Latitute of Home
1 Because I could not stop for Death
Notas iniciais
Because I could not stop for Death,
He kindly stopped for me;
The carriage held but just ourselves
And Immortality.
(Porque eu não pude parar para a Morte
Ele gentilmente parou por mim;
A carruagem carregou ninguém a não ser nós dois
E Imortalidade)
— Emily Dickinson
Pelo que lhe pareceram horas, Remus despejou tudo que sabia nos ouvidos atentos de Alvo Dumbledore. Sobre como Voldemort havia usado Monstro para testar a segurança da sua caverna e o deixara para morrer — e Monstro, tendo sobrevivido a caverna e os Inferi, retornara para Regulus e lhe contara o que tinha visto, levando-o a descobrir sobre a horcruxe, juntando o relato do elfo com as peças de informação que Regulus conseguira captar entre os comensais da morte. Sobre como ele, Regulus, uma vez decidido a desertar, se escondera pela última semana, tentando retornar à caverna e destruir o medalhão. E como ele falhara e quase fora morto pelos Inferi, não fosse pela traição de Monstro e a interferência de Sirius e o subsequente salvamento e sequestro da sua pessoa pelo irmão mais velho.
Sirius, que permanecia ao seu lado desde que Regulus despertara em amarras, rolou os olhos para a palavra “sequestro”, mas não fez nenhum comentário desagradável. Ele permanecia sério e solene na presença de Dumbledore – lembrando a forma com que a maioria dos comensais se comportava diante de Voldemort, quando não estavam se cagando de medo.
O professor Dumbledore ouviu a sua história sem interromper, a não ser para pedir mais esclarecimentos sobre as datas e lugares – há quanto tempo Regulus sabia sobre a horcruxe, há quanto tempo ele tinha deixado os comensais, e onde exatamente era a caverna. E onde Monstro estava agora (Regulus dera expressa ordem ao elfo para não voltar para a Mansão Black e não comentar nada sobre o ocorrido com ninguém). E então, satisfeito com o interrogatório, ele pediu para analizar a horcruxe de perto.
Sirius a tirou do bolso da jaqueta de couro e estendeu na direção do diretor, que a recebeu com cuidado e analisou contra a luz– nem surpreso, nem espantado com a óbvia e pulsante malignidade do objeto.
— Eu não pude destruí-la com nenhum feitiço conhecido — Regulus o informou, sem nenhuma emoção particular na voz. — Nem mesmo os mais… extremos.
A verdade é que ele e Sirius tinham tentado o pior de seus feitiços, inclusive alguns ilícitos, antes de virem ver Dumbledore, e não tinham sequer feito cócegas no objeto.
— Não… eu não esperaria nada menos do que as armas mais letais sejam capazes de colocar em risco magia negra tão avançada.
— Como o quê? — Sirius interferiu, num tom que sugeria que ele estava pronto para ir atrás de qualquer coisa vil que Dumbledore sugerisse.
— Alguma experimentação será necessária para responder essa pergunta — Dumbledore disse, um vinco adicional entre as sobrancelhas brancas, e se voltou para Regulus — E o senhor acha que essa pode não ser a única, Sr. Black?
Regulus, que não era chamado de “senhor” por outro bruxo há muito tempo, se alinhou na cadeira, lembrando-se de passar uma imagem mais digna de seu nome e da sua posição, apesar do seu estado exaustão e alerta das últimas semanas.
— É apenas um palpite, professor. Se o lorde… das trevas — Regulus ignorou o olhar pungente de Sirius à menção do título, firmando a voz — pretende se resguardar contra a morte, múltiplas horcruxes seriam mais efetivas do que uma.
— Uma teoria válida, senão inquietante — disse Dumbledore, assentindo. — Eu investigarei o assunto pessoalmente o quanto antes. Quanto ao senhor… essa é uma informação extremamente valiosa para nós, talvez a mais significativa que temos em muito tempo. Pode ser a diferença que irá virar as chances para o nosso lado. Eu entendo que a esse ponto, os comensais da morte já sabem da sua deserção?
— Sim, senhor — Regulus assentiu, o rosto e o pescoço quente, lembrando-se do seu último confronto com Bellatrix, que tinha sido pessoalmente responsabilizada de sua caça. — Mas eu não acho que o Lord–
— Você pode chamá-lo pelo seu nome, Regulus — Disse Dumbledore com bondade. — Nós não o tememos, aqui.
É claro que você não o teme, pensou Regulus com rancor. Mas sob o olhar de Sirius, ele se forçou a pronunciar o nome proibido do Lorde das Trevas:
— Eu não acho que lorde Voldemort saiba que eu cheguei à sua horcruxe. Eu a substitui por outro medalhão, e se até então ele não veio pessoalmente atrás de mim, não acho que eu seja a sua prioridade.
— Mas ele irá, eventualmente. E quando ele compreender o que fez, será melhor se o senhor estiver fora do alcance, não acha?
Regulus sentiu o suspiro de alívio de Sirius ao seu lado. O irmão parecia acreditar que Dumbledore era capaz de proteger Regulus da ira de Voldemort, e embora Regulus não tivesse toda essa fé no diretor de Hogwarts, algo na confiança do seu irmão ainda o reassegurava.
— Ele irá ficar conosco, professor — Se adiantou Sirius, surpreendendo Regulus. Eles não tinham discutido o que acontecia depois que Regulus contasse o que sabia a Dumbledore. — Já falei com James e Lily e eles estão de acordo, ao menos temporariamente, enquanto Regulus precisar se esconder.
Uma nota de curiosidade cruzou o rosto de Dumbledore, mas ele não contestou a decisão.
— Muito bem. Faremos os arranjos necessários para a segurança do Sr. Black na casa dos Potter — Dumbledore sorriu com reservas. — Se isso lhe servir, Sr. Black?
Regulus ainda estava um pouco incerto em suas pernas. Na noite anterior ele tinha aceitado a sua morte, até feito as pazes com a ideia, e desde então Sirius não só tinha lhe salvo a vida, mas estava lhe oferecendo abrigo e uma confiança incompatível com os anos de estranhamento entre os dois.
Ele se voltou para Sirius, incerto. O irmão continuava sério e estóico, sem nenhuma indício de que não estivesse absolutamente decidido a proteger o seu irmão caçula debaixo da própria asa por um futuro indeterminado.
Regulus sabia melhor do que recusar a mão que estava tentando lhe arrastar para fora da morte certa pela segunda vez em vinte e quatro horas.
— Sim, isso me convém, professor Dumbledore.
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