Le Banquet
13 Capítulo 12 - La Valse
Notas iniciais
E é agora que acaba a agonia D:
Não podia acreditar, mas era verdade. Estava terrivelmente atrasado. Era o grande dia! Como pôde deixar-se dormir até essas horas? Culpava o outro, que invadia seus pensamentos até altas horas e o provocava ainda mais nos sonhos perturbadores e sexuais que tinha.
O tempo estava fechado e as nuvens densas se formavam sobre a sua cabeça, e só percebeu isso enquanto anadava apressado ainda na segunda quadra de seu longo caminho. Praguejava a si mesmo por estar nessa situação, e resmungava durante o caminho, ofegante.
No restaurante, Gerard estralava seus dedos e corria as mãos pelos fios de cabelo, algum tempo antes de Frank acordar. Estava nervoso e Frank não havia aparecido para lhe dar algum conforto, o que o deixava desapontado. Já havia passado do horário de começar a fazer o prato que havia anunciado: risoto de arroz arbóreo com brócolis e tomate, acompanhado de salmão ao molho de manteiga de limão. Era um prato difícil, mas havia treinado nos últimos dias. Ainda assim, suava frio. Decidiu começar sozinho. Afinal, foi assim que começou na vida. Respirou fundo, lembrando do sentimento que os olhos de Frank o passavam, dizendo “eu confio em você” sem ao menos pestanejar. Lembrou de suas aulas e o quanto se dedicava a ensiná-lo e trazê-lo de volta à sua vida normal.
Gerard estava compenetrado, se preocupando com o que fazia sem desviar o foco. Sabia que era capaz. Assim, estava apenas montando o prato. Havia dado tudo certo, afinal. Levantou os olhos, olhando ao redor esperando encontrar com Frank sorrindo orgulhoso, como um pai. Encontrou o vazio. Frank estava correndo no meio de uma tempestade, pois o que começou como garoa já era chuva torrencial.
William, o dono o restaurante, acompanhou todo o processo estava pronto para provar. Continuou impassível quando levou o garfo à boca, deixando Gerard cada vez mais apreensivo.
-x-
Frank encontrou com Gerard nos fundos do Twelve Madison, pois nesse dia o restaurante não estava funcionando. Ele saia com a cabeça baixa, não se importando com a chuva que caía sobre si. Frank diminuiu o passo, ofegando forte e se inclinando para apoiar em seus joelhos, tamanho cansaço. Gerard limitou-se a olhá-lo. Quando a respiração já voltava ao habitual, falou calmamente.
“Porque não veio?” A voz era neutra.
“Me desculpe, eu só... Não sei. Dormi demais.” Disse sincero, dando de ombros. “Desculpe. Como foi?”
“Bem, eu... Estou de volta ao restaurante. Seremos chefs.” Um sorriso lhe rasgou a boca, que Frank já havia reparado, era levemente torta. O nariz pontudo se inclinou em satistação, e agora tinha o peito inflado. Frank não se conteve, e teve de abraçar Gerard da forma mais calorosa que pôde, agora os dois molhados pela chuva. Se enroscou em seu pescoço e lhe dizia palavras doces. Gerard o afastou um pouco. “Mas estou chateado. Você deveria ter vindo. Isso quase me prejudicou.”
“Eu sei, eu sei, me desculpe, eu não queria... Me desculpe, desculpe...” Disse, sem querer distribuindo alguns beijos pela face de Gerard, que não se opôs.
Ficou imóvel.
Mesmo quando Frank lhe encostou nos lábios. Diferente dos beijos extasiados e rápidos que estava deixando pelo seu rosto, quando isso aconteceu, foi calmo. Ao invés do coração de Frank arrebentar o peito, ficou sereno. Sentia claramente as gotas pingando sobre si, muito geladas, ao passo que o corpo que estava colado ao seu estava morno, e isso lhe causava arrepios gostosos que corriam pela nuca. Gerard se assustou mas, no momento, deixou-se levar pelos lábios frios que se pressionavam contra os seus pedindo por passagem. Sua respiração era quase nula, e seu coração, ao contrário do de Frank parecia poder saltar para fora de seu corpo em qualquer instante.
Frank abriu seus próprios lábios, num pedido silencioso. Gerard o concedeu.
Sua língua aveludada escorregou lenta para dentro da boca de Gerard, que correspondeu ao toque, agora passando suas mãos pela cintura do outro. Inclinaram a cabeça para lados opostos, suas línguas dançando uma valsa que nunca haviam praticado uma com a outra: um pouco desajeitadas no começo, mas logo pegando o jeito uma da outra, se tocando levemente por alguns pouquíssimos minutos mornos e tenros em que a chuva lhes cortava, para trazer um tanto de realidade por meio dos fogos de artifícios que estavam em volta.
Frank sentiu o cheiro enquanto o mundo girava aos seus pés. Era baunilha. Seu hálito também tinha o mesmo cheiro, o mesmo gosto. Era bom. Era maravilhoso. E ele não queria perder esse contato por nada no mundo.
Infelizmente, o beijo foi quebrado depois de algum tempo, com Gerard, imaginem só, suspirando. Dessa vez não era um suspiro impaciente, nem pra cortar nada. Era como se estivesse tirando um peso de si, como se estivesse querendo isso há tempos. Um alívio. Frank não desistiu, e ao perder os lábios, desceu ao queixo, se arrastou pela mandíbula numa calma tremenda, até agarrar-lhe o lóbulo da orelha, Gerard levantando de leve a cabeça para o outro lado, aproveitando a sensação já esquecida.
“Desculpe”, murmurou outra vez contra o seu ouvido, a voz rouca com sotaque francês o arrepiando até a alma.
Quando se separaram de vez, tremeram ao sentir que a temperatura parecia ter caído de forma assombrosa. Ou era apenas necessidade um do outro. Gerard, quando percebeu o que havia feito, se culpou. Se assustou. Nunca havia tido algum contato assim com homem algum, embora sempre visse pessoas e não gêneros. Não se importava, na verdade, apenas nunca tinha pensado nele numa situação assim. Não era isso.
Era algo a mais.
Era um medo inconsciente de perda. De ser magoado outra vez, de ser deixado. Ainda estava inseguro com si mesmo, com tudo ao redor.
Aquilo o sufocou.
Queria correr, se esconder e nunca mais olhar ninguém ao redor. Queria ficar numa caverna sem contato com quem pudesse o machucar. Todos eram uma ameaça em potencial. Se sentia fraco, tonto. Nauseado. Sem ar.
“Gerard, está tudo bem?” Frank, que tinha um sorriso comprido, teve esse dissolvido quando viu a expressão do outro.
“Eu... Preciso ir. Isso.”
E realmente se foi, deixando um Frank molhado, preocupado e com uma leveza incomparável para trás. Ele tinha um ponto de interrogação imenso e brilhante acima de sua cabeça.
Notas finais
Ger bobinho, Ger bobinho...
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