Le Banquet
19 Capítulo 18 - Soul Meets Body
Notas iniciais
Esse capítulo tem o nome de uma das músicas de uma banda chamada Death Cab For Cutie, vocês podem ouvir ela enquanto lêem, ou não, haha, é uma escolha de vocês.
Seus cabelos finos balançavam devido à velocidade. Fez uma anotação mental: devia cortá-los. Mas depois acabou esquecendo. Porque estava muito preocupado em satisfazer a si mesmo e ao outro, que tinha um sorriso que lhe tomava o rosto quase que completo, porque não só sua boca sorria, como seus olhos e toda a sua expressão.
“Eu nunca fiz isso, Frankie. Vou te decepcionar.” Ele disse, receoso, quando frank o propôs. Mas não resistiu, porque Frank era persuasivo demais.
Chegava à machucá-lo quando tinha que dizer não, porque os olhos dele ficariam o sondando, dramáticos, até que disesse que sim, cederia ao que for que ele quisesse, porque afinal, já havia sido feito muito por ele. Teria que retribuir de alguma forma. E, já digo de antemão: Gerard é influenciável. Não facilmente, mas as poucas pessoas que sabiam como fazê-lo, usavam isso à seu favor com uma facilidade dos diabos.
E então Gerard cedeu, manipulado, ao convite que Frank o fez, que consistia em patinar no gelo.
E, como havia dito, Gerard era um completo desastre. Seus pés o traíam, colocando sua saúde em risco. Frank segurava as suas mãos, risonho, enquanto patinava lindamente de costas, sem nenhum tipo de restrição. Era quase uma daquelas bailarinas do gelo, que dançavam com roupas espalhafatosas às músicas dos anos 80 que tocavam.
Se limitou minimamente à pensar em Frank naqueles trajes, e riu, se desconcentrando mais uma vez e tropeçando na fina camada de gelo sob seus pés.
A pista estava praticamente vazia naquele dia, porque, na verdade, os lagos naturais estavam muito mais atrativos nessa época do ano. Foi por isso e por ser um lugar que remetia à sua infância que Frank escolheu Valentine’s, a pista de patinação próxima ao lugar onde cresceu.
O lugar cheirava à panquecas e batatas fritas, a pista não era muito grande, mal iluminada e convidativa, segundo Frank. Para Gerard, o único convite que ela fazia era “vem, baby, vamos cair!”. Enquanto Frank tinha as mãos nas suas, sorridente, escorregando com habilidade de costas, Gerard notava o quanto ele se esforçava para deixá-lo feliz.
Tudo que fazia, seus atos, suas palavras, seus convites, todos eles eram para satisfazê-lo. Isso não o incomodava de forma nenhuma, porque sabia que agradá-lo deixava Frank feliz, mas internamente se perguntava quando é que ele faria algo para agradá-lo. Também sabia que tudo aquilo fazia parte daquele plano maluco que Frank lhe contou estar fazendo parte, o qual ele gostava de chamar “Operação-Fundo-Do-Poço”, que consistia em, basicamente, fazer de Gerard o que ele era antes: amoroso, simpático, prestativo e apaixonado.
Amoroso: confere.
Simpático: confere.
Prestativo: confere.
Apaixonado? Estava apaixonado? Se pegava pensando, às vezes, quando estava encarando Frank e um sorriso crescia em seus lábios sem antes informá-lo, o assustando levemente. Frank era amável, sem dúvidas. Não sabia se aquilo era realmente amor, mas existia algo ali, denso demais para ser normal. Estava se deixando levar e isso também era plano de Frank.
Tudo que ele era agora, era um projeto do que Frank queria fazê-lo.
Estava funcionando.
Frank o deixava sem ar, sem respostas e sem reação. Era demais estar com alguém como ele, porque apesar de tudo isso, era tudo muito estável. Frank dizia o que queria sem cerimônias, sem rodeios e sem restrições. Isso facilitava muito as coisas, porque assim não precisava ficar adivinhando o que o satifazeria, como acontecia com as mulheres com quem se relacionou.
“Frankie, me ajuda!” Gritou, apoiado na borda.
“Oh princesa, venha até mim, sei que consegue!”
Estava com a mente imersa nesse em pensamentos dessa linha e os olhos focados no sorriso doce e efusivo de Frank patinando e fazendo acrobacias enquanto ele deslizava, afobado, se segurando na barra de proteção às bordas da pista que nem notou que, quando tentava ir até Frankie para patinar mais rápido, suas pernas cambalearam e ele foi ao chão.
Bateu a cabeça e aquilo o deixou numa confusão mental tremenda. Via três, cinco, oitro Frankies olhando para ele, com ar preocupado, chamando alguém para ajudá-lo à levantar, enquanto o gelo se manchava de sangue. Tudo aconteceu depressa demais.
O que veio depois foi uma dor aguda e a completa escuridão.
–x-
Acordou em uma cama, com Frank o observando, o cenho franzido, os lábios crispados formando uma linha reta numa expressão cuidadosa.
“O que aconteceu, Frankie? Por que estou aqui?” Perguntou, assustado, quando percebeu que estava em um hospital. Frank, quando viu que Gerard estava acordado, sorriu fraco, parecendo aliviado.
“Bom, boneca, você consegue acreditar que caiu de amores por mim? Pois eu também estou surpreso.” E riu fraco, aliviando a tensão que antes tomava o quarto.
“Ha, ha. Engraçadinho.”
“É sério. Você me assustou.” Falou delicado, roçando os dedos levemente pelo rosto de Gerard, que fechou os olhos ao contato, apoiando seu rosto nas mãos de Frank. “Você precisava ver o sangue.” Ele diz, e Gerard faz careta. Frank chama a enfermeira, que vem rapidamente e faz algumas perguntas à Gerard.
Levou quatro pontos na cabeça, e os médicos tinham dúvida se isso acarretaria em algum dano, seja ele de memória, de discernimento ou confusão, o que só seria confirmado quando acordasse. Passou cinco horas dormindo, mas acordou sem sequela alguma.
Ainda lembrava de Frankie – como esquecê-lo? -, e seus julgamentos estavam perfeitos. Ficaria mais algumas horas em repouso no hospital, mas depois poderia ser levado para casa, não precisaria passar a noite ali, o que o deixou aliviado pois não era o maior fã de hospitais.
Frank se demonstrou ainda mais cuidadoso quando o assunto eram enfermidades. Ficou o tempo todo com ele e o levou para seu apartamento quando teve alta, por mais que Gerard dissesse que se sentia bem.
“Você está liberado da observação dos médicos, mas não da minha.” Frank disse, quando abriam a porta do apartamento de Frank, Jubarte latindo em uma alegria desesperada, pulando em seu dono, que parou por alguns minutos para brincar com ele antes de fazer qualquer coisa. Era como um ritual, todas as vezes que chegava em casa. Gerard só observava, estupefato, o quão carinhoso Frank podia ser, com qualquer ser que fosse.
Frank cozinhou uma sopa para Gerard, e ficou afagando seus cabelos negros enquanto o observava atento, e se pegou com medo de imaginar o que poderia ter acontecido. Gerard era muito importante para ele.
Muito mais do que seu bom senso o permitia.
Esperava que Gerard nunca o decepcionasse.
Porque agora tinha certeza que o amava incondicionalmente.
Gerard sentia algo muito grande dentro de si, que mal podia conter. Frank o preenchia. O deixava feliz como nenhuma outra coisa ou pessoa poderia fazer. Dormiram muito próximos, quase fundidos um no outro, as respirações se tornando uma só, felizes com a presença um do outro.
Fale com o autor