Laço de Fita

2 Can't Remember To Forget You


Notas iniciais
Começando o Apocalipse :3

Querida Lilly. Se está lendo isso, espero que não fique brava.

Deixei esse recado ao lado de sua cama para avisar que não quero cometer os mesmos erros de ontem. Passei a noite toda aqui e infelizmente você não apareceu. Eu queria apenas dizer que não consigo me lembrar de esquecer você. Você mora no meu coração, e por mais que eu tenha que sofrer para que um dia nosso amor seja concretizado, eu irei continuar lhe esperando e lhe amando. Vou lhe esperar no escritório pela manhã. Beijos, James.

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Querida Lilly.

Se está lendo isso, é por que recebeu meu recado e foi direto ao escritório. Recebi uma triste mensagem de que minha mãe morreu. Eu sinto muito, mas terei de ir para Washington. Espero que mantenha contato, te amo.

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Querida Lilly, por favor, atenda minhas ligações. Preciso falar com você.

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Querida Lilly, onde você está?...

8 Anos Depois.

– Atrás de você! – a voz assustada apontava para mim, que rapidamente erguia a espada e cortava o pescoço daquele zumbi.

Oito anos se passaram desde que tudo começou. O mundo já estava acabado para todos. A morte era inevitável. A Praga-Dos-Cem-Anos estava atacando fortemente, e mesmo querendo, não haveria ninguém que conseguiria escapar. Restava para os desprotegidos fugir. Washington depois daquele dia não foi mais o mesmo. Minhas últimas esperanças de uma vida mais alegre foram quando ainda havia energia... Logo, a bateria dos celulares e as linhas telefônicas começaram a pifar, e isso me impediu de manter contato com Lilly. Não que fizesse alguma diferença, já que naqueles três meses de ligações perdidas não havia nem sinal de vida de Lilly.

Depois da rede elétrica sumir, o resto dos militares que dominavam a cidade também começaram a desaparecer, e cidadãos desprotegidos como eu ficaram expostos a doença facilmente. Carros abandonados começaram a aparecer, dando chance de fugas, mas a falta de combustível também foi um problema. Em pouco tempo, a comida da cidade começou a ficar escassas, e aquelas criaturas começaram a subir as montanhas em busca de alimento. Logo, todos os acampamentos sumiram, fazendo as pessoas migrarem para outros lugares mais distantes.

Fazendas, centros protegidos, tudo. Mas não há lugar seguro onde uma praga pode lhe matar. Os lugares aos poucos foram caindo, e os pequenos grupos de sobreviventes iam ficando menores, fazendo a jornada se tornar uma longa caminhada, sem lugar fixo. Uma vida de nômade. Como se não bastasse, os acampamentos já não existiam, e apenas sobreviviam aqueles que possuíam um local realmente seguro.

Os como eu, que viviam na estrada, sofriam com o medo congelando a espinha diariamente, sem saber se durante a noite a praga não iria lhe atacar. Essa era minha vida diária, com um pequeno grupo de sobreviventes, que faziam o que fosse preciso para sobreviver. Oito anos é tempo suficiente para mudar. Lilly já deve até ter morrido. Não para mim, que ainda sinto uma grande falta dela, por mais que ela tenha me decepcionado muito... Lilly é e sempre será meu grande amor, mas num mundo sem muitas opções, não há o que fazer. A calma Jolene acabou me conquistando. Calma como um touro, ela é uma das mais fortes do grupo. Passou 5 anos presa em uma usina hidrelétrica, rodeada de zumbis, até que foi salva por Mathias, Matheus e Matthew, os trigêmeos do tanque de guerra. Eles então seguiram rumo, até que encontraram Anna Julia e Paolo, um casal com ótima mira, mas com um sério problema de coração. Mais adiante fui resgatado, e após ter o nosso acampamento destruído, seguimos jornada solo.

A Praga-Dos-Cem-Anos é o resultado de uma bactéria nova, semelhante a um fungo. Ela ajuda na decomposição de corpos, mas mais acelerado que o normal. Ela corrói a área inteira da cabeça, exceto o cérebro, que expele um líquido gosmento. Esse líquido tóxico polui o ar, e qualquer pessoa que cheirar tais esporos fica com a praga. A Praga-Dos-Cem-Anos causa tosse, febre alta e a falta dos sentidos, que são perdidos lentamente até o corpo congelar. Após isso, o cérebro ativa uma célula extra que resulta no movimento de tal ser, até lá morto.

A Praga-Dos-Cem-Anos começou pouco tempo depois de minha amada mãe morrer. Sem perceberem, tal bactéria chamada Córrega começou a corroer a cabeça de minha mãe. Na época, ninguém sabia o que era, mas quando fecharam o caixão, já era tarde demais. Por sorte minha, não havia me sentido bem e havia abandonado o local, deixando as pessoas lá. Enfim, ninguém conhecia tal doença, mas a crise começou a ficar séria e os hospitais se encheram. Quando finalmente descobriram tal doença, os “zumbis” já começavam a atacar. Nem o Centro de Controle de Doenças conseguiu criar uma cura para tal epidemia.

Voltei rapidamente para Charlotte depois que tudo começou para saber notícias sobre Lilly, mas a única coisa que consegui fora uma foto dela com uma outra garota se beijando, datada no dia em que brigamos. Era noite, e provavelmente teria sido logo após eu abandonar o local. Eu não havia entendido, mas eu não quero acreditar no que penso que tenha acontecido. Isso me magoa muito, mas é a vida.

– No que está pensando, Jey? – indagava Jolene, após eu cortar a cabeça do zumbi.

– Numa foto.

– Foto?

– Não, um bilhete. Um bilhete para uma pessoa especial. Um bilhete que fora deixado ao lado da cama de tal pessoa.

– Ah, uma lembrança. Todos temos. Eu sinto falta do meu irmão. Essa epidemia foi trágica, Jey. – ela me abraçava – Mas um dia isso vai passar. Talvez em 92 anos, hehehe. Te amo, amorzinho...

– É... E-eu também...

– Por que gaguejou?

– Uma vaga lembrança.

– A esqueça. É melhor.

– Eu não posso. Eu amo aquela mulher. Ela me traiu pra ficar com outra...

– Você não me ama?

– Uma lembrança. Uma vaga lembrança.

– Sei...

– É sério.

– Eu acredito em você.

– Mentira.

– Verdade.

– Mentira.

– Ok, você que sabe.

– E então, como se chama sua vaga lembrança?

– Lilly... Lilly C-...

Uma voz me surpreendera, colocando a mão sobre meu ombro. A voz doce soava com a de um anjo, que descia do céu para me mostrar as belezas restantes desse mundo perdido, onde ninguém poderia mais viver. A voz rapidamente dizia o restante da palavra: “Cambrello”. Me virava rapidamente. Uma vaga lembrança...

Notas finais
Espero que gostem :3