Last Whisper

1 Capítulo único


Notas iniciais
Espero que gostem, escrevi em um momento de inspiração, então desculpa qualquer errinho :)

Pela primeira vez desde a primeira vez que nos encontramos aqui, eu não tinha certeza se ela viria. Seis anos se passaram desde aquele primeiro encontro, e tanta coisa tinha mudado, porém tanta coisa estava igual, eu ainda tinha todas essas inseguranças, mas por motivos tão diferentes. Na primeira vez que nos encontramos aqui eu tinha medo de que ela não sentisse por mim o que eu sentia por ela, medo de que os olhares trocados estivessem na minha cabeça, medo de que tudo não passasse de mais uma das histórias que eu criei na minha cabeça e agora estava torcendo para se tornar real. Agora eu sei o que ela sente, sei que é recíproco, mas ainda tenho medo, medo de nunca mais vê-la, medo de ter tomado a pior decisão da minha vida.

Os minutos se arrastam enquanto espero por ela e minha consciência começa a divagar por tudo que passamos até esse momento, me lembro de como tudo começou: uma festa, um beijo, semanas sem nenhuma palavra trocada entre nós, até que eu tomei coragem e deixei um bilhete em sua mesa durante a aula de química, nunca vou me esquecer do que estava escrito, tão simples, tão claro, assim como o que eu sentia por ela “me encontre na ponte que fica na saída da cidade após a aula, Alan.”. Era a única ponte da cidade, sabia que ela conhecia, era próxima a casa dela. Naquele dia os minutos também se arrastaram, e quando ela chegou eu sorri, ela sorriu de volta e em minutos estávamos juntos para, acreditávamos nós, a eternidade.

Desde aquele dia foram tantas as vezes que voltamos àquela ponte, tantos segundos roubados da correria do dia-a-dia, tanto tempo gasto na calmaria das semanas. Pensar em como começou me faz pensar em como tudo começou a acabar, a ligação. Duas semanas atrás, uma oferta que eu não podia perder, finalmente um diretor de renome disposto a montar uma peça com um dos meus roteiros, ser escritor não é fácil, principalmente no mundo teatral, chances como essa não aparecem sempre, então eu aceitei. Ela ficou tão feliz por mim, todos ficaram, até eu contar que me mudaria para o outro lado do mundo, literalmente. As coisas começaram a dar errado aí.

Ela pediu um tempo pra pensar, eu disse tudo bem, ela me pediu pra ficar, eu disse que não podia, ela disse que queria terminar, eu queria aproveitar as últimas semanas juntos, ela disse que queria também. Nós dois estávamos de coração partido, todos os encontros terminavam em choro, no fim da primeira semana não queríamos mais se ver, doía de mais. Passaram seis dias sem que nos falássemos, eu embarcava no dia seguinte, precisava vê-la uma última vez, no nosso lugar de sempre, sentir seu cheiro, envolvê-la no meu abraço, e me envolver em seus lábios. Dessa vez não tinha mais aulas de química pra deixar um bilhete em sua mesa, nem armários para enfiar um bilhete durante o intervalo, mas ainda tinha sua mesa do escritório para pedir para uma de suas amigas deixar o bilhete por mim.

E aqui estou eu, pela primeira vez em seis anos sem saber se ela vai atender o meu pedido, sem saber se ela vem, minutos parecem horas, e minha cabeça não para de girar imaginando um milhão de cenários diferentes, quando as coisas deixaram de ser simples e claras, quando tudo ficou tão complicado? Eu tinha tanta urgência em falar com ela, mas eu não tinha o que falar, nada mudaria os fatos, nada tornaria mais fácil. Eu queria que ela soubesse que nada tornaria mais fácil porque nada pode facilitar a separação de duas pessoas que se amam, eu queria que ela soubesse que nenhum trabalho é mais importante que ela, mas mesmo assim eu precisava fazer isso, por mim.

Ela está atrasada, talvez ela não venha, não quero perder as esperanças, mas estou perdendo, não vou embora até não ter mais jeito, então eu vejo ela chegando, como ela sempre chega, sem barulhos, sem avisar, caminhando em minha direção como se ela fosse um pedaço do paraíso que caiu na terra e se transformou em gente. Ela chega perto, eu sorrio, ela sorri, e mais uma vez estamos juntos, perdidos em um abraço, que pelo menos durante um minuto, é infinito. Sinto falta dos seus lábios, então a beijos, ela sente falta do meu cheiro, então se perde em meu pescoço, eu queria falar, mas é ela quem fala:

— Eu passei cada segundo dessa semana tentando me adaptar a uma vida sem você, indo nos nossos lugares preferidos sozinha, sorrindo e conversando com os nossos amigos sem você, sem falar sobre você, e todas as noites eu acabava secando cada garrafa de uísque que aparecia na minha frente e indo dormir só depois de secar todas as minhas lágrimas. Não vou te pedir pra ficar de novo, não quero gastar nossos últimos minutos sonhando com algo que não vai acontecer, e nem vou me oferecer pra ir junto pelo mesmo motivo. Eu só preciso que você saiba que durante todo esse tempo que passamos juntos cada batimento do meu coração foi pra você, cada suspiro foi seu, e cada pedaço da minha alma reconhece em você a única droga capaz de me deixar bem. Nem sempre os sonhos acabam como gostaríamos, e você foi o melhor pedaço de realidade que eu já tive, espero me lembrar disso para sempre, mas ao mesmo tempo espero me esquecer disso logo, porque lembrar dói demais. Eu sei que você vai seguir seu caminho agora, e eu vou seguir o meu, mas essa noite eu preciso de você quase tanto quanto eu preciso de oxigênio.

Como sempre ela estava um passo a minha frente, eu que era um escritor não consegui encontrar as palavras certas, e eu pensei tanto no que falar, e nela as palavras fluíam naturalmente, era sempre assim. Ela era tudo o que eu queria no mundo, ela era meu melhor lugar, minha lembrança feliz, e minha lembrança triste. Ela tinha razão, lembrar doía demais, mas eu não queria esquecer, eu nunca quero esquecer o eu ela foi na minha vida. Eu abracei ela tão forte, que por um momento achei que iríamos nos fundir em um só. E ficamos assim, até eu ter que ir embora, naquelas horas que passaram eu contei cada suspiro dela, se me perguntarem podiam ser centenas ou milhares, mas juro que contei, e quando ela deu o último suspiro no pé do meu ouvido, eu não estava pronto pra ir embora, eu não conseguia me mexer, e como sempre ela que deu o primeiro passo, se separou de mim, virou e foi embora.

Eu ainda levei alguns segundos pra me mexer, cada fibra do meu corpo torcendo para aquela não ser a última vez, mas cada parte de mim sabendo que provavelmente seria, nunca amei alguém como amei ela, ela foi o meu pedaço de perfeição em um mundo de caos, e eu deixei ela ir, ou será que foi o contrário, um dia espero encontrar isso de novo, mas por agora, eu só quero guardar cada memória dela como se fosse a única, e nunca deixa-la sair de dentro de mim. Sometimes you gotta burn some bridges just create some distance. (I hate u, Ilove u – Gnash)

Notas finais
Deixem comentários, faz um bem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!