Lamentful Miss

1 Chapter Unique


Dedicou-lhe o soneto 19 de Shakspeare, um trecho dizia:

“E contudo, faças o teu horror

Tempo velho: apesar de tua maldade

Meu amor para sempre viverá, fresco e jovem em versos meus”

Sentia-se sozinha na maior parte do tempo, as vezes imaginava que vivia em uma época longe da atual, distante de toda a tecnologia que cercava a ela e os demais. Por alguns instantes só queria uma folha e uma caneta, assim seria como os escritores antigos que admirava, sem computadores e celulares, apenas com a dor e a melancolia.

Possuía um medo enorme da morte, não só disso mas medo de morrer e não ser lembrada, de não deixar nada por onde passou. Queria ser admirada por algo, mas tinha medo também de não ter nada que pudesse deixar, já que não tinha uma doce voz para cantar e muito menos um rosto bonito para ser lembrado.

Sempre estava deslocada na maioria das situações. Enquanto todos estavam amando ao seu redor, ela estava pensando em como seria bom ser outra pessoa. Não conseguiria mudar seu jeito para ser como os outros e tinha consciência disso.

Sim, era triste constantemente. Seu maior sonho era viver em uma casinha, isolada de qualquer meio de comunicação, outrora, sentia vontade de fazer amigos, viver em sociedade e cercada de pessoas. Não conseguia decifrar a si mesma.

O soneto 8 de Shakspeare diz:

“Porque ouves tu música tristemente?

Aquilo que é doce é, com o doce não se briga, a alegria puxa alegria.

Porque tu amas aquilo que não te causa alegria?

Ou porque recebes com prazer aquilo que te enfada?”

“Cuja canção sem palavras,

Sendo muitas, parecendo uma só

Entoam para ti o seguinte:

“Tu sozinha, nada serás.””

Questionava se a alegria era realmente necessária, ou até mesmo se existia. De qualquer modo, a alegria depende da tristeza para existir, e vice-versa.

Não era a mais inteligente das garotas que conhecia, e nem mesmo a que mais lia. Sentia-se inferior por talvez, não acreditar no amor clichê que lhe era mostrado constantemente. Acreditava que o amor era algo bem diferente do que lhe era dito, mas também temia nunca conhecê-lo.

Escrevia para si mesma, era como se desabafasse para alguém, e se perguntava se alguém um dia a entenderia. Nunca entenderiam.

Talvez os que a entenderiam, não estariam mais por aqui. Lembrou-se de um trecho de “O Corvo”:

“Nem mais voz nem movimento fez,

E eu em meu pensamento

Perdido murmurei lento, “Amigo sonhos – mortais. Todos – todos já se foram. Amanhã também te vais.

Disse o corvo, “nunca mais.””

Prometeu a si mesma que não se desgastaria com problemas alheios, quando não resolvia nem os próprios.

“A alma súbito movida por frase tão bem cabida,

“Por certo”, disse eu, “são estas vozes usuais,

Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono

Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,

E o bordão de desesp’rança de seu canto cheio de ais

Era este “Nunca mais”.”

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!