As árvores balançam lá fora, com o vento frio que anuncia a chegada de uma frente fria, digna de cachecol e luvas. Os carros passam rapidamente. Na verdade, o mundo passa lá fora, devagar como sempre, veloz como nunca. As pessoas se cumprimentam e se vão. E eu estou aqui, dentro de um ônibus chacoalhante; mas que não me impede de pensar em muitas coisas. As gotículas de chuva molham o vidro embaçado desenhando traços incertos, que vão parar no mesmo lugar. Perguntei a mim mesmo: o que é amizade? Senão uma cumplicidade que vem do nada e nos faz sentir seguros e certo de que temos alguém em quem podemos confiar.

Mas ao mesmo tempo é algo que se pararmos para explicar e conseguirmos, deixa de se puro e intocável. A amizade verdadeira não tem explicação. Vem da alma. E habita no coração; e o que tudo isso tem a ver com as gotículas de chuva no vidro do ônibus? Pode ter tudo, pode ter nada. Eu sei lá, sabe? A amizade verdadeira consiste em sorrir estando sozinho, sabendo que em algum lugar, seu amigo está com você.

E quem tem um amigo, amigo mesmo, sabe do que estou falando. Por isso, nem preciso explicar. Quem tem um amigo, tem em si a dádiva da resposta.

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