Last Wishes
3 Sentimentos - Parte 1
Notas iniciais
Maura andou tão depressa para fora daquele hospital que quando percebeu já estava em seu carro, no estacionamento. Abraçou seus joelhos e pôs-se a chorar, não se importando com as lágrimas que escorriam incansavelmente por sua face, ninguém a veria ali tão frágil.
Como Dra. Isles deveria manter-se forte e até mesmo fria ao encarar aquele acontecimento como qualquer outro. Mas a Maur só queria um lugar pra chorar até todo seu sofrimento ir embora. Perder Jane — a SUA Jane — doía muito. E saber que a pessoa que ela mais amava na vida não confiava nela para contar algo tão importante era o que a sufocava.
– Você podia, Jane. — falou soluçando — Afinal, sou sua... amiga, não uma desconhecida.
Minutos depois, quando o sol começava a nascer, seu celular tocou pela milésima vez, e mesmo querendo recusar novamente, atendeu, pois era Angela.
"E se aconteceu alguma coisa? E se a Jane... Deus, isso está me deixando louca!"
– Alô? — atendeu com voz trêmula.
– Maur? — era ela.
– J-Jane?!
– O que você tem? — mesmo sem resposta, a outra manteve a conversa — Maur, por que não apareceu por aqui?
A médica-legista queria falar sobre tudo o que estava acontecendo, mas reteve suas palavras e mudou de assunto, mesmo sabendo de que aquilo não convenceria Jane:
– Está tudo bem por aí?
– Você NÃO me respondeu — a voz da morena era impaciente.
– Meu carro está com um problema no motor.
É claro que Maura tinha inventado tudo aquela mentira. Como reação — ou castigo -, sua pele começou a formigar. Droga de urticárias!, ela pensou.
– Não sabia que você entendia sobre essas coisas — Jane fingiu que acreditou.
– Às vezes o carro trai o motorista, ou o amigo não confia no outro — Maura soltou, e se arrependeu amargamente.
– O que aconteceu?
– Nada — Maura respondeu secamente.
– Eu preciso falar com você, é importante — Jane enfatizou a última palavra.
– Estou indo — não deu tempo para a outra se despedir e guardou o celular.
Agora com duas metas: de segurar as lágrimas e de procurava o antialérgico — porque pequenas manchas apareceram em seus braços -, Maura só conseguiu cumprir a primeira. O jeito foi colocar seu casaco e torcer para que não lhe desse uma crise de urticárias pior.
...
P.O.V JANE
Quando saí de casa em plena madrugada, eu juro que contaria tudo o que estava sentido para Maura, mesmo que abalasse a nossa amizade. Mas agora o que eu ia dizer pra ela? "Maura eu vou morrer porque NÃO vou fazer tratamento?" Ou só "Maura eu vou morrer?" No fim das dúvidas, resolvi não contar pra ninguém.
Apesar de ver todos os exames em mãos, eu tinha quase certeza de que aquilo era apenas um mal entendido, mas depois de ver Ma em prantos, percebi que a minha vida estava por um fio.
Ouvi o barulho de saltos percorrerem o corredor, e quando a sombra parou de frente a porta do quarto, tive certeza de que era Maura. Ela demorou um tempo antes de girar a maçaneta e entrar.
– Finalmente — eu disse.
– Vou deixá-las a sós — minha mãe a cumprimentou e se retirou.
– Como se sente? — Maura sentou-se na poltrona ao meu lado.
– Não precisa bancar a médica, Maur... Eu estou bem — segurei suas mãos que estavam frias, mesmo com aquele casaco enorme que ela vestia.
– O que tem pra me contar, Jane? — ela tinha os olhos inquietos, estava mais estranha do que era normalmente.
– Eu vou me afastar por um tempo do trabalho — falei uma meia verdade.
– Por quê? — ela soltou-se.
– E que... estou cansada, só isso — suspirei.
Maura franziu o cenho e parecia que estava tendo uma batalha interna.
– Já chega! — ela se alterou — Eu sei a verdade sobre a sua doença, e juro que eu tentei esconder, tentei mentir, mas não consegui.
Ela tirou o casaco e eu fiquei sem reação ao ver seus braços cheios de manchas vermelhas, que deveriam estar machucando.
– Por que não confia em mim? — Maura perguntou deixando uma lágrima cair.
– Eu confio — eu disse — só não quero que você fique assim pela minha mor...
– Não fala isso — ela me interrompeu e chegou mais perto — Você é importante demais pra que eu te perca desse jeito.
Ela estava tão próxima que eu podia sentir sua respiração ofegante em sintonia com a minha. Seus olhos verdes me encaravam, e seus lábios trêmulos estavam entreabertos. Não poderia me deixar levar pelos impulsos, ou poderia?
"Você tem algo que eu preciso
Neste mundo cheio de pessoas
existe uma me matando
E se nós só morremos uma vez
eu quero morrer com você"
Something I Need — OneRepublic
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