Last Chance
45 Capítulo 44 - Escuridão
Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado a você e todos esses leitores lindos que me acompanham *-* Sem palavras pelo carinho, apoio e incentivo.
Este capítulo esta, como posso dizer? Meio obscuro, Edward com a morte de Eleazar terá que lutar contra seus demônios e a si mesmo, ele esta confuso, com medo e completamente perdido.
Edward tem agora uma última chance para mostrar que é capaz de mudar. Ele vai aproveitar essa oportunidade ou irá deixar ela escapar?
A trilha para este capítulo é: http://letras.mus.br/florence-and-the-machine/1964380/traducao.html
Já usei quando a Bella enfrentou seu passado e me pareceu pertinente aqui também, principalmente com os pesadelos que Edward enfrenta, a letra se encaixa perfeitamente na situação que se desenrola.
Espero que gostem ;)
Edward POV
Seu pai teria muito orgulho, eu tenho.
A partir do momento que seu pai colocou sua vida nas minhas mãos, eu te considero como um filho Edward.
As palavras de Eleazar vagavam pela minha mente, mais uma vez eu estava diante do caixão de uma pessoa importante para mim, a diferença nessa situação estava nas pessoas que me rodeavam, senti um aperto no meu ombro e vi Emmett abraçado a Rose me lançando um olhar de apoio, do outro lado estavam Alice e Jasper, Seth e Emily e Carmen e Laurent, meus amigos, nos meus braços, apertando meu corpo com força, meu anjo. Baixei meu olhar e ela levantou a cabeça me encarando, pude ver uma lágrima escorrendo pelo seu delicado rosto, enxuguei sua face fazendo um carinho, Bell recostou em meu peito e fungou. Isabella não conhecia muito bem Eleazar, mas isso não a impedia de sentir carinho pelo homem que deu tudo pela nossa segurança, até sua vida.
No momento que Seth invadiu meu escritório dizendo que Eleazar estava morto, eu simplesmente entrei em choque, quando sai do meu estado de letargia tentei ir até a sala de Eleazar, só que todo o andar estava interditado pelo FBI, me aproximei de um dos agentes e tentei saber o que tinha acontecido, ele me informou que era segredo de estado e tudo seria investigado, entretanto sua atitude mudou completamente quando mencionei o caso de corrupção, ele conversou com outro agente e eles me levaram para um lugar seguro para conversar. Lá contei tudo o que sabia e eles me contaram que Michael havia descoberto a investigação e que como sabia que logo seria preso simplesmente invadiu o escritório de Eleazar, pelas câmeras de segurança instaladas no escritório eles puderam ver a ação de Michael, segundo os agentes ele xingou e confessou todos os seus crimes inclusive o assassinato de meus pais dizendo que havia sabotado o carro de modo que ninguém desconfiasse, essas declarações deram a prova que o FBI precisava para colocar toda a gangue atrás das grades, Michael ainda disse que se ele não podia ficar com o dinheiro Eleazar também não ficaria, em seguida deu um tiro a queima roupa no advogado para logo em seguida se matar. Infelizmente os agentes e a polícia chegaram tarde demais e os dois já estavam mortos, com todas as provas contundentes foi dada voz de prisão a todos os integrantes do bando, o FBI teve que agir rápido e evitar que pudessem dispersar e fugir, já que nem todos os membros estavam no estado de Nova Iorque, mas a ação do FBI foi perfeita e ninguém conseguiu escapar, a única e fatal falha da operação foi a morte de Eleazar.
Apesar do suicídio de Michael e a prisão dos outros envolvidos, eu sentia medo, muito medo. Parecia que tudo de ruim que havia acontecido era culpa minha, era como se estivesse pagando por todos os meus erros, pelo péssimo filho e pessoa fútil e egoísta que fui, por tratar a todos como algo dispensável e principalmente ter feito meu anjo sofrer. Será que não teria fim? O que mais iria acontecer em minha vida para que eu me redimisse dos meus erros? Apertei Isabella em meus braços com certa força, só de pensar em perder meu bem mais precioso sentia meu sangue congelar. Um toque suave passou pela minha bochecha e mesmo com os óculos escuros eu pude ver preocupação no seu olhar, suspirei e beijei sua testa a confortando.
Assim que Eleazar foi sepultado fomos para casa, não sem antes o advogado da empresa me barrar e dizer que eu e Isabella éramos esperados na Cullen's no dia seguinte, no momento nem tinha cabeça para pensar no que poderia ser, eu só queria um banho, cama e Isabella.
– Você não chorou. — Afirmou Bell quando já estávamos deitados em nossa cama, minha a cabeça repousava no seu peito enquanto suas mãos brincavam com meus cabelos, eu me sentia protegido assim, como se nada de ruim pudesse me acontecer nos seus braços.
– Acho que não tenho mais forças para chorar. — Confessei em um sussurro me lembrando do meu rompante quando Eleazar me contou que meus pais teriam sido assassinados, agora além de ter essa certeza eles me tiraram mais uma pessoa. Se Michael não tivesse morrido eu mesmo o teria matado.
– Estou preocupada com você. — Franzi meu cenho e levantei minha cabeça para encarar Isabella.
– Por que? — Ela suspirou e acariciou meu rosto.
– Você esta tão quieto, não xingou, não ficou com raiva, não chorou. Guardar esse sentimento só faz mal Edward. — Aconselhou carinhosa.
– Eu me sinto fora de mim, sinto como se tudo fosse culpa minha. — Disparei chateado, Isabella arregalou os lindos olhos verdes.
– Claro que não!
– É sim, eu estou pagando por tudo de ruim que fiz, talvez o melhor fosse ir embora antes que possa machucar quem eu mais amo. — Bell ofegou e segurou meu rosto com as duas mãos me fazendo encara-la.
– Pode parar Edward Cullen! Você não tem culpa de nada! Esta me ouvindo? — Expressou nervosa com algumas lágrimas já escorrendo pelo seu lindo rosto. — Você não pode me deixar.
– Bell... — Tentei argumentar, ela precisava ver o mal que eu fazia.
– Não... Você prometeu que nunca mais me faria sofrer, não quebre a sua promessa. — Pediu chorando, me aproximei e acariciei sua nuca, deveria rebater e dizer que a estava fazendo sofrer agora, mas decidi esquecer esse assunto, afinal quem eu queria enganar? Sem Isabella eu era um verdadeiro nada.
– Tenho tanto medo de perder você. — Declarei derrotado, sabia que a gangue havia sido preso e que Michael estava morto, mas isso não era garantia de nada e se tivesse mais alguém querendo vingança.
– Você não vai. — Garantiu convicta, encostei minha testa na sua. — Nunca mais diga que vai embora. Por favor. — Implorou com a voz embargada.
– Nunca mais. — Prometi a beijando com sofreguidão a abracei voltando a me deitar sobre seu peito, eu iria proteger meu anjo e pouco me importava o que isso me custaria.
Acordei e percebi que estava em um lugar estranho e completamente escuro, comecei a caminhar com cautela tentando identificar onde me encontrava quando de súbito surgiu um espelho à minha frente, me aproximei e vi em meu reflexo um Edward completamente diferente, ele se aprumava em um terno fino com um ar austero e superior, foi então que me encarou olhando com desprezo de cima a baixo a minha figura.
– Olha só o que se tornou Edward. Era isso que você queria? Ser esse ser desprezível? Não era esse nosso plano. Cadê as mulheres? A cobertura? O carro importado? Você é um frouxo! Devia ter pego a grana de Eleazar e largado essa vadia da Isabella. — Sem pensar em mais nada avancei sobre meu reflexo derrubando o espelho que se espatifou pelo chão. — Não adianta Edward. Eu ainda estou ai dentro! Assim que recuperar o que é seu vai voltar a ser o mesmo de antes e desprezar essa que diz tanto amar. — Desdenhou a voz nas sombras.
– Nunca! — Gritei a plenos pulmões, só pude ouvir sua risada alta.
– Pensa bem Edward. Você nunca a fará feliz, só trouxe tristeza e amargura à vida da pobre garota. Deixe a ir... Sabe muito bem quem pode fazer ela feliz. — Foi então que eu os vi juntos, James e Isabella, a imagem parecia e muito com o que eu presenciava quando dividia o apartamento com eles, ambos riam e se divertiam. Meu coração se apertou.
– Nós nos amamos. — Rebati seguro, tentando não me deixar atingir pelo o que via na minha frente.
– Argh! Você virou um maricas. — Disse e a imagem dos dois sumiu como pó. — Onde esta aquele homem que achava que romances eram ridículos e fazia piada quando alguma mulher dizia que o amava? — Desafiou.
– Cala a sua boca. Eu sou muito mais feliz hoje do que fui quando era um ser mesquinho e podre como você! — Gritei para as sombras.
– Você pensa que é. — Rebateu a voz cheia de sarcasmo.
– Eu sou! Isabella é tudo o que eu preciso.
– Até quando? — Perguntou e a imagem de um caixão surgiu à poucos metros de mim, meu coração trepidou e minha respiração falhou conforme em me aproximava da urna, a dor veio como uma faca me cortando por inteiro quando eu vi quem estava ali. Meu anjo.
– NÃO! — Corri e peguei o corpo frio e imóvel da minha Bell. — ACORDA ISABELLA! NÃO ME DEIXA ANJO! NÃO ME DEIXA! — Pedia desesperado, subitamente seu corpo sumiu de meus braços. — ISABELLA! NÃO! NÃO! — Fechei os olhos e me deitei no chão chorando.
– Edward? — Ouvi uma voz ao longe me chamar. — Edward abra os olhos. — A voz doce pedia. Meu cérebro devia estar brincando comigo pois eu podia jurar que quem me chamava era o meu anjo. — Por favor Edward abra os olhos. — Me debati.
– Não! — Neguei. — Você não é real.
– Edward! Abra agora seus olhos! — Exigiu duramente a voz segurando meus ombros, com dificuldade me forcei a abrir os olhos, o medo de ver Isabella morta na minha frente ainda assolava minha mente, entretanto não foi o que vi diante de mim. Meu anjo respirava com dificuldade e com o olhar assustado. Não pensei em mais nada e a puxei para os meus braços enterrando minha cabeça em seus cabelos e aspirando seu aroma divino pedindo que não fosse um sonho.
– Você esta viva. — Murmurei aliviado sentindo seu corpo quente.
– É claro que estou, você estava tendo um pesadelo. — Explicou se afastando um pouco e acariciando meu rosto. Pesadelo? Olhei minha camisa e ela estava molhada de suor, minha respiração em frangalhos.
– Oh! Bell! — A puxei novamente para os meus braços. — Eu pensei que tinha te perdido. Você... Você estava no caixão. — Dizia desnorteado.
– Shh. — Sussurrou tentando me acalmar, seus dedos passando pelas minhas costas e meus cabelos em um carinho silencioso. — Eu estou aqui. — Garantiu, eu a apertei mais contra o meu corpo. O pesadelo parecia tão real. — Respira amor. — Pediu e eu o fiz, respirando fundo e soltando o ar devagar, quando havia me acalmado, Bell fez menção de sair da cama.
– Onde vai? — Perguntei em pânico.
– Pegar um calmante. Você precisa relaxar. — Neguei.
– Eu preciso de você. — Ela sorriu levemente.
– Então vem tomar um banho, vai ser bom. — Assenti e me levantei, precisava mesmo tirar esse suor do meu corpo, ficamos alguns minutos na ducha e voltamos para a cama abracei Bell por trás, ela colocou suas mãos sobre as minhas e se acomodou no meu corpo, beijei sua cabeça e tentei dormir, mas o sono não vinha, toda vez que fechava os olhos a imagem de Isabella em um caixão aparecia, além de imagens claras do meu passado, a briga com minha mãe antes de sua morte, as discussões com meu pai na empresa, o jeito rude com que tratava a todos os empregados e pessoas próximas a mim e para completar o rosto do meu anjo anos atrás quando soube que tudo o que tinha acontecido entre nós foi por causa de uma aposta estúpida, passei minha noite em claro lutando contra os meus fantasmas, eu sentia que essa era uma luta que infelizmente eu iria perder.
Na manhã seguinte levantamos cedo e pouco falei, Isabella percebeu que não estava muito afim de conversar por isso não forçou, eu via seu olhar preocupado e ansioso direcionado a mim, tentei tranquiliza-la dizendo que estava melhor, mas isso não pareceu adiantar muito, ela desmarcou alguns clientes que tinha aquele dia e nos próximos, falei que não precisava fazer isso, mas no fundo fiquei satisfeito em saber que ela ficaria o tempo todo comigo, Isabella era tudo o que eu precisava nesse momento. Após um café da manhã silencioso fomos para a Cullen's, eu travei antes de entrar na empresa, aquele lugar estava se tornando um tormento na minha vida, a razão pela qual meus pais e Eleazar tinham morrido. Ao chegarmos nos dirigimos diretamente para a sala do advogado da empresa Garrett Smith, um homem relativamente jovem, mas que tinha toda a confiança de Eleazar e por consequência a minha também, a secretária nos informou para entrar que ele já nos esperava, adentramos o escritório e Garrett se levantou indo em nossa direção nos cumprimentando e pedindo que sentássemos.
– Alguma notícia do que vai acontecer com o grupo que foi preso? — Perguntei seriamente, sabia que ele estava a par de toda a investigação.
– Eles irão pagar bem caro Edward, nas investigações do FBI foi descoberto que essa não era a única empresa que estavam fraudando, e isso se tornou um crime contra o estado, afinal eles estão mexendo com as empresas que giram a economia desse país, o destino com certeza é a prisão perpetua. — Respirei um pouco mais aliviado.
– E qual a razão de estarmos aqui? — Indaguei intrigado.
– Acho que você sabe, a quadrilha foi presa, não existe mais risco algum. — Foi então que me dei conta, a herança de meu pai só seria entregue assim que tudo fosse resolvido e eu e Isabella estivéssemos seguros.
– A herança?
– Isso mesmo, assim como Carlisle, Eleazar era um homem precavido, ele sabia o risco que estava correndo com essa facção e por isso deixou tudo organizado para que se algo acontecesse com ele, você e Isabella não ficassem desprovidos. Prontos? — Questionou abrindo a pasta sobre a mesa, eu e Bell assentimos. — Bom, antes de ler o testamento de seu pai, vou ler o de Eleazar. — Eu e Isabella nos encaramos confusos.
– Como assim de Eleazar?
– Ele não tinha família próxima, por esse motivo o testamento beneficia vocês. — Eu estava em choque com aquilo. — Posso ler? — Assentimos, Bell segurou minha mão, entrelacei nossos dedos e a trouxe para meus lábios dando um beijo suave. Garrett começou a ler o testamento, nele Eleazar deixava todos os seus bens para serem dividos em partes iguais para mim e Isabella, na hora me lembrei quando ele me disse que não tinha família e que gostaria de considerar eu e Isabella desse modo, me emocionei com sua atitude, ele em todo esse tempo também tinha sido como um pai para mim, assim que terminou o testamento de Eleazar, Garrett passou para o de meu pai que assim como o de Eleazar dividia tudo entre nós, inclusive a empresa. — Agora são os donos da Cullen's. — Anunciou com um fraco sorriso, toda a empresa ainda estava entorpecida e triste pela morte de Eleazar e pensar que um dia achei que ele era um bandido que queria roubar minha herança. Como fui tolo. Me condenei. — Ah! Tem mais uma coisa. — Abriu novamente os papéis e tirou um envelope de dentro da pasta.
– O que é isso?
– Seu pai deixou essa carta para vocês. — Estendi o braço e peguei o papel o encarando. O que será que tinha ali? Entrei o envelope para Isabella que o olhou com carinho.
– Depois leremos. — Afirmei, ela sorriu em concordância e o guardou na bolsa. — Existe mais alguma coisa que precisamos fazer? — Perguntei.
– Hoje não, aqui estão todos os papéis das propriedades e contas bancárias que agora estão no nomes de vocês e também as ações da empresa, só falta definir quem será o presidente. Precisamos fazer uma reunião o mais rápido possível para decidir isso. — Assenti concordando.
– Gostaria de pedir algo senhor Smith. — Isabella se pronunciou, a encarei intrigado.
– Se estiver ao meu alcance. — Garrett ponderou, podia ser ridículo, mas me senti incomodado por Isabella chamá-lo de senhor. Eu era o único que ela podia chamar assim.
– Quero passar minhas ações para o Edward. — Arregalei meus olhos diante seu pedido e esqueci meu ciúmes ridículo.
– Tem certeza Senhorita Cullen?
– Bell a empresa também é sua. — Aleguei, ela como sempre negou.
– Nada disso é meu Edward. — Lá vamos nós de novo.
– Isabella... — Comecei dizendo, mas ela me cortou.
– É a pura verdade, sei que não vai aceitar que eu passe o resto dos bens só para o seu nome, mas a empresa é sua, sempre foi seu sonho dirigir isso aqui, não há razão para que eu fique com metade se não entendo nada disso. — Argumentou.
– Acho melhor conversarmos sobre isso antes que tome uma decisão precipitada. — Ela sorriu e acariciou meu rosto.
– Não é uma decisão precipitada. — Beijei a palma de sua mão. — É o que eu quero.
– Se é o que deseja. — Disse aceitando.
– Nesse caso vou preparar os papéis de doação, assim que a senhorita assinar a empresa será toda de Edward. Acho que amanhã mesmo terei tudo pronto. — Garrett avisou.
– Ótimo, voltaremos amanhã e acertamos o que falta. — Concordei me levantando e o cumprimentando, pegamos todos os papéis e saímos da empresa, durante todo o caminho seguimos em silêncio, aos poucos fui me dando conta do que tinha acontecido, estávamos ricos agora, ricos não, bilionários e eu seria o presidente da Cullen's, meu sonho finalmente estava se tornando realidade, sentia tudo o que era meu por direito voltando para as minhas mãos e essa era uma ótima sensação, parecia que todo o medo e aflição haviam sumido, eu estava no controle novamente e com mais poder do que antes.
Nossa tarde assim como a manhã foi silenciosa, Bell foi para o escritório que montou em seu antigo quarto assim que almoçamos e eu fiquei na sala analisando os documentos que Garrett havia nos dado, amanhã com Isabella me entregando sua parte na empresa eu seria o novo presidente da Cullen's, foi então que percebi que não teria absolutamente nada à altura para usar, afinal um presidente não podia usar um terno qualquer como os que eu tinha. Fui em direção do quarto de Isabella e bati na porta a abrindo em seguida, ela parecia entretida nos seus projetos.
– Isabella? — Chamei e ela se virou na minha direção, seus olhos transmitiam certa tristeza, imaginei que fosse pela morte de Eleazar e decidi nem questionar. — Vou dar uma saída, preciso comprar alguns ternos novos.
– Ok. — Respondeu simplesmente, sorri e fechei a porta em seguida. Sai do apartamento e esperei um táxi passar, precisava comprar um carro o mais rápido possível, quem sabe um Lamborghini, sempre sonhei em ter um, mas meu pai dizia que um carro era o suficiente, agora eu poderia ter quantos eu quisesse. Sorri com essa ideia, eu poderia ter o que quisesse. Um táxi apareceu e fiz sinal, instrui o motorista para ir nas melhores lojas de roupas de New Haven, onde eu costumava frequentar, era incrível como já me sentia bem com tudo o que tinha acontecido, não ia adiantar ficar chorando pela morte de Eleazar, o jeito era viver da melhor maneira possível meu brilhante futuro. Experimentava um terno Armani quando a vendedora se aproximou, era bonita, mas nada que se comparasse a Isabella.
– Combina com seus olhos. — Elogiou com certa malícia, sorri satisfeito com meu reflexo no espelho. Há quanto tempo eu não usava um Armani? Nem fazia ideia. — Só acho que a gravata esta um pouco torta. — Indicou.
– Arruma para mim? — A moça assentiu sorrindo, me virei e ela acertou o nó, depois espalmou as mãos no meu peito mordendo os lábios, tentando parecer sedutora.
– Agora sim perfeito. — Olhei no espelho mais uma vez, estava mesmo perfeito. Comprei mais três ternos e mesmo sem pedir ganhei o telefone da vendedora. Eu era mesmo foda, mas também que mulher era capaz de resistir a Edward Cullen? Sorrindo segui para outra loja.
Cheguei em casa quando já passava das nove, comprei muitas roupas novas, agora precisava de um guarda roupa novo, com certeza nada disso caberia no closet apertado que Isabella tinha, entrei lentamente no quarto e a vi deitada sobre a cama, devia estar cansada pelo dia e noite exaustivos que tivemos, tomei um banho rápido e me deitei adormecendo em seguida.
Despertei e me vi no mesmo local que na noite anterior, só que agora o ambiente estava diferente, ainda mais escuro e sombrio.
– Eu sabia que você voltaria a ser o mesmo. — A voz sombria soou grave, virei e de novo o espelho estava lá dessa vez o mesmo reflexo que vi esta tarde ao lado da vendedora apareceu, era ele, o imbecil que arruinou minha vida. — Então Edward? Que tal sair para curtir com essa delicia que conheceu?
– Eu nunca vou deixar Isabella! — Disparei, a voz soltou uma risada.
– Quem disse que é você que vai deixar ela? — A voz soou irônica. — Acha que seu anjo vai permanecer ao seu lado quando perceber que voltou a ser o mesmo?
– Eu não voltei a ser o mesmo! — Tentei negar, mas meu reflexo me desmentia.
– Não? Edward quem você quer enganar? O dinheiro e o poder subiram bem rápido na sua cabeça hein. Se não é o mesmo por que não chamou Isabella para lhe acompanhar nas compras? Por que não lhe deu um beijo ao se despedir? Por que aceitou o flerte da vendedora? Por que não a puxou para seus braços quando se deitou na cama? Por que a desprezou quando disse que nunca faria isso? Confesse Edward! Você viu que ela vai ser uma perda de tempo na sua vida! — Neguei. Eu não podia voltar a ser o mesmo. Eu não podia perder Isabella.
– Isso não é verdade! — A voz mais uma vez gargalhou alto.
– Talvez o caixão seja a melhor saída para o seu anjo. — Disse com desprezo me lembrei claramente do seu corpo inerte nos meus braços, a dor me consumindo como nunca. — Aposto que nem vai sentir falta dela, afinal agora teremos nosso dinheiro e muitas mulheres ao nosso dispor.
– Eu não quero outra mulher, só quero Isabella!
– Não foi o que pareceu quando aceitou o telefone da vendedora. — Balancei a cabeça veementemente. — Admita Edward você estaria muito melhor sem Isabella. — Subitamente a imagem de Isabella apareceu me fitando com decepção para em seguida se virar e ir embora.
– NÃO! NÃO! — Dizia desesperado indo atrás do seu vulto que sumia entre as sombras. — Não me deixe Bell! Por favor! Eu preciso de você! NÃO! — Corri até que ela sumiu por completo, tinha ido embora, me deixado. A dor rasgava meu corpo, dominado pelo desespero gritei seu nome esperando que isso a trouxesse de volta para mim.
– Edward! Acorde Edward! — Abri os olhos assustado, arfando e completamente desnorteado, à minha frente Isabella me encarava preocupada, sem pensar em mais nada a puxei para os meus braços. O que eu estava fazendo com a minha vida? Com Isabella?
– Bell me perdoa. — Pedi a abraçando, eu havia feito justamente o que jurei nunca fazer. Eu desprezei minha Isabella. — Perdão anjo. Perdão. Eu prometi que nunca mais a faria sofrer e fui um estúpido com você hoje. Eu...
– Me esqueceu. — Completou em um sussurro.
– Bell... — Tentei pensar em uma resposta, mas nada parecia bom o suficiente.
– Eu sabia que isso ia acabar acontecendo, você tem tudo o que sempre quis agora, não precisa mais de mim. — Murmurou cabisbaixa. Merda! O que eu tinha feito em apenas um dia?
– Olha para mim. — Pedi, ela me encarou e vi em seus olhos desilusão e dor, era por isso que estava triste hoje à tarde, pelo meu comportamento. Eu estava ferindo a pessoa que mais amava quando havia prometido o oposto. — Não desiste de mim. Por favor. Eu tive uma recaída do que fui um dia e me deixei levar, mas isso não vai voltar a acontecer. Eu prometo. Não me deixa. — Pedi desesperado. — Eu preciso de você, só você. — Isabella me observou atentamente antes de responder.
– Eu não vou a lugar nenhum. Não sem você. — Garantiu, a abracei forte.
– Eu me sinto tão perdido. — Confessei em um sussurro. — A pessoa que saiu daqui hoje à tarde não era eu Bell, era um ser mesquinho, sem sentimento, vazio, eu não quero ser assim. — Comecei a chorar. — Eu não quero voltar a ser aquele Edward. Me ajuda Bell, me ajuda. — Pedi soluçando nos seus braços a apertando fortemente contra o meu peito enquanto ela me ninava. — Sozinho eu sou tão fraco. — Sussurrei com desespero.
– Você não esta sozinho, eu sempre estarei aqui. Sempre. — Bell me olhou com carinho e limpou delicadamente minhas lágrimas com as mãos. — Nós vamos enfrentar isso juntos. Eu e você Edward. — Puxei seu rosto colando nossos lábios em um beijo cheio de promessas, encostei minha testa na sua. O que seria de mim sem ela? Sem meu anjo?
– Eu te amo anjo. — Bell abriu um sorriso meigo que aqueceu meu coração.
– Eu te amo garotão. — Acabei sorrindo com seu apelido, a puxei para meu peito deitando na cama e a apertando nos meus braços, Bell começou a cantarolar uma música qualquer enquanto suas mãos acariciavam minha cabeça, eu amava o modo como seus dedos se infiltravam nos meus cabelos, essa era a paz que eu precisava, assim como quando eu era adolescente e fugia para seu quarto toda vez que sentia medo. Tomado pelo seu calor, carinho e aroma, eu desabei em um sono profundo e sem pesadelos.
Sentia minha garganta seca e um certo incomodo ao engolir, abri os olhos e percebi que já havia amanhecido, me sentia imensamente melhor, parecia que tinha tirado um gorila das minhas costas, olhei para o meu peito e Isabella ainda adormecia, sua respiração regular e serena, com muito cuidado a movi para o lado, ela resmungou e abraçou o travesseiro, sorri com esse gesto, me aproximei e beijei sua testa, levantei, fui até a roupa que tinha usado no dia anterior e peguei o telefone da vendedora oferecida, segui para o banheiro, fiz minha higiene e joguei o papel no vaso dando descarga em seguida, não sabia o que tinha me dado para aceitar isso. Pura vaidade. Meu inconsciente alertou com descaso. Sacudi a cabeça tentando me libertar da pessoa vazia e prepotente que havia sido ontem. Voltei para o quarto e Bell ainda dormia tranquilamente, segui para a sala e vi o sofá abarrotado de sacolas, suspirei e fui até a geladeira pegando um copo de leite a fim de acabar com a sede que sentia, voltei a fitar as roupas jogadas por todos os cantos e me obriguei a pensar de modo racional em toda essa situação. Eu realmente queria ser presidente? Me perguntei sinceramente. Quando fui vice do meu pai, eu odiei o trabalho, amava muito mais o que fazia hoje, principalmente quando ia em alguma obra para fazer inspeção. Eu queria ficar trancado em um escritório o dia inteiro? Queria que a vida de Isabella sempre estivesse em risco? Que ela se preocupasse comigo? E os nossos filhos? Era essa a vida que eu queria dar a eles? Pois nada seria o mesmo, depois dos acontecimentos recentes precisaríamos de seguranças e não teríamos mais momentos leves e gostosos como no fim de semana. E o poder Edward? Você o quer. Sempre almejou isso. O meu lado mesquinho soou em minha mente. Fechei fortemente meus olhos. O poder que se foda! Eu sei o que eu quero e é isso que farei! Não vou deixar esse meu lado prepotente, egoísta e fútil tirar o que mais amo. Pensei com firmeza colocando em seu lugar o meu lado mesquinho. Eu sabia que esse monstro se alimentava da minha fraqueza, mas agora iria mostrar a ele quem era o verdadeiro Edward Cullen, as coisas iriam tomar outra direção a partir de agora, restava saber se Isabella iria concordar comigo. Meus pensamentos evaporaram quando senti um par de mãos delicadas passarem pela minha cintura e um calor delicioso me tomar por completo.
– O que tanto pensa? — Perguntou beijando minhas costas sorri e passei meu braço pelos seus ombros a trazendo para mais perto.
– Que exagerei nas compras. — Bell olhou a sala e riu.
– Exagerou mesmo, são só ternos? — Perguntou saindo dos meus braços e olhando algumas sacolas.
– Não, comprei algumas roupas também. — Ela tirou uma camisa pólo azul de uma das embalagens.
– Hum aposto que vai ficar gostoso nessa. — Falou tentando descontrair, era exatamente o precisávamos depois da noite tensa que tivemos, sorri e a puxei para os meus braços novamente, tudo o que eu precisava era dela perto de mim.
– Então será a que usarei hoje. — A beijei delicadamente, inspirando seu aroma. — Obrigado por ontem. — Agradeci sinceramente, se não fosse por Isabella eu estaria sem rumo, deixando aquele poder imbecil subir a minha cabeça.
– É o que se faz por quem se ama. — Sua resposta colocou um sorriso enorme no meu rosto. Assim como havia me dito nós enfrentaríamos tudo isso juntos, eu não tinha o que temer sabendo que ela estaria ao meu lado. — Que horas temos que estar na empresa? — Perguntou olhando para o relógio na cozinha.
– Às dez. — Respondi e ela assentiu, percebi pela sua postura que ainda estava preocupada, esperava que meus planos tirassem esse medo que via nos seus olhos, pois eu tinha certeza que isso seria o melhor para mim e para ela principalmente depois de tudo o que tinha acontecido. — Eu tomei uma decisão. — Bell me olhou intrigada.
– Que decisão? — Acariciei seu rosto com delicadeza e disparei.
– Eu vou vender a empresa.
Notas finais
Felizmente ele acordou para o que estava fazendo antes que fosse tarde demais, acho tão lindo esses momentos em que um apóia o outro :')
O que acharam da decisão dele? Como será que a Bella vai reagir?
E a carta do Carlisle? O que será que diz? Ambos esqueceram desse detalhe... Não é por nada não, mas acho que só jogar o papel da vendedora fora não vai ser o bastante :-/
Eu me emocionei muito escrevendo este capítulo, principalmente a parte em que o Edward admiti sua fraqueza e pede que Isabella o ajude e não o deixe, ali vemos uma alma torturada por um passado que agora ele não se orgulha, Edward a partir desse momento vai dar uma virada em sua vida e mostrar do que é capaz :)
A escuridão existe para fazer a luz realmente contar. - Uneven Odds - Sleeping at Last
Bjs e até o próximo ;)
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