League of Legends: A História Não Contada

5 Arco I - Ashe - Avarosa de Freljord


Arco I — Ashe

Capítulo Final — Avarosa de Freljord

Após ver meu amigo deixar a tribo de Tundra, começo a caminhar de volta ao meu lar... Estou trajada com o vestido branco ganhado de minha mãe, aos quinze anos, mas nunca usado.

A neve cai calmamente, como de habitual, paro por um momento e estendo a mão para um floco que paira sobre a palma de minha pele clara.

– Papai... Mamãe... Perdoem-me. –

São as palavras que sussurro para o pequeno floco que se desmancha sobre minha mão, fazendo com que eu siga colina a baixo... Já fazia uma semana que sofremos aquele terrível ataque da Garra do Inverno, mas ninguém deu declaração nenhuma em resposta, pois todos nós estávamos de luto... Bom, para ser franca, ainda estou... E estamos quase no momento em que descrevo este conto.

– Princesa Ashe. – Diz Eli, um dos guardas da fronteira.

– Eli... Onde está o Michael? – Pergunto, já que o vejo sozinho.

– Ele foi prestar homenagens a sua esposa falecida... Nem todos nós somos fortes, como a Senhora, minha Princesa. – “Forte”? Eli... Se soubesse o quanto estou arruinada, não diria isso.

– Eli... – Ponho a mão sobre seu ombro, enquanto passo por ele e digo calmante. – Talvez... Tenha se confundido com outra princesa... Uma que seja forte... –

Dou um passo após o outro, deixando-o sem palavras, enquanto meus olhos fixam na imagem de minha vila entristecida ao cair da neve.

Lembro-me de quando era criança... As pessoas sempre sorrindo, conversando, crianças correndo e brincando, adultos treinando e construindo... Mas agora... Tundra parece Freljord, rachada, rostos tristonhos para todas as direções... Neve e silêncio reinando sobre meu lar.

“Toc, Toc”. Bato na porta da padaria da mãe de Binbu, onde há uma placa escrito: “O Forno se Apagou”.

– Sim...? – Ouço uma voz desanimada, roca, vinda do outro lado da porta.

– Sou eu... Ashe. Queria conversar com você... – Estou diante a porta do local que me enchia de gostosuras, mas que agora parece tão morto quanto minha mãe.

– De-desculpe... E-estou ocupado... – Dou uma pancada com mais força e um tufão de neve cai sobre minha cabeça, deslizando para meus ombros.

– Binbu!... Por favor... – Então a porta se destranca, mas não completamente, apenas o bastante que a corrente da fechadura permite, apenas o bastante para ver os olhos inchados de choro de meu amigo.

– O que quer...? – Perguntou.

– Eu... – Sou incapaz de encarar seu olhar... Pois vejo toda a dor, toda a agonia me atingir como uma flecha em meu peito. – Perdão... Foi culpa minha... Se eu estivesse aqui... –

– Para... A-Ashe, pa-para. – Ergo minha cabeça, mas tento evitar o seu olhar. – Yig... Ele... Ele te amava, sabia...? E-e estaria disposto a fugir da vila... Para te-te encontrar... – Meus olhos se espantam com essa noticia, mas tento impedir com que as lágrimas comecem a cair. –Minha mãe... Ela... Ela tentou proteger a rainha... –

– O que?! – Me espanto.

– Aquela moça... Do Ronron... A coisa tentou me matar... E sua mãe me protegeu, mas ficou indefesa... Então... Eu vi... Mi-minha mãe foi para cima dela com uma faca de cozinha... – Ele engoli a saliva a seco, tentando evitar se debulhar em lagrimas. – Ela não teve a menor chance... – Ele começa a soluçar.

– Binbu... Meu perdão, não é o bastante... Sua mãe foi uma heroína, ela sempre tratou muito bem minha família... Mas... Ela dar a vida pela minha mãe... Não há nada no mundo que eu faça, que será o bastante para poder agradecer. – Dou as costas ao meu amigo, pois se eu continuar ali, irei chorar... – Binbu... Seja forte. –

Eu saio andando e de repente, ouço ele gritar: “O que vai fazer?!”, mas não respondo ou se quer faço nada... Apenas continuo andando.

Safira perdeu os pais e agora a irmã mais velha... A garota está com a única família que lhe resta, Binbu, seu primo... Mas ela me viu pela janela do segundo andar da casa, mas virou o rosto para mim... Ela deve estar com ódio de mim, mas não a culpo...

Conforme eu andava por minha vila, comecei a exclamar para todos se reunirem no local que foi o lar dos reis, mas que agora não passa de ruínas... Pois há uma coisa que precisa ser decidida e já foi adiada demais.

O sol marca dez da manhã, não está muito forte devido à forte nevasca, mas ainda sim tento ver seus raios de sol que são incapazes de atravessar as cortinas de gelo.

Estou diante Tundra, em frente ao castelo de meus pais, todos vieram e quando digo todos, não me refiro apenas a minha vila, mas aos acampamentos do norte e oeste, que fazem parte de Tundra também... Até Safira veio, com curativos pelo corpo e o braço direito engessado, com aqueles olhos violentos me fitando.

– Boa tarde... Bom, anh... Acho que todos aqui devem saber por que os convoquei... Semana passada perdemos muitos entes queridos, inclusive nossa rainha... Mas não podemos continuar dessa maneira, não podemos continuar sem rumo. Precisamos nos reerguer... Precisamos de alguém para liderar Tundra. – De imediato, ouço alguém da multidão exclamar: — E você pretende nos liderar?! –

– Se for o desejo de vocês... Sim... – De repente, vejo Safira atravessando o pessoal e tomando a dianteira.

– Por que acha que deve nos comandar? Por que acha que confiaremos em você? – Eu tento me explicar, mas ela me corta rapidamente... – Você nos abandonou! E voltou apenas para ver o que sua ausência causou! A rainha usou de todos os recursos para encontrá-la e com isso ficamos vulneráveis ao ataque! – Ela gritava, não sendo sentimental, mas com completa razão... Ouvi isso de outras pessoas e parece que tudo foi minha culpa mesmo...

– Safira... – Sussurro. – Eu não quero ser uma inimiga. Aquele que quiser ser candidato a rei ou rainha, que se apresente! – Eu grito, mas ouço uma voz se por a cima da minha... E é nada menos do que a voz de meu amigo, Binbu, que está no meio do povo.

– O que pensa que está fazendo? O que vocês estão pensando?! – Me espanto ao ver falar tão nitidamente, ao ver aquele olhar de bravura em seu rosto... Ao ver sua confiança. – A família Avarosa guiou nossos povos desde a época de Freljord, então por que agora, deveríamos acabar isso?! Só por que a princesa quis ver outros lugares? A culpa não foi dela! Sofremos essa perda tão grande por que nos acomodamos com a paz, ficamos mole e no momento de perigo, não demos conta!... O que eu quero dizer é... – O local ficou em completo silêncio aguardando suas próximas palavras, então o vejo olhar no fundo de meus olhos ao dizer: — Ashe é nossa rainha. E não tenho duvidas sobre minha lealdade a ela. –

Meu coração bate tão forte que parece que irá saltar de meu peito... Não posso acreditar, Binbu... Era apenas um gago filho de padeiros, mas agora... Falou como um verdadeiro guerreiro de Freljord.

De repente, vejo ele e pouco a pouco, todos ao seu redor curvarem-se a mim, me espantando, enquanto gritavam em sincronia: “Viva a Rainha Ashe!”.

Percebo que Safira deixa o local, mas quando percebo que alguns guardas iriam atrás dela, ordeno com um movimento de minha mão que parem e a deixem ir.

– Eu... Eu não tenho o que dizer... Vocês têm certeza disso? – Pergunto a todos.

– Conhecemos você desde criança, mas agora, já é uma moça. – Diz um senhor no meio da multidão.

– Ela é forte! Eu a vi combatendo a líder dos invasores, não há outra para nos liderar. – Exclama uma moça.

– Ela pode ter fugido sim, mas voltou quando precisamos. Se a rainha confiava nela, podemos confiar também. – Falou um rapaz.

– Ashe... O que deseja fazer? – Perguntou Binbu, enquanto todos se erguiam e aguardavam minha resposta, que foi mais que imediata.

– Unir Freljord. Restaurar sua honra e sua glória. Honrar aquilo que Avarosa nos deixou. – Meu olhar é sério, minha decisão está feita e esse é meu desejo... Restaurar a terra de minha ancestral.

Ouço os aplausos e a celebração ao meu nome, diante minha resposta que toma Tundra de euforia.

E assim Tundra começou a caminhar para seu levante, onde nas próximas semanas passamos a restaurar as casas destruídas, retomar nossas plantações nos acampamentos norte e oeste, mas o mais trabalhoso de todo... Reerguer minha casa.

Eu, Binbu e toda a Tundra demos nossa energia e nosso suor para concertar todo o estrago causado pela Garra do Inverno, mas não só isso, iríamos nos preparar dessa vez, nos armar.

Abri uma escola de treinamento militar, onde Eli e Michael, ficariam responsáveis pelo treino dos novatos, enquanto eu mesma iria ensinar arqueirismo a todos aqueles que desejassem aprender.

Duas semanas depois...

– Ufa... Acabamos. – Limpo o suor de minha testa em meu braço, enquanto olho com orgulho para a casa dos médicos que foi restaurada.

– Ficou incrível, Rainha. – Diz o doutor Eric.

– Ashe, por favor, doutor. Mas imagina, esse é apenas o resultado do esforço do povo de Tundra. – Digo sorrindo com as bochechas rosadas, enquanto respiro fundo após longos dias de trabalho duro.

De repente, vejo um homem chegar correndo, está com cortes pelo corpo e a bainha em sua cintura, desarmada, o homem de pele negra e olhos castanhos parece que irá botar os pulmões para fora, quando para perto do grupo de doze pessoas que estão comigo.

– Rainha Ashe! Rainha Ashe! – Ele arqueja sobre os joelhos, respirando apressadamente.

– Acalme-se homem! – Digo. – Respira fundo e depois me diga o que aconteceu. –

– Aah... Aah... É... É a Garra do Inverno... Aah... – Ao ouvir esse nome, todos soltam um ar de preocupação, enquanto eu me aproximo dele com um olhar sério e pergunto o que aconteceu.

– Eles chegaram pelo sul... Nós estávamos em quatro pessoas, mas nos emboscaram... Eles me libertaram para dizer o seguinte: “Queremos falar com a sua rainha, fale para ela nos encontrar na Floresta Gélida a meia noite, desarmada e desacompanhada, ou então iremos matar esses três!”. Foi o que eles disseram... –

– Alguém traga um pouco de água para ele! Agora! – Berro. – Acalme-se. Irei encontrar com eles como pediram e trarei todos de volta a salvo. – Então Binbu, que estava me ajudando a concertar o local junto dos demais, toma à dianteira dizendo:

– Está louca?! É uma armadilha! –

– É claro que é... Mas desde quando eu sou sensata? Hehe... Não se preocupe Binbu. A Garra do Inverno não irá nos fazer mal novamente, confie em mim. –

Já é próximo da meia noite e estou a caminho da Floresta Gélida, desarmada, como foi pedido... Estou trajada com o vestido branco que ganhei de minha mãe, sem manga e que deixa meus seios mais elevados, mas ainda bem que ele possui um capuz que uso para cobrir meus cachos loiros, pois está muito frio a essa altura da noite.

Eli e Michael me param na fronteira e insistem que eu vá com acompanhantes, mas descarto o apoio na hora, pois quero resolver isso de forma pacifica, pois sangue inocente já foi derramado demais.

– Meia noite... –

Estou no local combinado, porem, não vejo ninguém a minha espera... De toda forma, me encosto sobre uma das arvores e fico aguardando sob a luz da lua.

Eu sinto que devia sair dali, mas insisto em ficar... Não posso me dar ao luxo de deixar três pessoas de minha aldeia se sacrificarem por mim, mas me acalmo ao ver que não estou completamente só... – Você é lindo sabia? – Digo para o falcão que está em um galho no alto de uma das arvores, observando-me, como se eu fosse sua presa, mas eu acho a ave tão majestosa que sou incapaz de temê-la.

De repente, ouço o som das folhagens se remexendo e nesse momento me afasto do tronco que estava encostada, mas permaneço quieta, demonstrando serenidade.

Um, dois, três, quatro... Oito, nove, dez,onze... Onze é o numero de homens e mulheres, encapuzados que vejo saindo do mato e me cercado em um circulo, onde todos permanecem quietos e imóveis sobre seus mantos negros.

– Bom... Eu vim como pediram. Agora soltem meus amigos! – Eu ordeno, mas sou ignorada. Pelo menos, até uma décima segunda pessoa cair do alto da arvore, diante meus olhos, um metro de mim, trajada como todos os outros.

– Ela tem palavra. – Diz a pessoa encapuzada a minha frente, mas... É estranho, eu conheço essa voz.

– Quem é você...? Sua voz... Me é familiar. – Digo.

É então que a vejo retirando o capuz... Deixando seus longos cabelos acastanhados caírem sobre o ombro, seus violentos olhos cor de avelã fixaram-se e meu coração ficar perplexo com o que eu via.

– SAFIRA?!! – Berro espantada, enquanto meus olhos tremem ao ver que puxar a gola da camisa e mostrar o símbolo da Garra do Inverno.

– Surpresa? – Ela diz em tom irônico.

– Como... Como pode?! Eles assassinaram sua irmã! Destruíram nossa vila! E você ainda se junta eles?! – Eu grito, mas então ela chuta no estomago e caio de joelhos, sentindo aquela dor me atormentar.

–Você fala demais... – Ela diz friamente. – Está errada, Ashe. Eles não mataram a minha irmã, foi a sua preciosa mãe que a assassinou. Ela comandava a Garra do Inverno junto a Sejuani, mas quando tentou assumir toda a tribo, Sejuani a declarou traidora e por isso atacou Tundra. Mas é claro que ninguém acreditou em minha irmã... Jade tentou contar a todos que a rainha era uma impostora, mas ninguém acreditou nela! E ai... O que aconteceu? Uma flecha de sua mãe atingiu o coração de minha irmã...! Mas ela assumiu? Não... Claro que não! Ela disse que a culpa era da Garra do Inverno! – Eu não agüentava mais ouvir uma palavra da boca dela, por isso a dei um soco em sua boca, tão bem dado, que sangue começa a escorrer pelo canto de seu lábio.

– Cala a porcaria da sua boca...! – Eu a olho furiosamente, sentindo a mesma raiva que senti ao ver Sejuani atacando minha mãe. – Como ousa falar tal blasfêmia de minha mãe? De sua ex-rainha?! Você me acusou de ter abandonado nossa família... Porem... Você é uma traidora desalmada, que se juntou com aqueles que destruíram nosso lar! – E então ela me dá um tapa em meu rosto e um chute em seguida, que me leva ao chão coberto de neve.

– Já mandei ficar calada. A Garra só queria você, se você estivesse lá, nenhum deles teria morrido... Agora, vou terminar o trabalho de minha rainha Sejuani. – Ela retira uma lança de dentro do manto, não era tão grande assim, mas sua lâmina chegava a reluzir de tão afiada, podia ver meu olhar apavorado refletido nela.

– Safira... Por favor... – Imploro.

– Adeus... Rainha Ashe. –

Ela rodopia aquela coisa e sem misericórdia, desce a lâmina em direção ao meu corpo caído... Porem... “NÃO SAFIRA!!!”

Ouço um berro de alguém, então sangue é jorrado em meu rosto e me espanto ao ver o corpo de um dos encapuzados, diante a mim, de pé, com a lança atravessada em seu peito.

Safira se afasta sob um olhar apavorado, conforme as lágrimas percorrem suas bochechas e seu corpo vai ao chão, enquanto sussurrava: “Não... Não...”.

O corpo ferido despenca para trás, caindo sobre meu colo, ou quase, pois a ponta da lança o deixa preso no meio do ar como um espeto de encapuzado.

Mas eu me levanto e não é preciso retirar seu capuz, para eu reconhecê-lo, aquele rapaz que me salvou nada mais era do que meu amigo, Binbu.

– Binbu... – Eu retiro a lança que o atravessa e a jogo de lado, enquanto mantenho meu amigo em meus braços, revendo a cena em que perdi minha mãe ao meu colo.

– Por que...? O- o que está acontecendo...? – Minhas lágrimas caem sobre seu rosto pálido.

– A-Ashe... Quando partiu de nossa vila... Jade, eu e Safira... Fomos capturados pela Garra e forçados a nos aliar... A principio, parecia que o ideal deles estava correto... Ma-mas... Eles queriam vingança... O rei deles, morreu protegendo você, sob as mãos de seu pai... Por isso... Vieram atrás de você... Mas como não estava, atacaram a todos em seu nome. – É então que olho para Safira, que soca a neve e berra de ódio.

– É TUDO POR SUA CULPA!! JADE E YIG DERAM SUAS VIDAS POR VOCÊ E AGORA BINBU!!! POR QUE VOCÊ É TÃO DESGRAÇADA ASSIM?!! – Mas sou incapaz de dizer qualquer coisa... Apenas retomo os olhos para meu colega ferido, esperando encontrar alguma esperança nisso.

– Yig... Nós contamos a ele... No dia da invasão... Chegamos a querer... Entregá-la... E, e sabe o que ele disse...? Hehe... El-ele me bateu e nos chamou de traidores co-covardes... Disse que éramos amigos de infância, que você jamais nos abandonou, então por que abandonaríamos você...? –

– Binbu... – Passo a mão levemente por sua pele palida, enquanto me seguro para não desabar em lagrimas, vendo seu esforço para manter os olhos abertos.

– Perdoe-me... Ashe...Depois da invasão... Percebi o quanto idiota eu fui... Tive medo... E isso custou a vida de muitos... Yig também teve medo, mas ele lutou por nós, dizia que você voltaria e nos salvaria, como sempre fez... Mas infelizmente... Ele não pode ver isso, mas nunca deixou de acreditar em você... Até a Jade... Ela... Ela morreu por que não disse onde você estava, então, a Garra a matou... – Nesse momento, olho para Safira, que está chorando com as mãos cobrindo o rosto.

– Perdoe-me... E-eu queria que não fosse assim... – Então ponho o dedo em sua boca e digo “xiu...”.

– Binbu, está tudo bem. Você é um grande amigo, é o meu melhor amigo... Assim como Yig, Jade e até você... Safira. Vocês eram meus melhores amigos e continuam sendo... O ataque de Sejuani me ensinou uma coisa... Vingança é o caminho da derrota. Se eu não tivesse ficado cega de ódio, minha mãe estaria viva... Por isso quero unir Freljord, por isso não irei buscar vingança. – Eu abraço Binbu com toda a força, mas sem machucá-lo, então digo que o amo, mas não tenho resposta...

Eu me ergo, tiro seu manto, fecho seus olhos e seco minhas lágrimas, antes de rezar pela alma de meu falecido amigo.

Binbu deu sua vida por mim, assim como sua mãe, como Yig, Jade, meu pai e minha mãe... Todos acreditavam em mim, todos me amavam e queriam me proteger, por isso estão envolvidos no sono da morte.

– É isso que você encontrará... Se buscar vingança, Safira. – Eu olho para ela, de joelhos, não conseguindo encarar o corpo de seu primo abatido. – Sei que está sentindo ódio e quer me matar... Sei que me culpa pela morte de sua irmã e que talvez esteja me culpando pela morte de seu primo, agora também... Mas... Eu não posso morrer. Não vou deixar que o sacrifício de todos tenha sido em vão! Se você quer que eu morra, Safira, eu aceito... Mas não irei facilitar para você. – A minha amiga Safira desapareceu... Tudo que vejo agora, é uma inimiga do qual tive um passado, mas nem por isso, irei atacá-la sem que eu seja forçada.

– Pois bem... – Ela seca suas lagrimas e se levanta, enquanto me olha no fundo dos olhos. – Matem-na. – Ela ordena.

Todos aquelas dez pessoas ao meu redor sacam suas armas, lanças, facas, espadas, machados, arcos, bestas, enquanto Safira retoma sua lança próxima ao corpo de seu primo.

De imediato, escalo uma arvore, mas apenas o bastante para saltar por cima do pessoal e sair correndo floresta adentro.

Eu corro o mais rápido que consigo em meio à tempestade de neve que se segue, enquanto ouço o barulho da multidão me perseguindo e das flechas que passam próximo a meu corpo.

De repente... Vejo algo no céu. – Você... – Sussurro ao ver aquele mesmo falcão de antes, sobrevoando alguns passos a minha frente e após um grito de seu alerta, percebo que ele quer que eu o siga, e é exatamente o que eu faço. – Vamos lá amigo... Estou confiando em você. –

Salto por troncos caídos, desvio de arvores, animais se escondem aos meus passos rápidos, um machado que foi arremessado quase me pegou, estão próximos.

Meus pés se movimentam pela neve densa de uma maneira intuitiva, pois conheciam aquele terreno muito bem e isso facilitou minha movimentação, mas o frio em minha pele me estava deixando exausta. Até que...

– Não acredito... – O falcão me trouxe até a Fortaleza de Gelo, o local onde o urso destruiu a porta e é o mesmo local em que o pássaro adentra.

– Sem medo Ashe! Sem MEDO! – Digo a mim mesma, ao me enfiar no breu gélido do local, seguindo meu guia sem receio.

Eu corro pela escuridão confiando apenas em meus ouvidos, concentrando em minha audição como Tryn me ensinou. Guiando-me ao som do bater de asas do falcão que parece conhecer muito bem aqueles corredores sombrios.

– Uou!! –

Meu corpo despenca em um deslize rápido, eu sinto que estou caindo muito rapidamente, mas não vejo nada, só sinto o ar contra meu rosto e de repente, o chão frio pelo qual atinjo e rolo.

– Aah... –

De repente, um brilho anil ilumina parcialmente o local e quando apoio as mãos contra o chão, me erguendo, vejo a imagem do falcão sobre uma mesa de pedra do qual o brilho emana... E o ar gélido visível é derramado ao chão congelado próximo à mesa.

– O que é isso...? –

Aproximo-me cautelosamente, reparo que quanto mais perto da mesa, mais o chão está coberto de gelo puro, quase cristalino, porem é ao me aproximar da mesa que percebo que na verdade aquilo é um tumulo, onde vejo o símbolo de minha família cravado em sua tampa de pedra.

– Avarosa...? – O pássaro berra diante meu rosto e salta em seu vôo, me abandonando naquele local.

Uso de toda minha força para empurrar aquela tampa de pedra, sentindo o ar gélido cortar minha pele, enquanto a luz cega meus olhos.

Consigo tirar a tampa de cima do tumulo e tenho minha confirmação... É mesmo um tumulo, mas não um qualquer, aquele é o local de descanso de minha heroína... – Avarosa... –

Meus olhos são incapazes de acreditar ao ver o esqueleto de minha ancestral, segurando o objeto que emana tamanha luminescência, o lendário arco de gelo de Avarosa.

Eu o agarro com as duas mãos e de imediato sinto-o congelar meus braços até meu sangue, inclino meu corpo para trás tentando escapar, porem é tarde demais, por isso sou forçada a puxá-lo para fora.

Eu berro em agonia e horror, diante a excruciante dor que caminha por meu sangue e sinto que se aproxima de meu coração, o gelo está tomando meu corpo completamente, o arco irá me destruir se eu não conseguir me largar dele, mas...

– AAAAAAAAAH!!!!! AVAROSA, NÃO, POR FAVOR!! EU PRECISO DE VOCÊ PARA GUIAR MEU POVO, PRECISO DE SUA AJUDA PARA SALVAR FRELJORD... CONFIE EM MIM, ME DEIXE HONRAR O MEU NOME!!! –

De repente, o arco se desgruda das mãos de Avarosa e eu sou atirada para trás, onde perco todo o controle sobre meu corpo que se amolece, sinto a falto do ar, estou sufocando... Eu... Eu... Estou morta.

Porem...

Desperto na escuridão do tumulo de Avarosa, me levanto me sentindo completamente restaurada e ouço o arco vibrar no chão, como se falasse comigo, então o pego, estendo sua linha que se materializa em meus dedos.

– Avarosa, guie-me. –

Disparo uma flecha que se transforma em um falcão de gelo, que berra e eu o sigo, percorro os corredores rapidamente e quando dou por conta, o pássaro me levou até o corredor principal onde ele se desfaz fragmentos de neve.

– Garra do Inverno... – Digo ao sair a luz do luar, meu vestido branco tornou preto, estou encapuzada, mas meus cabelos deixaram os cachos e se tornaram lisos e brancos como neve, pois os vejo caído sobre meus ombros.

– Q-quem é você...?! – Disse Safira diante seu grupo, próximo da entrada da fortaleza, perplexos com a aparência daquela mulher.

– Eu sou Ashe: A arqueira do Gelo. Herdeira da rainha e descendente da ex-rainha, portadora do lendário arco de minha ancestral Avarosa. — Diante a lâmina ultra afiada de Safira, vejo-me em seu reflexo e gosto da visão... Minha pele pálida, meus cabelos brancos como neve e o meu olhar anil tão gélido quanto o próprio inverno.

– A-Ashe... Co-como...? – Pergunta a garota que foi minha amiga.

– Eu disse a vocês... Irei restaurar Freljord, pois esse é o desejo daqueles que se sacrificaram por mim e por estas terras. – Puxo o braço e novamente a linha se forma em meus dedos, onde estendo o arco. – Traidores... Não confundam piedade com fraqueza. É a ultima chance. –

Mas eles avançam, todos de uma só vez, sedentos de sangue e fortalecidos pelo ódio, porem, eu solto a linha de meu arco junto das palavras: — Eu só preciso de uma flecha. –

Então meu disparo atinge os dez ao peito com uma flecha de gelo em cada um deles, enquanto seus corpos começam a serem congelados, eu paro estalo os dedos é o gelo estoura, derrubando-os e deixando todos inconscientes, exceto Safira.

– Aah... Por que... Não nos mata logo? – Ela sussurra. Então me aproximo e a olho no fundo de seus olhos.

– Eu não preciso. Sejuani já fará isso por mim. – Então a garota que foi minha amiga desmaia, por algum motivo me sinto ótima, muito bem mesmo, mas me arrepio ao ouvir um rosnado voraz vindo da escuridão da fortaleza.

De repente, vejo a besta sair de dentro da escuridão, um grande urso branco de olhos vermelhos, ou melhor, olho, pois seu olho esquerdo está fechado e marcado com uma cicatriz.

– Oi. Há quanto tempo... Eu o deixei com essa marca quando tinha oito anos, perdoe-me. – Aproximo-me daquele que era o urso negro e faço carinho em seu rosto, então me surpreendo vendo cinco ursinhos correndo até o grandão, rosnando para mim.

– Oh que fofos! Você teve filhotinhos! – Pego um em meu colo e começo a mimá-lo. – Você é uma doçura... – O ponho no chão e encaro aquela ursa enorme. – Você me atacou antes... Por que não ataca agora? – Então a vejo cheirar o arco e se curvar diante dele. Ouço o bater de asas e vejo o falcão pousar em um galho próximo dali, fixando seus olhos castanhos em mim.

– Aah... Agora entendi... Vocês a respeitam muito, não é mesmo? – Então a vejo, a ursa balança a cabeça em concordância, me fazendo sorrir. – Não se preocupem. Vou protegê-los de todos que ameaçarem vocês, eu juro em nome de Avarosa, nossas terras voltaram a ser no tempo de vocês. Freljord irá renascer! – A ursa urra junto a seus ursinhos, enquanto o falcão salta em um vôo para o horizonte.

– Adeus amigos! Cuidem bem do desse lugar está bem? Eu voltarei! Até mais! -

Eu corro em direção ao meu vilarejo, enquanto os ursinhos retomam para dentro da Fortaleza de Gelo, o lar de Avarosa e o local onde eu renascia como a Arqueira de Gelo.

– Incrível. – Eu corria pela neve densa com tanta facilidade que parecia estar pisando em nuvens, o arco foi posto em minhas costas, como uma mochila de um braço só, mas seu brilho desapareceu, pois ele só se revela quando disparo as flechas.

– ALTO! QUEM SE APROXIMA?! – Exclamam os guardas da fronteira, mas eu os ignoro e passo deslizando por baixo de suas armas, e vejo que eles sentem uma brisa gelada, pois estremecem.

– Sou eu, a Ashe! Reunião em frente ao castelo da rainha, agora! – E continuo a correr em direção ao castelo de meus pais, enquanto os ouvia correndo e se perguntando mais o que estaria acontecendo aqui.

Pouco a pouco, vejo todos ao redor dizendo: “Mas quem é essa garota?”, ninguém havia me reconhecido de inicio, porem, eles sabiam que era eu... No fundo, eles acreditavam que uma nova esperança havia chegado às terras gélidas de Freljord.

E quando finalmente eu havia chegado em frente ao castelo de meus pais, me viro e surpreendo-me, pois todos estavam ali parados... A curiosidade do pessoal foi tanta, que não demoraram a se agruparem como pedido.

– Hm... Bom, nossa... Quanta gente... – Engoli a saliva a seco. – Acho que muitos de vocês se perguntam quem sou eu e por que todos se reuniram aqui, bem... Eu sou a Ashe, a mesma garota que ajudou a reconstruir nossa vila e a mesma garota que fugiu meses atrás... Eu fui convocada para uma reunião na floresta, mas é claro, era apenas uma armadilha, porem... Percebi que não estava sozinha lá, Avarosa me guiou até seu local de descanso, onde confiou a mim isso! – Então retiro de minhas costas, o arco gélido do qual espanto a todos ao disparar uma flecha que congela o chão, próximo a os meus pés. – Mas... Infelizmente... Acho que todos aqui conhecíamos Binbu, o filho dos padeiros. Bem... Nessa madrugada... Ele... –

De repente, meus olhos tremem de espanto ao ver no final da multidão, um homem apoiado sobre uma lança, de corpo ensangüentado e um rasgo no meio do ponto, se arrastando para caminhar.

E de imediato movo-me em direção a multidão, passando por todos eles o mais rápido possível, empurrando-os para abrir caminho, até que posso pegar aquele garoto em meus braços.

– Binbu!! Como?! – Grito euforicamente.

– Aah... – Ele suspira, enquanto sangue escorre por sua boca. – As-Ashe... Que lindos... Cabelos brancos... – E então, seu corpo se amolece aos meus braços e eu berro desesperada por ajuda, onde rapidamente ele é levado para a ala médica.

Já haviam se passado tempo demais, desde que meu amigo entrou na sala de cirurgia, pois o sol já nascia em minha vila e eu não conseguia me inquietar, andava de um lado para o outro em frente à cabana médica, mordendo a ponta do dedo.

– Princesa... – É quando percebo uma garotinho de longa camiseta vermelha, que mais se assemelha a um vestido, puxando a saia de meu vestido negro.

– Anh?! – Desperto para a realidade. E então vejo a pequenina de olhos castanhos, encantadores, me observar com preocupação... Por isso a pego em meu colo e a olho com doçura.

– O que foi lindinha? –

– Hm... É... É verdade que você... Foi escolhida por Avarosa? – Sua voz é meiga e me passa serenidade.

– Eu acredito que sim. Ela confiou seu arco a mim, então acho que tenha me escolhido para unir nossos povos. – Eu ponho a menininha no chão novamente.

– Então por que está com medo? – Ela me pergunta, o que me surpreende.

– Como assim? Não estou com medo... Hehe. – Sorriso levemente.

– Está com medo... De perder seu amigo. Mas... Se Avarosa a escolheu, por que ela lhe traria mais dor, levando seu amigo para longe? – Suas palavras me tocam fundo a alma... Nunca havia parado para pensar sobre isso... E naqueles minutos, senti um enorme alivio sobre meus ombros.

– OH... Linda. – Beijo a testa dela e ela se arrepia com meu ar frio. – Obrigada. Suas palavras me acalmaram. – Passo a mão sobre seus cabelos, enquanto sorrio, mas de repente ouço passos e volto o olhar para a cabana.

– Rainha... – Alerta o doutor que se aproxima.

– Sim?! – Grito.

– A operação... Foi um sucesso. Ele ficará bem, mas precisará repousar por muito tempo. Seu ferimento foi muito profundo, mas ele não poderá servi-la como um soldado... Pois... – Eu empurro o médico e entro na cabana desesperada, busco o quarto em que ele está internado e é quando o encontro no segundo andar...

– Binbu... Desculpa... – Lágrimas começam a percorrer meu rosto, mas elas se congelar e estoura-se em pequenos fragmentos quase imperceptíveis, pois vejo meu amigo deitado sobre a cama, passando bem, porem... Tiveram que amputar seu braço direito, devido à infecção da hemorragia...

– Isso tudo é culpa minha... – Eu passo meus dedos pelos seus delicados fios acastanhados de cabelo, fios tão lisos quanto os cabelos de Tryn.

– Ainda... Se culpando? – Me assusto por um momento ao ver aqueles lindos olhos verdes me observando, com um sorriso de felicidade diante minha presença.

– Hehehe... Bin... Ah, meu amigo, que bom que está vivo. –

– Eu vejo que está diferente... Eu ouvi algo sobre... Arco de Avarosa... Irônico, sempre foi obcecada por ela... E agora... Mas você merece. – Meus dedos vão de encontro aos seus, se entrelaçando.

– Achei que tinha perdido você... – Suspiro.

– Quase... Mas... Por alguma razão... Despertei no meio da floresta... E- e tive forças para... Para voltar ao meu... – Mas ele não continua sua fala, Binbu não se considera mais um membro da Tundra... Vejo em seus olhos entristecidos.

– De volta ao seu lar. Binbu, seu lugar é aqui. Não interessa o que aconteceu, você é meu amigo e é um membro de Tundra, está certo? – Eu sorrio para ele e o vejo sorrir comovido para mim, chorando de alegria, agradecendo pelo perdão que lhe dou, apesar de achar que não havia o que perdoar ali...

Um ano e meio depois...

Querido diário, finalmente retomo a escrevê-lo, as coisas andaram muito complicadas nesses últimos tempos...

A vila de Tundra foi reconstruída por completo, já era tempo também. Binbu, meu amigo, assumiu a padaria de seus pais e a transformou na melhor confeitaria da região de Freljord, até povos vizinhos pediam encomendas a ele.

É... As coisas estão caminho para um futuro melhor, receio que ainda não consegui realizar o desejo de minha ancestral, Avarosa, nem o daqueles que nos deixaram ao longo dos anos... Porem, ainda não desisti e agora, isso está mais perto do que antes, pois o primeiro passo foi dado.

Eu, rainha da tribo de Tundra formalizei a união com o nosso primeiro e devo dizer, o mais confiável, aliado que temos... A tribo Lâmina Fria, comandado pelo Rei George, possui o melhor guarda costas que já conheci, Tryndamere: O Bárbaro.

No ultimo verão... Bem... Retomei a casa de campo de meu pai, nas florestas de Sherwood, onde tive a companhia de Tryn e onde nossa relação se intensificou... Não, não é o que pensa diário, não o deixei violar meu corpo, mas admito... Não resisti a aqueles lábios carnudos.

Diário, estou te partida... Não sei quando retomarei a escrevê-lo, sinto muito, mas meus deveres de rainha ocupam muito de meu tempo.

Só gostaria de deixar uma ultima anotação... A tribo da Garra do Inverno, se tornou ainda mais poderosa com quando Safira assumiu seu comando, a pedido da rainha Sejuani, que se manteve ausente desde o ataque ao meu povo...

Porem, nem tudo é um mar de rosas... Descobri recentemente que Sejuani retornou ao poder e pelo o que me parece, eu não fui a única a receber novos poderes. Aquela mulher está se tornando muito perigosa, por isso, a quero como minha aliada...

Sim, eu sei, mesmo depois de tudo que ela causou ao meu povo... Mas a vingança não é o caminho, é o que sempre disse.

Em breve estarei indo até as terras da Garra do Inverno para lhe entregarem um pedido de paz e um acordo de aliança com Tundra e Lâmina Fria.

Freljord irá renascer e isso começa com a aliança das terras dividas... Bom, tenho que ir, diário.

O vejo algum dia.

Beijos, com carinho... Ashe de Avarosa.

– Está pronta? – Disse Eli, o homem que aguardava sua rainha em frente ao seu castelo.

– Estou. – Disse a rainha Ashe, que se apresenta trajada com seu vestido negro, encapuzada e com o acréscimo da capa de caça, aquela de Sherwood, mas agora tingida de negro para combinar com o resto da roupa.

– Minha rainha, o rei George pede desculpas, mas não poderá se juntar a senhora neste momento. Mas enviou alguém em seu nome. – Dizia o guarda que escoltava sua rainha até o encontro de seu pequeno grupo de cinco homens, dos quais fariam sua escolta até as terras do leste.

– He... Já imagino quem seja. Obrigada Eli. Pode retomar seu posto. – Disse a donzela ao subir em seu cavalo de pelagem branca, checar para ver se o tratado de paz estaria bem guardado na bolsa que carregava no animal, pois o papiro era de muita importância.

– Tem certeza? – Ele perguntou, insistindo para que a acompanhasse.

– Sim, meu amigo. Tundra está mais forte que antes, mas não podemos nos descuidar, você é chefe da segurança agora. Precisa estar aqui para guiar seus soldados quando preciso. – Eli bate com o punho fechado no peito, uma forma de honra a rainha, feita pela guarda de tundra.

Então a rainha Ashe parte com seu cavalo branco e seu grupo de cinco homens, até a fronteira do oeste, onde passava como um raio veloz.

A garota de quase dezessete anos tinha cavaleiros negros a sua esquerda e direita, atrás e dois se mantendo a frente, sua guarda é rigorosa, mas muito eficiente e teria que ser mesmo, pois visitariam a Garra... O povo mais violento de Freljord.

Mas é sobre o alto da Montanha Branca, o local de encontro que fica nos limites de Tundra e Lâmina Fria, que o olhar sério da rainha passa a ser um seduzente olhar de desejo, diante o aliado que está para encontrar.

Haviam sete guerreiros montados sobre cavalos de pelagem negra, trajados com armaduras de prata, conversando a espera dos aliados, enquanto aquele que é seu comandante, está de pé, observando o grandioso horizonte que pega os limites de Freljord e o inicio de outras terras, sob aquela manhã ensolarada.

O poderoso homem de músculos fartos, armaduras em pedaços feitas de aço, longos cabelos negros ao vento e olhos verdeados fixos no horizonte, sob os braços cruzados de um homem paciente.

– Hey... – Diz à rainha que para com seu cavalo e seus guardas próximo ao grupo, descendo de sua montaria e andando até o homem no pico do mundo, cumprimentando aos guerreiros pelo qual tem que atravessar até seu amigo.

– Eu sabia que era você. – Diz ela ao parar ao seu lado, no pico do mundo, admirando aquela visão e enchendo seus pulmões com o ar puro de sua terra.

– Hm... Bom dia, Rainha Ashe. – Diz o guerreiro de voz bruna, mas gentil.

– Bom dia, Tryn. E ai, pronto para encarar a rainha do mal? – Ela ouve ele gargalhar, enquanto se aproxima do cavalo e agarra sua correia.

– É assim que pretende se aliar a Sejuani? Já a nomeando “Rainha do Mal”? Hahahahaha. – O guerreiro que carrega a enorme espada de aço com lâminas onduladas e cristais por seu corpo, em suas costas, monta em seu cavalo negro.

– Ué... Aliado é uma coisa. Agora, não tenho culpa que ela tem um passado com meu povo. – A rainha monta em seu cavalo branco e os guardas se preparam para partir. – Vamos lá Tryn... Freljord não irá renascer, enquanto não descartarmos nossas diferenças. – Ela toma a dianteira em uma corrida, com Tryndamere ao seu lado e os restantes dos doze guardas que os seguiam.

– Você cresceu muito menina... Seus pais teriam orgulho de você. – Diz o homem com confiantes olhos que seguem a rainha de Tundra.

– Hm... – Ela sorria observando as nuvens por um momento. – Ah meu bravo amigo... Você não imagina o quanto... –

Os líderes percorriam montanha a baixo por uma estrada de terra, em um caminho zigue e zangue, enquanto seus guardas estavam logo atrás e em prontidão para qualquer armadilha.

Ao cavalgue dos cavalos, Ashe e Tryndamere riam juntos com o futuro que os aguardava além daquelas fronteiras da Garra.

– E então... Rainha Ashe. Qual é o plano se caso der errado? Estamos próximos das fronteiras da Garra do Inverno. – Perguntou Tryndamere.

– O plano? HAHAHAHA!! – Ashe gargalhava diante a pergunta de seu aliado. – Tryn... Ainda não aprendeu? – Ela pergunta ironicamente.

– Ah é claro... Faremos daquela forma... – Ele diz em meio a risadas de um homem corajoso que se atira perante a morte.

– Ah é... Aquele jeito mesmo... – Ela sorri confiantemente.

Tanto Ashe quanto Tryndamere, dizem ao mesmo tempo, as palavras que exemplificam qualquer plano que seja criado, qualquer situação que enfrentem, qualquer coisa que confrontem, não existe “planos”, existe apenas uma coisa...

– Avarosa, guie-me!

Notas finais
Aqui se encerra a aventura de Ashe de Avarosa e com isso o primeiro arco de League of Legends : A História Não Contada.