Laço de Sangue

8 Finalmente Liberdade


Notas iniciais
Ola, querido leitor(a). Obrigado por chegar até aqui. Espero que estejam gostando. Bom... queria apernas dar uma dica. Esse é o meu capitulo favorito e recomendo lê-lo ouvindo "Bad Things" do "Machine Gun Kelly com a Camila Cabello". Escrevi esta parte da história ouvindo essa música, ou melhor, sentindo-a. Então para uma experiencia ainda mais profunda, recomendo ouvi-la e se gostar, procurar tradução. Espero que gostem

— Quem era? — Nathalie me pergunta.

Havia se passados três meses desde que passamos por aquele inferno.

Procuramos um médico de confiança e que manteria a boca fechada por uma boa quantia de dinheiro.

A vida de HIV positivo não vinha sendo nada fácil, mas estávamos nos virando bem.

— Ninguém importante — Respondo ainda absorto pela notícia de Arthur e encarando o aparelho em minhas mãos.

“Eu nunca vi a morte como um castigo”. Lembro das palavras de meu anjo. “Eu a receberia de braços abertos. Como minha libertação dessa vida amaldiçoada”.

— Vamos fazer algo diferente?

Ela me olha como se eu fosse louco.

— Tipo? — Pergunta receosa.

Estico minha mão e ela a aceita.

A levo até nossa sala de estar e peço para que ela espere ali.

— Eu vi isso em um clipe, uma vez. — Falo arrancando minha camiseta preta favorita após retornar de nosso cofre.

— O que o senhor pretende?

Ela tem em seu rosto o sorriso safado que eu tanto amo.

— Não é nada disso que você está pensando, sua pervertida — Falo me sentando no chão.

Minhas mãos estão trêmulas.

Meu coração está acelerado.

Sinto o suor escorrer por minha costa.

— Ta, seu chato — A decepção em sua voz é evidente.

Tudo o que eu mais desejo nesse instante é poder me deitar uma última vez com meu anjo. Fazer sua comida favorita. Assistir ao filme que ela mais ama, mas eu não tenho tempo para isso.

— Eu vou vendar meus olhos e lhe dizer tudo o que eu quiser.

— Por que você não faz isso sem a venda.

— Porque a graça é eu não ver suas reações e sim saber se sou capaz de senti-las.

Nathalie nunca foi uma garota romântica e sei que ela está estranhando minha atitude.

— Pra que essa viadagem agora?

— Porque eu acho que seria legal testarmos nossa sintonia… — Eu quero dizer a ela o que vai acontecer, mas um de nós saber já é o bastante — Você quer fazer ou não?

— Só se você começar.

Afirmo e amarro a camiseta bem firme em meus olhos.

A escuridão me toma e só penso no que o que eu quero que ela realmente saiba.

— Eu quero lhe agradecer por ser uma ótima esposa. Eu provavelmente não conseguiria fazer metade do que fiz se eu não tivesse você. Você foi capaz de me dar uma luz nesse mundo sombrio. Me dar alegria em meio a tanta tristeza e desgraça. Você fez mais por mim do que eu sou capaz de dizer. Eu não te mereço e peço perdão por te levar tão fundo nisso que fazemos. Você não deveria ter sua alma corrompida. Você nem deveria ter passado por metade do que passou. Eu te admiro pra caralho — Lágrimas começam a descer por minha face e molhar o tecido — Você é minha vida. Minha razão de existir e de acordar todos os dias. Obrigado por ser meu anjo e minha salvação.

Eu sinto a dor percorrer meu corpo e quase me sufocar, então prossigo, recitando meus votos de casamento:

— Quero que você saiba que sempre vou te amar. A cada nascer do Sol meu amor por ti aumentará. Te amarei por dias, horas, semanas, meses e anos. Te amarei quando o céu desabar. Te amarei ainda mais nos momentos de tristeza e de angustia. Te amarei em todas as estações. Te amarei por tudo ou apesar de tudo. Te amarei com todo o meu coração e além da minha vida, pois com você e somente com você ela faz algum sentido.

A venda cai e ela limpa meu rosto.

Ela sorri para mim como na primeira vez que nos encontramos. Como na primeira vez que eu a amei. Como em quando assinamos os papéis do casamento.

Eu me orgulho de ter a conhecido.

Ela fora a melhor coisa que aconteceu em minha vida.

Fico de joelhos e amarro a venda em meu anjo.

Mais lágrimas caem, acompanhadas da dor.

— Eu quero agradecer por você apenas ser você. Por ser meu marido e melhor amigo. Por ser meu confidente e meu amante. Por tudo o que já fez por mim. Eu provavelmente estaria presa se não tivesse te conhecido. Ter me incluído no seu mundo e no que fazemos foi muito importante para mim. Você cuidou de mim como ninguém jamais cuidou. Você me amou da forma que ninguém jamais amou. Se Deus existe, eu agradeço por ele ter me permitido lhe conhecer. Você é o melhor cara da face da Terra. Pra mim você é tão importante quando água, e como ar. Você vai muito além do homem que eu sempre desejei pra mim.

Ela também chora.

— Antes de você tirar a venda — Falo colocando a mão sobre a de Nathalie — Você ainda lembra o que combinamos quando casamos?

— Claro. Lembro como se fosse ontem. “Se um de nós fosse descoberto, cometeriamos suicídio duplo, rumo a libertação. ”

Com a mão trêmula, tiro a Glock preta de minha cintura e a aponto para a cabeça da única mulher que já amei.

Quando concordamos com isso, nunca imaginamos que chegaríamos a fazer metade do que fizemos.

A cadeia não é uma opção.

— Obrigado, Nav. Eu nunca seria capaz de retribuir todo o amor que você me deu e obrigada por me libertar desse inferno — Ela diz como se soubesse o que estou preste fazer.

Eu não posso fazer isso.

Eu não posso matar a única pessoa que já me amou.

Mas eu preciso.

Nós tínhamos dado fim a muitas pessoas e ela não merecia mais essa desgraça.

— Eu te amo mais do que qualquer coisa.

Aperto o gatilho, despedaçando meu coração.

Sua cabeça fora para trás com o impacto, mas seu corpo despenca inerte em cima de mim.

Eu a abraço bem apertado e choro como nunca havia chorado.

— Me perdoa, Nathalie — Grito para o vazio de nossa casa — Me perdoa, meu anjo.

Seu sangue escorre por meu corpo enquanto eu balanço a nós dois.

Não achei que pudesse sentir essa dor novamente.

Espasmos percorrem meu corpo.

Sei que era o desejo dela, mas isso não servia de consolo.

A dor em meu peito é algo inexplicável.

Nathalie é insubstituível.

Ainda chorando, a deito no carpete e cubro seu rosto.

Em minha mente ficará para sempre a imagem do sorriso em seu rosto enquanto esperava a morte como um ente querido. Enquanto acolhia sua tão esperada amiga.

Continuo sentado ao seu lado, com as pernas cruzadas e lágrimas silenciosas escorrendo enquanto lembro de nossa vida juntos.

Depois de muito tempo, a polícia finalmente chega.

Meu destino é diferente.

Ainda não posso receber minha liberdade.

Eu iria começar a pagar por meus pecados.

Tudo acontece em câmera lenta.

Nossa casa sendo invadida.

A polícia descobrindo seu corpo.

Eu sendo algemado.

As acusações eram somente sobre mim, mas eu sei que Nathalie não deixaria eu levar a culpa sozinho.

Pelo que Arthur me disse, encontraram o corpo do filho da puta que estuprara Nathalie. O que levou a polícia a achar evidencias contra mim, dando início a uma silenciosa e privada investigação contra Nathan Vallentim. Tudo porque o idiota estuprador era um mauricinho de família rica e importante.

É como dizem: o dinheiro move as verdadeiras investigações.

Se ele não tivesse um tostão no bolso, duvido que teriam se quer começado a investigar.

Pelo menos Nathalie se fora com a imagem da pessoa boa que acreditavam que ela era.

A imagem da garota que eu conheci naquele inferno.

Eu estava em um completo torpor tão grande que nem percebi os policiais falarem comigo.

— Ei — Diz a delegada, Ângela — Sr. Vallentim?

Estou em uma daquelas salas de interrogatórios.

— Ele não disse nada desde que chegamos na casa — Comenta um dos policiais.

Eles continuam a falar comigo por um bom tempo, mas não consigo dizer sequer uma palavra, como se tivesse esquecido como emitir qualquer som ou ação. Agindo como um robô.

— Jogue-o em uma cela até que ele esteja disposto a abrir o bico.

É o que fazem.

Me recosto na parede e escorrego até o chão.

Na cela tem mais uns dois caras, que me reconhecem e começam a tirar sarro com minha condição.

De repente o lugar todo começa a girar e eu a hiperventilar.

Eu não tinha um ataque de pânico a anos.

Os idiotas começam a rir mais ainda.

— Isso é demais para a estrelinha — Diz um dos idiotas com cara de necrófilo.

Me viro para o lado de vomito.

Eu nunca mais veria meu anjo.

A minha felicidade estava desfalecida em cima do carpete de camurça.

O peso em meu coração parece pressionar meus pulmões.

Eu preciso me recompor.

Me lembrar o porquê de estar ali.

— Te prepara, bonequinha — O idiota continua.

Me levanto e vou com tudo para cima do gozador, que cai desmaiado sem nem revidar, enquanto o outro me olha assustado.

— Será que algum idiota trabalha nessa bosta de lugar? — Grito perto das grades.

Dois policiais aparecem com cara de descontente.

— Diga para aquela vadiazinha da Ângela que estou pronto para abrir o bico.

Alguns minutos depois estamos de volta a sala de interrogatório, onde conto sobre as pessoas que matei.

— Deixa eu ver se entendi — Fala o detetive Leonardo — Você está nos dizendo que é responsável pela morte de mais de mil e quinhentas pessoas? Isso é impossível.

— Infelizmente não matei todos com minhas próprias mãos. Vocês ficariam surpresos com a facilidade de se contratar um assassino de aluguel.

Ângela, Leonardo e os dois policiais que estão de pé no canto da sala me olham atônitos.

Não é exatamente uma mentira. Mil e quinhentos é o número total de cabeças obtidas tanto por Nathalie como por mim.

— Mas isso chamaria muita atenção. Alguém teria lhe descoberto.

— Não insulte minha inteligência. Eu não mando bem só no rock. Isso não foi só aqui no Brasil.

— Você quer dizer que matou pessoas de outros países?

— Claro. Turnês são entediantes.

Eles se entreolham.

— Isso vai dar uma trabalheira do caramba...

— O se vai — Interrompo — Ainda mais que dei fim em figurões. Políticos, grandes empreendedores. Adorei cortar a garganta do idiota do Flávio. Sabe aquele investidor renomado que esfaqueou minha perna e que vocês achavam que estava foragido? Eu o deixei sufocar com a própria mesquinharia — Estou devastado, mas preciso parecer o mais agressivo possível — Dar uma facada em minha perna foi um preço baixo a se pagar para vê-lo se afogar no próprio sangue. Foi uma das mortes mais gratificante de minha existência.

É necessário muita concentração para manter a voz firme e fria, enquanto brinco com as algemas em meus pulsos.

Eu queria muito uma câmera para registrar aquelas caras de pânico.

Nathalie teria chorado de tanto rir.

— Mas… mas porque você fez isso — Ângela me pergunta — Você tinha tudo: Fama, dinheiro, uma bela esposa.

— PROQUE EU SOU LOUCO — Grito ficando de pé e batendo com as mãos espalmadas na mesa de metal, fazendo os dois policiais segurarem em suas armas — Eu fiz por puro prazer. Eu fiz porque estava entediado. Fiz porque não tinha nada melhor naquele momento.

Me sento novamente, fitando o fundo dos olhos da delegada que um dia fora minha fã.

A forma como ela me olha deixa claro sua plena decepção.

— Nathalie tinha algum envolvimento?

— NÃO! — Respondo mais rápido e ríspido do que pretendia — Eu agi sem que ela soubesse de nada. Bom… até hoje de manhã, antes de me dizer que tinha descoberto quem eu era e que dera um jeito para a polícia começar a me investigar.

Arthur me dissera ao telefone que alguém fizera uma denúncia a meu respeito e que ela conseguira manter a identidade escondida. Aproveitei para utilizar essa informação ao meu favor.

— E por isso você decidiu estourar os miolos dela — Comenta o detetive.

Meu sangue ferve com a forma que ele falara.

Mordo o canto da boca com força para não socar aquele imbecil.

— F-foi — Falo com pesar.

Estou tentando manter a linha de cara durão, mas perder a única razão do meu viver não está ajudando em nada. Ainda mais que tenha sido eu a colocar o fim nela.

Todos sabem como no Brasil os processos judiciais costumam demorar anos. O que não é o meu caso que tem uma grande extensão e que afeta outros países.

Novecentas pessoas era o maior número estimado de pessoas mortas por um Serial Killer. É claro que foi preciso mais do que uma palavrinha para acreditarem que fui responsável por aquelas mortes. O que me leva a relatar a maioria delas.

Star Killer, é como eu vinha sendo chamado.

Como acabo pegando Prisão Preventiva, eu devo ficar detido dentro da maior penitenciária de nosso país por um tempo.

Será uma experiência interessante, pois me dará a oportunidade de fazer um último ato.

Chego à minha cela com uma reputação mais alta do que eu espero.

Quando se é famoso, as fofocas chegam a qualquer lugar— Penso.

Devido ao grau do meu “crime”, ganho direito a um lugarzinho somente meu.

Há somente mais um detento nessas condições.

Eu já adentro ao prédio com um bom plano. Não precisa ser perfeito, apenas, feito.

Acho que finalmente o multiverso decide me ajudar, pois em minha primeira noite, minha presa decide invadir minha singela hospedagem.

“Jâo do Churros”, pseudônimo de João Menezes, fora preso por estuprar e matar cinquenta e duas crianças e suas mães. Ele escolhia suas vítimas ao contemplá-las na entrada da escola, onde vendia churros. Ele disse ter começado nessa vida aos dezenove anos, após fazer o mesmo com o pai e o irmão mais novo, na casa onde antigamente os três moravam sozinhos.

— Olha só. Temos carne nova no pedaço — A presa sibila.

Ele é um homem de quarenta e cinco anos que aparenta ter setenta e nove. Tem piercings e tatuagens por todo o corpo.

Bom… isso eu também tenho.

Estou deitado, fitando o teto.

Dormir é algo que não faz mais parte do meu dicionário. Pequenos cochilos é o mais próximo disso que eu consigo chegar.

A falta que Nathalie me faz é inexplicável.

Toda noite ao fechar os olhos, eu a via sorrir, completamente nua em nossa cama, então a cena se alterava: Ela envolta pelo próprio sangue em cima de lençóis antes brancos.

Toda noite ao fechar os olhos, eu desejava que a vida pudesse ter sido diferente para nós.

Estou ali a apenas algumas horas e já ouvi dizer que Jão era tão bom de briga como uma minhoca, mas sabia manejar uma faca como ninguém, o que acabou lhe rendendo o título de “Chefão” da cadeia e que deveríamos mesmo era ter medo de seu guarda-costas: um antigo membro de gangue.

— Pierre — Diz o chefão — Tranque a porta ao sair. Eu quero um momento a sós com minha nova princesinha.

— Eu não faria isso, se fosse você — Falo ainda sem o olhar.

— Ora. Porque não? Eu me cansei de brincar com as princesas daqui. Agora eu quero algo novo e bem melhor.

Me sento e o encaro.

— Se você tentar encostar um dedo em mim…

— Você vai fazer o que? Eu sei o que você fez… pagar para matar alguém. Só maricas fazem isso.

Disse o cara que quer comer outro cara.

Me levanto com tudo e o pressiono contra a parede, com a mão em sua boca.

Preciso me abaixar para olhá-lo nos olhos.

— Eu não tenho medo de você nem dos seus soldadinhos de chumbo. Muito menos da câmera no canto do teto… — Ele tenta pegar algo na cintura, porém sou mais rápido -... e nem dessa coisinha aqui — Levanto sua faca na altura de sua horrenda cabeça.

Eu pretendia fazer tudo de uma forma lenta e dolorosa, mas infelizmente não daria tempo.

— Por onde eu começo — Falo descendo a faca por seu rosto, fazendo-o sangrar.

Ele começa a gritar

— Shi… shi… shi… Não seja uma marica.

Pierre está parado na porta, olhando tudo atentamente.

Eu esperava que ele entrasse e tentasse ajudar seu comparsa, mas apenas se vira e vai embora como se nada estivesse acontecido.

— Parece que você está sozinho — Coloco em meu rosto meu melhor sorriso psicótico — Alguém não tem tantos amigos, não é mesmo.

— Não importa — Ele diz logo após eu tirar a mão de sua boca — Os guardas logo chegaram.

Solto minha melhor risada de escárnio.

— Você acha mesmo que alguém vai tentar salvar um estuprador? — Ele perde a cor do rosto — Eu estou fazendo um favor a sociedade.

— Você está mentin…

Eu o interrompo segurando sua língua e a puxando o máximo que posso.

— Não... me chame... de mentiroso — Falo lhe cortando a língua.

João começa a fazer altos ruídos de dor enquanto rola no chão.

Minha roupa suja com seu sangue.

— Você não passa de um bosta.

Enfio a faca em sua perna, fazendo-o arregalar os olhos e então a puxo para cima, rasgando sua pele por todo o caminho.

O idiota se joga no chão.

— Achei que você seria uma presa mais interessante, mas eu estava terrivelmente enganado — Finco a faca em sua mão — Você tem noção de como é decepcionante quando vocês são apenas ego e boatos? — Corto seu pênis e o jogo fora — Não sei porque, mas o sangue de gente como você sempre me pareceu meio sujo — Digo olhando minhas mãos e empurrando fundo a faca em seu ânus.

O cara mais temido da penitenciária está praticamente morto. Ele já não emite mais nenhum ruído, apenas derrama lágrimas.

Os guardas chegam e tentaram abrir a porta.

Eu os encaro, sorrio com o canto da boca e ainda os olhando, enfio a faca no estômago daquele pedaço de estrume e o rasgo.

Quando os policiais abrem minha cela, me levanto, jogo a faca no chão e estico meus braços para colocarem as algemas. Tudo isso ostentando meu melhor sorriso.

Minha cela está toda manchada de sangue, assim como minha roupa.

Ao ser lavado dali, posso ver os outros detendo se aglomerando para saber o que aconteceu.

Me botam um tempo na solitária. São bons dias de solidão. Bons para me sufocar com a falta de minha esposa. Ali eu pude chorar sem nenhum problema.

Quando volto a utilizar o refeitório, nenhum detento se senta em minha mesa e ninguém tem coragem de me olhar por mais de dois segundos.

Vou de um dos homens mais amado do país, para um dos mais temidos.

Depois de um mês de depoimentos, de sai e volta da penitenciária, da burocracia com outros países, e do envolvimento da ONU, sou contemplado com o título de “Primeiro Brasileiro a Receber a Pena de Morte”.

Não imaginei que meus atos teriam um resultado de proporções épicas, mas o que esperar do caso do maior assassino conhecido mundialmente.

Admito que não era dessa maneira que eu imaginava conhecer a Emma Watson. Mas vê-la soltando fumaças pelas orelhas ao me ouvir pedir um autógrafo foi realmente hilário.

Ao receber a notícia de que vou morrer pelas mãos da justiça, espero que seja por fuzilamento, apedrejamento ou até mesmo a arcaica cadeira elétrica, mas fadaram-me a morrer por uma simples injeção letal.

Na minha opinião, João Menezes deveria ter ganhado o título de “Primeiro Brasileiro a Receber a Pena de Morte”, mas seu crime não passou a fronteira de sua cidade, então a legislação da nação o protegeu. A mesma legislação que o teria permitido sair no próximo ano.

Seguindo o protocolo, sou entrevistado por funcionários da penitenciária, psiquiatras, assistentes sociais e até um padre. São conversas curtas e com respostas monossilábicas.

Acabo não recebendo nenhuma visita familiar, já que matei a única pessoa que poderia ter aparecido.

No dia de minha execução me dão novas roupas limpas e até tentam me oferecer uma última refeição, a qual eu recuso.

Sou amarrado a uma maca em uma sala montada às pressas e ligado ao monitor cardíaco.

Consigo reconhecer alguns rostos das testemunhas. Já esperava a presença da delegada Ângela e do detetive Leonardo, mas não achei que Arthur, Henrique, Paulo e Matheus se arriscariam em aparecer e nem sequer cogitei ver os rapazes da banda. O resto deve ser o pessoal do júri, ou sei lá. Não me importa.

— Últimas palavras — Me pergunta o guarda responsável por injetar o líquido que me trará minha liberdade.

— Obrigado.

E então sussurro meu último “eu te amo, Nathalie” neste mundo.

Quando começo a perder a consciência vejo a única coisa que pode me acalmar.

— Hey, meu demônio — Nathalie diz passando a mão em meus cabelos.

— Você veio me buscar — Sussurro fracamente — Como meu anjo.

— Eu sempre retornarei por você, meu amor.

— Anjo… me desculpe — Eu nem noto que estou chorando. — Eu não deveria…

— Shhhhh… Não tem importância. Eu estou aqui e só saio quando você estiver pronto para partirmos — Ela me dá o sorriso pelo qual me apaixonei e o qual eu sinto falta todo santo dia — Agora durma. Eu vou estar aqui quando você acordar.

— Eu te amo — Dizemos juntos

Então fecho meus olhos pela última vez.