Quatro anos depois

– Onde você imagina que vai estar daqui dez anos? — Perguntei distraidamente enquanto acariciava sua mão.

– Sinceramente? — Me virei e assenti, ele sorriu levemente. — Não vai rir? — Perguntou, cruzei meus dedos sobre a boca.

– Juro que não. — Prometi.

– Eu gostaria de morar em um lugar bem sossegado, com uma bela casa no estilo meio rústico rodeada por árvores e um belo gramado. — Ele se deitou na cama, eu me apoiei no meu braço e o escutei atenta. — Chegar do trabalho e ver meu filho brincando com o cachorro enquanto minha esposa os observa, assim que me visse ela viria correndo na minha direção pulando no meu colo. — Eu não acreditava no que estava ouvindo. Ele só podia estar brincando.

– Ah Edward eu estava falando sério. — Reclamei, ele riu.

– Hei o que a faz pensar que isso não é sério? — Arquei minha sobrancelha e o encarei.

– Você, casado com um filho? Por favor né! — Ele acariciou meu rosto.

– As pessoas podem mudar Isabella. — O modo como ele me olhou e disse aquilo me congelou. Isso poderia ser verdade? Edward seria capaz de mudar?

Edward Pov

Jasen abriu a porta do carro, agradeci e entrei. Pouco tempo depois estávamos a caminho do lugar que eu mais queria estar. Hoje era um dia muito especial e tudo o que eu queria era passar com as pessoas que mais amava.

No dia seguinte tínhamos um piquenique marcado com nossos amigos, as crianças não aguentavam de animação, especialmente as trigêmeas de Emm e Rose. Era incrível ver o grandalhão pai de três lindas garotas, ele ainda enchia Rose, pedindo um menino, pois assim não daria conta de proteger suas meninas dos marmanjos. Isso só piorava quando Alice inventava de dizer que Alex iria namorar alguma delas, felizmente ela já tinha desistido de empurrar seu filho para minha princesa, para azar de Emm. O pessoal se divertia com a discussão sem noção dos dois.
Há cerca de dois anos, Seth se casou com Emily e continuava sendo meu braço direito empresa, especialmente agora que estávamos expandindo nossos negócios pela Europa e América do sul. Laurent e Carmen se separaram, ela arrumou um trabalho fixo em uma série de TV em Hollywood e se mudou definitivamente para a costa leste. E quando achamos que nada seria capaz de nos surpreender, eis que Laurent surge com Caius e avisa que estavam namorando. Meu antigo amigo de colégio realmente se transformou em outra pessoa. Confessei que fui eu que criei o plano que o humilhou e ele ao invés de ficar bravo, me agradeceu. A vida era mesmo uma caixa de surpresas. E a maior delas era minha própria história. Quem diria que eu conseguiria mudar meu próprio destino? Deixar de ser a pessoa arrogante e narcisista de outrora e me transformar em um novo homem? Um homem digno do amor de um anjo?

O carro seguiu pela estrada e pedi que Jasen parasse a poucos metros da casa. Desci do veículo e segui a pé, ao longe podia ouvir as risadas e latidos. Sorri. Era o som mais lindo de todo o mundo. Cheguei mais perto e os sons ganharam cor e formas. Minha família. Não demorou, até que perceberam minha presença. Meu anjo sorriu largamente ao me ver, nossa filha brincava com Chance no gramado e assim que me viu veio correndo na minha direção.

– Papai! — seus cabelos cacheados e negros se moviam conforme ela corria. Abaixei e a peguei em meus braços.

– Oi, princesa — ela sorriu, seus olhos azuis brilharam.

– Saudade, papai — disse me abraçando pelo pescoço. Sorri dando um beijo em seu rosto. Logo Chance veio correndo até onde estávamos e Anne pediu para descer do meu colo para brincar com seu amigo peludo, Bell se aproximou e a puxei contra o meu peito.

– Essa é minha visão favorita, sabia? — ela sorriu.

– É?

– Sim, senhora. A visão da minha família, assim como era meu desejo.

– Nosso desejo, senhor Cullen — dei-lhe um beijo apaixonado, depois encostei minha testa na sua.

– Hoje faz dez anos desde aquele dia — Bell arregalou os olhos, surpresa.

– Sério? — assenti. Isabella abriu um sorriso lindo, seus olhos brilharam, lagrimejados. — Quer ver como posso fazer esse dia ainda mais especial? — encarei-a desconfiado.

– Como? — segurou minha mão e colocou sobre seu ventre. Segui seu movimento com os olhos e fiquei em choque. Levantei a cabeça e a encarei.

– Agora só falta mais um — sorri emocionado e a beijei com ardor. — Nossos sonhos se tornaram realidade — murmurou entre o beijo.

– Você é meu sonho, Isabella — ela sorriu largamente.

– E você é o meu, Edward.

– Agora e sempre, meu anjo — repeti meus votos tomando seus lábios nos meus novamente. Essa era a minha promessa. Isabella e eu. Agora e sempre.

Bônus

Vinte anos depois

Isabella

Edward andava de uma lado para o outro no meio do seu escritório. Sorri tentando me concentrar no livro que lia, sentada na poltrona em frente a ampla janela que dava para o quintal. Era inicio do outono e as folhas já começavam a cair colorindo o gramado em diversos tons de amarelo e vermelho. Era uma bela visão.

– Que horas ela disse que chegava? — a voz de Edward me puxou de volta a realidade, virei o rosto e o encarei.

– Às quatro da tarde, amor — ele olhou para seu relógio no pulso, finalmente parando de andar.

– Já são quatro e quinze, Isabella. Por que ela não ligou ainda? — retive a vontade de revirar os olhos para meu ansioso e preocupado marido. Sorrindo coloquei o livro que lia sobre a mesinha de canto e fui até ele, o abraçando pela cintura.

– Fique calmo, Edward. Logo ela liga. Não há o que se preocupar — senti seu corpo relaxar conforme ele me apertava contra o peito. Seu coração batendo acelerado, foi se acalmando aos poucos.

– Estou com saudades dela — confessou contra o meu cabelo. Sorri.

– Eu também, garotão — respondi e o olhei. Ele abriu aquele sorriso magnifico e me beijou, no inicio com calma, mas logo seu beijo foi ficando mais urgente, me deixando sem fôlego.

– Eu te amo, meu anjo — murmurou contra minha boca. Senti aquele frio agradável no estômago, era sempre assim. Nem parecia que já estávamos casados há quase vinte e cinco anos.

– Eu também te amo — declarei afagando seu rosto. Ele sorriu lindamente e encostou sua testa na minha. Edward havia se tornado um cinquentão lindo e se possível, ainda mais gostoso e fogoso. Precisava de muita energia para acompanhar seu ritmo. Meu eterno garotão.

– Só você é capaz de me acalmar — comentou brincando com suas mãos nas minhas costas, deitei minha cabeça no seu peito e fiquei ouvindo as batidas de seu coração, que agora já estavam mais pausadas.

– Ah, não! Vocês estão se agarrando de novo? — ouvi a voz indignada de nosso filho mais novo, Edward riu e me puxou para sentar no sofá ao seu lado.

– Tem que deixar seu pai aproveitar, Elie — reclamou com o filho, que balançou a cabeça. Eleazar ao contrário de Anne, era muito parecido comigo, tinha grandes olhos verdes e seu cabelo era negro e liso, do pai tinha puxado a altura e, como ele mesmo costumava dizer, o charme para conquistar as gatinhas. Já, Anthony, era uma mistura perfeita de nós dois, olhos verdes e cabelos cacheados.

– Onde o senhor pensa que vai? — Edward perguntou vendo o filho todo arrumado. Franzi meu cenho o observando. Onde ele iria?

– Combinei com o pessoal um cinema e depois vamos no Song&Night, aquele lugar bacana, que toca música ao vivo — explicou colocando as mãos no bolso.

– Sua irmã chega hoje, Eleazar — lembrou Edward.

– Eu sei, pai. Juro que estarei de volta para o jantar — argumentou com os olhos pidões. Edward não disse nada, só estreitou os olhos e arqueou a sobrancelha.

– Não, Eleazar — foi categórico. Só observei. Quando ele ou eu, repreendíamos um de nossos filhos, o outro não interferia, se o assunto fosse sério, conversávamos depois a sós. Evitávamos discutir nossas diferenças na frente deles.

– Pai!

– Se você sabia que sua irmã chegaria hoje, não tinha nada que ter marcado com seus amigos, ainda mais sem nos avisar.

– Mas, pai! A Sarah vai estar lá — argumentou em um sussurro.

– Melhor ainda — os olhos de Eleazar se alargaram.

– Não tem nada de melhor nisso, pai. Outro pode chegar nela, não posso baixar a guarda! — segurei a vontade de rir. Mais uma coisa que ele havia puxado ao pai. Edward levantou, indo até o filho, colocando a mão no seu ombro.

– Garoto, ouça seu pai. As mulheres são complicadas, não gostam de um cara que fica se rastejando por elas. Faz parte da sedução — completou piscando para Tony, ele o encarou intrigado.

– Tem certeza? — perguntou incerto.

– Absoluta. Agora, liga para seus amigos e diga que não vai poder ir — deu um tapinha nas costas dele, nosso filho não parecia muito seguro, mas assentiu.

– Ok — disse desanimado saindo da sala. Sabia que não ia adiantar discutir com o pai.

– Eleazar não está muito novo para pensar em garotas? — reclamei cruzando os braços, Edward se virou para mim, percebi que estava segurando a vontade de rir.

– Amor, nós homens pensamos em garotas desde sempre, só que até os nove anos, as achamos irritantes — disse rindo vindo na minha direção e sentando ao meu lado segurando minha mão.

– Mesmo assim, não acho que deveria pensar em mulheres ainda — Edward me puxou para seu colo.

– Ciúmes do seu bebê?

– Claro que não! — suspirei. — Só achei que ia demorar mais para isso — confessei finalmente.

– Ele já tem catorze anos, anjo. Se, bem me lembro, você me convenceu que Anne estava pronta para namorar aos quinze, apesar dos meus protestos — torceu os lábios. Com certeza lembrando quando Anne e Alex começaram a namorar, o que não durou nem um mês.

– Mulheres são mais maduras que os homens, senhor Cullen. Além disso Anthony começou a namorar só aos dezoito, achei que Eleazar ia seguir o exemplo do irmão mais velho. — Edward riu pela minha manha.

– Isso por que ele puxou para você e é um romântico incorrigível — sorri sabendo que isso era verdade. — Aliás, que horas Tony vai chegar? — Anthony tentaria vir para casa recepcionar a irmã que voltava da Europa, mas possivelmente só chegaria à noite.
– Disse que as oito da noite deve estar aqui — Edward beijou minha cabeça, voltou a olhar para seu relógio e bufou.

– Já são quatro e meia e nada da Anne! — reclamou exasperado. Foi então, que ouvimos vozes. Encarei Edward intrigada, ele devolveu o mesmo olhar.

– Não acredito que ela fez isso! — passou a mão pelo cabelo nervoso, levantou, levando-me a ficar de pé também e saímos do escritório. Assim que chegamos na sala vimos Anne abraçando a senhora Brauer efusivamente. Ela percebeu nossa presença e abriu um sorriso enorme.

– A senhorita não ia ligar? — questionou Edward seriamente, mas isso não fez o sorriso dela diminuir. Anne se afastou de nossa governanta e veio até nós.

– Também senti sua falta, papai — foi o bastante para a pose de Edward desmoronar e ele a puxar para um abraço apertado.

– Queríamos buscar você no aeroporto, princesa — ela sorriu.

– Eu sei, mas preferi fazer uma surpresa — Edward a olhou e deu um beijo em sua cabeça. Anne saiu dos braços do pai e veio até mim, me abraçando.

– Saudades, meu bem — disse apertando meu bebê nos braços.

– Também, mãe. Muitas saudades de vocês — sorri e segurei seu rosto. Os grandes olhos azuis brilhando, idênticos aos do pai, seu cabelo caindo em cachos delicados ao redor do rosto, que estava iluminado. Do modo como nunca tinha visto antes. Encarei-a desconfiada, Anne sorriu tímida. Respondendo uma pergunta não feita, coisas que só uma mãe saberia identificar. Meu bebê estava amando. Puxei ela de novo para meus braços. Anne sempre teve seus namoros e relacionamentos, mas nunca foi de se prender a ninguém, não era uma romântica como a mãe. Era emocionante, para mim, saber que alguém tinha tocado o coração da minha princesa. Só esperava que ele valesse a pena e aguentasse o chato do meu lindo marido.

– Annie!! — ouvimos a voz de Eleazar soar.

– E aí, pentelho? — ela disse saindo dos meus braços e abraçando o irmão, que estava da mesma altura da irmã.

– Pentelho é a...

– Eleazar! — Edward repreendeu antes que ele continuasse.

– Caramba! Você cresceu nesse um ano — ele estufou o peito.

– Vou ser alto como o papai — respondeu orgulhoso.

– Estou vendo mesmo.

– Se cuida, pois agora poderei me vingar — brincou com a irmã.

– Quero ver mesmo, palhaço — caçoou mostrando a língua e pegando o boné que ele usava, depois subiu correndo as escadas. Nem parecia que tinha completado vinte e quatro anos.

– Anne! — Eleazar exclamou seu nome inteiro e correu atrás dela.

– Hey, vocês dois! Juízo! — gritou Edward, enquanto eles corriam e riam lá em cima. Aproximei dele e o abracei.

– Senti falta dessa bagunça — ele riu.

– Não conte para eles, mas eu também — sussurrou no meu ouvido e rimos, subindo para ver o que nossos pentelhos estavam aprontando.

[...]

Enquanto Anne descansava da longa viagem e Eleazar jogava com seus amigos pela internet, Edward e eu conversávamos na sala, ele tinha a cabeça no meu colo e eu afagava seu cabelo.

– Ela parece tão feliz, não acha? — Edward comentou sorrindo.

– Muito — ele franziu o cenho e sentou. — O que foi?

– Eu, que pergunto. O que está escondendo?

– Nada — Edward sorriu balançando a cabeça, segurou minha mão fazendo um carinho delicado.

– Ah, Bell. Eu te conheço bem demais, pode dizer — suspirei derrotada.

– Talvez, seja bom mesmo te preparar — sua testa voltou a enrugar.

– Como assim? É algo sério?

– Não, nada sério, mas é algo que acho melhor discutir antes com você.

– Ela conversou sobre isso com você?

– Não entramos em detalhes, mas ela confirmou minhas desconfianças — comentei lembrando da curta conversa que havia tido com Anne, em que ela pediu que preparasse seu pai, para contar sobre a novidade.

– Desconfianças sobre o que?

– Ela conheceu alguém nessa viagem, Edward — seu semblante fechou.

– Alguém? Que tipo de alguém?

– Alguém por quem ela se apaixonou — disparei, observando atentamente Edward.

– Se apaixonou? — repetiu, assenti. Ele olhou ao redor, evitando meus olhos, depois levantou do sofá passando as mãos pelo cabelos. As duas! Claro sinal, de que estava nervoso. Suspirei seguindo seus movimentos e o abraçando por trás.

– Uma hora isso ia acontecer, garotão — Edward segurou minhas mãos e as apertou contra seu peito. Depositei um beijo em suas costas.

– Eu sei, é só que, ela ainda é minha garotinha — murmurou desolado. Lembrei da primeira vez que ela trouxe um rapaz para conhecer o pai, Edward encheu o pobre de perguntas e deixou Anne envergonhada, mas dessa vez era diferente, ela nunca havia se apaixonado, pelo menos, não daquele modo único, onde o sentimento é transparente para os outros. Edward mesmo viu como a filha estava diferente, era visível.

– Ela sempre será sua garotinha — afirmei deitando minha cabeça nas suas costas. Edward soltou minhas mãos e se virou para me encarar. Seus olhos estavam úmidos, mas o belo sorriso em seus lábios, mostrou que ele estava feliz pela filha.

– Não cansa de ter razão, anjo — brincou acariciando meu rosto.

– Você sabe que não — respondi sorrindo. Ele beijou minha testa e me abraçou apertado.

– É, pelo jeito, terei que aproveitar e muito esse tempo que terei com minha filha — sorri, contra seu peito. Feliz por ter meus bebês ao nosso redor de novo. Nossa família estava completa de novo e ao que tudo indicava, logo ganharia um novo membro. Essa era uma ótima perspectiva.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!