Lamentos das asas de Um Kresnik
1 Prólogo - Sem Saber Quem Sou...
Notas iniciais
Hoje era cinco de julho aniversário de minha existência, mas para mim não passava de um dia como outro qualquer mesmo que eu esteja entre os Terrans e Methuselahs há tanto tempo que os entenda por todos os lados desse conflito sem sentido, mas ainda não queria intervir em nada... Não era por que não sabia a que lado me unir era pelo fato de não me importar com essa bobagem de coexistência entre eles e o fato de não me importar com as vidas de nenhum deles... Para mim não havia nada que me prendesse a nenhum deles até hoje...
—Mais um aniversário... Quantos mais vou presenciar?
—Moço! Hoje é seu aniversário?
—Pode-se dizer que sim...
—Você é um Terran como eu?
—Não, mas também não sou um Methuselah...
—Então o que você é moço?
—Não sei, mas assim que souber eu te comunicarei...
—Você não tem que ir para casa para comemorar seu aniversário moço?
—Bem, eu não tenho casa...
—Por que você não vai à casa de um amigo?
—Eu não tenho amigos...
—Eu também não tenho casa e nem amigos, mas eu tenho a minha boneca Melissa que minha mãe me deu antes de eu ficar sozinha...
—O que houve com a sua mãe?
—Ela foi levada pelos Methuselah quando eu tinha cinco anos e ela me deu essa boneca antes de me esconder no porão de casa, mas eu não quero voltar para casa... Eu vou ficar sozinha no escuro e vou sentir medo... Mas mamãe vai voltar e não vou mais ficar sozinha...
—Onde é sua casa menina?
—É por aqui eu vou te mostrar!
Ela me puxou o braço agarrando-o como muita força, mas eu não pude entender o porquê que ela fazia aquilo mesmo que ela tenha ficado sozinha assim como eu, ainda assim não conseguia entender o porquê daquilo... Ela tinha me levado para um casebre abandonado onde eu senti um forte cheiro de sangue Terran, mas não me alarmei eu não tinha medo nem nunca o tive de nada nem ninguém...
—Moço qual é o seu nome? O meu é Lílian.
—Meu nome é Experimento Kresnik-zero...
—Que nome estranho? Acho melhor Petter combina com você!
—Mas meu nome não é esse...
—Não tem importância você pode ser agora Petter, não é?
—Tudo bem então...
Ela era um pouco cabeça dura, mas era o mais próximo de amigo que eu podia ter, mesmo que fosse uma Terran... A casa parecia destruída, mas ainda habitável e eu ainda não sabia por que tinha ido com Lílian até lá...
—Petter foi aqui que eu estive sozinha no escuro até o amanhecer quando eu vaguei pelas ruas para encontrar ajuda...
—Ajuda... Você precisa de mim? Mas para quê?
—Eu queria alguém para me fazer companhia para eu não ficar sozinha de novo até minha mãe voltar...
Eu pensava em dizer a ela que a mãe dela não voltaria mais, todavia eu não sabia como dizer isso sem que ela chorasse e muito menos sabia como poderia depois compensar esse fato...
—Lílian... Eu acho...
—O quê? Que nós vamos poder morar aqui até minha mãe voltar? Eu também pensava nisso!
—Não é bem isso...
O rosto dela de alegria e confiança não me deixava falar e ainda por cima ela não me deixava falar nem meia frase... Isso foi à coisa mais difícil que fiz... Mas tinha que ser feita...
—Lílian... Acho que sua mãe não vai voltar...
—O que faz você pensar que ela não vai voltar?
—Ela foi levada por Methuselahs, não?
—Foi sim...
—Methuselahs não gostam de Terrans e eles os matam, assim como os Terrans tentam matar os Methuselahs...
—Isso... (lágrimas escorrendo) Isso é mentira! Ela vai voltar! Eu sei que vai...
—Lílian... Eu sei que é difícil, mas sua mãe não vai voltar... Mas eu estarei com você para te proteger dos Methuselahs... Eu prometo...
—Petter... Você promete que não vai me deixar sozinha de nov0? Promete que não vai me deixar na escuridão?
—Eu prometo...
Foi a primeira vez que fiz uma promessa para uma Terran... Foi a primeira vez que tinha pensado em um Terran... Foi à única vez que pude sentir o frio de medo de um Terran e eu só esperava não mais sentir aquilo de novo...
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