L'amour platonisch
1 OneShot " Platonique"
Notas iniciais
" Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. E horror é uma gentileza (...) Algumas pessoas nunca enlouquecem. Elas devem levar uma vida verdadeiramente horrível...Malditas pessoas tediosas!, em toda face da terra propagando novas malditas pessoas tediosas. Que show de horrores! A terra está formada por elas."
Charles Bukowski
Era o primeiro dia de volta as aulas no “collège de la souveraineté”, ás férias de inverno já haviam acabado e estávamos de volta em mais um ano letivo decadente. Fez um ano que eu estudo no mesmo colégio e com as mesmas pessoas “ tediosas “ citadas pelo meu “querido” amigo Bukowski. De certa forma adorava o quão ele via a vida de forma realista e insípida. “Alegrava” os meus dias assim. E como toda volta as aulas me aprontei e fui para o ponto de ônibus esperar que o mesmo chegasse.
Não demorou muito para que ele surgisse do lado daquele emaranhado de carros. Eu subi naquele automóvel de mais de quatro rodas com um velho gordo e medíocre no volante com olhares ignorantes do tipo “ que bizarrice é essa que acabou de subir aqui¿”. Estava com o olhar fixo para a cadeira que se localizava no fundo do ônibus quando meus olhos involuntariamente se dirigiram para uma risada histérica de uma garota de longos cabelos rosa como um algodão doce enjoativo, após você comer todo dia naquele mesmo horário. ( não foi La uma comparação das melhores, Mas era exatamente o que eu senti ao vê-la). Nossos olhares se cruzaram por alguns segundos e pude perceber que seus olhos eram azuis, seus cabelos estavam soltos e possuía uma franja na altura das sobrancelhas. Estava com um grupo de amigas. Todas com roupas alegres. Claro que eu senti além do olhar dela mais dois olhares para mim. Das suas amigas.
Afinal, eu não era o tipo de garota “animada” ou que se vestia de forma “colorida”. Eu tinha meu cabelo curto na altura do ombro de tonalidade preta. Com uma franja três dedos abaixo da minha sobrancelha e uma parte dessa franja cobria um dos meus olhos que por sinal possuíam uma pigmentação diferente das demais. Deve ser por isso que eu não possuo muitos amigos. Eles são de uma tonalidade que puxam para o rubi. E para completar tenho uma pele branca como uma neve. Então muitos acham que eu sou apenas um efeito falho de um fenômeno sobrenatural que não conseguiu ir para o “outro” lado.
– Aya-chan o que houve¿ — Uma de minhas amigas me perguntava na sala enquanto eu pensava sobre a garota esquisita que eu vi de manhã mais cedo. – Esta sonhando acordada Aya¿
– Claro que não Rimeku-chan...só...você não achou estranha aquela garota de hoje cedo¿ A que entrou no ônibus de cabelo escuro¿ — Eu falei olhando para a Rimeku, ela era mais alta que eu e tinha cabelos ruivos, peituda um ótimo corpo físico, era a responsável por um dos clubes. Em especial de Tênis e estava louca para que eu participasse desse clube.
– Estranha¿ você quer que eu liste algo em especial ou eu posso dizer que eu achei ela TODA em sí estranha¿ — ela dizia gesticulando.
– Sobre o que estão falando garotas¿ Algum boato de algum gatinho lindo¿ — Essa era Sango, outra amiga minha. Não possuía um corpo atlético como o da Rimeku, mas era alta e linda e possuía curvas bastante generosas com seios grandes, porém menores em comparação a Rimeku. Ela era loira com longos cabelos assim como os meus, nos três em especial tínhamos olhos azuis.
– Aya estava falando sobre a guria de hoje cedo..a esquisita! – Rimeku dizia para a Sango entender a história.
– Ah!!! Estão falando da Enma Addams¿ — Sango disse de forma natural.
– Você a conhece¿ — Eu perguntei perplexa. Conhecia a Rimeku e a Sango desde que éramos garotinhas e nunca imaginei que ela conhecesse pessoas assim..quero dizer..diferentes.
– Sim..quer dizer..não! – Ela disse
– Espera ai, você conhece ou não ela¿ — A Rimeku dizia com os braços cruzados e batendo o pé.
– De certa forma. Ela participa do meu clube de artes..eu a conheço de La. Só isso. Mas NUNCA falei com ela. – Ela dizia nos olhando.
Ficamos em silencio quando a professora Nagisa Hatori chegou dando inicio a aula.
Eu me despedi de Sango e Rimeku quando terminou a aula e fui da uma volta..afinal esse era o momento que eu deveria escolher em qual clube iria ingressar e não queria entrar em qualquer um. E procurei, fui ao clube de culinária, tênis, arco e flecha, esgrima, montaria, tênis, teatro, cosplay...e finalmente o de artes. E por incrível que parece nenhum pareceu da certo para mim e quando vi artes também não era o meu forte. Em que clube eu deveria entrar afinal¿ estava ficando preocupada..teria que entrar em algum clube e no mínimo era um! No Maximo poderíamos entrar em cinco. Até que em uma parte mais fechada eu vi um novo clube. Clube de literatura, esse parece bom. Eu deveria entrar e ver.
Eu entrei e tinha uma moça de longos cabelos pretos recitando um poema:
“ Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos
Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz “
– Então quem pode me dizer o que sentiu com isso¿ — Ela perguntava para uma sala que possuía menos de 5 pessoas e uma delas era ela. A garota esquisita de cabelo curto preto do ônibus..e de olhos...que olhos mais sinistros de tonalidade rubra. – Enma¿ gostaria de dizer algo¿ já que nunca compartilha o que pensa..que tal hoje¿
A moça que parecia ser a responsável do clube fitava a guria pálida que possuía um olhar assustador mais ao mesmo tempo frio e sereno. Houve um silencio por algum tempo e a mesma negou com a cabeça e a moça suspirou triste. E logo depois vários olhos me fitam. Fiquei vermelha com aqueles olhos que me comiam curiosos
– Posso ajudar¿ — A moça disse – Eu me chamo Hikari e você¿ — ela disse para mim
– Natsumoto, Aya Natsumoto. – falei olhando para a guria estranha que me olhava com cara de tédio.
– Olá, Muito prazer..quer participar¿ pode assistir uma aula experimental – ela disse para mim. – Sente-se ali naquela cadeira vazia.
Quando eu prestei atenção na cadeira que ela havia apontado era a do lado da garota estranha. Me sentei angustiada ali. Não demorou muito e eu a fitava de soslaio, enquanto parecia que eu não existia para ela.
– Enma, sua vez..qual o seu autor da Semana¿ — Dizia a moça responsável do curso..Será que ela irá ler¿
Ela folheou algumas folhas de seu caderno e o pegou
“ Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar
contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas,psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas. – disse ela por fim
– Ual..bizarro – eu disse baixinho, mas ela ouviu e me olhou com o canto do olho estreitando-os para mim. Senti um arrepio forte na espinha.
– Obrigada a todos e nosso próximo encontro será na semana que vem, toda as terças-feiras não se esqueçam! – A senhorita Hikari dizia.
E no fim eu comecei a participar do clube de literatura. Cada poema tocava a minha alma. E os escritores mórbidos da Enma me deixava mais curiosa a respeito dela. Sobre quem ela era de verdade. E porque essa energia tão negativa assim. Porque toda essa frieza e desprezo por pessoas¿ a aula acabou e mais uma vez quando eu tentei falar com ela, ela simplesmente saiu andando nas pressas ignorando os meus chamados. Ela me ignorava com classe. Mas será que seria sempre assim¿ Ela sem saber que eu existo¿ Porque desde o momento que eu decidi entrar no clube ela simplesmente me ignorou e nem olhar nos meus olhos olha. É como se eu não existisse para ela. E era assim todos os dias.
Eu estava começando a gostar e ter curiosidade do comportamento fechado e frio dela. Mesmo ela me ignorando e fazendo de conta que eu não existia...eu..eu queria esta perto dela. Que insanidade a minha! Não sabia que eu era masoquista a essa ponto. De querer conhecer alguém que finge que eu não existo para ela.
Quando estava finalizando o encontro do Clube, senhorita Hikari disse mais coisas, além do seu habitual “ até próxima semana”
– Quero um trabalho..em dupla. E cada um ficara com a pessoa ao seu lado. – Sim ela disse. E para ficar tudo certo a pessoa que estava ao meu lado era a Enma. Eu a olhei e pela primeira vez ela me encarou erguendo umas de suas sobrancelhas bem desenhadas.
– Quero que se reúnam e decidam o que vão fazer. Desde que em grupo.
E foram se passando meus longos dias na Ala mais isolada da biblioteca com Enma Addamns a garota estranha do clube de literatura.
– Esta..aqui. – Ela dizia com uma voz super baixa e calma, tão suave..era uma voz tão linda.
– você terminou as pesquisas..isso é ótimo..- Queria saber, precisava saber – Enma..¿
– Hm¿...
– Você não gosta de mim¿
– ....
– Quando nos conhecemos naquele ônibus você me olhou estranha, me olhou estranha no inicio do clube de literatura quando eu comecei a frequentar..e depois parou de me encarar..e agora..só esta falando comigo por causa desse trabalho da senhorita Hikari, senão...
– Não estaria aqui com você! – Ela disse de forma afiada como uma lamina
– Exatamente, não estaria. – Eu disse meio triste, baixei a cabeça e falei baixinho – Eu te fiz algo¿
– .... – Nada de resposta.
– desculpe. – Porque eu me importava com aquilo¿ porque eu queria a atenção dessa guria¿ Pelo visto eu descolei o pior modo de se apaixonar..me apaixonei pelo nada, mais conhecido pelo amor platônico. Quando vi o resultado dos meus pensamentos dei um suspiro muito alto e forte. Ela nem pareceu se importar, eu disse em um tom baixo e voltada para mim. – não acredito que me apaixonei por você. – Eu tinha a pura certeza de que ela não tinha escutado. Ela me ignorava a maioria do tempo, então não ouvia o que eu dizia. Não demorou muito e terminamos nossos afazeres.
A semana passou rápido como um furacão, porém durante duas semanas Enma não compareceu ao clube e essas sim foram lentas. Eu senti que por um momento que por minha causa ela tinha abandonado aquilo tudo. Que não suportava o fato de conviver comigo em um mesmo ambiente por mais de 2 horas. Deu então inicio a uma nova semana e para a minha surpresa a menina pálida de cabelos curtos negros estava ali sentada. E levou o olhar em minha direção, pela primeira vez não senti aquele olhar frio me encarando, senti algo mais. Eu não pude disfarçar o meu sorriso ao vê-la, então já viu que eu sorria brilhantemente tentando de maneira medíocre ofuscar o brilho do sol com meu sorriso sonhador.
– Vamos meninas..Mais alguma poesia¿ Alguém quer recitar algo¿ — Hikari falou até que um braço levantou a mão e para a minha surpresa como a dela...- Enma¿ você quer recitar¿ — Enma apenas balançou a cabeça em gesto positivo. E foi em direção a professora ficando ali ao lado dela e começou a falar de forma calma
“ Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirigi o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Mais quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar”
Ela recitava aquele poema do meu filme preferido sem olhar para o papel. Seus olhos estavam ocupados de mais encarando os meus. Aqueles lindos olhos vermelhos sangue me fitavam, me encaravam. E eu me senti despida por eles. Como se ela pudesse me ver..ver a minha alma. Aquele olhar direto e constante, fizeram as minhas bochechas ruborizarem como a cor de seus olhos. Todos aplaudiram e ela voltou a se sentar ao meu lado.
Não demorou muito e ela me entregou um papel que estava escrito
“ me encontre na cobertura da escola”
Ela saiu primeiro que eu do clube, porque fui parada pela Hikari que me fazia algumas perguntas e etc. Mas quando enfim me livrei de todos eles fui em direção a cobertura do colégio subi 4 andares de escadas, mas uma remessa que dava para o andar de cima. Abri a porta e lá estava ela. Aquela silhueta que eu reconhecia em todo o lugar. Seu cabelo se movimentava conforme o vento. Dava até para sentir o aroma doce de seu perfume que era trazido para mim pelo generoso vento.
– Você queria me ver¿ — Falei me aproximando
– ..... – Ela então se virou para mim e me olhava
– E-eu estou aqui agora. – Disse e finalmente parei a sua frente olhando nos seus olhos. Ela então se aproximou e me beijou de forma lenta e sutil. Seus pequenos lábios macios dançavam com os meus e logo sua língua chegou pedindo passagem para entrar que foi concedida. Sua língua tocava a minha que logo se entrelaçaram como nunca ocorrera em qualquer outro beijo que eu já tive. A sincronia que emanava de ambas era incrível. Queria parar o mundo ali naquele momento. Mas logo ficamos sem ar e fomos obrigadas a nos separar e então ela disse sussurrando no meu ouvido.
– Você não ama sozinha!
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