LAWRENCE'S:

O Acampamento Maldito

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2 Meses Depois...

O rapaz alto e de ombros largos acabava de saltar de sua moto, estacionada perante a calçada de um pequeno comércio de beira de estrada. Ao tirar o capacete e deixá-lo sobre o guidão, ele deixou visível seus cabelos medianos pretos bem lisos e seus olhos intensos e penetrantes da mesma cor, contudo estavam um pouco avermelhados, como se indicassem que ele havia chorado recentemente, e muito. Estes, apesar disso, combinavam perfeitamente com seu cavanhaque cheio, e o conjunto de pelos sobrecarregava o aroma sério e preocupado que exalava de seu rosto.

Em passos rápidos, como se estivesse a serviço, o moreno caminhou até a porta da loja de conveniência e, após um pigarreio, a abriu. No outro lado se deu com velhas prateleiras de ferro abrigando vários produtos aleatórios, um pequeno ventilador de teto girando quase sem forças e um antigo balcão de madeira aos últimos suspiros. Além deste, viu um senhor uniformizado lendo um livro distraidamente.

O estridente tocar da sineta presa à porta quando ela encostou-se a parede de trás avisou ao comerciante da presença do moço e o tirou da leitura em que se encontrava já a algum tempo. O funcionário o encarou, acenando com a cabeça para que pudesse adentrar e ficar à vontade. O rapaz gesticulou igual, entrando de vez para a loja e seguindo até o balcão de atendimento.

— Bom dia, meu jovem. — "Murnay", o nome que aparentemente estava escrito em seu crachá, o cumprimentou. O velho senhor de expressão sossegada possuía uma barba grisalha cheia, grande ironia dada o seu pouco cabelo no couro cabeludo. Seus olhos calmos tinham o mesmo tom de balas de caramelo e sua pele enrugada era levemente bronzeada. — Posso ajudá-lo?

— Bom dia. — o jovem deu um riso curto, retirando de baixo de seu casaco amarronzado algum papel dobrado. O velho senhor, curioso, limitou-se a observá-lo desenrolar o papel para ver do que necessitava e se sua ajuda realmente lhe seria conveniente. O homem então abriu a fotografia de uma bela moça loira e a depositou sobre o balcão entre eles, com a face da garota sorridente voltada para o comerciante. — Esta é a minha namorada, se chama Will, Will Hooper. Ela está desaparecida desde que voltou da casa dos pais, a dois meses atrás. Pela última mensagem que mandou, algo aconteceu a ela exatamente nessa região.

De repente, ele se apoiou no balcão e fez sinal com as mãos como se implorasse por alguma informação útil da jovem.
— Por favor, eu te peço. Qualquer informação que tenha a respeito dela, se a viu passar por aqui durante esse tempo, se estava acompanhada ou não... Se o senhor sabe do paradeiro dela, me conte, eu te suplico!

O atendente viu uma aflição sem fim quando olhou profundamente no fundo dos olhos do homem a sua frente. Em seguida, tomou seus óculos dependurados frente ao peito com as mãos e os voltou aos olhos, pegando a imagem da garota e inspecionando-a de cima a baixo. O coração do rapaz batia em alvoroço, estava quase perdendo as esperanças de encontrar o amor de sua vida vivo dada as várias semanas de busca que tinham todas sidas em vão até o momento.

Com um grande aperto no peito, percebeu quando o atendente abaixou a cabeça e negou tristemente reconhecer qualquer característica de Will.

— Desculpe, mas ela nunca esteve aqui. — afirmou. — Ultimamente o movimento nessa região tem sido pouco, no máximo 4 ou 5 carros cruzam essa estrada por semana, e talvez com bastante sorte dois deles parem aqui pra pedir informações ou comprar algo. Se ela tivesse passado por aqui, eu teria a reconhecido, tenho convicção!

Murnay logo devolveu a fotografia ao moço, que passou as mãos perante os olhos tentando limpar as lágrimas de decepção que pensaram em escorrer ali mesmo. Ele fungou com o nariz e riu brevemente para o funcionário.

— De qualquer forma, muito obrigado, senhor Murnay. — agradeceu, estendendo a mão para se despedir. O velho levou a mão ao cumprimento e se deu com um pequeno cartão que o outro o entregava. — Este é meu número! Qualquer informação que o senhor estiver sobre a minha namorada, que por favor, entre em contato comigo, nem que seja em ligação a cobrar! Meu nome é Clayton, Clayton Parkaen.

E num acenar, ele deu as costas para o balcão e foi para a porta enquanto guardava de volta em seu casaco a fotografia de Will. Na saída do comércio, foi novamente até a sua moto sem rodeios, subiu nela, vestiu seu capacete e acelerou-a por aquela rodovia. Clayton estava tão focado em achar o paradeiro da namorada que sequer percebeu a placa de aviso ao fundo da estrada:
"Entrada para os Lawrence há 7 km".

Notas finais
"Clayton Parkaen" - Renato Góes "Murnay Stokerprice" - Donald Sutherland