Le Banquet
18 Capítulo 17 - Tout est Calme
Notas iniciais
esperam que estejam gostando desse amor todo.
Não posso dizer que Frank tinha uma tarefa fácil. Gerard era difícil, confuso e indeciso. Ora fugia, ora corria para os braços dele e isso o deixava maluco. Queria chacoalhá-lo e dizer para ficar tranquilo, mas Gerard tinha ápices de culpa por ter descoberto seu interesse por homens, de carência nas madrugadas, de mãos trêmulas e insegurança.
Afinal, ele é humano.
Frank o conquistava todos os dias um pouquinho mais, o convencendo de que o que faziam não era errado, de que gostava dele, de que podiam ser felizes juntos, pois esses pensamentos inundavam Gerard quase sempre, porque não conseguia viver intensamente passo após passo. Precisava de algo seguro em que pudesse se apoiar para sair do poço em que ficou durante muito tempo. Precisava de um porto-seguro, e ainda não sabia se Frank era realmente quem dizia ser ou era um campo minado prestes a explodir com qualquer passo errado.
Por isso iam devagar. Por mais que já tivessem ficado íntimos demais, o que veio depois disso foi um período extenso de descobertas a passos lentos, cheio de incertezas, mas também de carinho.
Frank era delicado, e tentava não ser invasivo. Sua postura sempre irônica continuava presente, e isso também ajudava Gerard a se soltar. Eles estavam indo bem. Gerard ainda não tomava iniciativas, mas era de se esperar, então somente tentava corresponder o quanto podia os passeios que Frank propunha, os filmes que ele sugeria, e Frank até gostava de ser assim, um pouco controlador e ao mesmo tempo cuidadoso e atencioso.
Estavam agora caminhando com as mãos levemente entrelaçadas, Gerard ainda as sentindo suar frio com a presença impositora de alguém um palmo menor que ele. O inverno já estava bem próximo, novembro os castigando com uma brisa gelada que batia contra seus rostos, bagunçando os cabelos, os de ambos bem crescidos.
“Não acha que devíamos ter vindo de carro? Estou com frio.” Comentou com um murmurio, não sem antes ter pensado por longos segundos sobre o que falaria. Não se achava interessante o suficiente para começar a puxar assuntos, mas Frank não parecia disposto a falar alguma coisa, estava apenas focado no trajeto que faziam, subindo uma pequena montanha em uma praça próxima.
“Ah. Já estamos aqui, afinal. O pôr-do-sol vai ser logo, logo, princesa. Se prepare, aqui é o único lugar da cidade que encontrei em que os prédios não cobrem totalmente a visão do sol se pondo...”
“Aposto que há outros lugares.”
“Mas eu encontrei esse, oras.” Disse, rindo levemente. “Eu gosto de caminhar.”
“Eu sei, mas acho que deveria perder o medo de dirigir.”
“Eu não tenho medo.”
“Não? Frankie, das duas vezes que você dirigiu, quase teve ataque de pânico. E trocou acelerador por freios por causa de nervosismo umas 80 vezes. Não sei como te deixaram tirar a carteira.” Comentou, risonho.
“Ei!” Protestou somente, por que sabia que era a verdade. Mas isso não o impediu de dar um soco leve no braço de Gerard, ofendido de brincadeira. “Shiu, vai começar.”
E assim ficaram em silêncio, um calor subindo e descendo no estômago de Gerard, porque estava prestes a fazer algo que ainda não havia feito. Frank olhava para o horizonte, compenetrado na gama de cores que se fundiam para formar uma visão perfeita. Dali a cidade parecia calma, o céu acima das suas cabeças começando a ficar mais escuro, ao passo que se tornava roxo, lilás, rosa, laranja e outras cores que nem deveriam existir nas paletas de cores. Ou sim. Não sabiam, porque nunca haviam visto algo parecido. O que Gerard sabia sim, muito bem, era que se encaminhava vagaroso para pela primeira vez tomar a atitude de tomar-lhe os lábios. Era bobo e sabia disso.
Mas era um passo.
Ficava pensando em quão clichê pareciam os dois ali, sentados num banco velho, numa praça, assistindo o pôr-do-sol para depois se beijarem calmamente. Quando o beijo terminou, Frank olhou rapidamente para Gerard com um sorriso no canto dos lábios, e voltou a observar o céu, mantendo a mesma expressão.
“Faz quase 4 meses que te conheço e eu nunca pensei, até agora, que você tomaria uma atitude. Estou orgulhoso.” Disse apenas, sorridente.
“Eu posso te surpreender, pequeno.” Gerard sussurrou, como um segredo, sorrindo um pouco, arrastando a mão para entrelaçar na de Frank. Estava realmente mudado no quesito personalidade-depressiva-destrutiva que havia assumido há agora um ano. Até suas feições estavam mais relaxadas.
Podia-se dizer que era um novo homem?
Talvez não ainda.
Eu considero que o momento derradeiro de mudança foi num dia muito frio em meados de novembro, em que Gerard apareceu de surpresa no apartamento de Frank, o tomando nos braços quando esse atendeu a porta, Jubarte rodeando os dois e quase os derrubando, o rabo dourado balançando agitado.
“Não te esperava aqui hoje, boneca.”
Gerard, que já tinha um nó na garganta formado pelo nervosismo de estar ali sem avisar, sem saber se Frank queria sua presença, sentiu o estômago embrulhar com mais um dos apelidos femininos que Frank lhe colocava.
“Quis te fazer uma surpresa.” Respirou fundo, entrando totalmente no apartamento, limpando a garganta para então pronunciar: “Criei um novo molho.” E ao falar isso sentiu como se estivesse tirando um peso de suas costas.
Frank ficou impressionado.
“Sério? Isso é ótimo! Quer me mostrar?”
“Sim.”
E assim o fez. Era um molho que era quase como um creme, com aspargos, cebola, salsa e outras coisas que não conseguia identificar. E era muito bom. Frank não pôde deixar de soltar um suspiro que era quase como um gemido e fechar os olhos involuntariamente.
“Isso está muito, muito bom.”
Gerard sorriu, satisfeito e orgulhoso.
“Posso dar uma sugestão?” Gerard fechou a cara. Mal havia começado a tentar coisas novas, Frank já o reprovava? “Calma, Gee. Só acho que se colocassemos limão e framboesa seria o melhor molho dessa cidade.”
“Framboesa? Isso é improvável. Mas eu gostaria de experimentar.”
Gerard se deixou vencer.
“É verdade, não havia pensado nisso.” Completou, ficando mais alegre um pouco depois, quando haviam complementado o molho com os ingredientes. Era delicioso. “Ei, esse pode ser nosso molho.”
“Você é bem possessivo, não é, princesa?” Falou, um sorriso maníaco crescendo nos lábios bonitos enquanto apontava para o chapéu de chef que foi seu presente de aniversário.
Gerard sorriu e correu atrás de Frank como uma criança, o pegando para fazer cócegas. Seus olhos brilhavam e os dois riam infantilmente, totalmente confortáveis com a presença um do outro. Foram parar na cama, Gerard o tomando num beijo rápido e sensual, os lábios contorcidos em um sorriso enquanto tentavam ficar numa posição confortável para ambos.
As roupas foram ao chão e isso era uma atitude do novo Gerard, que se mostrou agora um pouco mais confiante e decidido.
Ao menos não parecia nada confuso quando seus dentes cravaram nos ombros de Frank, gemendo pelo seu nome, suas mãos passeando pelo corpo tatuado apenas um pouco trêmulas pela excitação e ansiedade pelo que viria a seguir, gemendo mansamente.
-x-
Frank estava deitado no peito de Gerard, a respiração já se tornando muito mais calma, iniciando um estágio de sono. Dormiria facilmente com Gerard ali, mexendo em seus cabelos com delicadeza em movimentos circulares e calmos.
“Frankie...” Murmurou baixinho, esperando que se estivesse dormindo não o atrapalhasse. Frank apenas mexeu um pouco a cabeça, indicando que estava ouvindo. “Eu gosto muito de você. Você me faz ver as coisas de uma forma diferente. Gosto dos seus olhos inquisitores, do desenho do seu nariz, da sua risada infantil, do seu sotaque... Eu acho que...”
Te amo?
“Que...?” Frank disse, a voz embargada pelo sono.
“Nada, pequeno.” Acenou negativamente com a cabeça, lhe plantando um beijo nos cabelos. “Apenas durma, sim? Bons sonhos.”
Mas Frank não dormiu. Ficou ali, estático, pensando no que havia escutado. Será que Gerard diria aquilo que achou que iria dizer? Gerard sim dormiu, parecendo mais leve depois da confissão, mesmo que não a tivesse terminado. Nunca antes havia demonstrado esse tipo de carinho por Frank, o elogiado assim, reconhecido o que havia feito por ele.
“Eu acho que amo você.” Disse Frank somente, pensando que nunca conseguiria dizer isso em voz alta com Gerard tão perto. Ao menos estava dormindo, e não poderia olhá-lo com os olhos verde-amarelados com confusão, nem se assustaria com a confissão. Não se afastaria.
Não agora.
Notas finais
e, ah, vocês são lindas ♥
Fale com o autor