Capítulo Dois

Hoje é o enterro de Fred, eu vou, mesmo que não queira. Eu tenho de ir. Procurei roupas pretas e me arrumei, desci as escadas devagar. Sem fazer barulho. Minha mãe estava a minha espera com um vestido justo e preto. Pegamos um taxi, e fiquei sentindo o cheiro de couro, plástico e fumaça de cigarro. Chegamos lá por volta das 11h e 05min, a cerimônia foi rápida e o padre me pediu para fazer um elogio fúnebre. Mesmo despreparado aceitei.

– Hoje nós nos reunimos aqui para lamentar a perda de Fred, como era conhecido o nosso... – comecei assim e achei muito brega – Ele era um verdadeiro filho da mãe, sempre o avisei que comer é bom, mas... Bom, ele era meu amigo desde... Desde sempre! Ele era super hiper mega ultra legal; e é isso que eu tenho para falar, perdão! – Sai de lá e só voltei quando todos haviam se retirado. “Você quer ficar só com ele?” perguntou minha mãe, e eu disse que sim. Coloquei flores no túmulo dele e fiquei olhando a data de sua morte. Ouvi passos pisando as folhas que estavam caindo.

– Temos que superar, não é? – Disse Alissa com olhos cheios de lágrimas, fazendo a maquiagem deixar rastros pretos nas maçãs do rosto.

– As pessoas morrem Alissa – Falei levantando-me – Essa é a verdade nua e crua. – Ela me abraçou, e ficamos lá, por muito tempo depois ela se afastou um pouco. Eu passei as mãos afastando as lágrimas dos olhos dela e ficou borrado no rosto dela. Eu sorri e ela também sorriu.

– Você vai ficar bem – E então ela limpou os olhos com as mangas da camisa e encostou a cabeça no meu peito.

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Eu voltei para casa em torno das 13h e 20min, Os dias da minha vida continuaram depois de tudo que ocorreu. Mas, mesmo assim, não eram mais os mesmos. Sinto como se tivessem arrancado um pedaço da minha alma, é difícil você estar acostumado a ver e falar com uma pessoa todos os dias e depois pensar que nunca mais vai vê-la. Com tudo que aconteceu, as coisas ficaram piores. O meu meio-irmão passou uma semana aqui, Drake e Angelina terminaram o namoro, Penny agora foi transferida para um internato só para meninas, kent se mudou para Baltimore, no estado de Maryland e Bobby entrou em depressão quando a mãe deixou o pai dele e ele sofreu um acidente de carro, agora ele é usuário de drogas. E o pior todos os dias a minha vizinha, Lizzy, fica o dia todo escutando “born to die”, o que me faz lembrar do Fred. Nem os meus treinos de arco e flecha melhoram meu humor agora.

Eu dei um pulo na piscina e fiquei emergido na água. Fechei os olhos e fiquei assim mesmo debaixo d’água. Depois abri os olhos e vi um coisa mexendo-se dento d’água como fios de cabelo azul marinho. Depois disso Um rosto de homem aparece e avança sobre mim eu assusto-me e quase me afogo, vou nadando rápido até a superfície e encosto a cabeça na beirada da piscina e respiro ofegante.

– Daniel? – escutei, levantei a cabeça para ver quem era, era uma voz conhecida mas, não que eu lembrasse de imediato, minha visão estava embaçada mais depois consegui ver que era a Alissa.

– Ah, oi Alissa, como você tá?

– Tudo. Mas, e com você? – perguntou. Apenas acenei que sim, porque se eu dissesse que sim estaria mentindo.

– Quer dar um passeio? – Perguntou ela. Respondi a ela com um sorriso, eu me arrumei, vesti uma roupa e saí de casa. Dei um beijo minha mãe maravilhosa e fui caminhando ao lado de Alissa até um lago de águas calmas.

– Eu disse que íamos passear não disse? – Falou. Ela apontou para barco simples de madeira pintado de azul, amarelo e verde com estrelas brancas. Entramos com um pouco de dificuldade e pegamos os remos. Fiquei sentado de frente para ela e remamos juntos.

– Estou vendo que você está bem melhor não é?

– É. – Respondi. Ficamos calados remando entre sorrisos e suspiros, olhei para o meu reflexo na água e pude ver um sorriso recém-alinhado de dentes branquinhos que desmancharam rápido.

– Alissa, temos que voltar logo!

– O quê? Por quê? – ela perguntou.

– Isso é rio de águas calmas e elas estão ficando agitadas se não voltarmos logo, temo que cairemos de uma corredeira. – Começamos a tentar a virar o barco mas, não conseguimos e o barco foi rápido entre as pedras do lago, gritávamos apavorados, agarrei Alissa num abraço e ela fechou os olhos, fiquei com os olhos semi-abertos olhando enquanto caímos. E consegui enxergar um tipo de nuvem de poeira roxa, por qual atravessamos. Daí eu apaguei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.