Notas iniciais
Eu fiquei tão feliz c a recomendação e os comentarios q decidi postar mais um cap. Essa cap. e crucial pra hist. então leiam inteiro.

– Eu sei que declaração pós transa e foda, mas eu preciso te falar uma coisa Karina.

Ela se virou pra ele, ficando de frente pra ele e se sentando, ela queria absorver suas palavras.

– Esquentadinha. Não. Minha esquentadinha. — ela fechou os olhos, e ele acariciou seu braço, prosseguindo: — Se você soubesse o que essas íris azuis causam em mim, você nunca os fecharia. — ela sorriu, e abriu os olhos, lentamente, sentindo seu coração disparar. — Eu sei que isso parece meloso demais, mas não consigo dizer de outra forma.

– Pedro...

– Me escuta. So isso. Eu não quero me precipitar, eu quero que você saiba que eu tenho um sentimento muito forte por você. Mas, eu ja sofri muito, Karina, e eu quero que agora seja diferente. Eu quero amar, e quero te ensinar a amar, novamente.

– Por favor. Me escuta. Eu também tenho um sentimento enorme, mas que eu sempre tentei sufocar. — riu, fechando os olhos e procurando palavras para expressar seu sentimento. — Eu ainda não consigo afirmar que e amor, mas eu tenho um sentimento que nem eu sei interpretar. Isso pode soar ridículo, mas eu quero descobrir com o tempo que o que eu sinto por você e tudo que eu sempre quis sentir por alguém. Você sabe que eu já amei, e ainda e difícil superar tudo o que aconteceu.

– Eu sei. Eu tenho certeza que sim. — se sentou, ficando de frente pra ela, que tinha tirado a mascara de durona, e estava chorando.

Em um impasse, ele a abraçou. Aquele ato fez Karina estremecer, ela sabia o quão difícil seria se apaixonar, novamente. Pedro acariciou suas costelas, e passou a mão por sua coluna, em um gesto para a loira se acalmar. Karina, finalmente, se acalmou e se afastou dele, olhando pra ele como nunca olhara antes. Com aquele sentimento que ela havia negado que existia em seu coração, mas existe, apesar, de estar bem escondido. Se ela ainda não sabia que tinha um sentimento bem mais forte do que imaginava, agora ela tinha certeza. Amor!? Ainda não, e isso também era de total certeza para a advogada. Mas para quem tanto escondeu qualquer resquício de amor na vida, ela estava se saindo uma ótima "apaixonada." Paixão! Ela sempre achou que a paixão viesse primeiro que o amor, talvez ela sentisse paixão por ele. Mas o que era paixão? Ela não sabia, inclusive, nem queria saber. Estava bom do jeito que estava, sem mais, nem menos.

– Vamos dormir. Amanhã a gente acorda cedo.

– Amanhã a gente não trabalha.

– Por que?

– Gael falou que não tinha nada e liberou.

– Aquela empresa ta virando uma bagunça.

Ele riu, se deitando. Karina se deitou, tombando seu corpo com o dela. Ela, enfim, apoiou sua cabeça em seu peito, permitindo-o de fazer um carinho gostoso em seu cabelo. A advogada não demorou a adormecer. Ja Pedro ficou acordado pela sua eventual insônia, e pelos pensamentos que o atormentava, mas não era de certa forma ruim. Sorriu ao observa-la dormir. Parecia um bobo apaixonado. Talvez ele fosse um bobo apaixonado. Ele se proibiu de pensar daquele modo, queria amar da forma convencional e ate clichê. Queria amar não pelas palavras, mas pelos atos. Ate porque ele já se iludira demais para amar, novamente, sem pensar nas consequências.
(...)

– Karina. — Pedro chamou ainda de olhos fechados, tendo certeza de que estava sozinho na cama.

Respirou fundo, sentindo o perfume de Karina, se permitindo sorrir. Enrolou mais um pouco na cama antes de levantar, se espreguiçando e resmungando quando seus ossos estalaram. Ele caminhava, lentamente, sentindo suas costas arderem. Riu sozinho, lembrando-se da noite com Karina. Bocejando, retomou o caminho para a cozinha, praticamente, se arrastando.

– Finalmente, acordou. — a voz rouca de Karina preencheu seus ouvidos.

– Fazendo o que?

Adentrou a cozinha, se encostando no balcão e observando Karina, que andava de um lado pro outro, buscando ingredientes.

– Comida.

– Isso eu já percebi, mas qual?

– Ainda não sei.

Ele foi em direção a sala, sentando-se no sofá, mas não fez questão de ligar a TV, apenas ficou em silêncio, ouvindo os passos e murmúrios de Karina. Assim, que fez a comida que pretendia, ela o chamou.

– Esta uma delicia. — comentou, colocando na boca um pedaço do omelete.

Ela se apoiou no balcão de costas para ele, mas ainda dava pra ver seu rosto. Eles optaram por ficar em silêncio, mas não um silêncio desconfortável daqueles que ninguém sabe o que falar, mas sim um silêncio de que não precisava de palavras, como se eles se conectassem por pensamento.

– E se a gente saísse hoje? — Pedro sugeriu, levantando e levando o prato sujo a pia.

– E se a gente fizesse outra brincadeira? — Karina falou.

Pedro riu, se aproximando e afagando seu cabelo. Ela por sua vez, acariciava seu rosto. Pareciam um casal. Mas, era claro que demoraria para se denominarem desse jeito. Ele se aproximou, selando seus lábios em seu nariz, e se aproximou de sua boca, parando ali, sem encostar os lábios, apenas sentindo a respiração um do outro, com as testas, levemente, coladas.

– A gente poderia fazer os dois. — Pedro falou, selando seus lábios no dela, e se afastando.

– Adoraria. — sorriu. — Mas para onde a gente iria?

– Uma balada. Sei la. Talvez uma festa.

– Que festa?

– Balada. Ate porque não tem festa para nos irmos.

– E quanto a brincadeira? — falou, provocativa.

– A mesma de ontem, mas trocaremos a vodka por Nutella, e dessa vez você dita as regras e faz o que quiser comigo.

– O que eu quiser? — riu.

– Tudo o que quiser. — repetiu, lentamente e com o mesmo tom provocativo da advogada.

– Agora eu só quero ler um livro e descansar.

– Tudo bem, idosa.

– Te mostrei muito bem que não sou nada idosa. Inclusive, repetirei o que fiz ontem, e quero ver me chamar de idosa. — falou em seu ouvido, lentamente, e saiu andando para o quarto.

Ele riu. Riu igual um idiota. O efeito que ela tinha sobre ele, era absurdo e idiota. Como ele foi se apaixonar por Karina? Se essa pergunta fosse fácil, ele não a faria todo dia.

Karina se deitou na cama, sentindo sua coluna estalar. Pegou um livro e iniciou sua leitura, silenciosamente. Apesar da vontade nula de ler, ela não conseguia ficar perto de Pedro sem o beijar, e aquilo estava se tornando um romance clichê demais. A advogada queria resistir a Pedro, mas era claro que isso não estava acontecendo, e as vezes, ela se detestava por isso.
(...)

– Karina. A gente vai se atrasar.

– Se atrasar para uma balada? Deixa de ser ridículo. — riu e calçou um salto alto, que a mesma tinha certeza que se arrependeria.

– Vamos!?

Ela concordou com a cabeça, e eles caminharam ate a porta. Assim, que entraram no carro, Pedro seguia sem parar de falar, e isso irritava Karina, que tentava não ser grossa.

– Pedro, eu ja entendi. — resmungou.

Ele riu, mas continuara falando, fazendo Karina bufar e murmurar. Não demoraram para chegar a balada, muito pelo contrario. Desceram do carro, observando o ambiente, que era demasiadamente luxuoso. Pedro checou o relógio e comemorou por ainda não ter passado da meia noite. Entraram na balada, que Karina descobrira que se chamava Righter.

– Quer beber alguma coisa? — Pedro perguntou, assim que começaram a caminha em direção ao bar da enorme Righter.

Karina apontou, discretamente, para a bebida na mão de uma garota. Ele sorriu e se aproximou do barman, pedindo o que ela queria. Se sentaram nos banquinhos do bar, enquanto, aguardavam seus pedidos. Eles estavam em silêncio, talvez pela musica alta, mas também pela falta de assunto. Queriam falar, mas não puxar assunto.

– Aqui e bonito. — Karina comentou, olhando ao seu redor.

– Sim. — riu. — Você ta linda.

Ela acariciou seu cabelo e sorriu. Com certeza aquele era o sorriso favorito de Pedro. Alheia ao ambiente, ela fechou os olhos e sentiu a musica. Pedro riu, se aproximando dela, deu um beijo em sua bochecha, fazendo a loira abrir os olhos.

– Eu quero dançar um pouco.

– Vai la. Você sabe que eu sou todo desajeitado.

Karina riu e se levantou, indo em direção a pista de dança, que estava cheia de adolescente e adultos dançando. Sua dança desastrada, mas sensual, fazia todos prestarem atenção nela. Ja Pedro sorria a cada olhar que recebia da esquentada, ele sabia que aquela dança era pra ele e só pra ele. Observou Karina voltar em sua direção.

– Devo dizer que sua dança foi ótima. — falou alto em seu ouvido para que a musica não o atrapalhasse.

Ela se sentou sem responder, apenas deu um gole em sua bebida, e uma piscada para Pedro.

Não demorou muito para os goles viraram copos cheios de álcool.

– Karina, você já bebeu demais. — Pedro falou.

– Eu estou bem, relaxa. — tomou mais um gole de sua bebida.

Se ela sabia o que era sua bebida? Não, nem fazia questão, apenas tomava goles da bebida com gosto de morango. Ja Pedro só fez questão de um drinque.

– So coma alguma coisa. Você não esta acostumada a beber, e eu sei disso.

– Ja disse pra relaxar, eu sei o meu limite.

– Se você diz...

Pedro não insistiu ate porque não iria fazer diferença se insistisse, Karina era cabeça dura e continuaria bebendo.

– Acho que eu não to bem. — ouviu Karina sussurrar após alguns minutos.

– Vamos pra casa, cabeça dura.

Eles se levantaram, pagaram o bar e foram caminhando em direção ao carro. Pedro tentara percorrer a cidade o mais rápido possível, não gostava de ver Karina passando mal.

Adentraram o apartamento, rapidamente. Karina se sentou no sofá, retirando o seu sapato, e se martirizando por tê-lo posto. Pedro fez um café, oferecendo para a Karina, que tomara sem reclamar.

– Ta melhor?

– Acho que sim. — riu.

– E a brincadeira?

– So pegar a nutella, que eu elaboro as perguntas agora.

– Safada. Mas hoje não.

– Por que?

– Você não ta bem, e eu quero te ver melhor amanhã.

– Amanhã e sábado.

– Amanhã a gente brinca. Quero te ver bem.

Ela concordou com a cabeça, indo em direção ao quarto junto a Pedro. Ela se acomodou na cama. Ele se sentou ao seu lado devagar, observando seu sono desconfortável, e não demorou muito para que sua visão ficasse embaçada e uma lágrima escorresse pelo seu rosto, descendo rapidamente até pingar na blusa...

– Você e uma drogada. — ele alegou.

– Eu vendo droga.

– E se droga. Você acha que eu não sei?

– Claro que sabe, mas e dai?

– E dai que você ta metida com a maior gangue de drogas da região.

– Ja falei pra você se afastar. Isso e perigoso.

Ele caminhou pelo restaurante, que tinha as portas fechadas. Parecia inquieto, mas a verdade era que ele estava farto das mentiras dela. Da pessoa que ele mais amava.

– Eu ja falei essa palavra tantas vezes, mas agora: chega. Cansei.

– Você falou que sempre voltaria. — as lágrimas caiam por seu rosto.

– Eu sei, mas eu preciso me soltar de você. Você não sabe o quanto doí voltar e te ver cada dia pior.

Ela fechou os olhos, as palavras dele a machucava como se estivessem enfiando uma faca em seu coração. Ela fazia aquilo por ele, e ele não sabia. Priscila o afastava porque ele morreria se ficasse perto da gangue de drogas, e se tinha uma coisa que ela não queria era ele morte. E sim, ela preferia salvar sua vida do que a dela mesma. Sorriu e falou:

– Muito obrigada por tudo. Mas vá, eu não quero te ver sofrer, na verdade eu prefiro sofrer do que te ver triste.

Ele deu uma passo relutante para frente, e sussurrou sem forças: Adeus. Caminhou para fora do restaurante da família de Priscila. Pessoas estavam ao seu redor, mas era como se estivesse sozinho. Na verdade ele sempre esteve, mas fazia questão de se mostrar superior.

Alheio ao sol que se despedia, andou por horas, sem descanso. So parou quando não mais avistou sua sombra. Tinha conseguido, então, fugir de si? Ele tentava apagar o inevitavel. Numa incansável tentativa de se convencer que seria possivel, mas assim que descobriu que era impossível, voltou a realidade, a dura realidade. A cada passo, era mais uma perda insignificante. A perda definitiva de Priscila, e a perda do amor..

Imediatamente ele enxugou suas lágrimas, fungando baixinho e esfregando os olhos com as costas das mãos. Se ela acordasse e o visse chorando, ele não saberia o que dizer. Ela jamais poderia o flagrar naquele estado, não sem motivo aparente.

Deitou a cabeça no travesseiro, ainda encarando Karina, e continuou velando seu sono. Fechou os olhos. Dedos se enroscaram em seus cabelos lentamente, fazendo um carinho gostoso no topo de minha cabeça. Respirou fundo, apenas aproveitando o toque dos dedos quentes em sua cabeça, e abriu os olhos lentamente.

– Te acordei? – um sussurro ecoou pelo quarto

– Eu nem dormi.

– Você tava chorando?

– Estava.

– Que foi? — perguntou, assustada.

– Eu queria te contar uma coisa. — ele precisava contar sua angustia para ela.

Caminhou sem rumo durante tanto tempo, praticamente a vida toda e quando achou alguém que se importasse e o amasse, a perdeu. Mas agora seria diferente porque Karina vê nele o que só Priscila conseguia ver.

Karina e bem diferente de Priscila. Ela amaria ele e não o abandonaria, iria o ajudar, não importa onde, não importa como, nunca iria e nunca ira deixa-lo sozinho.