Last Life
1 Amanhecer
Queen city, Texas, uma noite silenciosa e sombria, o céu aderia a uma tonalidade diferente de azul, mais escura, isso destacava o brilho cintilante das estrelas, ouvia-se apenas o som do vento balançando as folhas em queda das árvores de lá de fora, o sussurro gélido do ar transbordava na janela, criando um sobro berrante e agudo, tal como um suspiro de cansaço, em tal, eis que um som desesperador quebra tal silêncio implacável, se ouve um grito longínquo com uma vítima em falência pedindo amparo, amedrontador acaso que tremia até mesmo uma alma esvaída de corpo indo ao paraíso, ou ao inferno; em seguida um velho relógio bate os ponteiros, forte, porém imperceptível, alerta: meia noite. O som de tonalidade grave ecoava pela localidade onde residia, assim nesse mesmo local, num pequeno quarto, um homem adormecido, agora tinhas suas orelhas preenchidas com esses sons. O homem que dormia tinha nome, Christopher Hall II, mais conhecido como Chris por todos que tinham conhecimento de sua existência, ele, confuso, agora acordava, ouvindo além dos ruídos da madeira rudimentar de um século passado, que o relógio acima de sua cabeceira emitia, a queda das folhas, mesmo que silenciosas; escutava também sussurros e passos longínquos, algo estranho, nessa cidade tão pequena não era comum ficar-se até de tarde na rua quem diga em caminhada, após o grito se mantinha em alerta, feito instintivo. Chris se impunha em pé.
— O que é isso?!— Os lençóis de pouca coloração que estavam antes abaixo de si, eram lançados para o canto da cama, se encontravam com a parede fria, movimento ligeiro. Observou o horário no relógio novamente, só havia alteração nos segundos, fato irrelevante. Após mais algum tempo, os passos antes longínquos se aproximavam, então cessavam, porém, ouvia-se agora o ranger da porta da casa, fato assustador, uma vez que Chris morava sozinho, a porta rangia novamente, batia, mais alguns passos eram dados! Vigorosos, ligeiros! Subiam a escada, cada vez mais fortes! A cada série de degraus! Chris neste meio tempo, já havia alcançado seu taco de beisebol que ficava do lado direito da cabeceira de sua cama, a força com qual segurava-o era igual ao barulho emitidos pelos passos, cada vez mais forte, a cada passo ouvido. Nenhuma iluminação na casa estava ligada, Chris se guiava apenas pela ‘’luz lunar’’ que atravessada sua janela. Chris se posicionava ao lado da porta, nervoso, soltava um grito de advertência em alto tom de voz:
— Quem está aí? Mostre-se agora ou -...
Era interrompido, uma vez que uma pessoa adentrava a localidade, Chris já prestes a deferir o golpe com seu bastão contra o crânio do indivíduo, escutava:
— Chris!
Nisso, Chris ficava inerte e inspirava, largava seu bastão, retrocedia, neste momento a iluminação havia sido ligada, víamos com clareza neste momento uma menina aos prantos em lágrimas cristalinas, seus olhos eram verdes como uma esmeralda, seu cabelo alaranjado como as folhas no outono, pele branca como a neve e uma bochecha infestada de sardas. Muito diferente de Chris, com seus olhos e barba castanha, e um cabelo negro que ia até sua nuca, além de uma pele pouco mais escura que a da garota.
—Sennie! O que aconteceu? —Perguntou Chris, que não se acalmava ao olhar a garota, já que sua boca estava semiaberta, o coração parecia saltar-lhe do peito pela sua expressão facial.
—Chris... —Disse Sennie que estava em choque, respirando profundamente. —Eu escutei gritos de socorro e; fiquei com muito medo... eu, eu não sabia o que fazer! — Em meio a tal momento de abalo uma lágrima de acumulava no olho de Sennie, Chris então, a puxava contra seu peito segurando sua cabeça e dizendo:
—Se acalme Sennie, você está segura aqui... eu não vou deixar mal algum acontecer com você!
— Chris, na tevê, todos os canais, estão transmitindo uma gravação que diz que hoje será o nosso fim, diz que temos que sair da cidade até meia noite e cinco, o que vamos fazer? — Disse ela ainda em prantos.
— Deixe-me conferir isso —Disse Chris enxugando as lágrimas de Sennie com as mãos e beijando sua testa. — Por enquanto apenas se acalme.
Após isso, Chris conduzia Sennie até o corredor, assim dava passos lentos pela escada de madeira, ela rangia, Sennie se acalmava aos poucos, já na sala, simplória e empoeirada, Chris deixava Sennie sentada do sofá enquanto ligava a tevê antiga, que estava com alguns aparelhos de adaptação e um de tevê a cabo ao seu redor, manualmente com um de seus botões.
Chris pressionava novamente seu dedo contra o botão da tevê e verificava a transmissão de cada canal, então, percebeu que todos tinham o mesmo conteúdo, uma gravação que parecia começar e terminar e depois recomeçar sempre. Então ele deixou em um canal qualquer de vez e deixou o vídeo continuar:
— Povo de Queen city, hoje ratifico! Estou no comando de sua execução, vocês têm até os relógios apontarem meia noite e cinco para se retirar da cidade, após tal, nenhum mortal será poupado, clamo que o inferno desça ante tuas cabeças! Esse é o meu recado, a tormenta apenas está começando...
Enquanto essa mensagem era transmitida, da tevê era resplandecida em suas retinas a visão de alguém mascarado, sua voz de tom ‘’frio’’, estava modificada por algum recurso eletrônico. Não parecia ser brincadeira, isso se concluía com a atitude de seus gestos e a sua maneira de falar.
Mesmo assim, Chris não era do tipo que acreditava fácil em qualquer coisa ou se abalava. Depois da transmissão se completar não houve mais nada além de estática. Chris verificava todos os canais da tevê a cabo, porém não obteve resposta apenas chiado.
Por fim desistiu, desligou o aparelho e permaneceu em silêncio por alguns segundos, olhava o relógio da sala, mais moderno que o de seu quarto, o horário era exatamente meia noite e cinco.
Seu subconsciente se contornava em dúvidas com o que acabava de ver. Então abria seus olhos e tentava mostrar a Sennie que aquilo deveria ser apenas uma bobeira, porém, esse seu tempo inquieto, só mostrava a Sennie que ele ficava preocupado. Então, cessou-se e disse gargalhando com um ar brincalhão:
— Isso deve ser para promover um filme Sennie! Você sabe que eu já fui militar e sei que esses caras não durariam um segundo aqui se isso fosse realmente real...
— Mas Chris, se isso fosse um filme, por que eles diriam algo tão assustador? E por que eles não avisariam que isso é um filme? E como a propaganda estaria passando em todos os canais, na mesma hora?!
(Continua..)
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