Notas iniciais
Olá galera!
essa foi minha primeira fic, postada há alguns meses em outras redes sociais de fanfic.

Espero que gostem. ^^

— Poderíamos sair pela última vez? – Olhei para ela com tristeza nos olhos, mas não havia nada o que fazer.

— Será mesmo que deveria lhe dar este último desejo? — Ela me disse com um pequeno sorriso triste no rosto, tentando deixa o clima menos tenso — Para onde você vai me levar, Yuta?

— Para a cafeteria.

Ao chegar na cafeteria, encarei a porta. Aquela cafeteria não era qualquer cafeteria: Era a Nossa Cafeteria. Lá foi onde tudo aconteceu. Foi onde nós nos conhecemos, nosso primeiro encontro, nosso primeiro beijo, nossas primeiras risadas, nosso primeiro Eu Te Amo e o começo de nosso namoro. Esta cafeteria era nossa caixinha preciosa, onde tudo de mais valioso estava.

— Então, vamos? – Ela me olhou com os olhos semiabertos, por causa da leve neve que caia. Seus cabelos Ruivos estavam cheios de pontinhos brancos — Estou congelando aqui fora.

A cafeteria estava um pouco movimentada. Pessoas falando e xícaras batendo nos pires era o som que predominava no local. Nos sentamos na mesa perto da janela, em silêncio. Enquanto esperávamos alguém nos atender, encarei a janela. Nevava de leve, as ruas estavam com neve. Pessoas andavam com pressa, falando ao telefone. A vida em Manchester era realmente movimentada, a todo momento. Voltei meu olhar para ela. Ela olhava para a janela, com o queixo apoiado na palma da mão. Logo depois, me concentrei na aliança de namoro em meu dedo. Logo, ela não estaria mais alí.

— Então... Porque me trouxe aqui? – Ela disse se virando para mim, quebrando o silêncio e me tirando de meus pensamentos.

— Eu... – Eu não sabia o porque a trouxera ali, para ser honesto. Talvez no fundo eu acreditasse que ela talvez mudasse de ideia ao conversarmos ali. — Eu apenas me sinto mais confortável aqui. – Menti.

— Eu também me sinto confortável aqui. É como se fosse meu cafofo. – Ela diz, e solta um sorrisinho de leve.

A garçonete finalmente chega, nossa velha conhecida, Aurora.

— Boa tarde meninos! – Ela diz alegre, como sempre. Com um sorriso sincero e amoroso — Como estão? Vai o de sempre? – Ela nos encara esperando por resposta.

— Não, não. Hoje pedirei algo diferente. Me dê um expresso, por favor.

— Ótimo! E você, Senhor Yuta?

— Eu gostaria de apenas um café com leite. Obrigado Aurora.

Aurora se vira deixando um leve sorriso na mesa e vai atender outros clientes. Me arrumo na cadeira, me sentindo desconfortável com a situação e começo a girar a aliança no dedo. – Ela pediu um expresso. Isso quer dizer que nossa conversa será tão rápida, ao ponto de ela apenas tomar seu expresso e finalmente passar pela porta.

— Ray, você realmente quer isso? – Digo, soltando um suspiro triste. — Eu quero consertar o que está errado, me deixe fazer isso, eu...

— Yuta... – ela me corta, dizendo em um tom triste. — Você e eu sabemos muito bem que isso não está mais dando certo. Isso está doendo em mim também. Mas não há o que podemos fazer. – Ela me olha com os olhos marejados. — Estamos desgastados, estamos cansados. Não vejo solução.

Tenho que admitir que ela estava certa. Não era mais como antes. Tudo que era bom e novo, havia se tornado uma rotina. E tudo que vira rotina, cansa. Mas meu amor por ela, não era rotina. Eu sentia algo diferente todos os dias, era um sabor agradável todos os dias, e eu estava completamente viciado naquilo. Mas naquele momento eu estava começando a entrar em abstinência, porque sabia que que estava chegando ao fim. Meu peito doía, como se tivesse sido esmagado e me sentia com dificuldade para respirar. Estava nervoso e descontava isso na minha corrente presa em meu pescoço. Mordia o pingente com força e mexia minha perna freneticamente.

— O que vai acontecer comigo? – Disse, com os olhos preocupados.

— Você viverá sua vida, como sempre viveu. Nada é pra sempre meu anjo. – Ela me disse, segurando minha mão com a aliança e acariciando com gentileza, me dando um sorriso leve — Não podemos parar de viver. Nunca. Você achará alguém que seja bom para você, e que fique com você para o resto de suas vidas. Até lá, viva como nunca viveu antes, seja feliz. O mundo precisa ver o quão lindo seu sorriso é.

— Eu não queria outra pessoa Ray, eu quero você. Você é o motivo desse sorriso, não vê? – Digo, com os olhos arregalados, marejados. Não estava conseguindo mais segurar. Não queria acreditar no que estava ouvindo. Eu queria chorar. Me sentia como uma garotinha.

— Por favor, não chore... Yuta... – Ao falar, Ray percebeu que Aurora estava chegando. Ela olhou um pouco surpresa e encostou na cadeira de novo. Mantive meu rosto abaixado, fixando meus olhos na madeira da mesa. Ray não soltou minha mão, continuou acariciando-a com o polegar. Ouvi Aurora deixando os copos em cima de mesa e sussurrou algo para Ray, vejo Ray fazendo que "sim" com a cabeça e deixando um obrigada. Aurora se afasta e Ray pegou a xícara e tomou um gole do expresso. Meu tempo estava acabando.

Peguei no braço da caneca e bebi um gole do café. Amargo, assim como tudo aquilo ao meu redor.

— Se você irá partir agora, deixe-me pelo menos lhe perguntar: Pra onde você irá? – Pergunto, sério, falhando miseravelmente em esconder minha tristeza e minhas lágrimas.

— Roma. Talvez, Veneza. Estou voltando para minha terra. Preciso recomeçar. Talvez ficar um tempo por lá, me faça sentir melhor. Minha família me espera.

— Quando irei te ver novamente?

— Talvez em breve, talvez nem tanto assim, talvez nunca. – Ela diz levantando os ombros, e bebendo mais um gole do café. — Apenas o destino pode dizer.

— E até lá, o que devo fazer?

— Eu posso te fazer um último desejo? – Ela me olha, com os olhos semiabertos, é um sorriso no rosto.

— Tudo que quiser. – Digo.

— Viva cada dia da sua vida como se fosse o último.

— Hm?

— Isso, Yuta. Viva. Ame. Sorria. Realize seus sonhos. A coisa que eu mais quero nesse mundo é te ver feliz. E mesmo que tudo isso tenha acabado, eu não quero que isso mude. Seu sorriso é a joia mais preciosa que vou levar em minha memória, junto com este café. Eu tenho mais é que agradecer você, por tudo. Esses 1 ano e 7 meses forem maravilhoso, mas tudo tem seu fim. Sempre haverá um recomeço, nunca se esqueça disso. – Ela da seu último gole no café, e deixa pago nossos cafés. Ela se levanta, soltando minha mão. Por um momento, como se fosse um reflexo, tentei segurar novamente. Ela arruma sua roupa, olha pra mim e me da um sorriso. A encaro, olhando-a fixamente, para gravar cada traço de seu rosto. — Yuta... – Ela pega minha mão e me entrega sua aliança — Nunca duvide do amor que tive por você. – Ela arruma minha franja e acaricia minha bochecha. Ela me da um sorriso gentil. Suas bochechas estavam coradas, por causa do frio.

— Ray... – Olhei para a aliança e quando me voltei para ela, ela já estava partindo.

A observei cada vez mais longe de mim e eu só podia fazer uma coisa:

— Eu vou realizar seu desejo... – Sussurro, segurando firme sua aliança em minha mão e encostando-a em minha testa. Lágrimas escorriam, e minha tristeza finalmente transbordava. Deixei o café e fui para meu apartamento.

Uma nova fase havia começado.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Por favor, deixe seu feedback!

Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!