Arco I — Ashe

Capítulo 3 – O Mestre

– Lute por sua vida. – O meu “salvador”, vira-se para mim e aponta sua grande arma em minha direção, onde me obriga a saltar para trás, de maneira defensiva, me colocando em posição de ataque com uma flecha preparada.

– Que tipo de salvador você é?! É disputa para ver quem mata a arqueira, é isso?! –

– Mostre-me, do que é capaz. – Diz o meu “salvador” encapuzado.

O homem com o dobro do meu tamanho avança em minha direção com sua enorme espada, golpeando-me, e sem me deixar escolha sou forçada a esquivar-se e golpeá-lo com meu arco.

Sou mais rápida que esse homem, porem, quando meu arco atinge seu corpo, sinto minhas mãos tremerem e de imediato sou ricocheteada para trás, atirada na neve... Seu corpo é duro demais para eu derrubá-lo fisicamente, porem... Minhas flechas talvez sejam capazes de perfurá-lo.

– Hum... – Ele para, estou caída diante seus pés, assustada e sem reação. – Não sabia que uma arqueira também sabia bater com as mãos. – Quando ouço essas palavras, lembro-me de um detalhe crucial... NÃO SOU UMA GUERREIRA, SOU UMA ARQUEIRA!!

– Haha... – Balanço os braços para aliviar a tensão. – Desculpe. Vou parar de fingir de ser aquilo que não sou. Mas... Quem é você? – Ergo-me e pego uma flecha de minha aljava.

– Acerte-me. E eu responderei. – Ele diz.

– Está certo. Você é quem manda, mas não venha reclamar que está doendo... – Disparo minha flecha a dois metros de distância, morando em seu peito, mas ele para meu projétil apenas segurando a flecha entre seus dedos.

– Ah... – Suspiro, impressionada.

– Hm... Você tem potencial, mas não está concentrada. – O que? Não estou concentrada? Isso é um insulto a qualquer arqueiro que se de valor.

– Vou lhe mostrar quem não está concentrado aqui! –

Corro para me afastar dele, alcanço cerca de quinze metros de distância, sei que posso atingi-lo daqui, mas só por segurança... Salto para a copa de uma das arvores e após o silêncio mútuo, vooom!! A flecha é atirada ao máximo da força que meu arco suporta, mas não perco tempo e já salto em sua direção, disparando uma segunda flecha, salto em noventa graus ao leste e disparo uma terceira, mais vinte graus ao oeste e uma quarta, chego a oito metros e disparo a quinta flecha em sua direção.

Ele é minha presa! Sou uma caçadora! Sou eu que faço eles fugirem! Toda a minha raiva, todo o meu ódio é posto na sexta e ultima flecha, ao qual aproximo-me do homem ajoelhado, pelo jeito foi ferido pelos meus disparos.

Estendo a corda de meu arco ao máximo, vejo a linha a começar arrebentar, não terei muito tempo, salto a dois metros de sua pessoa. – SEGURA DESSA!! — Berro furiosamente,vou mostrá-lo quem aqui é uma presa.

Porem... Quando dou por minha conta, o vejo levantar-se, ele me enganou... Apenas fingia estar ferido, mas não existe o menor sinal de sangue em seus trajes... O homem encapuzado dá um passo para trás e minha flecha crava-se no chão, mas em sua mão existe um punhal de flechas que são atiradas e mim.

– Ah!! – Cinco flechas perfuram meus braços, pernas e uma em meu peito, meu corpo é lançado para trás, enquanto sinto a dor excruciante de minhas próprias armas...

Estou caída sobre o gramado esverdeado, meus olhos trêmulos observando o passar das nuvens e brilho do sol sob aquela manhã agitada... Ouço passos e logo o som é coberto pela figura negra da morte.

O “salvador” está diante de mim, em pé, segurando minha sexta flecha em seus dedos... Chegou o meu fim, ele irá me matar, sentia isso em cada ponta de meu corpo, em cada gota de meu sangue derramado, ou quem sabe, ele me deixaria travada no chão para sangrar até morrer.

– Vai... – Sussurro. – Acabe comigo... – Peço.

– Por quê? – Ele questiona-me do por que de me matar.

– Por que... Você me derrotou... Não consigo me mover... Prefiro morrer logo, do que agonizar por horas... Mate-me. – Ele abaixa e põe a ponta daquela flecha em meu pescoço, não de forma perfurante, mas de forma ameaçadora como uma lâmina que te imobiliza.

– Talvez devesse mesmo. Mas mesmo sendo uma criança, ainda é a princesa de Freljord, Ashe. – Ele sabe meu nome, sabe quem eu sou... Mas quem é esse homem?

– Co-como sabe... De mim? E sinto-lhe informar... Mas Freljord morreu há décadas... – Ao falar de minha terra natal, sinto uma dor ainda pior do que as flechas que me perfuraram... Sinto a dor da saudade.

– Freljord ainda vive no coração de cada cidadão. Não é por que os povos foram separados, que significa que a terra também foi. Olhe ao seu redor, Freljord continua sendo uma só terra. Tudo que precisa, é que faça com que o povo torne-se um novamente, então, Freljord renascerá. – Eu... Nunca parei para pensar sobre isso...

– Você... Não me respondeu... – Sinto ele tirar as flechas que me prendem e me pegar em seu colo, sinto o calor de seu corpo e posso dizer que ele é forte mesmo, pois além de seu calor, sinto também as curvas de seus músculos.

– Eu já fui amigo de seu pai. Há muitos anos atrás quando você ainda era só uma criancinha... Já nos encontramos uma vez, Princesa Ashe. – De imediato, retruco, enquanto ele me carrega para sei lá onde.

– Não sou uma princesa! Não mais... –

– Não pode negar aquilo que está em seu sangue. Seus avós comandavam as terras gélidas, seus pais comandam e um dia, você a comandará... Assim como sua ancestral, Avarosa. – Esse nome mexe comigo de forma que até eu me espanto... “Avarosa”. A maior líder e guerreira que nosso povo já conheceu, então, se eu a admiro tanto... Como posso estar trilhando passos tão distantes ao dela?

– Conhece a lenda de Avarosa...? – Pergunto.

– Sim. A extinta rainha de Freljord, líder e guerreira implacável. Governava seu reino com força e justiça, dando paz e harmonia a todos, criando fortalezas de gelo para proteger seu povo... Mulher que portava do arco gélido de Freljord, o arco capaz de disparar flechas de gelo, o arco que congelava a todos aqueles que ousassem perturbar a paz de Freljord. – Sim... Lembro-me de meu pai contar essa história para mim, milhares de vezes, em minha infância.

– De onde você veio? Por que está me ajudando? – Vejo que ele me levou até em casa, mas como ele conhece aquele lugar? Ele deveria ser secreto.

– Chegamos. Agora irá descansar. – Ele abre a porta, mas... Me surpreendo ao ver que ele saiba onde a chave estava, de baixo do arbusto ao lado da porta de entrada.

Caminhamos até meu quarto e me põe sobre minha aconchegante cama, retira minha aljava e meu arco e os põe ao lado da escrivaninha próxima a minha cama.

Então ele saí, me deixa sozinha, mas apenas por alguns segundos até retornar com bandagens que se enrolam em meus braços, em minhas pernas e...

– Se incomoda? – Ele perguntou.

– Deixe que eu faça... – Estou envergonhada e com o rosto avermelhado. Pego a bandagem de forma rude e grito: — Se você olhar, atiro uma flecha em seus olhos! –

– Hahaha... – Ele apenas ri e se afasta da cama, fica de costas para mim, observando o mundo lá fora através da pequena janela de meu quarto.

Não confio nele, mas... Não quero sangrar até morrer, então retiro meu manto e o jogo no chão, desamarro a faixa em minha cintura e a deixo em companhia com o manto, por fim, passo as alças do vestido pelos meus braços e o deixo caído sobre a cintura.

Pego as bandagens e começo a me enrolar, passando-a em torno de meu ferimento próximo do seio, me cubro totalmente de modo que fico reta, talvez, agora poderia até me passar por um homem.

– Acabei. – Digo com o rosto avermelhado como tomate.

– Você fez um belo trabalho restaurando a casa de seu pai. – Ele passa a mão suavemente, observando os detalhes daquele lugar simples.

– Sabia que já tinha vindo aqui, afinal, sabia onde a chave estava. – Minhas palavras são engraçadas, pois faço ele dar um risinho.

– Na verdade, eu sei onde seu pai guarda as chaves e pelo pouco que vi em você, já sabia que era “tal pai, tal filha”. – Ele puxa uma cadeira e senta-se ao meu lado, mas sua figura sinistra me dá medo.

– Retire o capuz. Se não quer me dizer quem é, tudo bem, mas mostre-se para mim, pelo menos. – Eu peço e ele atende... Ele retira seu capuz.

Ele é um homem com não só o dobro de meu tamanho, mas também o dobro de minha idade, mas não é velho... Seu rosto é jovem, mas sério como o de meu pai.

Ele possui uma barba com cavanhaque de pelos pretos e um longos cabelos negros, lisos com os meus, mas estou mais para o cacheado do que o liso... Mas seus olhos, aqueles brilhantes olhos azul safira... Olhos tão claros que são confundidos com um verde suave.

– Seus olhos... – Gaguejo. – Você é de Freljord... –

– Não... Mas já fui um dia. Sou um desertor. Meu nome é Tryndamere, sou um ex-guerreiro da tribo Lâmina Fria. – Eu sabia que ele era de Freljord, só alguém de lá é capaz de conhecer tanto sobre nossas terras e pelo jeito, ele era bem próximo de meu pai...

– Tryndamere? Esse nome não me é estranho... Mas não me lembro, talvez, tenha ouvido em minha infância. Já que você e meu pai eram amigos... Por falar nisso, por que está aqui? Por que me salvou? Desde quando sabia que eu era filha de meu pai? – Estou confortável em minha cama aquecida, enquanto o vejo sob a cadeira desconfortável, mas não parece incomodá-lo.

– Estou aqui, pois estou procurando alguém... E aquele lobo chamado Warwick, soube que ele poderia ter algumas pistas do paradeiro de quem eu procuro, mas ele não me disse nada... – Posso ver em seus olhos a mesma raiva que minha vi nos olhos de minha mãe, quando segurou o corpo morto de meu pai diante os inimigos invasores. – Quando vi seu arco, “A-V-A-R-O-S-A”, sabia que era você... Afinal, eu entalhei essas palavras no arco da filha de meu amigo, quando ela era apenas uma menininha. – Fico pasma... Chocada na verdade... Pois sempre acreditei que meu pai havia entalhado aquelas palavras. – Depois da morte de seu pai, fui até Tundra para dar meus pêsames a sua mãe e ao seu povo, mas... Acabei sendo convocado para uma missão em nome de Tundra, uma missão para honrar a memória de seu pai, onde sob as palavras da rainha: “Quer honrar o nome de meu marido? Encontre minha filha. Traga Ashe de volta para mim, por favor, Tryndamere”. – Minha mãe... Convocou um mercenário para me levar de volta?!

– Então você me salvou só para me entregar a ela?! – Grito furioso, rangendo os dentes.

– Acalme-se. – Seu tom é bruto e firme, de modo que me inquieto. – Eu vim atrás de você, mas não vou obrigá-la a voltar. A escolha é sua. Mas após ver sua derrota para o Warwick, precisará de treinamento se quiser se manter nesta casa. –

– Eu... Anh... – Estou confusa, minha cabeça não para de girar... É muita informação para um dia só. – Por favor, deixe-me refletir sobre tudo isso... Não precisa ir embora, pode ficar aqui. Mas me deixe sozinha... – Ele apenas ascena com a cabeça em concordância e se retira do quarto, fechando a porta para que eu fique em privacidade.

Pego o meu arco e fico-lhe observando por horas... Conversando com ele mentalmente, tentando encontrar algo que faça sentido.

O objeto veio de meu pai, mas o “nome” veio de Tryndamere, que é um desertor de sua tribo, mas... Por que?

Sou uma desertora também...? Ah... É claro que sou, sou uma desleal, eu fugi... Fugi para longe... Se eu voltar, sei que serei castigada severamente... Talvez, minha mãe só me queira de exemplo para dar aos que tentarem desertarem a tribo, como eu.

Na manhã seguinte, Tryndamere está ao lado de fora da casa, observando as folhagens das arvores dançarem sobre o toque do vento.

E eu quebro sua tranqüilidade, disparando uma flecha na arvore a sua frente, flecha que passa rente ao seu rosto, que se vira e observa aquela garota de cabeleira loira e olhos verdeados, usando uma calça verde e de busto enfaixado, apenas com uma aljava nas costas, um arco na mão e um olhar sério no rosto.

– E então...? – Ele pergunta.

– Vamos começar. – Vejo o seu sorriso, o mesmo sorriso de quando meu pai ouviu de mim: “Eu quero aprender arqueirismo, papai”.

Primeiro dia, Tryndamere me leva de volta ao campo de batalha onde Warwick me derrotou e lá damos inicio a primeira aula, combate corpo-a-corpo.

Ele bloqueia cada golpe meu, além disso, sou jogada ao chão apenas com o tocar de sua palma monstruosa. – Uma arqueira não deve se limitar ao seu arco! Se o combate for a curta distância, precisa saber se defender! – Ele grita comigo, não de forma rude, mas de maneira intuitiva.

Ergo-me e o encaro uma vez mais, vou tentando esquivar de seus golpes e atingi-lo, mas sou atirada ao chão em menos de dez segundos.

– De novo!! – Berrou.

– Ah que saco!! – Levanto-me.

Passamos metade do dia comigo sendo jogada ao chão, paramos para almoçar e logo depois voltamos para o combate.

Sou derrubada uma, duas, três, quatro... Sessenta e seis vezes.

– Ah... Já chega... Desisto... – O sol está se pondo e eu não o derrubei uma vez se quer.

– Acho que por hoje já deu. – Ele diz.

Segundo dia, equilíbrio.

Tryndamere acredita que meu potencial está sendo quebrado pelo meu temperamento alto, por isso, passamos o dia inteiro meditando, para que eu possa ser uma só com a natureza.

– Respire fundo. Expire tranquilamente. Torne-se uma só com a natureza. Seu maior aliado será o seu campo de batalha, se você quer se tornar uma arqueira, precisa aprender a confiar nos seus instintos e saber que não é apenas o arco e a flecha que vão te proteger, mas a natureza também. – Splate! Dou um tapa na moca que pousa em meu braço e logo uma infestação de bichinhos começam a voar em cima de mim.

– Mosquitos filhos da mãe!! GRaaa!! – Rosno, enquanto estapeio cada um deles, mas quando ouço o suspiro de Tryndamere, paro, sento-me e começo a meditar.

– Teremos um longo caminho pela frente... – Ouço ele sussurrar.

– Onde fui me meter... – Sussurro.

– Eu ouvi. CONCENTRE-SE!! – Ele grita.

– AAH!! SACO!! – Grito mais alto ainda.

Terceiro dia, os cinco sentidos.

– Para que isso? – Ele pega a faixa de meu vestido e enrola sobre meus olhos.

– Você não precisa dos olhos para atingir seu alvo. Use seus outros sentidos: olfato, audição, tato. Concentre-se no que está ao seu redor e tente me acertar. – O que?! Ele enlouqueceu, é claro que preciso dos olhos para atirar! Estou perdendo a paciência...

– Concentre-se Ashe... – Ele diz suavemente. – Ouça o som da minha voz e me encontre. –

Estou com o arco ao lado de minha cintura já em prontidão, respiro fundo, então o ergo e estendo sua corda, enquanto me concentro para encontrá-lo.

– Achei! – Grito e disparo.

Quando retiro a venda de meus olhos, vejo que estava de costas para Tryndamere e minha flecha atingiu a janela lá de casa. Dou um tapa em minha cara e passo os dedos arranhando-a, pois estou furiosa.

– Você não se concentrou... – Ele diz. Viro-me e arremesso o arco em sua cabeça, do qual o atinge e nada acontece, ele não grita, não demonstra dor, raiva, nem nada.

– AAAH!!! EU ODEIO ESSE ARCO IDIOTA, EU ODEIO TUDO!!! – Saio berrando uma monte de coisas, enquanto caminho em direção a casa, onde só quero me atirar a cama e dormir.

– Aah... – Tryndamere pega meu arco e me observa sumir no horizonte. – Eu terei muito trabalho com essa menina... Que Avarosa me de forças. – Então o vejo me seguir, enquanto olho por cima do ombro. Podia não estar vendo a minha casa, mas não é que acertei a janela mesmo? Achei que o barulho de vidro quebrando era apenas coisa da minha cabeça, mas não...

As horas se tornaram dias, os dias se tornaram semanas e as semanas se tornaram meses... Tryndamere não desistiu de mim, por mais teimosa e cabeça dura que eu fosse, ele insistiu em me ensinar.

Combate, concentração, sentidos, tudo, ele quis que eu aprendesse tudo, por isso aturou meus surtos de raiva, por isso teve tanta paciência, por isso quis fazer de mim uma arqueira melhor.

Mas... Ele não conseguiu me fazer uma arqueira melhor... Ele conseguiu muito mais...

Seis meses depois...

– Está pronta? – Estamos de volta ao campo de batalha onde fui derrotada.

– Aah... – Suspiro. – Que Avarosa me ajude. Vamos lá. – Estou já com minhas trajes esverdeadas, exceto o manto que deixo de lado.

Tryndamere corre em minha direção e eu vou ao seu encontro, olhamos olho a olho, esperando o movimento do oponente e quando vejo que serei pega pro seus braços, deslizo, derrapando por entre suas pernas e de imediato corro para dentro da floreta ao nosso redor.

– Hm... – O vejo sorrir. – Você não é uma menina da salva, não poderá se esconder ai por muito tempo. – Eu permaneço quieta, movendo-me pela mata á dentro. Talvez, ele estivesse pensando “Muito bem”, pois ele não está me vendo, está olhando para a direção oposta.

– É agora. – Penso, enquanto retiro meu arco e a aljava de flechas de dentro de uma toca de esquilos, de uma arvore.

Disparo uma flecha e corro pela floresta, próximo a borda. Ele esquiva-se e diz: — Te achei. –

Tryndamere avança na minha direção, mas parto daquele lugar mais rápido do que ele, então piso sobre um galho para chamar sua atenção: — Fica aqui amiguinho, não se preocupe, nada vai te acontecer, prometo -. Eu sussurrei para a surpresa que coloquei no local que quebrei o galho.

Tryndamere não demora até invadir a mata e arrancar os arbustos, onde surpreende-se ao encontrar um pequeno e indefeso coelho de pelagem castanha, mas ele deixa o bichinho ali quieto e rapidamente salta para trás, onde escapa de uma flecha.

Mas outra vem pouco atrás, apenas segundos de diferença e essa ele é preciso que ele pegue em sua mão, porem, — “Aah!!” – golpeio com o arco em suas costas, ele vira-se para me pegar, mas rolo entre suas pernas e guardo o arco no ombro, socando o ligamento entre o braço a coluna.

E ficamos nesse joguinho por alguns segundos, pois ele pode ser enorme, mas é lento demais... Sou pequena e rápida, por isso uso isso ao meu favor, esquivando-me e golpeando pontos vitais para paralisá-lo, porem... Ele marcou minha seqüência e quando daria o próximo golpe, recebo um chute bem dado entre os peitos e sou atirada a dois metros.

– Muito bem, usando a força do inimigo contra ele. Mas não pode esperar que ele ficará indefeso. – Ergo-me e limpo o sangue que escorre pelo canto de meu lábio, sorrio confiantemente.

– Eu não esperava... Duvido me acertar, seu grande urso fracote! – Isso o irrita, ele avança como uma fera em minha direção.

Tryndamere é muito paciência, mas consegui o que queria, irritá-lo, portando fujo em direção a floresta o mais rápido que consigo, mas sei que ele me alcançará e é essa intenção.

Tem uma arvore a poucos metros e é para ela que corro, olho por cima dos ombros e o vejo se atirar em minha direção com seu enorme punho, pronto para me esmagar, mas subo a arvore e dou um mortal por ela, enquanto o punho de Tryndamere a parte ao meio.

Em meio aos destroços, apoio a mão sobre a cabeça dele e seguro-me em seus ombros, onde ponho o pé no meio de sua coluna e uso toda a força que existe em mim para lançá-lo para trás.

E consigo, inacreditavelmente eu consigo atirá-lo por cima de meu corpo, mas não perco meu tempo e salto para trás, caio próximo a ele, onde o vejo tentar se levantar apoiando as mãos sobre o solo. – Ah não! – Piso em sua garganta para prendê-lo novamente, mas é claro que isso não irá segurá-lo, por isso o arco desliza em minha mão e a flecha é encaixada, aponto para sua cabeça em prontidão e o vejo parar de se mover.

– Acabou... – Sussurro.

– Hehehehehe!! Eu perdi. – Ele gargalhou em alegria, orgulhoso pelo meu crescimento. Mas saio de cima de seu corpo, guardo a flecha e o arco, então estendo a mão para ele, enquanto sorrio orgulhosa de mim mesma.

– Não. Nós é que vencemos. – Ele pega minha mão e se ergue.

– Você cresceu muito em tão pouco tempo, Ashe. Aposto que seu pai está tão orgulho de você, quanto eu estou agora. – Ele bagunça meu cabelo com sua enorme mão sobre minha cabeça, enquanto ri alegremente.

– Hehehe... Hey... Tryn, obrigada. Por tudo. Você é amigo enorme, e não estou falando do seu tamanho. Haha... Muito obrigada mesmo. – Lhe dou um abraço muito apertado e o sinto me abraçar, sussurrando em meu ouvido: “Eu é que agradeço menina”.

Mas, de repente, nossa alegria é quebrada pelo meu olhar apavorante diante a fumaça negra que vejo no horizonte...

– Aquela direção... –

Olho para Tryndamere e balançamos a cabeça em concordância, corremos feitos loucos em direção a fumaça. – Vá Ashe! Eu alcanço você! – Sou mais veloz que ele e por isso não o espero, me afasto dele rapidamente e vou até em casa, onde passo raspando pelo arbusto próximo e dele pego minha mochila pronta para qualquer evento.

Retiro dela meu manto, onde o enrolo em meu pescoço e ponho meu capuz, atiro pego uma aljava de flechas extra na bolsa e a descarto, enquanto corro para subir uma arvore e salto de galho em galho.

Alcanço o mais alto galho de uma enorme arvore, enorme mesmo! Era um galho grosso e muito forte, onde fico de pé sobre ele, enquanto estou com uma mão apoiada no tronco e olhos fixos na fumaça que sai de minha tribo ao horizonte.

– Agüentem firme pessoal! Ashe: A Caçadora de Sherwood está voltando para casa! –