe deu as costas.

Antes dela sumir de sua vista, Brett chamou seu nome. Ela se virou devagar para ele, em silêncio.

–Ta. Eu faço. -Ela franziu as sobrancelhas, como se não acreditasse. Brett percebeu, e afirmou.- Eu faço o que você quer. Mesmo que Liam me mate quando descobrir.

–Ele não vai te matar, Brett! -Ele revirou os olhos, dando de ombros. Hope andou até ele devagar, e tomou liberdade de abraça-lo.

–Obrigado.

–Se fosse a minha namorada, eu nunca aceitaria isso. Não deixaria seu nome entrar na lista.

–Ainda bem que não sou, hm?

–É. Ainda bem que você não é.