Last Battle

2 Hogwarts para Nova Chicago


CAPÍTULO 2

Os mitos que eram verdade. Hogwarts havia sobrevivido. Era a primeira coisa que Hailey pensava todas as manhãs. Sobrevivido. Não intacto.Havia uma diferença.

As torres continuavam recortando o céu, as janelas continuavam refletindo a luz pálida do sol e os corredores ainda eram preenchidos pelo som de passos apressados, vozes distantes e retratos discutindo entre si. As mesas do Salão Principal estavam de volta aos seus lugares. As aulas haviam recomeçado. Os alunos voltaram a reclamar de deveres, provas e professores.

À primeira vista, tudo parecia normal.

Mas Hailey sabia que não estava. Pelo menos lara ela.

Algumas paredes ainda carregavam cicatrizes da batalha. Certos corredores haviam sido reconstruídos. Havia espaços vazios onde antes existiam pessoas.

E havia silêncios que nenhum reparo seria capaz de preencher.

Hailey estava sentada perto de uma das janelas da torre da Grifinória, um livro aberto sobre as pernas. Ela lia muito. Sempre lera.

Era provavelmente a pessoa mais inteligente da sua turma depois de Hermione Granger — embora Hailey jamais dissesse isso em voz alta. Tinha uma memória excelente, aprendia com facilidade e possuía uma curiosidade quase insaciável. Quando encontrava alguma coisa que não entendia, não conseguia simplesmente deixá-la de lado.

Precisava pesquisar. Precisava descobrir. Precisava entender.

Mas naquele momento, entretanto, já fazia quase quinze minutos que estava na mesma página. Como se seu cérebro tivesse desaprendido a assimilar duas sílabas. Se alguém perguntasse o que havia acabado de ler, ela provavelmente não saberia responder. Seus olhos percorriam as palavras mas sua mente estava em outro lugar.

Andrew.

Hailey fechou o livro desistindo da leitura. O nome dele parecia surgir mesmo quando ela tentava pensar em qualquer outra coisa.

Andrew Griffin.

Corvinal.

Seu melhor amigo. Seu grande amor. Seu futuro que nunca chegou a existir.

Hailey fechou os olhos e imediatamente desejou não ter feito isso. A memória veio em pedaços como sempre. O esconderijo. O som distante da batalha.A sensação de que precisava voltar.Seus amigos estavam em Hogwarts.Ela não podia ficar escondida.Então saíra.E Andrew fora atrás dela.Como sempre. Você não deveria estar aqui! Ela lembrava da voz. Lembrava do rosto.Lembrava do momento em que ele apareceu.

Depois...

Yaxley.

A varinha apontada para ela. A expressão de ódio dele. O medo. E então—

Nada.

Hailey abriu os olhos de repente. Seu coração batia acelerado.Era sempre assim. Ela não conseguia atravessar aquele ponto da lembrança.Tentara.Inúmeras vezes. Forçara a memória, tentara reconstruir os acontecimentos, perguntara a outras pessoas o que havia acontecido depois.

Mas havia um vazio. Um buraco absoluto. Ela sabia apenas que Yaxley apontara a varinha para ela. Sabia que Andrew estava ali. Viu Andrew morrer. E sabia que, no instante seguinte de que conseguia se lembrar, Yaxley estava morto. Mas ela não sabia como. Nunca soube. Nuncw nem mesmo teve essa certeza de que o Comensal estava morto.

— Hailey? – ela levantou o rosto. Gina Weasley, sua melhor amiga, estava parada diante dela.— Você está bem?

Hailey olhou para a capa do livro da mitologia romana que trouxera de casa. Era apaixonada pelo assunto mas, naquele momento, nem aquilo conseguiu distraí-la.

— Estou – respondeu ela sem ânimo

Gina se sentou ao lado dela.

— Você estava na mesma página há quinze minutos.

Hailey olhou novamente para a página.

— É uma página complicada.

Gina soltou uma pequena risada. Hailey não.

— Hailey...

— Eu estou bem.

Gina conhecia aquela resposta. Hailey falava a mesma coisa a um ano mas seu semblante era sempre morto. Como se sua alma não estivesse mais ali.

— Você não precisa estar.

Hailey ficou em silêncio. Do lado de fora, o vento fazia as árvores se moverem.

— Eu devia ter ficado quieta no esconderijo — murmurou.

— Você não sabia o que ia acontecer... – Gina tentou consolar a amiga. Hailey nunca deu muitos detalhes de como tudo o que havia acontecido e sempre deixava a amiga comandar a conversa. Se ela quisesse contar, não seria forçando a barra

— Mas eu devia ter imaginado...

Gina baixou os olhos. Hailey respirou fundo. Gina colocou a mão sobre a dela. Hailey não a afastou.

— Eu não consigo lembrar o que aconteceu depois que Yaxley apontou a varinha para mim — confessou a morena

Gina permaneceu em silêncio e seus olhos tinham certa expectativa. Queria puvir mais dawuele dia mas não queria forçar.

— Às vezes eu acho que, se conseguir lembrar, vou descobrir alguma coisa que poderia ter feito para salvá-lo.

— Talvez não haja nada que você pudesse ter feito.

Hailey apertou os dedos.

— Talvez.

Mas ela não acreditava nisso. Antes que Gina pudesse responder, a porta da sala comunal se abriu. O monitor da Grifinória apareceu e não parecia contente. Como sempre...

— Cipriano!

Hailey ergueu os olhos.

— A diretora McGonagall quer vê-la.

— Agora?

— Agora.

Elevirou-se e desapareceu escada acima.

Gina olhou para Hailey.

— Quer que eu vá com você?

Hailey balançou a cabeça.

— Não. Eu volto já...

───

A porta da sala de McGonagall, que antes pertencia a Dumbledore, estava fechada. Hailey bateu duas vezes.

— Entre.

Ela obedeceu. Minerva McGonagall estava atrás da escrivaninha. E Draco Malfoy estava próximo à janela. Hailey parou e o encarou feio Draco arqueou uma sobrancelha.

— O que ele está fazendo aqui?

— Acredite — respondeu Draco —, eu me faço a mesma pergunta.

— Chega vocês dois

A voz de McGonagall encerrou a discussão. Hailey sentou-se e Draco permaneceu de pé. McGonagall observou os dois por alguns segundos antes de falar.

— Vocês foram chamados porque há uma missão que precisará ser realizada fora de Hogwarts.

Os estudantes franziram a testa.

— Uma missão? – perguntou Hailey

— Sim.

McGonagall fez uma pausa.

— Mas, antes que eu explique o objetivo, há algo que preciso contar a você, senhorita Cipriano.

Hailey sentiu um desconforto imediato.

— Sobre o quê?

McGonagall sustentou seu olhar.

— Sobre você.

Hailey ficou imóvel.

— Você sabe que é uma bruxa.

— Sim.

— Sabe, também, que possui uma habilidade mágica incomum.

Hailey pensou imediatamente em Yaxley. Seria isso alguma explicação?

— Não entendi...

McGonagall respirou fundo.

— Na noite da batalha, houve despertar de algo que existe em você desde o seu nascimento.

Hailey estreitou os olhos.

— O quê?

— Seu sangue não tem só origem mágica...– uma pausa — Você não é apenas uma bruxa.

Hailey esperou.

— Você é uma semideusa.

O silêncio que se seguiu pareceu maior do que a própria sala. Hailey piscou. Uma vez. Duas.

— Desculpe?

— Você ouviu corretamente.

Hailey olhou para Draco procurando algum vestígio de que aquilo era alguma piada mas ele parecia tão confuso quanto ela. Voltou os olhos para McGonagall.

— Semideusa...

— Sim.

Hailey soltou o ar lentamente. Então seu cérebro começou a trabalhar. Não porque aquilo fizesse sentido. Mas justamente porque não fazia.

Semideuses.

Ela conhecia aquela palavra. Conhecia muito bem. Hailey lia mitologia grega desde criança. Tinha livros sobre o assunto guardados em casa. Conhecia genealogias, guerras, nomes, relações familiares e versões diferentes dos mesmos mitos. Sabia que Zeus era o deus dos céus. Poseidon, dos mares. Hades, do mundo dos mortos. Conhecia Atena, Ares, Apolo, Ártemis, Afrodite.

Sabia sobre os Titãs. Sabia sobre Cronos. Sabia sobre monstros e heróis.

Sabia sobre os filhos dos deuses com mortais. Mas tudo aquilo sempre pertencera ao mesmo lugar. À ficção. À história. À mitologia.

Hailey olhou novamente para McGonagall.

— Você está dizendo que os deuses gregos existem?

— Sim.

— Literalmente?

— Literalmente.

Hailey ficou alguns segundos em silêncio.

— Zeus existe?

— Sim.

— Poseidon?

— Sim.

— Atena?

— Sim.

— Hades?

McGonagall assentiu. Hailey passou uma mão pelo rosto.

— Então os mitos...

— São histórias baseadas em acontecimentos reais.

Ela se recostou na cadeira. Aquilo era absurdo. Completamente absurdo. E, ao mesmo tempo, havia uma parte de sua mente que já começava a reorganizar anos de leitura. Ela lembrava de histórias sobre semideuses. Sobre crianças que herdavam poderes dos pais divinos. Sobre habilidades que podiam surgir de maneira inesperada. Sobre monstros capazes de encontrar esses jovens. Sobre o fato de que o mundo dos mortais raramente percebia o que realmente acontecia.

Hailey engoliu em seco.

— Eu achei que era tudo invenção.

— Era isso que queríamos que você acreditasse.

A resposta a atingiu como um soco

— Minha mãe sabia?

— Sim.

— Dumbledore?

— Sim.

— Você?

— Sim.

Hailey desviou os olhos com certo rancor

— Há quanto tempo?

— Desde que você nasceu.

Aquilo doeu. Mais do que ela esperava.

— Então todo mundo sabia menos eu. Queria estar surpresa com isso...

McGonagall permaneceu em silêncio.

— Sua mãe é uma bruxa — continuou. — Uma bruxa extraordinária e uma importante integrante da Ordem da Fênix, a Lucy Cipriano.

Hailey levantou os olhos. O nome de sua mãe pareceu estranhamente diferente naquele momento.

— Ela me disse que era uma bruxa. Disse que meu pai era um bruxo.

— Ela precisava que você acreditasse nisso.

— Por quê?

— Porque você estava mais segura sem saber.

Hailey apertou os lábios. Ja estava irritada

— E meu pai?

McGonagall hesitou.

— Isso você descobrirá quando chegar a hora.

Hailey imediatamente percebeu a escolha cuidadosa das palavras.

— Você sabe quem ele é.

— Tenho minhas suspeitas...

— E não vai me contar.

— Não.

Hailey respirou fundo. Ela não gostou. Mas sabia reconhecer uma decisão definitiva quando ouvia uma. Minerva era boa em fazer os outros a obedecerem

— Certo.

McGonagall continuou:

— Sua mãe e seu pai decidiram que você deveria permanecer no mundo bruxo. Hogwarts oferecia uma proteção que o Acampamento Meio-Sangue não poderia garantir naquele momento.

Hailey ergueu as sobrancelhas.

— Acampamento Meio-Sangue?

— É onde muitos semideuses vivem e treinam.

Hailey ficou pensativa. Ela conhecia o conceito mas não o nome do local. Agora descobria que também era real.

— E os monstros?

— Também são reais.

Um arrepio percorreu sua pele.

— Então...

Ela parou. A lembrança de Yaxley voltou. Mas ainda não havia resposta ali. Não havia memória. Só o vazio.

— O que aconteceu comigo depois que Yaxley apontou a varinha dele para mim?

McGonagall a observou cuidadosamente.

— Você não se lembra?

Hailey balançou a cabeça.

— Não.

— E isso talvez seja uma consequência do trauma. Não devemos forçar a memória.

Hailey franziu a testa.

— Mas alguém sabe o que aconteceu?

— Sabemos apenas o resultado.

— Ele morreu, né?

— Sim.

— Como?

McGonagall fez uma pausa.

— Não foi um feitiço. Algo diferente disso. Muito mais poderoso. Algo tão forte que fez Yaxley ser desintegrado.

Hailey ficou imóvel e sentiu um frio no estômago.

— Eu fiz isso?

— Nós acreditamos que sim.

– Como posso ter feito isso e não lembrar de nada? Como fazer algo sem saber que poss??

Ela olhou para as próprias mãos. Não sentiu orgulho. Não sentiu alívio. Sentiu medo. Porque, se aquilo realmente havia vindo dela, significava que existia uma parte de si mesma que ela sequer conhecia.

E, pior ainda...

Uma parte capaz de matar sem que ela sentisse.

— Eu não lembro de nada — repetiu.

— Eu sei.

McGonagall não tentou preencher o vazio. Não disse a Hailey o que ela deveria ter visto. Não inventou uma memória para ela. Aquele pedaço de sua história continuaria sendo uma pergunta.

Por enquanto.

McGonagall então começou a explicar o restante. Contou que os mundos que Hailey conhecia não eram tão separados quanto ela imaginava. Que bruxos sabiam da existência dos semideuses. Que os semideuses sabiam, em alguns casos, da existência de bruxos devidos a encontros entre missões. Mas que havia uma razão para o mundo bruxo permanecer escondido. Proteção. Durante séculos, o mundo bruxo fizera o possível para permanecer invisível aos mortais.

E os próprios semideuses tinham suas regras, seus acampamentos, suas missões e seus segredos. Hailey ouvia atentamente. Fazia perguntas e interrompia quando alguma informação parecia contraditória.

Malfoy permaneceu tão quieto que sua presença fora praticamente esquecida

Até que chegou à parte que realmente importava. Voldemort havia sido derrotado. Mas alguns de seus seguidores sobreviveram. E esses homens e mulheres estavam procurando novos aliados. Tinham encontrado algo muito pior do que imaginavam.

Os Titãs.

Hailey conhecia o nome.

Cronos.

Os antigos deuses.

A guerra.

— Eles estão tentando trazer os mortos de volta — explicou McGonagall.

Hailey ficou em silêncio. Andrew surgiu em sua mente. Ela imediatamente afastou o pensamento.

— Isso é impossível...

— Existe uma magia antiga que talvez permita algo semelhante.

— Talvez?

— Nunca foi testada.

— Então ninguém sabe se funciona.

— Exatamente. Mas eles estão disposto a qualquer coisa para assumir o poder. Não só do nosso, mas dos dois mundos...

— E é por isso que precisam dos semideuses?

— Entre outras razões. Ter aliados com poderes divino é um grande trunfo

McGonagall abriu um mapa sobre a mesa.

— Existe uma cidade chamada Nova Chicago.

Hailey inclinou-se para observar.

— Chicago? Nos Estados Unidos?

— A mesma cidade.

— E por que "Nova"?

— Porque a cidade passou por acontecimentos que mudaram sua estrutura social. Hoje existem grupos chamados facções.

McGonagall explicou a divisão da cidade.

Erudição.

Amizade.

Franqueza.

Abnegação.

Audácia.

Hailey absorveu tudo.

— E existem semideuses lá?

— Sim.

— Quantos?

— Temos conhecimento de pelo menos dois além de você.

McGonagall apontou para o mapa.

— Um deles está entre os membros da Audácia. Pelo que entendi é uma mulher ruiva...

Depois apontou para outro ponto.

— E há uma garota que também é bruxa e semideusa. Sabemos que ela é filha de Poseidon.

Hailey franziu a testa.

— Ela sabe?

— A essa hora, já deve estar a par de tudo. Ela irá te encontrar lá.

— Qual o nome dela?

— Grace.

Hailey repetiu mentalmente.

— Grace.

— Cabelos castanhos cacheados e compridos. Olhos verdes. Habilidade excepcional com armas.

Hailey assentiu.

— E o outro?

— Também está na cidade.

McGonagall fez uma pausa.

— Mas a garota da Audácia é a terceira e última bruxa-semideusa que conhecemos. Essa ruiva que mencionei

Hailey olhou para ela.

— Então somos três.

— Sim.

McGonagall pegou os dois longos estojos de veludo. Colocou-os diante de Hailey.

— Essas varinhas são para as duas garotas.

Hailey olhou para os estojos.

— Para Grace e para a garota da Audácia?

— Exatamente.

Hailey abriu o primeiro. Uma varinha repousava cuidadosamente sobre o veludo. Ao lado dela, havia um pequeno pergaminho.

— Olivaras preparou ambas especificamente para elas. Ele deixou indicado qual varinha pertence a qual garota. Hailey tocou o pergaminho.

— E eu devo entregar a elas.

— Sim.

— E ensiná-las magia.

— Sim.

Hailey fechou o estojo. Então McGonagall acrescentou:

— Para isso, já providenciei autorização junto ao Ministério da Magia.

Hailey ergueu os olhos.

— Autorização?

— Você tem dezesseis anos. Normalmente, estaria proibida de realizar magia fora de Hogwarts.

Hailey assentiu. McGonagall pegou um documento.

— Esta missão é uma exceção. O Ministério autorizou formalmente que você utilize magia fora de Hogwarts durante o período da missão.

Hailey pegou o documento e leu rapidamente. Muito rapidamente. Os olhos percorreram cada linha.

— Está especificado que posso usar magia para ensinar as duas garotas...

— Sim.

Hailey voltou algumas linhas.

— E para situações de emergência...

— Também.

Ela assentiu.

— Certo.

Dobrou o documento cuidadosamente e guardou-o nas vestes

— Então não estou infringindo a lei. Belexa.

McGonagall ergueu uma sobrancelha.

— Algo ficou inexplicado, senhorita?

— Não. Tudo certo.

Draco soltou uma pequena risada.

— Você realmente precisava confirmar isso?

Hailey olhou para ele.

— Eu leio os documentos que recebo. Leio tudo o que chega nas minhas mãos e possui letras.

Ele ficou em silêncio. McGonagall continuou:

— Você também precisará ensinar às duas garotas como utilizar suas varinhas e compreender o básico da magia bruxa.

Hailey assentiu. Aquilo, pelo menos, ela sabia fazer. Harry foi um excelente professor na Armada de Dumbledore

Então veio a última parte.

A profecia.

Hogwarts seria novamente atacada.

Dentro de oito meses.

No verão seguinte.

Em terras bruxas.

Provavelmente no próprio castelo.

Ainda não sabiam exatamente por quê. Mas sabiam que precisavam estar preparados. Hailey sentiu o peso da informação.

— Então querem reunir os semideuses antes disso.

— Sim.

— Porque os Titãs podem estar envolvidos.

— Sim.

Ela olhou para Draco. Ele estava sério agora.Sem provocação.Sem sarcasmo.A guerra havia ensinado algumas coisas até mesmo a ele.McGonagall abriu uma gaveta e retirou duas mochilas.

— Vocês partirão hoje.

Hailey arregalou os olhos.

— Hoje? Nós?

— Hagrid acompanhará vocês inicialmente. Depois, deverão seguir sozinhos.

McGonagall fez um movimento com a varinha. As roupas de Hailey mudaram. O uniforme da Grifinória desapareceu, substituído por roupas comuns, adequadas ao ambiente de Nova Chicago.

Draco também teve as roupas alteradas.

— Vocês não podem parecer bruxos.

McGonagall entregou as mochilas. Hailey colocou a sua nas costas e Draco fez o mesmo.

— A cerimônia das facções acontecerá em breve. Vocês deverão participar.

Draco franziu a testa.

— Cerimônia? Participar?

— Escolher uma facção.

— Qual?

McGonagall olhou para os dois.

— Audácia, oras...

Hailey assentiu.

— Entendido.

— Lá vocês terão mais facilidade para localizar a semideusa. Pelo que o chefe do Acampamento meio sangue, u. Dos semideuses que acompanharão vocês acredita que saiba quem ela é.

Draco olhou para Hailey. Ela já sabia o que viria.

— Não confio em você — disse ele.

— O sentimento é recíproco.

— Ótimo.

Ele estendeu a mão.

— Trégua?

Hailey olhou para a mão. Depois para ele. Apertou.

— Até terminarmos a missão.

— Até terminarmos a missão.

───

Hagrid os esperava do lado de fora perto de sua cabama. Antes que partissem, Hailey voltou-se para McGonagall.

— Diretora.

— Sim?

Hailey hesitou.

— Tudo isso... – ela olhou para os estojos de veludo – Se os deuses são reais... se os semideuses são reais... se os monstros são reais... Então quantas das histórias que eu li eram verdade?

McGonagall a observou por alguns segundos.

— Essa é uma pergunta que você terá que descobrir sozinha.

Hailey resmungou de leve. Era provavelmente a resposta mais irritante que poderia ter recebido. Mas também era a que mais despertava sua curiosidade.

Ela apertou a alça da mochila.

Durante toda a vida, lera sobre deuses como quem lê sobre personagens. Sobre heróis como quem lê sobre lendas. Sobre monstros como quem lê sobre criaturas inventadas por povos antigos para explicar seus medos. Agora descobria que talvez nenhuma daquelas histórias tivesse sido inventada. Talvez os humanos apenas tivessem chamado de mito aquilo que não conseguiam compreender.

Hailey olhou para o céu.

E, pela primeira vez, uma pergunta diferente surgiu em sua cabeça.

Não se os deuses existiam.

Mas qual deles era seu pai.

E essa era uma resposta que ninguém naquela sala lhe daria.

Ainda.